O RELACIONAMENTO É COMO UMA EMPRESA: O QUE SIGNIFICA INVESTIR EM UMA RELAÇÃO CONJUGAL?

Antes de começar esta postagem, quero agradecer a minha amiga Vanessa Camargos, que me incentivou a escrever quando eu estava meio estagnado intelectualmente, além de vir me dando uma força enorme. Este texto só saiu por que ela me cobrou. Obrigado pela motivação 🙂

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Nesta semana eu fui postar uma foto no instagram e na hora da legenda me veio uma ideia interessante, ou melhor, me veio a inspiração para tratar de uma ideia que eu tinha pensado há algum tempo. Lá no instagram eu sintetizei a ideia com o seguinte textinho:

“Relacionamento é toda uma empresa, é todo um negócio.

Quem abre uma empresa visa crescer com base no lucro.

Para lucrar é necessário investimento.

Todo investimento traz riscos.

Eis o porém: Quando se investe em uma empresa ou negócio, se não dá certo, o capital se perde. Mas capital se recupera com esforço e jogo de cintura.

Quando se investe em um relacionamento, emprega-se tempo, disposição, ânimo… emprega-se a vida. E vida não volta, não se recupera o tempo perdido… mesmo que sejamos “tão jovens”.

Neste texto vou dissecar este textinho, mostrando o que há por trás da ideia em si, tratando de cada oração separadamente. Come on Kids.

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RELACIONAMENTO É TODA UMA EMPRESA, É TODO UM NEGÓCIO.

Como a minha visão socioeconômica é liberal, eu acabei trazendo a visão econômica/empresarial para o âmbito do relacionamento. Não vou dizer que pensar um relacionamento baseado no liberalismo econômico é de inteiro viável, porém, há muitos princípios se pode assimilar e aplicar viavelmente em um relacionamento. Por exemplo, esta compreensão de que um relacionamento é como uma empresa. Vejamos:

Quando se assume que um relacionamento é uma empresa, assume-se também que o seu cônjuge é seu sócio e ambos possuem a responsabilidade de fazer a empresa prosperar. Nesta relação, cada um investe tendo em vista a prosperidade do relacionamento, cada um deposita diariamente o que há de melhor para que o relacionamento seja agradável e gere bem estar para ambos.

Pelo menos, deveria ser assim, mas há quem não entenda esta questão ou não tenha esta visão e acabe caindo na errônea ideia de que a responsabilidade pelo bem estar do relacionamento é do outro e não se reconheça como parte da sociedade. Temos aí um clássico caso de egoísmo/egocentrismo, onde a pessoa espera que o outro gere sozinho os bons frutos para o relacionamento, ou seja, a pessoa emprega ao outro a responsabilidade pela prosperidade do relacionamento e até mesmo pela felicidade dela. Este é quase um caso de patronado, ou seja, a pessoa se vê como patrão da outra; A outra é seu empregado e tem o dever de fazer a “empresa” prosperar.

Ainda sobre o caso da relação de patronado, o momento trágico é quando o “patrão” não se satisfaz com a produtividade do seu empregado e procura substituí-lo ou descartá-lo. É óbvio o que eu estou falando: trata-se do caso onde a pessoa não está satisfeita com o que o outro faz por ela e flerta com outras pessoas [Aí Sam Smith diria: You say I’m crazy/ Cause you don’t think I know what you’ve done/ But when you call me baby/ I know I’m not the only one] ou simplesmente descarta a pessoa com quem se relacionava por achar que o que ela faz não é suficiente para ela. Esta pessoa que nunca está satisfeita com o que o outro faz por ela lembra aqueles patrões carrascos, clássico do período uma revolução industrial, que querem sempre mais lucro, inclusive submetendo os trabalhadores a situações e condições de trabalho deploráveis. São um tanto SADISTAS!

Diferentemente da relação de patronado, a relação de sociedade em um relacionamento, demanda igualdade de posições, direitos e deveres para os envolvidos. Ou seja, ninguém está acima de ninguém, ninguém é mais privilegiado que ninguém e todos tem as mesmas obrigações. A relação de sociedade deve ser horizontal e exige engajamento de ambos os cônjuges.

A parte mais difícil de se efetivar para se concretizar esta relação de sociedade é o cumprimento legal das suas obrigações. Por “legal”, entenda o livre acordo entre os cônjuges a respeito do que é melhor para a convivência cotidiana. A dificuldade reside no fato de, além dos interesses voltados para o relacionamento, existirem para cada cônjuge uma gama infinita de interesses particulares. Ou seja, cada um pensa no melhor para si, isto é um fato inquestionável. Porém, isto ainda não gera a dificuldade de que falo, a dificuldade se encontra na postura com que as pessoas tratam os seus interesses pessoais, isto é, se a pessoa prioriza ou trata de maneira flexível os seus interesses pessoais. Lembre-se que estamos falando de sociedade, então imagine que em uma sociedade empresarial um indivíduo coloque sempre os seus interesses pessoais acima dos interesses da empresa… Certamente a sociedade irá ruir, certamente muitas coisas não irão funcionar, pois o outro sócio se sentirá prejudicado pela soberba do outro. Então, tratar de maneira flexível os seus interesses pessoais é indispensável para uma sociedade funcionar de maneira eficiente.

Ademais, tratar os seus interesses de maneira flexível não significa abrir mão de tudo e nem ser eternamente obrigado a permanecer na sociedade, apesar de tudo. A partir do momento em que há uma discussão sobre interesses, que ela seja guiada democraticamente para que seja alcançado um acordo, de preferência consensual. Porém, se não há acordo sobre pontos relevantes, que cada um se sinta livre para abandonar a sociedade.

QUEM ABRE UMA EMPRESA VISA CRESCER COM BASE NO LUCRO

PARA LUCRAR É NECESSÁRIO INVESTIMENTO

Ora, é óbvio que quando pessoas formam uma sociedade para abrir uma empresa, elas estão pensando no lucros que obterão como frutos desta sociedade. No entanto, uma empresa não se abre do nada e também não se torna sólida sem planejamento e dedicação. Tudo isso se aplica a um relacionamento. Veja:

Quando duas pessoas entram em um relacionamento, elas estão pensando nos bons momentos que passarão em detrimento da relação com o outro e em tudo que pode se construir de bom com esta relação. Eu, sinceramente, não julgo saudável psicologicamente uma pessoa que entra em um relacionamento sem ter em vista o que espera deste relacionamento. Esta pessoa tem o que Heidegger chamaria de uma existência inautêntica, ou seja, ela vive por viver, sem saber o que será do seu futuro, vive sem planejamento recebendo que a vida lhe dá, sem expectativas… Ou seja, é uma pessoa que não é autor da sua história, como um ser inanimado ou irracional. Aí uma pessoa dessa quando entra em um relacionamento tem a tendência a estar sempre insatisfeita, não por receber coisas ruins, mas por que nem ela mesma sabe o que quer, então tudo para ela desagrada.

No entanto, uma pessoa que entra em um relacionamento autenticamente, ou seja, tendo em vista o que quer, tendo em vista objetivos e metas, esta pessoa visa, obviamente prosperidade para o relacionamento. Pois, a não ser que esta pessoa seja um psicopata, ela não desejará outra coisa em um relacionamento genuíno a não ser bem estar para si e para o outro, o que a gente chama de prosperidade. Bem, para alcançar esta prosperidade (lucro) é necessário investimento. Como foi supracitado “uma empresa não se abre do nada e também não se torna sólida sem planejamento e dedicação”. O que eu quero dizer com a ideia de que uma empresa não se abre do nada é que alguém tem que despender dedicação, entrega, disposição, ânimo, tempo para a relação ter início. Ademais, para ela se tornar sólida, é necessário que este despendimento seja constante, ou seja, que os cônjuges – não somente um, mas os dois – invistam estes elementos na manutenção do que foi construído. Um relacionamento só se torna sólido com investimento constante. Este investimento já implica planejamento, pois ninguém mentalmente saudável faz um investimento sem planejar em que investir, como investir e o que visa com tal investimento. Conclui-se então, que manter um relacionamento é uma atividade racional.

TODO INVESTIMENTO TRAZ RISCOS

Ou melhor, investir é uma tarefa arriscada. A tarefa de investir se torna ainda mais arriscada quando você investe em um relacionamento, em outra pessoa. O razão disto é bem simples: Você não tem controle sobre o outro, O OUTRO É IMPREVISÍVEL.

Já deu pra sentir a intensidade da questão, imagino eu. Deve ter passado pela sua cabeça agora que seria bom em certos momentos ter controle total sobre o outro (seu fascista!), mas é impossível sem cometer um crime (não cometa um crime!). Relações interpessoais é isto, você ter a capacidade de pensar/refletir sobre as suas ações, mas não ter controle algum sobre as reações dos outros.

Voltando à nossa discussão: Como acabei de colocar, você tem a capacidade de pensar, quebrar a cabeça refletindo, queimar os seus neurônios a 1000 graus planejando ações para manter o seu relacionamento, ou seja, você pode se esforçar de todas as maneiras e mesmo assim o seu esforço ser em vão. Isso significa que você deliberadamente escolheu investir em um negócio furado, ou seja, em um relacionamento sem futuro. Como eu já disse, o outro é imprevisível, então o fato de você investir em um relacionamento não garante que o outro reconhecerá o seu esforço ou que ele se agrade com o que você faz, tudo é risco.

Quando se investe em um relacionamento, faz-se uma aposta no futuro. O risco é iminente. Pela lógica, qualquer pessoa deveria ser capaz de reconhecer o esforço, a determinação, o sacrifício que o outro faz para manter um relacionamento, mas isto não acontece na prática. Muitas vezes, a soma de tudo o que uma pessoa faz equivale a zero para o outro. Agora imagina como a pessoa que se dedicou, que empregou tempo, ânimo, disposição como forma de investir em um relacionamento se sente após perceber que tudo o que foi feito foi em vão, que não valeu nada. É revoltante, mas foi um risco que ela escolheu correr.

Nesse ponto eu quero me posicionar e deixar uma mensagem: Não deixe de correr riscos como este, é um risco bom! Se alguém não soube lhe reconhecer, o problema não está com você, mas sim com a pessoa. Tudo o que você faz de bom, é bom em si e nunca vai ser errado. Porém, fazer algo de ruim nunca te fará certo.

PARA FINALIZAR…

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Eis o porém: Quando se investe em uma empresa ou negócio, se não dá certo, o capital se perde. Mas capital se recupera com esforço e jogo de cintura.

Quando se investe em um relacionamento, emprega-se tempo, disposição, ânimo… emprega-se a vida. E vida não volta, não se recupera o tempo perdido… mesmo que sejamos “tão jovens”

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Quando falamos em investimento no âmbito empresarial, falamos principalmente de capital (dinheiro), já no âmbito de um relacionamento conjugal, como vimos, o investimento se trata da entrega pessoal. Vimos também que os riscos estão presentes em qualquer tipo de investimento, mas nestes dois casos citados os prejuízos que advém dos riscos de um mau investimento são bem distintos. Vejamos:

O investimento empresarial, comparado ao investimento em um relacionamento não é lá tão simples. Não vou chegar aqui e dizer que arriscar em um relacionamento é mais complicado, pois não conheço a fundo as especificidades dos investimentos empresariais. Mas vou ressaltar uma questão que eu considero importante na comparação entre estes dois tipo de investimento: O prejuízo pessoal (psicológico, por exemplo), o prejuízo para a vida, sem considerar a esfera econômica.

Quando se investe mal no âmbito empresarial a fator econômico (capital) é preponderante quando se trata de prejuízo. Ou seja, o prejuízo em um mau investimento quando se trata de empresa está relacionado à perda de dinheiro. Além disso, há também o fator psicológico que entra em questão, pois o indivíduo se sentirá permeado de sentimentos negativos (angústia, decepção, desespero) por conta da sua perda, por conta da aposta que não foi bem sucedida. No entanto, se o indivíduo for bem estruturado emocionalmente poderá colocar o pé no chão e usar a sua inteligência e jogo de cintura para reaver o seu prejuízo. Afinal, estamos falando de capital, e bons investidores possuem capacidade de reaver seus prejuízos e mudar a sua situação.

Já no caso de um maus investimento em um relacionamento o fator psicológico é preponderante quando se trata de um prejuízo. Ou seja, o mau investimento quando se trata de um relacionamento está relacionado a perde de… VIDA! Era de se esperar que eu tivesse colocado no lugar de VIDA algo relacionado a mente, ou seja, o indivíduo perde algo relacionado à sua mente (psique). Mas não deixa de ser isso. Eu falo que o indivíduo perde VIDA por que a sua mente (psicológico) determina a sua vida. Neste caso, um mau investimento em um relacionamento afeta toda a vida do indivíduo. Vejamos:

  1. a) A MENTE PODE MUDAR: Alguém que investe em um relacionamento empregando esforço, tempo, dedicação, ânimo, etc., certamente possui certos valores e crenças sobre um relacionamento que, quando sai no prejuízo, pode acabar abandonando estes valores e crenças. Por exemplo, a pessoa que investe no relacionamento crê que o relacionamento é algo bom e apreciável para a sua vida e crê que o relacionamento o fará feliz. Com o prejuízo no fim a pessoa pode passar a pensar de maneira oposta. Isso é um prejuízo para o mundo também, pois se perde aí alguém que tinha um pensamento saudável, que não carregava mágoas, decepções, ódio por relacionamentos; Então nasce um desconfiado, decepcionado, revoltado com as relações amorosas que, pode até tentar machucar outras pessoas futuramente. NÃO VAMOS CRIAR PESSOAS DESTE TIPO!
  2. b) PERDA DE TEMPO: Uma pessoa que tem estas ideias, valores e crenças sobre o relacionamento, de que ele é algo bom e apreciável para a sua vida e que através de um relacionamento ele será feliz, quando investe em um mau relacionamento, além de cair na possibilidade de mudar a sua forma de ver os relacionamentos, perde tempo da sua vida com alguém “inviável”. Por pessoa inviável entenda alguém que não dá valor à dedicação do outro, alguém que não sabe retribuir o investimento do outro, ou alguém como foi descrito no caso do patronado, enfim, alguém que não saiba viver um relacionamento colocando a frente o espírito de sociedade, a busca mútua pela prosperidade do relacionamento. Cada dia ao lado de uma pessoa deste tipo para alguém disposto a investir em um relacionamento é um dia perdido de vida, é uma possibilidade a menos de encontrar alguém que possa “fechar a sociedade” efetivamente, é um dia perdido dando valor a quem não merece.
  3. c) GASTO DESNECESSÁRIO DE ENERGIA: Investir em outra pessoa demanda planejamento, isto já foi visto. O planejamento engloba um conjunto de ações voltadas para manter o relacionamento e fazê-lo prosperar. O ato de planejar e agir para manter um relacionamento e fazê-lo prosperar significa gasto de energia mental. Quando se investe em um relacionamento onde a outra pessoa á “inviável” o gasto de energia é desnecessário, é em vão. Se o indivíduo estivesse com alguém viável esta energia estaria sendo bem direcionada, bem gasta, valeria a pena. Após o prejuízo com um mau relacionamento o indivíduo pode se sentir constrangido a gastar energia com outra pessoa, então o prejuízo pode cair até mesmo para um futuro relacionamento do indivíduo, com alguém que não teve nada a ver com o prejuízo que ele levou.

Como pode ser visto, só com estes três exemplo, o prejuízo advindo do investimento em um relacionamento com uma pessoa inviável afeta a vida do indivíduo em diversos âmbitos: Significa perda de tempo com alguém que não merece a sua dedicação, significa a possibilidade de mudar suas crenças e valores sobre um relacionamento conjugal e até mesmo pode afetar relacionamentos futuros do indivíduo por conta das impressões que ficaram na sua mente em detrimento do investimento em uma pessoa que não valia a pena.

Destes prejuízos, o pior é a perda de tempo, perda de uma parte da vida do indivíduo ao lado de alguém que não vale a pena. A vida é curta, ninguém sabe até quando irá viver, então cada dia é precioso. Imagine gastar cada precioso dia da sua vida, gastar o seu precioso tempo se doando para alguém que não dá a mínima para a sua dedicação… Não há nada de agradável nisso. MAS É TUDO FRUTO DOS RISCOS DE SE INVESTIR. Todos estamos sujeitos a isso.

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APÊNDICE:

  1. Se você encontrar alguém que se dedique a você, retribua.
  2. Se você encontrar alguém que se dedique a você, mas você não tem interesse de retribuir, então seja sincero e não se aproveite da pessoas. Não a faça perder tempo e nem se decepcionar.
  3. Se você se decepcionar com alguém inviável, não generalize a questão. Nem todo mundo é como a pessoa que você se decepcionou.
  4. Há sim pessoas capazes de reconhecer “o seu investimento” e retribuir. Persiga alguém assim.
  5. Não se vingue em outras pessoas pelo que você passou com alguém inviável.
  6. Faça sempre o certo, apesar de tudo. Quem faz o certo pode não ser reconhecido por alguns, mas, certamente, quem faz o errado nunca estará certo.
  7. Saiba reconhecer também a dedicação dos outros.

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(Anderson Yankee)

É QUE EU TE AMO E FALO NA SUA CARA, SE TIRAR VOCÊ DE MIM… SOBRA TUDO!

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É que eu te amo e falo na sua cara,

Se tirar você de mim não sobra n… Calma, calma aí “zoinho”. Vou lhe convidar a pensar um pouco, antes de terminar esse verso. Se tirar alguém de outra pessoa, por mais especial que ela seja, sobra TUDO. Sim, tudo! Veja bem:

Antes de iniciar um relacionamento, uma pessoa tem tudo na sua vida. Como assim tudo? Tudo o que ela tem, ora! Ela tem os seus hábitos, ela tem os seus gostos, ela tem os seus amigos, ela tem a sua família, ela tem os lugares que ela frequenta, ela tem os seus planos, etc. Isso é tudo! E a pessoa leva a sua vida com tudo isso, por melhor ou pior que seja a vida dela. Ao iniciar um relacionamento, a pessoa acrescenta novos elementos a este TUDO que ela já tem, ou perde/esquece/deixa de lado alguns elementos deste tudo. Explicarei.

  1. Quando se acrescenta novos elementos ao “TUDO”: Neste caso, a pessoa incorpora novos hábitos, gostos, amigos, familiares, lugares que frequenta, planos e objetivos à sua vida em detrimento do relacionamento. É comum que isso aconteça naturalmente ou forçadamente pela influência do outro com quem a pessoa se relaciona. Por exemplo, a pessoa pode passar a frequentar novos lugares por conta de o outro também frequentar, então como é natural que as pessoas que se relacionam conjugalmente frequentem lugares (de maneira geral) juntos, as pessoas podem acabar passando a frequentar novos lugares. Este é só um exemplo. Outro exemplo bem comum é o do gosto: Pessoas comumente passam a gostar de coisas novas (considere quaisquer tipos de coisas, das mais simples e banais às mais exóticas ou complexas) por conta da convivência com o outro. Nestes casos, está acontecendo uma soma de elementos novos ao TUDO que a pessoa já tinha.

VEJA:

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                Quando acontece de o relacionamento acabar, ou, como foi colocado nas palavras do compositor da música em questão, se tirar a pessoa da outra, o que irá sobrar é o TUDO que ela já tinha, no mínimo. Falo no mínimo por que pode restar também os elementos novos que ela acrescentou em sua vida durante o relacionamento, tanto parcialmente (ela pode conservar alguns dos elementos que somou de novo na vida dela durante o relacionamento) ou completamente (ela pode conservar todos os elementos que somou de novo na vida dela durante o relacionamento). Isso depende de cada caso!

VEJA:

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Mas, de certo, mesmo que a pessoa resolva abandonar (excluir da sua vida) tudo o que foi acrescido para ela durante o relacionamento, ainda sobrará o que ela era antes, ou seja, TUDO.

VEJA:

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  1. Já no caso onde a pessoa perde/esquece/deixa de lado alguns elementos deste tudo, é problemático. Geralmente as pessoas entram em um relacionamento para acrescentar coisas à sua vida. Sim, as pessoas entram em relacionamentos com o interesse de lucrar em alguma coisa, alguns querem alguém que as satisfaça materialmente, outros querem se satisfazer emocionalmente. Bom, não vem ao caso, talvez em outro texto. Estas pessoas que tem seus interesses bem definidos entram em um relacionamento e acrescentam na sua vida novos elementos com a convivência com o outro. Há outras pessoas, porém, que não acrescentam nada na sua vida e ainda abrem mão do que tinham antes de entrarem no relacionamento. ISSO É PROBLEMÁTICO.

                Eu já falei deste tipo de pessoa em alguns textos aqui, não especificamente com estes termos, mas sim como o indivíduo que se anula na relação. Este tipo de indivíduo perde a sua identidade em detrimento do outro. Ele não entende que o relacionamento é uma vida a parte da sua vida íntima pessoal. Existe a vida de cada cônjuge separadamente e a vida do relacionamento. Bem, cada cônjuge deve levar sua vida pessoal de uma maneira que não prejudique a vida do relacionamento, isto é certo. Porém há indivíduos que exageram e anulam a sua vida para viver para o relacionamento. Ou seja, a pessoa abandona tudo o que ela estava acostumada a fazer antes do relacionamento: hábitos, amigos, lugares para onde saía, gostos, etc. Veja bem, não estou colocando que as pessoas não devem abandonar nada da sua vida de solteiro quando entrar em um relacionamento, somente que ela deve abandonar o que for prejudicial ao relacionamento. No entanto, há pessoas que abandonam até o que não prejudicaria de maneira alguma o relacionamento, espontaneamente ou por imposição do outro.

                Quando uma pessoa abandona os seus hábitos, os seus gostos, os lugares que ela frequentava antes de entrar em um relacionamento, os seus amigos e até familiares em detrimento de um relacionamento, sendo que se ela não abandonasse isso tudo o seu relacionamento não seria prejudicado, ela estará abandonando o seu TUDO, ou seja, o que ela era, o que ela gostava, o que ela fazia. Neste caso, se tirar a outra pessoa dela a única coisa que restará é a NECESSIDADE DO OUTRO. Ou seja, a pessoa abandonou o TUDO pelo outro, então o outro é a única coisa que ela tem agora; Tirando o outro dela só restará a falta, a necessidade do outro.

VEJA:

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                Neste caso o “zoinho” está certo. Se tirar uma pessoa da outra não sobra nada. Porém, essa pessoa que se encaixa nesta situação precisa de ajuda psicológica!

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(Anderson Yankee)

REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DE RELACIONAMENTOS PASSADOS: SOBRE AS REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO

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Você já parou para refletir sobre a origem dos seus hábitos, comportamentos, atitudes em um relacionamento? Lhe convido a fazer isso. Até que ponto os nossos comportamentos são nossos mesmo? Será que não temos uma referência para nos comportar dentro do relacionamento? Vejamos.

Deixando de lado as formalidades… Conversando com as pessoas que me procuram e até mesmo refletindo sobre mim eu percebi algo extraordinário: EU NÃO SOU COMPLETAMENTE EU! Assim como muita gente se julga ter autonomia sobre si, mas não passa de brinquedinhos controlados. O que eu quero dizer com isso? Abaixo você vai ver, depois de outros conceitos e formalidades.

Partindo de uma perspectiva materialista, podemos dizer que tudo que se manifesta hoje no mundo pode ser entendido com uma volta ao passado. Falo de um materialismo no sentido de Karl Marx coloca, então parto da ideia de que tudo o que se manifesta atualmente pode ser entendido com uma volta ao passado, mas analisando as ações humanas, dialeticamente. Não vou entrar na discussão especificamente sobre o materialismo histórico e dialético de Marx, ressalto somente que a discussão que iniciarei sobre as atitudes de uma pessoa em um relacionamento se relaciona com este materialismo, principalmente no que diz respeito à dialética. Então vamos direto ao ponto!

Para compreender algo do presente/atualidade é necessário voltar ao passado e buscar algumas referências. Esse é o ponto de partida! Por exemplo, hoje é dia 15 de novembro de 2015, dia em que é comemorada a Proclamação da República do Brasil. O Brasil não se tornou uma república do dia para a noite, mas sim decorrente de diversos outros fatos históricos, como a vinda da família real portuguesa para o Brasil, o fato de D. Pedro ter ficado no Brasil, a Independência e o primeiro reinado, o segundo reinado, para então haver o golpe contra a monarquia e os militares proclamarem a república no Brasil. É disso que eu estou falando, de que tudo o que acontece possui uma referência para se compreender o seu acontecimento.

Deste modo, se buscarmos as referências passadas corretas, poderemos compreender efetivamente qualquer coisa no presente. Em se tratando de comportamentos – dentro de um relacionamento para ser mais específico – não é difícil encontrar as referências corretas para se compreender como as pessoas agem com relação a si e ao outro. Mais na frente explicarei esta questão. Antes, preciso explicar mais alguns conceitos importantes.

Além da ideia de que tudo no presente possui uma referência no passado, devemos entender que o que se manifesta no presente da vida dos homens foi construído pelos próprios homens. Ou seja, são as próprias pessoas que constroem as suas histórias. Dizer que uma pessoa age, pensa, comporta-se por que “algo” ou “alguém” o faz agir de tal maneira é algo controverso. De fato, todas as escolhas de uma pessoa passa pelo crivo da consciência e é, em última instância, ela quem determina o que é feito pela pessoa. Veja bem, não estou considerando o caso de pessoas com distúrbios mentais ou sob efeito de drogas, falo de pessoas com sanidade mental e sóbrias. Voltando ao assunto! Todo mundo é consciente do que faz, do que quer, do que não quer, de como age, de como não age. Vou frisar bem esta questão do “quer” e “não quer”, do “age” e “não age”, fazendo essa oposição pelo fato de que as duas vias dependem da escolha consciente das pessoas.

Resumindo:

[1] O que acontece no presente pode ser explicado pelas suas referências no passado. Os comportamentos de uma pessoa é um exemplo.

[2] Toda escolha das pessoas passam pela consciência, então são deliberadas.

Não sei se você percebeu, mas estes dois tópicos podem ser considerados contraditórios. Pelo menos, aparentam ser contraditórios, mas vou juntá-los agora e esclarecer a questão! Veja bem, quando digo que tudo no presente possui uma referência que o explique e esta referência está no passado, pode-se levantar a ideia de que o que se manifesta no presente seria determinação absoluta do passado. Ou seja, tudo o que acontece no presente é no presente necessariamente por que o contexto passado deu condições de o presente ser o que é e não de outra maneira. Isso seria pressupor que um único caminho seria possível para o futuro. Partindo dessa ideia, acreditar que tudo o que uma pessoa faz ou não faz é exatamente determinado pelas suas experiências passadas. Nesse caso, a consciência seria algo inútil, pois ela possibilitaria à pessoa entender o que ela estaria fazendo, mas a ação em si não dependeria da escolha dela. Essa seria a contradição aparente desta questão.

A partir de agora estarei focando na questão específica do comportamento de uma pessoa. Na realidade o que temos é o seguinte: Sim, há uma referência para explicar cada comportamento atual de uma pessoa ou fato geral da atualidade. Mas o comportamento atual de uma pessoa está relacionado a UMA referência dentre várias outras referências possíveis que a pessoa tinha para escolher no seu passado. Por exemplo, uma pessoa que maltrata animais pode ter como referência algum fato do seu passado ligado a pessoas que agiam com maus tratos a animais, então ela tomou aquele fato como referência e passou a reproduzi-lo. Encontramos a referência do comportamento da pessoa. Mas algo que devemos pensar também é que outros diversos tipos de pessoas conviviam com esse indivíduo e ele não as tomou como referência. Ou seja, foi escolha do indivíduo ter como referência as pessoas que maltratavam animais e não as que não maltratavam. Então, não há uma determinação absoluta de uma referência pelo simples fato de que uma série de outras possíveis referências existiam e a pessoa não optou por adotá-las. Assim, o poder de determinação não está na referência, mas sim na vontade do indivíduo, é ele quem escolhe qual referência seguir. Se há determinação neste caso, é autodeterminação, ou seja, a escolha do indivíduo prepondera sobre em que vai se basear o seu comportamento.

Agora demos autonomia à consciência. Agora a consciência deixou de ser reduzida à simples capacidade de entendimento sobre as coisas, sobre as situações ou sobre si mesmo e ganhou status de determinante no que diz respeito a como o indivíduo se comporta. A consciência permite ao indivíduo deliberar, escolher o que ele quer fazer ou não fazer. A consciência permite ao indivíduo até mesmo escolher as suas referências. A consciência torna o indivíduo ativo, autônomo, dono de si próprio.

Resolvida a questão da contradição que parecia emergir dos postulados anteriores, coloco o último conceito que faltava dentro desta discussão: a dialética. O que se pode contribuir para a discussão com este conceito? É que a formação do comportamento de uma pessoa se dá através de um processo dialético. Entenda a dialética da maneira mais simples possível: Tese, antítese e síntese. Ou seja, imagine que atualmente você é uma pessoa radicalmente desconfiada (tese), aparece alguém na sua vida e lhe dá uma referência de que a não há necessidade de ser radicalmente desconfiada, pois existem pessoas dignas de confiança (antítese, a contradição do estado de tese, o oposto), então você assimila uma nova visão sobre a confiança (síntese) – torna-se moderadamente desconfiada, por exemplo. Ou seja, tudo o que se vive pode contribuir para formar o comportamento do indivíduo. São as contradições, principalmente, que contribuem para esta formação dialética do comportamento.

REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DE RELACIONAMENTOS PASSADOS: SOBRE AS REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO

Agora podemos voltar lá ao início do texto e tratar das declarações que eu coloquei lá. Eu disse que “EU NÃO SOU COMPLETAMENTE EU! Assim como muita gente se julga ter autonomia sobre si, mas não passa de brinquedinhos controlados”. Já dá para perceber do que se trata com base no que foi colocado até agora. O que eu quero dizer com “Eu não sou completamente eu” é simplesmente que muito dos meus comportamentos eu consigo reconhecer como referenciados em outras pessoas. Então me vem uma impressão de outras pessoas determinam o meu comportamento e que os meus comportamentos não são genuinamente meus, mas são como cópias de comportamento de outras pessoas. Eu só pensava nisso de maneira a não dar muita importância, até que acompanhando um caso eu comecei a ter uma visão nova sobre a questão, mas não é importante. Vamos à análise.

Analisando a questão da formação do comportamento de uma pessoa, já vimos que este processo se baseia em referências. No caso de um relacionamento, a referência que a pessoa toma para agir são os relacionamentos anteriores. Esta é a ideia central. Como isso acontece? A hipótese consiste no seguinte: Toma-se como referência o comportamento do mais forte. Explicarei.

Quando se trata de um primeiro relacionamento amoroso de uma pessoa é difícil encontrar as referências do seu comportamento dentro deste relacionamento, seria necessário uma investigação mais minuciosa. Por comportamento dentro do relacionamento inclui-se as defesas adotadas pelo indivíduo, o romantismo, os modos de ataque, jogos de poder, ou seja, todas as maneiras de lidar com o outro dentro do relacionamento, sejam positivas ou negativas. Destaco as defesas adotadas pelo indivíduo como algo que é perceptivelmente referenciado em outros relacionamentos.

E de que se trata as defesas adotadas pelo indivíduo? Entende-se por defesas as maneiras de agir frente aos problemas que aparecem no relacionamento: brigas, discussões, mal estar, entre outras situações negativas de um relacionamento visando se proteger de danos psicológicos, dor, sofrimento. É normal que as pessoas busquem reagir de maneiras que lhes convenha ser quando passam por situações deste tipo para se resguardarem, para se protegerem, como já foi dito. Quanto a qual estratégia para se defender que a pessoa adota, isso é relativo. É daí que surge a questão: O que determina a escolha de uma estratégia de defesa?

Bem, para uma pessoa que nunca teve um relacionamento, como já disse, é difícil determinar as suas referências. Mas no caso de uma pessoa que já se relacionou com outras é possível perceber que muitas das estratégias de defesa que ela usa tem referência em outros relacionamentos, ou seja, é um espelho ou síntese do comportamento de outra pessoa para com ela. Por exemplo, uma pessoa que convivia com alguém que se mantinha em silêncio diante de uma discussão pode reproduzir esse comportamento com outra pessoa que ela se relacionar, por conta da funcionalidade do ato.

Como assim, funcionalidade do ato? Por exemplo, uma chave de fenda é funcional para apertar parafusos. Isso quer dizer que ela serve para lidar com uma necessidade. No caso de uma estratégia é a mesma coisa: É como se a necessidade de apertar um parafuso fosse o problema do relacionamento e a chave de fenda fosse a estratégia que a pessoa adota como defesa. Quem entendeu a questão pode estar se dizendo que a postura que adota diante de um problema não visa necessariamente se defender, mas sim resolver o problema do relacionamento. Mas veja bem, está certo, nem todo mundo busca necessariamente se defender e pensar somente no seu bem estar diante de um problema de relacionamento, mas até esta atitude pode se aplicar à ideia da “referencialidade”. Ou seja, mesmo que a pessoa não esteja se defendendo diante do problema de relacionamento, qualquer atitude que ela tome pode também ter como referência uma atitude de outra pessoa com a qual ela se relacionou. Neste caso também, a funcionalidade da ação conta. Ou seja, tanto no caso da defesa (que foi um exemplo isolado que eu peguei para explicar a questão) quanto no caso de outras atitudes que são adotadas com referência em outros relacionamentos, a atitude é adotada pelo fato de ela ser viável para lidar com uma situação problemática.

Se ainda não ficou clara a questão da funcionalidade, darei um exemplo: Está uma pessoa com um problema conjugal, ela não está se sentindo bem com situações que estão acontecendo no seu dia a dia de relacionamento e, então, busca o seu parceiro para iniciar uma discussão. O seu parceiro se mantém com uma postura “A” em meio a discussão, enquanto que a pessoa se mostra com uma postura “B”. No fim da discussão, da mesma maneira que já aconteceu em outras, o parceiro sai da discussão visivelmente melhor que a pessoa que iniciou a discussão. Esta pessoa, após o fim deste relacionamento, pode adotar a postura “A” do seu antigo parceiro para lidar com discussões em outro relacionamento. O sentido disso é que a pessoa percebeu que nas discussões que ela tinha no seu antigo relacionamento a pessoa sempre saia melhor no final por conta da sua postura. Isto é, a pessoa entende que a postura “A” é funcional.

OBS: A postura “B” não é excluída totalmente da pessoa que adota uma nova postura. Já vimos que o processo de adoção de comportamento é dialético. Então, a postura “A” é, na verdade, predominante, mas coexiste com a postura “B”, podendo até mesmo a “B” ser predominante em alguns casos, assim poderemos ter posturas “AB” ou “BA”. Tudo depende de como o indivíduo avalia a situação e entende o que é mais funcional para uma dada situação.

Assim, fechamos então essa ideia. Fazendo um resumão:

  1. Tudo o que acontece no presente pode ser explicado pelas suas referências no passado.
  2. O comportamento das pessoas em um relacionamento pode ser explicado pelas suas referências em outros relacionamentos.
  3. O processo de assimilação de comportamento com base em referências é dialético.
  4. O processo de assimilação de comportamento é ativo (atividade da consciência).
  5. O processo de escolha de referências se dá com base na percepção da funcionalidade da atitude.

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(Anderson Yankee)

COMO LIDAR COM PROBLEMAS DE RELACIONAMENTO: PERSPECTIVAS COMPREENSIVA E UTILITARISTA

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Recentemente eu presenciei duas discussões a respeito da maneira de se lidar com um relacionamento levando em conta os problemas do mesmo. Dentro destas discussões, duas posições bem definidas se evidenciaram:

  1. As pessoas não são como objetos descartáveis, que podemos dispensá-las quando os problemas aparecem.
  2. “Cada um sabe onde o seu sapato aperta”, então os problemas podem sim ser razão suficiente para “dispensar” uma pessoa.

As posições que se evidenciaram nas discussões mostram dois lados opostos de uma mesma moeda. Essa moeda se chama “como lidar com problemas de relacionamento” e os lados opostos são representados por duas perspectivas radicais, as quais analisaremos abaixo:

A PERSPECTIVA DA COMPREENSÃO

Quem diz que as pessoas não são como objetos descartáveis, que podemos dispensá-las quando os problemas aparecem é, notavelmente, uma pessoa que opta por ser mais compreensiva com relação aos problemas de um relacionamento. Por trás da ideia de que as pessoas não são descartáveis há a noção de que as pessoas tem um valor e este deve ser levado em consideração quando surge um problema de relacionamento. Ora, então é de se supor que esta pessoa tenha uma tendência natural a dialogar com o outro quando surge um problema e não tomar atitudes radicais. Ora, se ela busca dialogar com o outro, levando em conta que ele tem um valor a ser considerado, então é de se supor que o diálogo seja perpassado por uma compreensão para com o outro, pois seria contraditório dialogar com alguém [considerando o valor que a pessoa tem] e não “dar a mínima” para o que a pessoa tem a dizer, ou seja, não buscar compreender a fala do outro. Por isso, é de se postular que quem considera que as pessoas não são descartáveis seja mais compreensivo.

Ademais, seguindo a mesma lógica que nos fez inferir que quem considera o valor das outras pessoas seja mais compreensivo, podemos concluir também que este seja mais propenso a buscar soluções para os problemas de relacionamento, ou, no mínimo, esperar soluções do outro. Veja bem, se este indivíduo, por enxergar o valor dos outros e não os considerar descartáveis, não toma atitudes radicais diante dos problemas, é de se supor que ele pressuponha que o problema pode ser resolvido, ou por ele ou pelo outro. O que determina se o próprio indivíduo vai procurar resolver o problema ou se ele vai esperar uma solução vinda do outro, é relativo. Podemos enumerar diversos fatores que podem determinar a “espera de uma solução” ou a “tomada de atitude para resolver o problema”:

  1. a) Se o indivíduo tem uma personalidade mais passiva, poderá esperar a solução.
  2. b) Se o indivíduo tem uma característica mais ativa, pode buscar por si uma solução.
  3. c) Se o indivíduo é compreensivo e seja o primeiro problema do relacionamento ele pode buscar uma solução, pois zela pelo seu relacionamento.
  4. d) Se os problemas são rotineiros, mesmo alguém compreensivo e ativo pode esperar uma solução do outro, pois já se mostra fadigado de buscar soluções.
  5. e) Até mesmo alguém com uma característica mais passiva pode buscar uma solução, caso sinta que o seu relacionamento está ameaçado.

                Estas não são as únicas variações, tudo é muito relativo. O que se deve ter em mente é que tudo depende do contexto para saber se alguém irá buscar uma solução por si próprio ou esperar que o outro resolva o problema. Os casos variam de acordo com a personalidade da pessoa, da situação do relacionamento, da constância ou ausência do aparecimento dos problemas, entre outros fatores.

A PERSPECTIVA RADICAL UTILITARISTA

                Quem diz que “cada um sabe onde o seu sapato aperta”, então os problemas podem sim ser razão suficiente para “dispensar” uma pessoa é adepto de uma concepção sensata, mas que reflete – em primeiro plano – uma propensão maior a usar a autodefesa para se esquivar de efeitos provenientes dos problemas do relacionamento. No entanto, há algumas coisas importantes a mais que devem ser observadas dentro desta perspectiva. Vejamos!

                De imediato é imaginável que a pessoa adepta da ideia de que os problemas de relacionamento, quando aparecem, são motivos suficientes para que se ponha um fim em um relacionamento seja um extremo radical, que se baseia na ideia de que as pessoas são descartáveis, caso não satisfaça a sua necessidade de bem estar. Ou seja, Liga-se, de imediato, a ideia desta pessoa à perspectiva Utilitarista de vida. Segundo a perspectiva Utilitarista, as coisas, assim como as pessoas, são boas na medida em que possuem uma utilidade para o indivíduo ou cumprem uma função positiva na sua vida, caso contrário as pessoas ou os objetos não são considerados bons e podem ser descartados e trocados por melhores. Pois bem, a perspectiva utilitarista seria o extremo oposto da ideia descrita anteriormente da pessoa compreensiva, que considera o valor das pessoas e busca/espera soluções para os problemas do seu relacionamento.

                Deste modo, uma pessoa utilitarista (radical) não considera o valor das pessoas, para ela as pessoas servem para cumprir funções e se elas não cumprem podem ser trocadas por outras que cumpram a função desejada. Traduzindo para a discussão central do texto, a pessoa utilitarista considera que é função do outro lhe proporcionar bem estar e caso ele não cumpra esta função ou trafegue no caminho contrário, ou seja, se a pessoa lhe causar mal-estar ela deve ser descartada e trocada por outra pessoa que seja funcionalmente efetiva.

                Obviamente, este extremo de maneira de se portar em um relacionamento diante dos problemas causados pelo outro deve ser evitado, pois ele é extremamente ofensivo para a dignidade humana. Este comportamento transforma as pessoas em coisas, equipara as pessoas a objetos, os quais são viáveis pelas funções que cumprem e são descartados na medida em que se tornam obsoletos. A questão é, uma pessoa não se torna obsoleta, uma pessoa muda, uma pessoa passa por problemas, uma pessoa tem seus dias/fases boas e ruins e isto deve ser levado em consideração. É importante ter consideração para com as pessoas pelo simples fato de que sofrer um “descarte” causa um dano incomensurável ao outro do ponto de vista psicológico, isto é, o outro sofre, o outro se angustia, o outro se traumatiza, entre outros efeitos negativos. Então, o respeito ao outro deve ser colocado antes do egoísmo e da imaturidade de achar que se é o centro do universo e que tudo deve convergir para o seu bem estar pessoal.

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Em um próximo texto abordo uma perspectiva mais centralizada, algo que esteja entre estes extremos.

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(Anderson Yankee)

OS JOGOS DE PODER EM RELACIONAMENTOS CONJUGAIS: SOBRE AS PESSOAS QUE TÊM A NECESSIDADE DE SE SENTIREM SUPERIORES

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Nomeado a partir de um monstro bíblico, Leviatã trata da organização da sociedade. Para Hobbes, o homem em “estado natural” desconhece as leis e a idéia de Justiça. Todos têm direito a tudo e, para conseguir o que desejam, lançam mão da força e da astúcia. A conseqüência é a “guerra de todos contra todos”. A única forma de refrear essa guerra seria realizando o pacto social, quando todos abrem mão de seu direito em nome de um único soberano.

Resumindo, coloquei o Leviatã aqui somente como representação do poder, uma coisa tão almejada em alguns tipos de relacionamentos. Mas dá pra fazer uma referência a certas pessoas como seres em estado de natureza, bem como Hobbes trata lá no livro. Dá também para comparar os jogos de poder em um relacionamento com “a guerra de todos contra todos”. Enfim, lê o texto que tu entende.

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Essa história de que em um sentimento que perpassa um relacionamento sério só existe maravilhas, que o sentimento dos cônjuges é algo efetivamente lindo e que um amor verdadeiro e perfeito é possível, sendo este desprovido de qualquer maldade, malícia ou elementos quaisquer que sejam negativos é a maior das balelas. Um relacionamento é um jogo de poder ou é uma relação de submissão; raramente essas duas situações não existe, caracterizando assim uma neutralidade.

            No jogo de poder existente em um relacionamento nem sempre os dois cônjuges jogam. Falando na linguagem básica de quem joga videogames, as vezes só tem um controle, então um joga e o outro olha. Isso acontece quando você tem uma pessoa geniosa e outra mais submissa, que acata a tudo, que aceita todos os tipos de situação de maneira passiva ou inerte. Mas quando você tem duas pessoas “geniosas” em uma relação, aí a coisa esquenta e você consegue perceber claramente o jogo de poder. No terceiro caso, na relação neutra, não há jogos de poder e nem submissão permanente, o que seria o ideal.

A partir de hoje você vai parar por dois minutos para pensar se no seu relacionamento há uma disputa de poder ou uma relação de dominação ou, para a sua felicidade, pode ser uma relação neutra – caso seja, fique feliz! Vamos ver então, o que há em cada um destes casos.

  1. JOGOS DE PODER – Em que consiste então este jogo de poder em um relacionamento? Ora, é bem simples: Ambos querem ser o indivíduo dominante na relação. Que bonito isso, hein? Sim, estamos falando de um relacionamento conjugal, não de uma disputa eleitoral!

            Como assim, ser o indivíduo dominante? Este tipo de pessoa que busca ser o “dominante” deve ter sido maltratada pelos pais na infância ou não deixaram ela brincar no parquinhos com as outras crianças, ou ainda devem ter roubado o seu brinquedinho preferido, pois ela tem um vazio enorme, assim como uma angústia aterrorizante que a faz entrar em um relacionamento conjugal para subjugar o outro na tentativa de se afirmar como a “cabeça da relação”. Agora imagine a “puta” situação onde tem duas pessoas cheias de patologias psicológicas como estas em uma relação! Aí está um jogo de poder em um relacionamento: Duas pessoas problemáticas, um procurando estar acima do outro para se sentir seguro.

            Cara, não é necessário alguém estar acima de outro para se sentir bem consigo mesma! Isso mostra uma mente doentia, ou duas, o que é pior. Se você que está lendo se identificar com esse caso, procure tratamento, você tem problemas. Veja bem, isso é um problema de uma pessoa mal resolvida, de uma pessoa que não se sente bem consigo própria ou com a vida que tem, por isso ela busca estar acima (obviamente, colocando o outro para baixo) para poder se sentir bem, segura, tranquila. O pior de tudo é quando esta infeliz pessoa só consegue se sentir bem quando o outro está mal. Por Zeus, isto é bizarro, porém, há tratamento.

            Bom, esta infeliz pessoa geralmente usa todo o seu poder intelectual, todas as formas de observação e uma investigação rigorosa, se brincar toma misturas preparadas em laboratório para aguçar mais a sua atenção (exagerei nessa) para poder perceber o que deixa a outra pessoa mal, angustiada, fora do eixo, desequilibrada para criar uma brecha na fraqueza do outro e poder sair de superior. É muita energia gasta para fins inúteis. Essa pessoa poderia usar a sua inteligência e criatividade para algo produtivo, isto é certo. Pois bem, esta infeliz pessoa usa a sua criatividade bolando planos sinistros, forçando situações, manipulando fatos e pessoas para criar algo que atinja o outro justamente para que ele se desequilibre, fique mal, caia em um momento de fraqueza. Enquanto isto o doente mental está se sentindo bem, mesmo que não demonstre por fora, mesmo que não transpareça.

            Pois bem, o indivíduo doente que necessita de auto afirmação e da fraqueza do outro para se sentir bem, pode ser bom em encenação também. Então cuidado. Além disso, o cinismo, o sarcasmo ou até a falta de escrúpulos podem estar presente nas atitudes desta pessoa que infelizmente é afetada por uma grave patologia mental. Muito cuidado com este tipo de pessoa, a sua função é acabar com a felicidade das pessoas com quem ela se relaciona – mesmo que afirme o contrário –, ela busca ficar bem às custas dos outros, por isso é egoísta, egocêntrica.

  1. A SUBMISSÃO E JOGOS DE PODER – Acima tratei do caso de dois indivíduos doentes psicologicamente, os quais não se sentem bem com a própria condição e por isso buscam fazer os outros fraquejarem com seus planos maleficamente articulados, justamente para se sentirem bem. Na verdade, eu falei de uma pessoa, mas é suficiente para entender que no jogo de poder há duas pessoas deste tipo. Veja bem, foi também importante explicar o caso de uma pessoa só por conta de que no caso da submissão apenas uma pessoa é do tipo que foi explicado, enquanto que a outra não participa do jogo de poder.

            Imagine que uma pessoa normal psicologicamente (sem as características da pessoa doentia que se esforça para estar acima do outro na relação) tragicamente começa a se relacionar com um doente que provavelmente não teve uma infância sadia. Pobre desta pessoa. Ela deveria ter consultado uma cartomante antes (essa foi brincadeira). Pois bem, esta pessoa normal pode ter duas características dominantes, a sensatez ou a submissão. Vamos pensar desta maneira e ver o que pode acontecer em cada um dos casos:

a) Quando uma pessoa sensata se envolve com uma pessoa que procura se afirmar na relação, assumindo que ela seja de fato sensata, se ela perceber a jogada do outro, com certeza, ela irá abandonar esse relacionamento. Isto é uma atitude sensata. Porém, pode haver de a pessoa sensata ser esperançosa e procurar remediar a situação, mostrar ao outro que nem todo mundo é seu inimigo querendo roubar seu brinquedinho preferido e que ela não precisa agir sempre na ofensiva como um bicho selvagem. Não quis ofender os bichos selvagens, juro. Mas se pensarmos bem, a pessoa que procura se afirmar no relacionamento é bastante primitiva; Acho que o cérebro reptiliano é predominante nela. Pois bem, voltando à questão. Uma pessoa sensata, creio eu, deve poder, com muita paciência mudar a cabeça de um indivíduo com necessidade de ser “dominante”, mas deve ser uma missão extremamente cansativa e penosa.

            Na tentativa de a pessoa sensata mudar a cabeça do que necessita ser “dominante” ela acaba se submetendo a aceitar as loucuras provenientes dos planos maléficos deste indivíduo doente. E mesmo que o indivíduo sensato não aceite, muitas vezes ele se força a compreender as atitudes do doente, ou melhor, iludir-se com um “lado positivo” da situação criada pelo doente (se é que existe lado positivo) ou então ele faz EPOCHÉ, suspende o juízo, não emite qualquer julgamento sobre o caso, dá uma de filósofo helenístico e procura ver a situação simplesmente como uma situação qualquer – nem boa e nem ruim – para permanecer imperturbável. O pobre faz isso para o relacionamento sobreviver, com a esperança de que as coisas melhorem mais na frente, ou melhor, que o doente se trate e amadureça.

            É válido acreditar que as pessoas podem mudar, mas que é dose lidar com este tipo de pessoa doente, com certeza é sim. Só tente causar a impressão de que a pessoa doente não precisa s esforçar nesta busca de ser “dominante” se você tiver muita paciência, pois você vai precisar. Uma dica para quem pretende se lançar nesta empreitada é encontrar qual é o vazio desta pessoa, qual é a angústia que a afeta, qual é a dor que ela sente, o que é que baixa a estima desta pessoa a ponto de ela precisar ver os outros em momentos de fraqueza para ela se sentir forte.

b) Vamos fazer um exercício de imaginação outra vez: Imagine uma pessoa que tem uma baixíssima estima, que é calma, tranquila, não discute, tem dificuldades para tomar decisões ou questionar decisões dos outros. Meu triste a situação desta pessoa, certo? Pra ficar mais triste, imagine que ela se envolve com um doente dos que foram descritos acima! Meu Deus, salvem esta pessoa. Esta pessoa é o sonho de consumo de uma pessoa que quer se impor como dominante. O motivo é óbvio, esta pessoa não representa uma concorrência na disputa de poder dentro do relacionamento e pior, é passiva, submissa. Por favor, submisso, pelo seu bem, corra para as colinas (zoei)!

            Se uma pessoa submissa tiver tendência à depressão, esta pessoa está com os dias contados, principalmente se o doente for alguém sem escrúpulos, já pendendo para a psicopatia. Cara, a pessoa submissa com alguém deste tipo é como ratinho no recipiente de criação de cobra (com uma cobra dentro, lógico), ela está em perigo! DANGER, DANGER!

            Pode-se dizer que esta é uma relação com duas pessoas doentes, a diferença é que do submisso temos pena pela condição de coitado, de sofredor em que cairá, já do indivíduo que tem necessidade de dominação sentimos repulsa, também pela sua conduta que procura gerar sofrimento nos outros para, em contrapartida, ele se sentir bem. São, na verdade, dois extremos de comportamento. E, como se sabe, coisas extremas tendem a não serem muito boas, são sinônimo de desequilíbrio. Mais Aristóteles nesse povo, please!

  1. A RELAÇÃO NEUTRA – Quando coloco aí o termo “relação neutra” é só você pensar em neutro relacionado ao jogo de poder, ou seja, o jogo de poder não é permanente. Falo que ele não é permanente pelo fato de sempre haver em um momento ou em outro uma disputa de poder por algo dentro de um relacionamento. Porém, esta disputa não necessita ser doentia, como quando há alguém mal resolvido, cheio de patologias psicológicas desejando a todo momento colocar o outro para baixo para poder se sentir bem.

            Na relação doentia de jogo de poder existe uma guerra indireta, não declarada, e esta guerra é permanente. Os indivíduos até vivem momentos bons, possuem um sentimento bom pelo outro, mas têm sempre um pé atrás com relação a diversas coisas que deveriam até ser essenciais em um relacionamento. Essa porcaria de relacionamento você pode comparar àquela cena clássica do abraço para apunhalar pelas costas. O abraço representa o sentimento bom que ainda existe no relacionamento (depois vou explicar em outro texto sobre este sentimento), mas o indivíduo está com uma arma na sua mão, ou seja, com o pé atrás, preservando a intenção de fazer mal ao outro a qualquer momento. Isso não é sadio. Agora, para você entender esta questão do relacionamento neutro só é você partir da ideia que de estas coisas que acabaram de ser citadas não estão presentes.

            Então, o que caracteriza o relacionamento neutro?

a) Duas pessoas bem resolvidas que entram em um relacionamento com a intenção de um fazer bem ao outro. É um relacionamento composto pela ausência da necessidade de fazer mal ao outro para se sentir bem, ninguém precisa ver o outro fraco para se sentir forte, ninguém tem a necessidade de estar acima do outro para se sentir seguro na relação ou consigo próprio. Em situações esporádicas você pode ver um jogo de poder, mas com uma finalidade útil para o relacionamento, esta é a diferença entre o sadio e o doente. Por exemplo, quando alguém assume as rédeas de uma situação pensado no bem da relação, ela assume uma posição de “superioridade” no sentido de liderança para guiar a relação para um caminho positivo. Logo após, o indivíduo abandona a sua posição de superior, pois não tem a necessidade de permanecer nesta condição, pois isso não representa nada para ele, pois isto não acrescenta no seu bem estar. Esta pessoa já é suficientemente resolvida consigo própria, segura, equilibrada a ponto de não necessitar de autoafirmação. Uma posição de dominante para alguém deste tipo é algo banal.

            Que lindo, não é? Eu caso agora com alguém deste tipo (brinquei, estou comprometido). Mas veja bem, John Locke ficaria orgulhosíssimo desta pessoa, pois ela respeita um direito inalienável do ser humano que é a igualdade. Não deve ser lindo duas pessoa convivendo como iguais, sem uma precisar do mal da outra para se sentir bem? É Liiiiiindo, cara.

b) Já tratei da relação de duas pessoas sadias e vimos como seria bonita, uma be-le-za. No segundo caso, quero tratar da relação de uma pessoa sadia com uma submissa. Cara, uma pessoa sadia como a que eu descrevi (segura, resolvida, equilibrada e que respeita a igualdade) pode ter um relacionamento maravilhoso com uma pessoa submissa também. A diferença crucial entre o caso da pessoa bem resolvida com a pessoa doente mental é que a primeira não terá necessidade de piorar a situação da pessoa submissa, com baixa estima e com dificuldades de defender os seus ideais. Uma pessoa bem resolvida pode se encaixar perfeitamente com uma pessoa submissa, principalmente se a bem resolvida buscar compreender bem a submissa e procurar meios de sanar as suas deficiências.

Espera-se que a bem resolvida conduza a relação, não por ela se impor como dominante, mas pelo fato de o outro se auto colocar como não dominante, numa posição de “inferior”. Como o outro que convive com o submisso não possui a necessidade de se afirmar, espera-se que ele não se deixe seduzir pelo poder que lhe foi concedido espontaneamente pelo submisso e não procure meios de “pisá-lo” ou afetá-lo negativamente de alguma forma. Cara, se tu é bem resolvido, respeita os submissos, eles merecem alguém que cuide deles!

Com isso, imagino que deu para esclarecer o que é o tal do relacionamento neutro e como ele se manifesta em contraposição ao relacionamento doentio das pessoas que possuem a necessidade de estar acima do outro na relação. Neutralidade é basicamente a ausência de jogos de poder com fins negativos, que fazem mal ao relacionamento. Vimos também que é possível alguém ser a cabeça do relacionamento e isso não prejudicar em nada o mesmo. Para tanto, é necessário que o indivíduo tenha como objetivo o bem estar do relacionamento e que ele não se deixe seduzir pelo poder que ele possui no momento. Isso é o que se espera de uma pessoa bem resolvida, segura e equilibrada.

Vale a pena deixar alguns conselhos aqui no final:

  1. Se você for sensato, evite pessoas doentias.
  2. Se você pretende mudar a cabeça de uma pessoa doentia, boa sorte.
  3. Se você for uma pessoa doentia, procure tratamento psicológico.
  4. Se você for uma pessoa submissa, cuidado com quem se envolve.
  5. Se você é uma pessoa bem resolvida, segura e equilibrada: PARABÉNS, você é ótima para se relacionar. Não se iluda com o poder.

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(Anderson Yankee)

A DIFICULDADE DE ACEITAR O OUTRO COMO O OUTRO: PESSOAS CONTROLADORAS EM UM RELACIONAMENTO

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Quem acompanha o blog deve ter percebido que nos últimos posts vem sendo feito um retorno a algumas questões que já foram tratadas aqui, atualizando-as, retratando-as ou complementando-as. Pois bem, este post seguirá nessa linha. O assunto que eu quero tratar aqui, retratando-o e complementando-o é o de uma máxima que eu gosto muito de usar, a qual aprendi com uma mulher que eu admiro bastante. A máxima é “Devemos aceitar o outro como o outro”. Vamos lá…

O que significa esta máxima de que “devemos aceitar o outro como o outro”? Muito simples! Apenas devemos ter em mente que cada pessoa possui sua subjetividade, suas particularidades, o que inclui gostos próprios, costumes próprios, hábitos próprios, manias próprias, etc. Ou seja, cada pessoa é única e possui uma série de elementos que a compõe, sendo que estes elementos não são necessariamente iguais aos de todo mundo. Ora, isso é óbvio. Porém, há quem não perceba esta questão tão óbvia e queira moldar o outro segundo seus gostos, costumes, valores, visão de mundo, etc.

Cada pessoa é única e tem todo direito de ser única. Todas as pessoas tem direito de ser como são, sem determinações alheias. Esse direito é validado pelas próprias vivências da pessoa. Isto é, cada um passou por determinadas situações em sua vida, e estas foram responsáveis pela formação desta pessoa. Cada pessoa aguentou a sua barra, cada um teve que saber lidar com as suas experiências de vida, sejam elas boas ou ruins. Então, todos tem o direito de serem o que são hoje, já que foram capazes de aguentar todas as situações da sua vida.

Entretanto, há um porém nessa questão: Ninguém tem o direito de fazer mal a outras pessoas por conta das suas experiências passadas. Todos possuem racionalidade para distinguir o que é certo do que é errado. Então, apesar de uma pessoa ter passado por situações ruins na sua vida, apesar de outras pessoas a terem feito mal, escolher fazer mal aos outros é uma escolha – e uma escolha imoral, neste caso.

Dando continuidade a questão, vamos analisar o problema do desejo de moldar os outros de alguns indivíduos que não respeitam a subjetividade do outro.

  • Primeiro ponto: Estes indivíduos não entendem o conceito de liberdade. A liberdade pressupõe que todos tenham o direito de escolher o seu caminho, independentemente de determinações alheias que o constranja.

O que isto implica? Cada um pode e deve seguir o seu caminho, escolher ser o que é e da maneira que quiser. Ademais ninguém deve o impedir de mudar, forçando-o a algo contra a sua vontade, constrangendo-o ou limitando a sua escolha. Isto é liberdade.

  • Mas as pessoas não podem entrar em um acordo com relação à mudança de comportamento? Obviamente que sim. Perceba que eu coloco o termo “forçando”, assim como “constrangendo” a mudança, isto é que não é correto. Se a pessoa decide mudar por conta própria, por julgar apropriado ou então por acordo com o outro, isso é válido.

  • Outro ponto: A pessoa que força a mudança do outro, limita a sua liberdade. Isto é um ato de egoísmo, egocentrismo. Esta pessoa se baseia em interesses próprios, por medo ou insegurança, para tentar mudar o comportamento do outro. Ou seja, ela tem a necessidade de controlar as ações e comportamento do outro para se sentir seguro ou atender às suas necessidades. Pois bem, é de se concluir que os interesses da pessoa que age assim são interesses egoístas. Se assim não fosse, ainda poderia ser válida a tentativa de mudança. De certo, esta pessoa interfere na liberdade do outro.
  • Se houver mudança, que ela seja espontânea e que vise como fim interesses que não sejam egoístas, como a manutenção de um relacionamento, por exemplo.

  • Mais um ponto: A pessoa que força a mudança do outro em nome dos seus interesses egoístas, o faz com a justificativa de que seus interesses não são egoístas. É comum que o indivíduo que exige a mudança do outro tente justificar a necessidade da mudança com a ideia de que é para o bem da relação, por exemplo. Ora, esse é um interesse importante para um casal, vale a pena um sacrifício no sentido de abrir mão de um comportamento ou ação em nome desse bem maior. Porém, nem sempre o que se quer é o bem da relação, mas o bem pessoal do outro que tem a necessidade de controlar a outra pessoa para se sentir bem. Lembre-se, quando alguém age totalmente em detrimento do outro ela acaba se anulando na relação.
  • Este ponto serve como um alerta. É bom ficar atento para o caso de pessoas que queiram te controlar e te anular na relação com a justificativa de que as mudanças são necessárias para o bem do relacionamento. O bem do relacionamento é o bem das duas pessoas consigo próprias e com o relacionamento.

  • Para finalizar: O ato de mudar o outro vicia. Isso mesmo! Quando alguém tenta mudar o outro e a pessoa aceita de bom grado isto gera um sentimento de bem estar em quem conseguiu a mudança do outro. A pessoa passará a se sentir no direto de mudar o outro em qualquer coisa que não lhe agrade, não atenda aos seus interesses ou lhe cause insegurança. O indivíduo coisifica o outro, ele não o vê mais com uma pessoa, mas sim como um objeto que só serve para satisfazer as suas necessidades. Isso é o que eu falo de viciar! Na verdade a pessoa se torna um ditador, torna-se autoritário, acha-se no comando, acha-se superior, julga-se como proprietário do outro.
  • Obviamente este não é um comportamento adequado para um relacionamento. Ninguém é dono de ninguém, nenhuma pessoa tem direito sobre a outra, principalmente no que diz respeito a interferir na liberdade, na autonomia, na subjetividade.

Chegamos então a questão final deste texto: O que fazer quando não se gosta de um comportamento, hábito, costume ou ação do outro, mas o sentimento que há por ele lhe impede de deixá-lo? Ou seja, você não gosta de algo na pessoa, mas não quer acabar o relacionamento. Vamos lá… Há algumas opções.

  1. Utilize a via democrática: Você tem plena consciência de que você não está paranoico, sendo infantil, sendo mimado ou autoritário? Então converse, exponha o que você pensa. Se você utilizou a sua sensatez e percebeu que há algo que o outro faz que não te agrada (mas que não é um mero interesse egoísta) e isto está afetando a relação, mostre ao outro com bons argumentos a situação, o que ele faz que a torna negativa e tente entrar em um acordo. Lembre-se que do outro lado há alguém que também tem um cérebro e é esperado que ele também saiba usá-lo adequadamente.

* Em um relacionamento deve haver discussão democrática, isto garante isonomia. Deve ser respeitada a vontade de ambas as partes, não como um cabo de força como é na política, mas como um trabalho onde ambos complementam ao outro.

  1. Mude a si próprio. Digamos que não haja acordo na discussão democrática, então você tem outra opção à MUDAR A SI PRÓPRIO. O que quer dizer isso? Que você vai tentar mudar a sua maneira de enxergar e lidar com o comportamento do outro. Isto é, você vai tentar acomodar-se à situação, tentar ser maior que ela, não deixar se afetar por ela ou até ignorar. Sei bem que você deve estar pensando que isso seria o equivalente a se anular com relação ao outro, mas não é bem esse o sentido. Adotando o princípio de mudar a si próprio você assumirá uma postura de banalizar aquele ato ou comportamento para que ele não te incomode mais. É um ato de amadurecimento, de crescimento próprio, de aprendizado para lidar com situações desagradáveis. Com certeza isto acrescentará na sua vida, não só para este relacionamento, mas para outros que poderão vir.

* É importante deixar claro que você não irá tentar aceitar todos os comportamentos desagradáveis da outra pessoa ou que fará vista grossa para tudo o que te deixa mal. Mas sim que você tentará lidar com o que é aceitável, aprendendo a conviver com ele sem que ele te afete, colocando-se acima da questão. De certo, há certos atos ou comportamento que não dão para passar por cima, pois vão de encontro aos princípios do indivíduo, ou seja, há coisas que vem da parte do outro que são inaceitáveis.

  1. Siga o seu caminho. Se você não conseguiu resolver a questão democraticamente, dialogicamente, e é algo que você não consegue passar por cima, banalizar ou ignorar, então a opção é à SEGUIR O SEU CAMINHO. Este é o ato de lavar as mãos com relação ao relacionamento, já que a pessoa com quem você se relaciona não demonstra intenção em resolver uma determinada situação inaceitável dentro do relacionamento. Neste caso, o que resta é você entender que o relacionamento não tem condições de prosseguir da maneira que se encontra e abrir mão do mesmo. Da mesma maneira que a pessoa tem o direito de não abrir mão dos seus comportamento ou ações que causam mal estar ao relacionamento, você tem o direito de não permanecer em um relacionamento que lhe faz mal, pois este não é o sentido de um relacionamento.

Ok, eu entendo, há o relacionamento que você tem pela outra pessoa, o qual não permite que você a deixe. Brinquei, não entendo mesmo. Quem não permite deixar a outra pessoa e seguir o seu caminho na busca de alguém que te faça bem é você mesmo. Na certa, você criou uma necessidade da outra pessoa, tem medo de ficar só, tem medo de não encontrar outra pessoa que se adeque a você e te faça bem. Se você está com uma pessoa por estes motivos, tenho uma péssima notícia: Você não vai encontrar felicidade com estes sentimentos. Seja autônomo, é o primeiro passo.

  • Não tenha medo de deixar algo que te faz mal para arriscar outra relação que te faça mais realizado, que te cause bem estar; Ficar em uma relação que gasta muita energia emocional é pior, pois você está investindo em um negócio sem futuro. Isso é até burrice, desculpe a franqueza.

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(Anderson Yankee)

ENTREGAR-SE OU SER INDIFERENTE A UM RELACIONAMENTO? REFLEXÃO GERAL.

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Quanto maior a pessoa, maior a queda… Já escutei muito este ditado de pessoas mais velhas, se referindo a pessoas bravas e confiantes por causa do seu tamanho. Segundo os mais velhos, o fato de a pessoa ser grande enfatiza a sua queda, causando um dano maior. Pois bem, isso também se aplica a um relacionamento conjugal. Vamos a mais uma análise de uma questão do tema mais analisado aqui no FiloCa!

                Vamos usar outra figura para simbolizar esta questão: Imagine que você solta o seu celular de 5cm de altura do chão, quando ele tocar o chão não será causado ao celular nenhum dano grave/significativo, pois a altura é pequena, o impacto com o chão não recebe tanta força, então nada demais acontecerá com o celular. Imagine agora que a altura seja a quantidade de investimento de energia emocional a um relacionamento ou, em outras palavras, a entrega feita por um indivíduo a uma relação conjugal. O ato de soltar o celular compare a uma briga, discussão ou situação trágica dentro do relacionamento conjugal. Ora, dependendo da entrega do indivíduo (energia emocional depositada) ao relacionamento, o dano que ele sofrerá será proporcional. Quanto mais entrega, mais dor na tragédia.

                Se o indivíduo pouco se entrega a uma relação, pouco reflete a respeito de como melhorá-la, como torná-la uma experiência agradável, como maximizar os fatores positivos da relação, ele se encontra em um estado quase que de indiferença com relação ao que acontece de bom ou de ruim dentro do relacionamento. Por isso, este indivíduo pouco sofre danos em uma situação trágica, por exemplo. Quem permanece indiferente ou com pouca entrega a um relacionamento sente pouco os danos da queda.

                Dá para comparar o comportamento deste tipo de pessoa que pouco se entrega a um relacionamento com o comportamento estoicista. Quem conhece a história da Filosofia sabe que entre o período clássico e a idade média há um grupo de pensadores greco-romanos que desenvolvem uma Filosofia voltada para a vida prática, tendo como princípio a busca da paz interior, tranquilidade, felicidade. Pois bem, entre as correntes filosóficas deste período denominado Helenístico temos o Estoicismo, corrente filosófica que tem como representante s Zenão de Cicio, Sêneca, Crisipo, Marco Aurélio e outros. De maneira geral, os estoicistas defendem a ideia de que o homem não deve se abalar com os acontecimentos da vida, mas deve manter a tranquilidade da sua alma, entendendo que os acontecimentos fazem parte do fluxo da vida e que eles acontecem por que a natureza os impele a acontecer. Ou seja, as coisas acontecem por que acontecem, sejam elas boas ou ruins, cabendo a nós não nos abalar com estes acontecimentos. O princípio defendido como o que deve reger a vida do homem é a apatheia, a imperturbabilidade da alma.

                Como relacionar o estoicista com o indivíduo que não se entrega a um relacionamento? Ambos tem algo em comum, o fato de não se abater com um acontecimento trágico. Obviamente o estoicista leva isso ao extremo, ele é radical com relação a não se abater e se manter imperturbável. Mas o indivíduo que não se entrega tem um pouco disso, ou seja, a indiferença com relação ao acontecimento trágico, o que podemos estender para o acontecimento positivo também. Ele está dentro de um relacionamento quase que de fora dele, como um expectador, por isso não se abala com os acontecimentos trágicos. Para ele a queda é menor e com poucos danos.

>>> [OBS: Preste bastante atenção nos termos que se referem a imprecisão ou aproximação, como “quase”, “como se”, pois como o texto aqui se trata de uma breve reflexão sobre um tema que não é exato, o que é colocado aqui tem a função de incitar outras reflexões e servir de referência para pensar o assunto. O texto não é científico, somente uma reflexão de blog.]

                Por outro lado, o indivíduo que se entrega demasiadamente a uma relação conjugal acaba sentindo de maneira mais intensa os danos de um acontecimento trágico dentro do relacionamento. Como foi supracitado, a relação entre dano e entrega é proporcional. Quanto mais energia emocional o indivíduo deposita em uma relação, mais danos emocionais ele sofrerá. Como perceber a entrega de uma pessoa a uma relação? Ele reflete a respeito de como melhorá-la, como torná-la uma experiência agradável, como maximizar os fatores positivos da relação e põe em prática o que é necessário para concretizar estes objetivos. Ou seja, o indivíduo se envolve de fato com o relacionamento, ele entende que o bem da vida a dois depende das suas ações, e não só entende, mas procura concretizar este bem da vida a dois.

                Podemos comparar a entrega em um relacionamento conjugal com o investimento em negócios ou uma aposta. Nestes dois casos alguém põe em jogo um valor que pode render bons frutos ou não, e os frutos (rendimentos) são recebidos de acordo com o que foi posto em jogo, ou seja, investimento grande, rendimento grande, da mesma maneira que uma aposta alta traz um retorno alto. Este é um caso hipotético, que está sendo usado somente para representar a situação da pessoa que investe muito em um relacionamento e pode receber bons frutos deste investimento, assim como danos graves em uma situação trágica. Quem aposta alto, pode perder muito.

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– Fico por aqui com esse texto. Pretendo no próximo defender a necessidade de se entregar a um relacionamento, descartando a ideia de que ser indiferente é a melhor opção para não sofrer no fim. Até lá.

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(Anderson Yankee)