COMO LIDAR COM UMA DECEPÇÃO AMOROSA: NÃO SE DEIXE LEVAR PELO TRAUMA DE UM MAU RELACIONAMENTO

Illustration von Gewalt gegen Kinder

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Nos últimos posts aqui do blog tratei, entre outros temas periféricos, da questão de se dedicar a um relacionamento com uma pessoa que eu chamei de “inviável” e, no fim, sair no prejuízo. Para entender melhor estas questões, sugiro leitura dos dois últimos posts do blog. Bom, neste post tratarei de uma questão bem específica: COMO LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO/DECEPÇÃO DE TER SE DEDICADO EFETIVAMENTE A UMA PESSOA DENTRO DE UM RELACIONAMENTO E SAIR NO “PREJUÍZO”.

A pessoa que eu chamo de inviável, como a própria palavra já remete, está relacionado a alguém que não representa “um caminho a se seguir”. Sabe quando você se depara com dois caminhos a seguir e sabe que não deve ir por um deles, pois existe a possibilidade ou até mesmo a certeza de que algo de ruim acontecerá com você naquele caminho? Pois bem, a pessoa inviável é este caminho, ou seja, alguém com quem você se relaciona existindo a possibilidade ou a certeza de que algo ruim acontecerá a você.

                Não é aconselhável se ter um relacionamento com uma pessoa inviável e, muito menos ter ela como exemplo de comportamento em um relacionamento. O motivo é claro: as pessoas inviáveis tendem a gerar elementos negativos para a vida das pessoas como dor, sofrimento, angústia, decepção, frustração, etc. E ninguém deseja estes elementos negativos para a sua vida e muito menos deve desejar para a vida dos outros. O sentido de um relacionamento é sempre gerar bem estar para os envolvidos (os cônjuges).

                Ressaltando: Se o sentido de um relacionamento é gerar bem estar para os cônjuges, não se envolva com uma pessoa inviável. Pois, as pessoas inviáveis tendem a não se dedicar a um relacionamento como os outros se dedicam a elas. Geralmente são pessoas que

a) Ficam em cima do muro;

b) Não se entregam e nem são capazes de reconhecer o que as pessoas fazem por elas;

c) Consomem os outros, ou seja, recebem tudo o que o outro tem a oferecer, mas não se movem para retribuir;

d) São indiferentes ao relacionamento, o vivem por viver;

e) São passivas e fogem da responsabilidade de fazer o relacionamento dar certo;

f) Consequentemente, jogam toda a responsabilidade para o outro, ou seja, entendem que o outro é responsável por fazê-la feliz e fazer o relacionamento prosperar.

                Deste modo, considerando o sentido de um relacionamento conjugal, a pessoa inviável é inapta para cumprir a função básica do relacionamento, que é gerar bem estar para ambos os cônjuges. O egoísmo, a indiferença com relação ao relacionamento, a passividade e a fuga da responsabilidade são preponderantes para se afirmar que, se uma pessoa inviável quer ter um relacionamento conjugal, deve mudar sua postura. Analise bem a pessoa com quem você convive e se perceber que ela tem esta postura, converse e tente mudar este quadro. Se não há mudança, continue a ler o texto.

                Ressaltando 2: Se o sentido de um relacionamento é gerar bem estar para os cônjuges, não siga o exemplo de comportamento de uma pessoa inviável. O porquê disto é bem óbvio. Se, por um lado, é recomendado que as pessoas não se envolvam com pessoas inviáveis, por outro lado, não é de se esperar que se recomende que alguém aja como alguém inviável dentro de uma relação, mesmo que seja em uma relação com outra pessoa com comportamento inviável para se cumprir a finalidade do relacionamento. É bastante comum que pessoas que têm reais interesses de viver um relacionamento conjugal e investem nele, ao perceber que a pessoa não age de acordo com o esperado para se atingir a finalidade do relacionamento, acabam reproduzindo o comportamento da pessoa inviável. Isto acaba gerando um inferno ao invés de um relacionamento saudável. “Não caia neste abismo”. Ao invés de você se tornar tal como a pessoa inviável é, algo que até você abomina, saia do relacionamento e procure alguém que compartilhe dos seus ideais de relacionamento saudável, que tem como finalidade o bem estar seu e do outro, com base na dedicação de vocês dois.

O PROBLEMA DE RECONHECER ALGUÉM INVIÁVEL

                Ah Anderson, mas falar para não se envolver com uma pessoa inviável é problemático! Como vou saber se a pessoa é inviável ou não? Bom, amigo, seu problema é o meu problema, é o problema do meu e do seu vizinho, do desconhecido na rua, no shopping, na China e em qualquer lugar do mundo. Não dá para reconhecer a priori uma pessoa inviável. Não está estampado na testa de ninguém. Não dá para saber só olhando para alguém se ele é inviável ou não. Isso quer dizer que todos corremos o risco de nos envolver com pessoas inviáveis.

                As pessoas inviáveis revelam a sua inviabilidade na medida da convivência. Acima eu citei diversas características de uma pessoa inviável, você pode observá-las na pessoa com quem você se relaciona e procurar determinar se a mesma é ou não inviável. Porém, muito cuidado com esta observação por alguns motivos:

a) Se você não for imparcial e não olhar para você também pode achar que o seu parceiro é inviável, mas na verdade ele tem apenas a característica de reagir ao seu comportamento.

b) Olhe para o relacionamento como um todo. O comportamento do seu companheiro pode não ser inviável, ele está inviável em detrimento da situação do relacionamento como um todo. Isso pode-se resolver.

c) Talvez o seu companheiro tenha até parte das características de uma pessoa inviável, mas vocês se dão bem. Se o comportamento do outro e o seu se adequam e vocês vivem bem desta maneira, não há por que “mexer no time”.

Ademais, uma pessoa inviável não nasceu inviável. A inviabilidade para um relacionamento não é inata, ou seja, não nasce com o indivíduo. Então, mesmo que você perceba que a pessoa apresenta o padrão de comportamento de inviabilidade, caso você julgue valer a pena, pode tentar conscientizá-la a mudar. A melhor maneira de fazer isso é com o exemplo. Procure mostrar que ser bom é bom, que não ser egoísta também é um bom modo de se viver a vida. Principal: mostre que nem todo mundo é ruim, que algumas pessoas pensam nas outras e querem o bem delas, e que retribuir o bem que os outros nos fazem também é algo que faz muito bem para si próprio. Algumas pessoas mudam com exemplo dos outros, elas passam a enxergar o mundo de outra forma vendo outras maneiras de se viver. Talvez, a pessoa inviável com quem você convive não consiga enxergar outras possibilidades de viver. Talvez ela esteja enclausurada no seu “mundinho”, nas suas experiências dolorosas ou algo do tipo. Mostre que as coisas podem ser diferentes. Cause impacto na vida dessa pessoa.

Porém, há gente que não muda com o exemplo, há gente que não consegue enxergar outras possibilidades, há gente que não sai do seu mundinho obscuro de revolta, de egoísmo, de narcisismo. Há quem se fechou para qualquer possibilidade de viver efetivamente um relacionamento e sempre fica com o pé atrás, desconfiado, na defensiva, indiferente, em cima do muro. E estas pessoas resistem a qualquer tentativa de mudança. Qualquer impressão positiva que se tente gerar nestas pessoas é em vão, pois elas sempre buscam algo de negativo dentro do que os outros fazem, na tentativa de justificar a sua resistência à mudança. Há casos em que estas pessoas desenvolvem até falhas de caráter para não se envolver por inteiro com alguém. Mas a pior falha destas pessoas é não saber reconhecer o que os outros fazem por elas. Não reconhecem a dedicação empregada pelos outros para fazê-las felizes, não reconhecem o esforço e a energia dos outros para fazer bem a elas. Tudo por egoísmo.

Pois bem. Afirmo que é inevitável que estas pessoas inviáveis, caso não desapeguem do seu mundinho obscuro, hora ou outra decepcionem as pessoas que se dedicam a elas. Nesse momento o mundo da pessoa que estava se dedicando desaba. O que a pessoa passa em um momento desse eu também já tratei no texto publicado antes desse. Dá para ter uma noção lendo-o. Quero tratar agora de uma questão específica: COMO REAGIR A ESTA DECEPÇÃO PROVINDA DE UMA PESSOA INVIÁVEL.

COMO REAGIR A ESTA DECEPÇÃO PROVINDA DE UMA PESSOA INVIÁVEL.

Serei bem objetivo para responder a esta questão. Já falei bastante do quão repulsivo é o comportamento da pessoa inviável com relação à pessoa que se dedica. Já falei que a pessoa que se dedica está sujeita a se envolver com pessoas inviáveis inevitavelmente, pois a inviabilidade não está estampada na cara de ninguém. Também já coloquei aqui que, além de repulsivo, é doloroso e revoltante, depois de tanta dedicação, ser decepcionado por alguém que não soube retribuir a sua dedicação, que só te consumiu e se aproveitou da sua boa vontade. Pois bem. Você está revoltado e a decepção está doendo em você, convertendo qualquer sentimento em raiva pela pessoa (é uma possibilidade) e te fazendo desacreditar que relacionamento seja uma coisa boa (é outra possibilidade). Porém, é necessário ter calma nesse momento e não sair amaldiçoando as pessoas e a vida. Vejamos o que fazer:

a) RESPIRE! NÃO DÁ, ESTOU COM RAIVA. Então, extravase e depois respire. Acalme-se e coloque a cabeça no lugar. Você não é um animal para agir baseado somente no instinto. Seja racional, pare e comece a raciocinar.

b) Já extravasou? Já se acalmou? Então vamos começar a usar a SENSATEZ e a LÓGICA. Estas duas senhoras serão suas companheiras neste momento e daqui por diante.

c) Você lerá outro texto deste blog chamado “Como esquecer a pessoa que ainda amo”. Há duas versões deste texto aqui no blog, a original e a versão revisada e complementada. Sugiro a leitura das duas versões.

                Veja bem, você agora precisa tirar a pessoa que te decepcionou da sua cabeça e precisa se estruturar emocionalmente. Os texto que eu mencionei no tópico “C” irá te ajudar nesta tarefa. Mas, além disso, você precisa adquirir certas noções essenciais a partir de agora para que a sua mente não passe por uma revolução e você abandone certos princípios e valores que te levaram a ser caracterizado como “o indivíduo que investiu e foi injustiçado”. Você foi a vítima na história, mas tem que manter o foco em certas noções para não acabar se tornando vilão. Você não vai querer isso!

VAMOS A ESTAS NOÇÕES:

  1. Você não agiu errado! Você investiu e se dedicou ao relacionamento, empregou tempo e energia para que ele prosperasse e atingisse o seu objetivo diário, que é gerar bem estar para a sua vida e a do outro, e ISSO NÃO É ERRADO! Pelo contrário, você foi exemplar. Você fez o que era para ser feito. Porém, o outro não deu o valor necessário e te decepcionou de alguma forma no fim, mas isto não te torna errado na história. ERRADO É QUEM NÃO SABE VALORIZAR A DEDICAÇÃO DO OUTRO.
  2. Você não é ingênuo! Assim como disse que você não estava errado, digo que você não foi ingênuo, bobo, idiota, inocente ou qualquer coisa do tipo que soe como pejorativo. Destes adjetivos colocados, ainda salvo o inocente, mas o coloco de uma maneira positiva: uma inocência boa, de quem acredita nas pessoas, de quem acredita que é possível ser feliz vivendo um sentimento admirável com outra pessoa, de quem não foi corrompido pela malícia, pela maldade dos outros, pelo egoísmo… A inocência de quem não se tornou insensível aos outros. QUEM NÃO TEM ESSA INOCÊNCIA NÃO SE PERMITE VIVER RELACIONAMENTOS VERDADEIROS.
  3. A decepção era um risco real! Já vimos que não há como saber a priori se a pessoa que você começa a se relacionar apresenta um padrão inviável de comportamento. Entrar e investir em um relacionamento é estar sujeito a riscos, positivos e negativos. Você arriscou e não deu certo, porém o mundo não se acaba com isso. Falo isso por que “A CONSCIÊNCIA LIBERTA”, então, ter consciência de que isso poderia acontecer, de certa forma, tranquiliza a pessoa.
  4. Não se decepcionar era um risco real! Bem, assim como não dá para saber a priori se uma pessoa é inviável, também não dá para saber se a pessoa é viável. O que quero dizer com isso? Que esta experiência que você teve foi desagradável pelo fato de você estar com uma pessoa inviável, mas que em outros casos você poderia ter uma experiência de relacionamento agradável. TUDO ESTÁ RELACIONADO A ENCONTRAR A PESSOA CERTA.
  5. Não generalize! Você correu um risco, você apostou e não deu certo a sua relação, pois você teve o azar de se relacionar com uma pessoa inviável. Mas nem todas as pessoas são inviáveis, há muitas pessoas aí fora que compartilham dos seus anseios e desejos de ter um relacionamento próspero. Você teve uma experiência negativa, mas não quer dizer que todas as suas experiências serão negativas. NÃO PERCA A FÉ.
  6. Não veja tudo negativamente! Em outras palavras, NÃO TENHA MEDO DE VIVER NOVAS EXPERIÊNCIAS. É comum que as pessoas se traumatizem com uma experiência negativa de relacionamento, mas é preciso se libertar deste trauma para que se possa viver relacionamentos verdadeiros. Um dos fatores que leva uma pessoa a se tornar inviável é o medo de se envolver com em um relacionamento, elas acham que se entregando efetivamente irão sofrer. Ou seja, o medo predomina nas pessoas inviáveis e isso é prejudicial para elas. Isso não permite que elas vivam relações verdadeiras. SE VOCÊ QUER VIVER UM RELACIONAMENTO DE MANEIRA EFETIVA, ABANDONE O MEDO. Abandone os seus fantasmas.
  7. Permita-se! Esteja aberto a ver o que os outros têm a oferecer. Você já teve uma experiência com uma pessoa inviável, então está mais pé no chão e sabe reconhecer quando uma pessoa está disposta a investir em um relacionamento e quando ela só quer te consumir. Analise-a, mas sem ser frio ou calculista. Mostre também que você está disposto a viver uma relação próspera. Se você achar a pessoa viável, tente mais uma vez e invista. Se ela se mostra inviável no início, procure ver se não há solução para ela mudar, talvez ela esteja apenas sendo cautelosa. Mas se a pessoa apresenta falhas de caráter, não passe por cima disso. Deseje boa sorte e siga o seu caminho, POIS HÁ OUTRAS PESSOAS ESPERANDO ANSIOSAMENTE POR RECEBER CARINHO E RETRIBUIR A QUEM LHES OFERECE ALGO TÃO PRECIOSO.
  8. Não deixe de acreditar! Não há garantias de que o amanhã será como hoje. Não há garantias de que as pessoas que você encontre amanhã sejam tão decepcionantes como as que você encontrou hoje. Na vida tudo flui, tudo muda, o devir é constante. Novas e melhores experiências podem vir, pessoas novas e de qualidade podem aparecer na sua vida. E quando estas pessoas de qualidade aparecerem, como já foi dito, não hesite, não fique com o pé atrás, não fique estagnado. PESSOAS ESPECIAIS SÃO RARAS, QUANDO ENCONTRAR ALGUMA, AGARRE COM FORÇA!

Por fim e para resumir…

9. Conserve os seus valores e anseios! Antes de você se decepcionar com a pessoa inviável, você acreditava que o relacionamento é algo bom para a sua vida. Não deixe de acreditar nisso. Quando você entrou no relacionamento, tinha em mente que queria fazer a pessoa que estava ao seu lado feliz. Não perca isso de vista. Fazer alguém feliz também nos faz feliz. FAZER O BEM A ALGUÉM É UM BEM QUE FAZEMOS A NÓS MESMOS. Esse valor é sinônimo de pureza, de uma alma que é envolta por uma aura positiva. Não perca isso, pois é isso que te faz especial… E o mundo precisa de pessoas com este valor.

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(Anderson Yankee)

O RELACIONAMENTO É COMO UMA EMPRESA: O QUE SIGNIFICA INVESTIR EM UMA RELAÇÃO CONJUGAL?

Antes de começar esta postagem, quero agradecer a minha amiga Vanessa Camargos, que me incentivou a escrever quando eu estava meio estagnado intelectualmente, além de vir me dando uma força enorme. Este texto só saiu por que ela me cobrou. Obrigado pela motivação 🙂

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Nesta semana eu fui postar uma foto no instagram e na hora da legenda me veio uma ideia interessante, ou melhor, me veio a inspiração para tratar de uma ideia que eu tinha pensado há algum tempo. Lá no instagram eu sintetizei a ideia com o seguinte textinho:

“Relacionamento é toda uma empresa, é todo um negócio.

Quem abre uma empresa visa crescer com base no lucro.

Para lucrar é necessário investimento.

Todo investimento traz riscos.

Eis o porém: Quando se investe em uma empresa ou negócio, se não dá certo, o capital se perde. Mas capital se recupera com esforço e jogo de cintura.

Quando se investe em um relacionamento, emprega-se tempo, disposição, ânimo… emprega-se a vida. E vida não volta, não se recupera o tempo perdido… mesmo que sejamos “tão jovens”.

Neste texto vou dissecar este textinho, mostrando o que há por trás da ideia em si, tratando de cada oração separadamente. Come on Kids.

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RELACIONAMENTO É TODA UMA EMPRESA, É TODO UM NEGÓCIO.

Como a minha visão socioeconômica é liberal, eu acabei trazendo a visão econômica/empresarial para o âmbito do relacionamento. Não vou dizer que pensar um relacionamento baseado no liberalismo econômico é de inteiro viável, porém, há muitos princípios se pode assimilar e aplicar viavelmente em um relacionamento. Por exemplo, esta compreensão de que um relacionamento é como uma empresa. Vejamos:

Quando se assume que um relacionamento é uma empresa, assume-se também que o seu cônjuge é seu sócio e ambos possuem a responsabilidade de fazer a empresa prosperar. Nesta relação, cada um investe tendo em vista a prosperidade do relacionamento, cada um deposita diariamente o que há de melhor para que o relacionamento seja agradável e gere bem estar para ambos.

Pelo menos, deveria ser assim, mas há quem não entenda esta questão ou não tenha esta visão e acabe caindo na errônea ideia de que a responsabilidade pelo bem estar do relacionamento é do outro e não se reconheça como parte da sociedade. Temos aí um clássico caso de egoísmo/egocentrismo, onde a pessoa espera que o outro gere sozinho os bons frutos para o relacionamento, ou seja, a pessoa emprega ao outro a responsabilidade pela prosperidade do relacionamento e até mesmo pela felicidade dela. Este é quase um caso de patronado, ou seja, a pessoa se vê como patrão da outra; A outra é seu empregado e tem o dever de fazer a “empresa” prosperar.

Ainda sobre o caso da relação de patronado, o momento trágico é quando o “patrão” não se satisfaz com a produtividade do seu empregado e procura substituí-lo ou descartá-lo. É óbvio o que eu estou falando: trata-se do caso onde a pessoa não está satisfeita com o que o outro faz por ela e flerta com outras pessoas [Aí Sam Smith diria: You say I’m crazy/ Cause you don’t think I know what you’ve done/ But when you call me baby/ I know I’m not the only one] ou simplesmente descarta a pessoa com quem se relacionava por achar que o que ela faz não é suficiente para ela. Esta pessoa que nunca está satisfeita com o que o outro faz por ela lembra aqueles patrões carrascos, clássico do período uma revolução industrial, que querem sempre mais lucro, inclusive submetendo os trabalhadores a situações e condições de trabalho deploráveis. São um tanto SADISTAS!

Diferentemente da relação de patronado, a relação de sociedade em um relacionamento, demanda igualdade de posições, direitos e deveres para os envolvidos. Ou seja, ninguém está acima de ninguém, ninguém é mais privilegiado que ninguém e todos tem as mesmas obrigações. A relação de sociedade deve ser horizontal e exige engajamento de ambos os cônjuges.

A parte mais difícil de se efetivar para se concretizar esta relação de sociedade é o cumprimento legal das suas obrigações. Por “legal”, entenda o livre acordo entre os cônjuges a respeito do que é melhor para a convivência cotidiana. A dificuldade reside no fato de, além dos interesses voltados para o relacionamento, existirem para cada cônjuge uma gama infinita de interesses particulares. Ou seja, cada um pensa no melhor para si, isto é um fato inquestionável. Porém, isto ainda não gera a dificuldade de que falo, a dificuldade se encontra na postura com que as pessoas tratam os seus interesses pessoais, isto é, se a pessoa prioriza ou trata de maneira flexível os seus interesses pessoais. Lembre-se que estamos falando de sociedade, então imagine que em uma sociedade empresarial um indivíduo coloque sempre os seus interesses pessoais acima dos interesses da empresa… Certamente a sociedade irá ruir, certamente muitas coisas não irão funcionar, pois o outro sócio se sentirá prejudicado pela soberba do outro. Então, tratar de maneira flexível os seus interesses pessoais é indispensável para uma sociedade funcionar de maneira eficiente.

Ademais, tratar os seus interesses de maneira flexível não significa abrir mão de tudo e nem ser eternamente obrigado a permanecer na sociedade, apesar de tudo. A partir do momento em que há uma discussão sobre interesses, que ela seja guiada democraticamente para que seja alcançado um acordo, de preferência consensual. Porém, se não há acordo sobre pontos relevantes, que cada um se sinta livre para abandonar a sociedade.

QUEM ABRE UMA EMPRESA VISA CRESCER COM BASE NO LUCRO

PARA LUCRAR É NECESSÁRIO INVESTIMENTO

Ora, é óbvio que quando pessoas formam uma sociedade para abrir uma empresa, elas estão pensando no lucros que obterão como frutos desta sociedade. No entanto, uma empresa não se abre do nada e também não se torna sólida sem planejamento e dedicação. Tudo isso se aplica a um relacionamento. Veja:

Quando duas pessoas entram em um relacionamento, elas estão pensando nos bons momentos que passarão em detrimento da relação com o outro e em tudo que pode se construir de bom com esta relação. Eu, sinceramente, não julgo saudável psicologicamente uma pessoa que entra em um relacionamento sem ter em vista o que espera deste relacionamento. Esta pessoa tem o que Heidegger chamaria de uma existência inautêntica, ou seja, ela vive por viver, sem saber o que será do seu futuro, vive sem planejamento recebendo que a vida lhe dá, sem expectativas… Ou seja, é uma pessoa que não é autor da sua história, como um ser inanimado ou irracional. Aí uma pessoa dessa quando entra em um relacionamento tem a tendência a estar sempre insatisfeita, não por receber coisas ruins, mas por que nem ela mesma sabe o que quer, então tudo para ela desagrada.

No entanto, uma pessoa que entra em um relacionamento autenticamente, ou seja, tendo em vista o que quer, tendo em vista objetivos e metas, esta pessoa visa, obviamente prosperidade para o relacionamento. Pois, a não ser que esta pessoa seja um psicopata, ela não desejará outra coisa em um relacionamento genuíno a não ser bem estar para si e para o outro, o que a gente chama de prosperidade. Bem, para alcançar esta prosperidade (lucro) é necessário investimento. Como foi supracitado “uma empresa não se abre do nada e também não se torna sólida sem planejamento e dedicação”. O que eu quero dizer com a ideia de que uma empresa não se abre do nada é que alguém tem que despender dedicação, entrega, disposição, ânimo, tempo para a relação ter início. Ademais, para ela se tornar sólida, é necessário que este despendimento seja constante, ou seja, que os cônjuges – não somente um, mas os dois – invistam estes elementos na manutenção do que foi construído. Um relacionamento só se torna sólido com investimento constante. Este investimento já implica planejamento, pois ninguém mentalmente saudável faz um investimento sem planejar em que investir, como investir e o que visa com tal investimento. Conclui-se então, que manter um relacionamento é uma atividade racional.

TODO INVESTIMENTO TRAZ RISCOS

Ou melhor, investir é uma tarefa arriscada. A tarefa de investir se torna ainda mais arriscada quando você investe em um relacionamento, em outra pessoa. O razão disto é bem simples: Você não tem controle sobre o outro, O OUTRO É IMPREVISÍVEL.

Já deu pra sentir a intensidade da questão, imagino eu. Deve ter passado pela sua cabeça agora que seria bom em certos momentos ter controle total sobre o outro (seu fascista!), mas é impossível sem cometer um crime (não cometa um crime!). Relações interpessoais é isto, você ter a capacidade de pensar/refletir sobre as suas ações, mas não ter controle algum sobre as reações dos outros.

Voltando à nossa discussão: Como acabei de colocar, você tem a capacidade de pensar, quebrar a cabeça refletindo, queimar os seus neurônios a 1000 graus planejando ações para manter o seu relacionamento, ou seja, você pode se esforçar de todas as maneiras e mesmo assim o seu esforço ser em vão. Isso significa que você deliberadamente escolheu investir em um negócio furado, ou seja, em um relacionamento sem futuro. Como eu já disse, o outro é imprevisível, então o fato de você investir em um relacionamento não garante que o outro reconhecerá o seu esforço ou que ele se agrade com o que você faz, tudo é risco.

Quando se investe em um relacionamento, faz-se uma aposta no futuro. O risco é iminente. Pela lógica, qualquer pessoa deveria ser capaz de reconhecer o esforço, a determinação, o sacrifício que o outro faz para manter um relacionamento, mas isto não acontece na prática. Muitas vezes, a soma de tudo o que uma pessoa faz equivale a zero para o outro. Agora imagina como a pessoa que se dedicou, que empregou tempo, ânimo, disposição como forma de investir em um relacionamento se sente após perceber que tudo o que foi feito foi em vão, que não valeu nada. É revoltante, mas foi um risco que ela escolheu correr.

Nesse ponto eu quero me posicionar e deixar uma mensagem: Não deixe de correr riscos como este, é um risco bom! Se alguém não soube lhe reconhecer, o problema não está com você, mas sim com a pessoa. Tudo o que você faz de bom, é bom em si e nunca vai ser errado. Porém, fazer algo de ruim nunca te fará certo.

PARA FINALIZAR…

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Eis o porém: Quando se investe em uma empresa ou negócio, se não dá certo, o capital se perde. Mas capital se recupera com esforço e jogo de cintura.

Quando se investe em um relacionamento, emprega-se tempo, disposição, ânimo… emprega-se a vida. E vida não volta, não se recupera o tempo perdido… mesmo que sejamos “tão jovens”

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Quando falamos em investimento no âmbito empresarial, falamos principalmente de capital (dinheiro), já no âmbito de um relacionamento conjugal, como vimos, o investimento se trata da entrega pessoal. Vimos também que os riscos estão presentes em qualquer tipo de investimento, mas nestes dois casos citados os prejuízos que advém dos riscos de um mau investimento são bem distintos. Vejamos:

O investimento empresarial, comparado ao investimento em um relacionamento não é lá tão simples. Não vou chegar aqui e dizer que arriscar em um relacionamento é mais complicado, pois não conheço a fundo as especificidades dos investimentos empresariais. Mas vou ressaltar uma questão que eu considero importante na comparação entre estes dois tipo de investimento: O prejuízo pessoal (psicológico, por exemplo), o prejuízo para a vida, sem considerar a esfera econômica.

Quando se investe mal no âmbito empresarial a fator econômico (capital) é preponderante quando se trata de prejuízo. Ou seja, o prejuízo em um mau investimento quando se trata de empresa está relacionado à perda de dinheiro. Além disso, há também o fator psicológico que entra em questão, pois o indivíduo se sentirá permeado de sentimentos negativos (angústia, decepção, desespero) por conta da sua perda, por conta da aposta que não foi bem sucedida. No entanto, se o indivíduo for bem estruturado emocionalmente poderá colocar o pé no chão e usar a sua inteligência e jogo de cintura para reaver o seu prejuízo. Afinal, estamos falando de capital, e bons investidores possuem capacidade de reaver seus prejuízos e mudar a sua situação.

Já no caso de um maus investimento em um relacionamento o fator psicológico é preponderante quando se trata de um prejuízo. Ou seja, o mau investimento quando se trata de um relacionamento está relacionado a perde de… VIDA! Era de se esperar que eu tivesse colocado no lugar de VIDA algo relacionado a mente, ou seja, o indivíduo perde algo relacionado à sua mente (psique). Mas não deixa de ser isso. Eu falo que o indivíduo perde VIDA por que a sua mente (psicológico) determina a sua vida. Neste caso, um mau investimento em um relacionamento afeta toda a vida do indivíduo. Vejamos:

  1. a) A MENTE PODE MUDAR: Alguém que investe em um relacionamento empregando esforço, tempo, dedicação, ânimo, etc., certamente possui certos valores e crenças sobre um relacionamento que, quando sai no prejuízo, pode acabar abandonando estes valores e crenças. Por exemplo, a pessoa que investe no relacionamento crê que o relacionamento é algo bom e apreciável para a sua vida e crê que o relacionamento o fará feliz. Com o prejuízo no fim a pessoa pode passar a pensar de maneira oposta. Isso é um prejuízo para o mundo também, pois se perde aí alguém que tinha um pensamento saudável, que não carregava mágoas, decepções, ódio por relacionamentos; Então nasce um desconfiado, decepcionado, revoltado com as relações amorosas que, pode até tentar machucar outras pessoas futuramente. NÃO VAMOS CRIAR PESSOAS DESTE TIPO!
  2. b) PERDA DE TEMPO: Uma pessoa que tem estas ideias, valores e crenças sobre o relacionamento, de que ele é algo bom e apreciável para a sua vida e que através de um relacionamento ele será feliz, quando investe em um mau relacionamento, além de cair na possibilidade de mudar a sua forma de ver os relacionamentos, perde tempo da sua vida com alguém “inviável”. Por pessoa inviável entenda alguém que não dá valor à dedicação do outro, alguém que não sabe retribuir o investimento do outro, ou alguém como foi descrito no caso do patronado, enfim, alguém que não saiba viver um relacionamento colocando a frente o espírito de sociedade, a busca mútua pela prosperidade do relacionamento. Cada dia ao lado de uma pessoa deste tipo para alguém disposto a investir em um relacionamento é um dia perdido de vida, é uma possibilidade a menos de encontrar alguém que possa “fechar a sociedade” efetivamente, é um dia perdido dando valor a quem não merece.
  3. c) GASTO DESNECESSÁRIO DE ENERGIA: Investir em outra pessoa demanda planejamento, isto já foi visto. O planejamento engloba um conjunto de ações voltadas para manter o relacionamento e fazê-lo prosperar. O ato de planejar e agir para manter um relacionamento e fazê-lo prosperar significa gasto de energia mental. Quando se investe em um relacionamento onde a outra pessoa á “inviável” o gasto de energia é desnecessário, é em vão. Se o indivíduo estivesse com alguém viável esta energia estaria sendo bem direcionada, bem gasta, valeria a pena. Após o prejuízo com um mau relacionamento o indivíduo pode se sentir constrangido a gastar energia com outra pessoa, então o prejuízo pode cair até mesmo para um futuro relacionamento do indivíduo, com alguém que não teve nada a ver com o prejuízo que ele levou.

Como pode ser visto, só com estes três exemplo, o prejuízo advindo do investimento em um relacionamento com uma pessoa inviável afeta a vida do indivíduo em diversos âmbitos: Significa perda de tempo com alguém que não merece a sua dedicação, significa a possibilidade de mudar suas crenças e valores sobre um relacionamento conjugal e até mesmo pode afetar relacionamentos futuros do indivíduo por conta das impressões que ficaram na sua mente em detrimento do investimento em uma pessoa que não valia a pena.

Destes prejuízos, o pior é a perda de tempo, perda de uma parte da vida do indivíduo ao lado de alguém que não vale a pena. A vida é curta, ninguém sabe até quando irá viver, então cada dia é precioso. Imagine gastar cada precioso dia da sua vida, gastar o seu precioso tempo se doando para alguém que não dá a mínima para a sua dedicação… Não há nada de agradável nisso. MAS É TUDO FRUTO DOS RISCOS DE SE INVESTIR. Todos estamos sujeitos a isso.

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APÊNDICE:

  1. Se você encontrar alguém que se dedique a você, retribua.
  2. Se você encontrar alguém que se dedique a você, mas você não tem interesse de retribuir, então seja sincero e não se aproveite da pessoas. Não a faça perder tempo e nem se decepcionar.
  3. Se você se decepcionar com alguém inviável, não generalize a questão. Nem todo mundo é como a pessoa que você se decepcionou.
  4. Há sim pessoas capazes de reconhecer “o seu investimento” e retribuir. Persiga alguém assim.
  5. Não se vingue em outras pessoas pelo que você passou com alguém inviável.
  6. Faça sempre o certo, apesar de tudo. Quem faz o certo pode não ser reconhecido por alguns, mas, certamente, quem faz o errado nunca estará certo.
  7. Saiba reconhecer também a dedicação dos outros.

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(Anderson Yankee)

REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DE RELACIONAMENTOS PASSADOS: SOBRE AS REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO

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Você já parou para refletir sobre a origem dos seus hábitos, comportamentos, atitudes em um relacionamento? Lhe convido a fazer isso. Até que ponto os nossos comportamentos são nossos mesmo? Será que não temos uma referência para nos comportar dentro do relacionamento? Vejamos.

Deixando de lado as formalidades… Conversando com as pessoas que me procuram e até mesmo refletindo sobre mim eu percebi algo extraordinário: EU NÃO SOU COMPLETAMENTE EU! Assim como muita gente se julga ter autonomia sobre si, mas não passa de brinquedinhos controlados. O que eu quero dizer com isso? Abaixo você vai ver, depois de outros conceitos e formalidades.

Partindo de uma perspectiva materialista, podemos dizer que tudo que se manifesta hoje no mundo pode ser entendido com uma volta ao passado. Falo de um materialismo no sentido de Karl Marx coloca, então parto da ideia de que tudo o que se manifesta atualmente pode ser entendido com uma volta ao passado, mas analisando as ações humanas, dialeticamente. Não vou entrar na discussão especificamente sobre o materialismo histórico e dialético de Marx, ressalto somente que a discussão que iniciarei sobre as atitudes de uma pessoa em um relacionamento se relaciona com este materialismo, principalmente no que diz respeito à dialética. Então vamos direto ao ponto!

Para compreender algo do presente/atualidade é necessário voltar ao passado e buscar algumas referências. Esse é o ponto de partida! Por exemplo, hoje é dia 15 de novembro de 2015, dia em que é comemorada a Proclamação da República do Brasil. O Brasil não se tornou uma república do dia para a noite, mas sim decorrente de diversos outros fatos históricos, como a vinda da família real portuguesa para o Brasil, o fato de D. Pedro ter ficado no Brasil, a Independência e o primeiro reinado, o segundo reinado, para então haver o golpe contra a monarquia e os militares proclamarem a república no Brasil. É disso que eu estou falando, de que tudo o que acontece possui uma referência para se compreender o seu acontecimento.

Deste modo, se buscarmos as referências passadas corretas, poderemos compreender efetivamente qualquer coisa no presente. Em se tratando de comportamentos – dentro de um relacionamento para ser mais específico – não é difícil encontrar as referências corretas para se compreender como as pessoas agem com relação a si e ao outro. Mais na frente explicarei esta questão. Antes, preciso explicar mais alguns conceitos importantes.

Além da ideia de que tudo no presente possui uma referência no passado, devemos entender que o que se manifesta no presente da vida dos homens foi construído pelos próprios homens. Ou seja, são as próprias pessoas que constroem as suas histórias. Dizer que uma pessoa age, pensa, comporta-se por que “algo” ou “alguém” o faz agir de tal maneira é algo controverso. De fato, todas as escolhas de uma pessoa passa pelo crivo da consciência e é, em última instância, ela quem determina o que é feito pela pessoa. Veja bem, não estou considerando o caso de pessoas com distúrbios mentais ou sob efeito de drogas, falo de pessoas com sanidade mental e sóbrias. Voltando ao assunto! Todo mundo é consciente do que faz, do que quer, do que não quer, de como age, de como não age. Vou frisar bem esta questão do “quer” e “não quer”, do “age” e “não age”, fazendo essa oposição pelo fato de que as duas vias dependem da escolha consciente das pessoas.

Resumindo:

[1] O que acontece no presente pode ser explicado pelas suas referências no passado. Os comportamentos de uma pessoa é um exemplo.

[2] Toda escolha das pessoas passam pela consciência, então são deliberadas.

Não sei se você percebeu, mas estes dois tópicos podem ser considerados contraditórios. Pelo menos, aparentam ser contraditórios, mas vou juntá-los agora e esclarecer a questão! Veja bem, quando digo que tudo no presente possui uma referência que o explique e esta referência está no passado, pode-se levantar a ideia de que o que se manifesta no presente seria determinação absoluta do passado. Ou seja, tudo o que acontece no presente é no presente necessariamente por que o contexto passado deu condições de o presente ser o que é e não de outra maneira. Isso seria pressupor que um único caminho seria possível para o futuro. Partindo dessa ideia, acreditar que tudo o que uma pessoa faz ou não faz é exatamente determinado pelas suas experiências passadas. Nesse caso, a consciência seria algo inútil, pois ela possibilitaria à pessoa entender o que ela estaria fazendo, mas a ação em si não dependeria da escolha dela. Essa seria a contradição aparente desta questão.

A partir de agora estarei focando na questão específica do comportamento de uma pessoa. Na realidade o que temos é o seguinte: Sim, há uma referência para explicar cada comportamento atual de uma pessoa ou fato geral da atualidade. Mas o comportamento atual de uma pessoa está relacionado a UMA referência dentre várias outras referências possíveis que a pessoa tinha para escolher no seu passado. Por exemplo, uma pessoa que maltrata animais pode ter como referência algum fato do seu passado ligado a pessoas que agiam com maus tratos a animais, então ela tomou aquele fato como referência e passou a reproduzi-lo. Encontramos a referência do comportamento da pessoa. Mas algo que devemos pensar também é que outros diversos tipos de pessoas conviviam com esse indivíduo e ele não as tomou como referência. Ou seja, foi escolha do indivíduo ter como referência as pessoas que maltratavam animais e não as que não maltratavam. Então, não há uma determinação absoluta de uma referência pelo simples fato de que uma série de outras possíveis referências existiam e a pessoa não optou por adotá-las. Assim, o poder de determinação não está na referência, mas sim na vontade do indivíduo, é ele quem escolhe qual referência seguir. Se há determinação neste caso, é autodeterminação, ou seja, a escolha do indivíduo prepondera sobre em que vai se basear o seu comportamento.

Agora demos autonomia à consciência. Agora a consciência deixou de ser reduzida à simples capacidade de entendimento sobre as coisas, sobre as situações ou sobre si mesmo e ganhou status de determinante no que diz respeito a como o indivíduo se comporta. A consciência permite ao indivíduo deliberar, escolher o que ele quer fazer ou não fazer. A consciência permite ao indivíduo até mesmo escolher as suas referências. A consciência torna o indivíduo ativo, autônomo, dono de si próprio.

Resolvida a questão da contradição que parecia emergir dos postulados anteriores, coloco o último conceito que faltava dentro desta discussão: a dialética. O que se pode contribuir para a discussão com este conceito? É que a formação do comportamento de uma pessoa se dá através de um processo dialético. Entenda a dialética da maneira mais simples possível: Tese, antítese e síntese. Ou seja, imagine que atualmente você é uma pessoa radicalmente desconfiada (tese), aparece alguém na sua vida e lhe dá uma referência de que a não há necessidade de ser radicalmente desconfiada, pois existem pessoas dignas de confiança (antítese, a contradição do estado de tese, o oposto), então você assimila uma nova visão sobre a confiança (síntese) – torna-se moderadamente desconfiada, por exemplo. Ou seja, tudo o que se vive pode contribuir para formar o comportamento do indivíduo. São as contradições, principalmente, que contribuem para esta formação dialética do comportamento.

REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DE RELACIONAMENTOS PASSADOS: SOBRE AS REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO

Agora podemos voltar lá ao início do texto e tratar das declarações que eu coloquei lá. Eu disse que “EU NÃO SOU COMPLETAMENTE EU! Assim como muita gente se julga ter autonomia sobre si, mas não passa de brinquedinhos controlados”. Já dá para perceber do que se trata com base no que foi colocado até agora. O que eu quero dizer com “Eu não sou completamente eu” é simplesmente que muito dos meus comportamentos eu consigo reconhecer como referenciados em outras pessoas. Então me vem uma impressão de outras pessoas determinam o meu comportamento e que os meus comportamentos não são genuinamente meus, mas são como cópias de comportamento de outras pessoas. Eu só pensava nisso de maneira a não dar muita importância, até que acompanhando um caso eu comecei a ter uma visão nova sobre a questão, mas não é importante. Vamos à análise.

Analisando a questão da formação do comportamento de uma pessoa, já vimos que este processo se baseia em referências. No caso de um relacionamento, a referência que a pessoa toma para agir são os relacionamentos anteriores. Esta é a ideia central. Como isso acontece? A hipótese consiste no seguinte: Toma-se como referência o comportamento do mais forte. Explicarei.

Quando se trata de um primeiro relacionamento amoroso de uma pessoa é difícil encontrar as referências do seu comportamento dentro deste relacionamento, seria necessário uma investigação mais minuciosa. Por comportamento dentro do relacionamento inclui-se as defesas adotadas pelo indivíduo, o romantismo, os modos de ataque, jogos de poder, ou seja, todas as maneiras de lidar com o outro dentro do relacionamento, sejam positivas ou negativas. Destaco as defesas adotadas pelo indivíduo como algo que é perceptivelmente referenciado em outros relacionamentos.

E de que se trata as defesas adotadas pelo indivíduo? Entende-se por defesas as maneiras de agir frente aos problemas que aparecem no relacionamento: brigas, discussões, mal estar, entre outras situações negativas de um relacionamento visando se proteger de danos psicológicos, dor, sofrimento. É normal que as pessoas busquem reagir de maneiras que lhes convenha ser quando passam por situações deste tipo para se resguardarem, para se protegerem, como já foi dito. Quanto a qual estratégia para se defender que a pessoa adota, isso é relativo. É daí que surge a questão: O que determina a escolha de uma estratégia de defesa?

Bem, para uma pessoa que nunca teve um relacionamento, como já disse, é difícil determinar as suas referências. Mas no caso de uma pessoa que já se relacionou com outras é possível perceber que muitas das estratégias de defesa que ela usa tem referência em outros relacionamentos, ou seja, é um espelho ou síntese do comportamento de outra pessoa para com ela. Por exemplo, uma pessoa que convivia com alguém que se mantinha em silêncio diante de uma discussão pode reproduzir esse comportamento com outra pessoa que ela se relacionar, por conta da funcionalidade do ato.

Como assim, funcionalidade do ato? Por exemplo, uma chave de fenda é funcional para apertar parafusos. Isso quer dizer que ela serve para lidar com uma necessidade. No caso de uma estratégia é a mesma coisa: É como se a necessidade de apertar um parafuso fosse o problema do relacionamento e a chave de fenda fosse a estratégia que a pessoa adota como defesa. Quem entendeu a questão pode estar se dizendo que a postura que adota diante de um problema não visa necessariamente se defender, mas sim resolver o problema do relacionamento. Mas veja bem, está certo, nem todo mundo busca necessariamente se defender e pensar somente no seu bem estar diante de um problema de relacionamento, mas até esta atitude pode se aplicar à ideia da “referencialidade”. Ou seja, mesmo que a pessoa não esteja se defendendo diante do problema de relacionamento, qualquer atitude que ela tome pode também ter como referência uma atitude de outra pessoa com a qual ela se relacionou. Neste caso também, a funcionalidade da ação conta. Ou seja, tanto no caso da defesa (que foi um exemplo isolado que eu peguei para explicar a questão) quanto no caso de outras atitudes que são adotadas com referência em outros relacionamentos, a atitude é adotada pelo fato de ela ser viável para lidar com uma situação problemática.

Se ainda não ficou clara a questão da funcionalidade, darei um exemplo: Está uma pessoa com um problema conjugal, ela não está se sentindo bem com situações que estão acontecendo no seu dia a dia de relacionamento e, então, busca o seu parceiro para iniciar uma discussão. O seu parceiro se mantém com uma postura “A” em meio a discussão, enquanto que a pessoa se mostra com uma postura “B”. No fim da discussão, da mesma maneira que já aconteceu em outras, o parceiro sai da discussão visivelmente melhor que a pessoa que iniciou a discussão. Esta pessoa, após o fim deste relacionamento, pode adotar a postura “A” do seu antigo parceiro para lidar com discussões em outro relacionamento. O sentido disso é que a pessoa percebeu que nas discussões que ela tinha no seu antigo relacionamento a pessoa sempre saia melhor no final por conta da sua postura. Isto é, a pessoa entende que a postura “A” é funcional.

OBS: A postura “B” não é excluída totalmente da pessoa que adota uma nova postura. Já vimos que o processo de adoção de comportamento é dialético. Então, a postura “A” é, na verdade, predominante, mas coexiste com a postura “B”, podendo até mesmo a “B” ser predominante em alguns casos, assim poderemos ter posturas “AB” ou “BA”. Tudo depende de como o indivíduo avalia a situação e entende o que é mais funcional para uma dada situação.

Assim, fechamos então essa ideia. Fazendo um resumão:

  1. Tudo o que acontece no presente pode ser explicado pelas suas referências no passado.
  2. O comportamento das pessoas em um relacionamento pode ser explicado pelas suas referências em outros relacionamentos.
  3. O processo de assimilação de comportamento com base em referências é dialético.
  4. O processo de assimilação de comportamento é ativo (atividade da consciência).
  5. O processo de escolha de referências se dá com base na percepção da funcionalidade da atitude.

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(Anderson Yankee)

OS JOGOS DE PODER EM RELACIONAMENTOS CONJUGAIS: SOBRE AS PESSOAS QUE TÊM A NECESSIDADE DE SE SENTIREM SUPERIORES

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Nomeado a partir de um monstro bíblico, Leviatã trata da organização da sociedade. Para Hobbes, o homem em “estado natural” desconhece as leis e a idéia de Justiça. Todos têm direito a tudo e, para conseguir o que desejam, lançam mão da força e da astúcia. A conseqüência é a “guerra de todos contra todos”. A única forma de refrear essa guerra seria realizando o pacto social, quando todos abrem mão de seu direito em nome de um único soberano.

Resumindo, coloquei o Leviatã aqui somente como representação do poder, uma coisa tão almejada em alguns tipos de relacionamentos. Mas dá pra fazer uma referência a certas pessoas como seres em estado de natureza, bem como Hobbes trata lá no livro. Dá também para comparar os jogos de poder em um relacionamento com “a guerra de todos contra todos”. Enfim, lê o texto que tu entende.

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Essa história de que em um sentimento que perpassa um relacionamento sério só existe maravilhas, que o sentimento dos cônjuges é algo efetivamente lindo e que um amor verdadeiro e perfeito é possível, sendo este desprovido de qualquer maldade, malícia ou elementos quaisquer que sejam negativos é a maior das balelas. Um relacionamento é um jogo de poder ou é uma relação de submissão; raramente essas duas situações não existe, caracterizando assim uma neutralidade.

            No jogo de poder existente em um relacionamento nem sempre os dois cônjuges jogam. Falando na linguagem básica de quem joga videogames, as vezes só tem um controle, então um joga e o outro olha. Isso acontece quando você tem uma pessoa geniosa e outra mais submissa, que acata a tudo, que aceita todos os tipos de situação de maneira passiva ou inerte. Mas quando você tem duas pessoas “geniosas” em uma relação, aí a coisa esquenta e você consegue perceber claramente o jogo de poder. No terceiro caso, na relação neutra, não há jogos de poder e nem submissão permanente, o que seria o ideal.

A partir de hoje você vai parar por dois minutos para pensar se no seu relacionamento há uma disputa de poder ou uma relação de dominação ou, para a sua felicidade, pode ser uma relação neutra – caso seja, fique feliz! Vamos ver então, o que há em cada um destes casos.

  1. JOGOS DE PODER – Em que consiste então este jogo de poder em um relacionamento? Ora, é bem simples: Ambos querem ser o indivíduo dominante na relação. Que bonito isso, hein? Sim, estamos falando de um relacionamento conjugal, não de uma disputa eleitoral!

            Como assim, ser o indivíduo dominante? Este tipo de pessoa que busca ser o “dominante” deve ter sido maltratada pelos pais na infância ou não deixaram ela brincar no parquinhos com as outras crianças, ou ainda devem ter roubado o seu brinquedinho preferido, pois ela tem um vazio enorme, assim como uma angústia aterrorizante que a faz entrar em um relacionamento conjugal para subjugar o outro na tentativa de se afirmar como a “cabeça da relação”. Agora imagine a “puta” situação onde tem duas pessoas cheias de patologias psicológicas como estas em uma relação! Aí está um jogo de poder em um relacionamento: Duas pessoas problemáticas, um procurando estar acima do outro para se sentir seguro.

            Cara, não é necessário alguém estar acima de outro para se sentir bem consigo mesma! Isso mostra uma mente doentia, ou duas, o que é pior. Se você que está lendo se identificar com esse caso, procure tratamento, você tem problemas. Veja bem, isso é um problema de uma pessoa mal resolvida, de uma pessoa que não se sente bem consigo própria ou com a vida que tem, por isso ela busca estar acima (obviamente, colocando o outro para baixo) para poder se sentir bem, segura, tranquila. O pior de tudo é quando esta infeliz pessoa só consegue se sentir bem quando o outro está mal. Por Zeus, isto é bizarro, porém, há tratamento.

            Bom, esta infeliz pessoa geralmente usa todo o seu poder intelectual, todas as formas de observação e uma investigação rigorosa, se brincar toma misturas preparadas em laboratório para aguçar mais a sua atenção (exagerei nessa) para poder perceber o que deixa a outra pessoa mal, angustiada, fora do eixo, desequilibrada para criar uma brecha na fraqueza do outro e poder sair de superior. É muita energia gasta para fins inúteis. Essa pessoa poderia usar a sua inteligência e criatividade para algo produtivo, isto é certo. Pois bem, esta infeliz pessoa usa a sua criatividade bolando planos sinistros, forçando situações, manipulando fatos e pessoas para criar algo que atinja o outro justamente para que ele se desequilibre, fique mal, caia em um momento de fraqueza. Enquanto isto o doente mental está se sentindo bem, mesmo que não demonstre por fora, mesmo que não transpareça.

            Pois bem, o indivíduo doente que necessita de auto afirmação e da fraqueza do outro para se sentir bem, pode ser bom em encenação também. Então cuidado. Além disso, o cinismo, o sarcasmo ou até a falta de escrúpulos podem estar presente nas atitudes desta pessoa que infelizmente é afetada por uma grave patologia mental. Muito cuidado com este tipo de pessoa, a sua função é acabar com a felicidade das pessoas com quem ela se relaciona – mesmo que afirme o contrário –, ela busca ficar bem às custas dos outros, por isso é egoísta, egocêntrica.

  1. A SUBMISSÃO E JOGOS DE PODER – Acima tratei do caso de dois indivíduos doentes psicologicamente, os quais não se sentem bem com a própria condição e por isso buscam fazer os outros fraquejarem com seus planos maleficamente articulados, justamente para se sentirem bem. Na verdade, eu falei de uma pessoa, mas é suficiente para entender que no jogo de poder há duas pessoas deste tipo. Veja bem, foi também importante explicar o caso de uma pessoa só por conta de que no caso da submissão apenas uma pessoa é do tipo que foi explicado, enquanto que a outra não participa do jogo de poder.

            Imagine que uma pessoa normal psicologicamente (sem as características da pessoa doentia que se esforça para estar acima do outro na relação) tragicamente começa a se relacionar com um doente que provavelmente não teve uma infância sadia. Pobre desta pessoa. Ela deveria ter consultado uma cartomante antes (essa foi brincadeira). Pois bem, esta pessoa normal pode ter duas características dominantes, a sensatez ou a submissão. Vamos pensar desta maneira e ver o que pode acontecer em cada um dos casos:

a) Quando uma pessoa sensata se envolve com uma pessoa que procura se afirmar na relação, assumindo que ela seja de fato sensata, se ela perceber a jogada do outro, com certeza, ela irá abandonar esse relacionamento. Isto é uma atitude sensata. Porém, pode haver de a pessoa sensata ser esperançosa e procurar remediar a situação, mostrar ao outro que nem todo mundo é seu inimigo querendo roubar seu brinquedinho preferido e que ela não precisa agir sempre na ofensiva como um bicho selvagem. Não quis ofender os bichos selvagens, juro. Mas se pensarmos bem, a pessoa que procura se afirmar no relacionamento é bastante primitiva; Acho que o cérebro reptiliano é predominante nela. Pois bem, voltando à questão. Uma pessoa sensata, creio eu, deve poder, com muita paciência mudar a cabeça de um indivíduo com necessidade de ser “dominante”, mas deve ser uma missão extremamente cansativa e penosa.

            Na tentativa de a pessoa sensata mudar a cabeça do que necessita ser “dominante” ela acaba se submetendo a aceitar as loucuras provenientes dos planos maléficos deste indivíduo doente. E mesmo que o indivíduo sensato não aceite, muitas vezes ele se força a compreender as atitudes do doente, ou melhor, iludir-se com um “lado positivo” da situação criada pelo doente (se é que existe lado positivo) ou então ele faz EPOCHÉ, suspende o juízo, não emite qualquer julgamento sobre o caso, dá uma de filósofo helenístico e procura ver a situação simplesmente como uma situação qualquer – nem boa e nem ruim – para permanecer imperturbável. O pobre faz isso para o relacionamento sobreviver, com a esperança de que as coisas melhorem mais na frente, ou melhor, que o doente se trate e amadureça.

            É válido acreditar que as pessoas podem mudar, mas que é dose lidar com este tipo de pessoa doente, com certeza é sim. Só tente causar a impressão de que a pessoa doente não precisa s esforçar nesta busca de ser “dominante” se você tiver muita paciência, pois você vai precisar. Uma dica para quem pretende se lançar nesta empreitada é encontrar qual é o vazio desta pessoa, qual é a angústia que a afeta, qual é a dor que ela sente, o que é que baixa a estima desta pessoa a ponto de ela precisar ver os outros em momentos de fraqueza para ela se sentir forte.

b) Vamos fazer um exercício de imaginação outra vez: Imagine uma pessoa que tem uma baixíssima estima, que é calma, tranquila, não discute, tem dificuldades para tomar decisões ou questionar decisões dos outros. Meu triste a situação desta pessoa, certo? Pra ficar mais triste, imagine que ela se envolve com um doente dos que foram descritos acima! Meu Deus, salvem esta pessoa. Esta pessoa é o sonho de consumo de uma pessoa que quer se impor como dominante. O motivo é óbvio, esta pessoa não representa uma concorrência na disputa de poder dentro do relacionamento e pior, é passiva, submissa. Por favor, submisso, pelo seu bem, corra para as colinas (zoei)!

            Se uma pessoa submissa tiver tendência à depressão, esta pessoa está com os dias contados, principalmente se o doente for alguém sem escrúpulos, já pendendo para a psicopatia. Cara, a pessoa submissa com alguém deste tipo é como ratinho no recipiente de criação de cobra (com uma cobra dentro, lógico), ela está em perigo! DANGER, DANGER!

            Pode-se dizer que esta é uma relação com duas pessoas doentes, a diferença é que do submisso temos pena pela condição de coitado, de sofredor em que cairá, já do indivíduo que tem necessidade de dominação sentimos repulsa, também pela sua conduta que procura gerar sofrimento nos outros para, em contrapartida, ele se sentir bem. São, na verdade, dois extremos de comportamento. E, como se sabe, coisas extremas tendem a não serem muito boas, são sinônimo de desequilíbrio. Mais Aristóteles nesse povo, please!

  1. A RELAÇÃO NEUTRA – Quando coloco aí o termo “relação neutra” é só você pensar em neutro relacionado ao jogo de poder, ou seja, o jogo de poder não é permanente. Falo que ele não é permanente pelo fato de sempre haver em um momento ou em outro uma disputa de poder por algo dentro de um relacionamento. Porém, esta disputa não necessita ser doentia, como quando há alguém mal resolvido, cheio de patologias psicológicas desejando a todo momento colocar o outro para baixo para poder se sentir bem.

            Na relação doentia de jogo de poder existe uma guerra indireta, não declarada, e esta guerra é permanente. Os indivíduos até vivem momentos bons, possuem um sentimento bom pelo outro, mas têm sempre um pé atrás com relação a diversas coisas que deveriam até ser essenciais em um relacionamento. Essa porcaria de relacionamento você pode comparar àquela cena clássica do abraço para apunhalar pelas costas. O abraço representa o sentimento bom que ainda existe no relacionamento (depois vou explicar em outro texto sobre este sentimento), mas o indivíduo está com uma arma na sua mão, ou seja, com o pé atrás, preservando a intenção de fazer mal ao outro a qualquer momento. Isso não é sadio. Agora, para você entender esta questão do relacionamento neutro só é você partir da ideia que de estas coisas que acabaram de ser citadas não estão presentes.

            Então, o que caracteriza o relacionamento neutro?

a) Duas pessoas bem resolvidas que entram em um relacionamento com a intenção de um fazer bem ao outro. É um relacionamento composto pela ausência da necessidade de fazer mal ao outro para se sentir bem, ninguém precisa ver o outro fraco para se sentir forte, ninguém tem a necessidade de estar acima do outro para se sentir seguro na relação ou consigo próprio. Em situações esporádicas você pode ver um jogo de poder, mas com uma finalidade útil para o relacionamento, esta é a diferença entre o sadio e o doente. Por exemplo, quando alguém assume as rédeas de uma situação pensado no bem da relação, ela assume uma posição de “superioridade” no sentido de liderança para guiar a relação para um caminho positivo. Logo após, o indivíduo abandona a sua posição de superior, pois não tem a necessidade de permanecer nesta condição, pois isso não representa nada para ele, pois isto não acrescenta no seu bem estar. Esta pessoa já é suficientemente resolvida consigo própria, segura, equilibrada a ponto de não necessitar de autoafirmação. Uma posição de dominante para alguém deste tipo é algo banal.

            Que lindo, não é? Eu caso agora com alguém deste tipo (brinquei, estou comprometido). Mas veja bem, John Locke ficaria orgulhosíssimo desta pessoa, pois ela respeita um direito inalienável do ser humano que é a igualdade. Não deve ser lindo duas pessoa convivendo como iguais, sem uma precisar do mal da outra para se sentir bem? É Liiiiiindo, cara.

b) Já tratei da relação de duas pessoas sadias e vimos como seria bonita, uma be-le-za. No segundo caso, quero tratar da relação de uma pessoa sadia com uma submissa. Cara, uma pessoa sadia como a que eu descrevi (segura, resolvida, equilibrada e que respeita a igualdade) pode ter um relacionamento maravilhoso com uma pessoa submissa também. A diferença crucial entre o caso da pessoa bem resolvida com a pessoa doente mental é que a primeira não terá necessidade de piorar a situação da pessoa submissa, com baixa estima e com dificuldades de defender os seus ideais. Uma pessoa bem resolvida pode se encaixar perfeitamente com uma pessoa submissa, principalmente se a bem resolvida buscar compreender bem a submissa e procurar meios de sanar as suas deficiências.

Espera-se que a bem resolvida conduza a relação, não por ela se impor como dominante, mas pelo fato de o outro se auto colocar como não dominante, numa posição de “inferior”. Como o outro que convive com o submisso não possui a necessidade de se afirmar, espera-se que ele não se deixe seduzir pelo poder que lhe foi concedido espontaneamente pelo submisso e não procure meios de “pisá-lo” ou afetá-lo negativamente de alguma forma. Cara, se tu é bem resolvido, respeita os submissos, eles merecem alguém que cuide deles!

Com isso, imagino que deu para esclarecer o que é o tal do relacionamento neutro e como ele se manifesta em contraposição ao relacionamento doentio das pessoas que possuem a necessidade de estar acima do outro na relação. Neutralidade é basicamente a ausência de jogos de poder com fins negativos, que fazem mal ao relacionamento. Vimos também que é possível alguém ser a cabeça do relacionamento e isso não prejudicar em nada o mesmo. Para tanto, é necessário que o indivíduo tenha como objetivo o bem estar do relacionamento e que ele não se deixe seduzir pelo poder que ele possui no momento. Isso é o que se espera de uma pessoa bem resolvida, segura e equilibrada.

Vale a pena deixar alguns conselhos aqui no final:

  1. Se você for sensato, evite pessoas doentias.
  2. Se você pretende mudar a cabeça de uma pessoa doentia, boa sorte.
  3. Se você for uma pessoa doentia, procure tratamento psicológico.
  4. Se você for uma pessoa submissa, cuidado com quem se envolve.
  5. Se você é uma pessoa bem resolvida, segura e equilibrada: PARABÉNS, você é ótima para se relacionar. Não se iluda com o poder.

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(Anderson Yankee)

CONHECIMENTOS CIENTÍFICO, TÉCNICO E PRÁTICO: CARACTERÍSTICAS

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Para o humano viver é necessário a ciência, no que diz respeito ao conhecimento sobre o que o rodeia. Ciência é um tipo de conhecimento essencial não só para o homem viver, mas melhorar a sua própria existência e a dos outros, tornara vida a melhor possível. Observe ao seu redor e tente encontrar algo que não dependeu da ciência para ser produzido. Quantas coisas que você faz no seu dia a dia também não utiliza algo que é produto de um conhecimento científico. O seu celular funcionando, a sua comida bem preparada, as suas roupas estilosas, a água mineral que você bebe, que pode ter passado por um processo industrial, tudo isso são coisas comuns que estão presentes no nosso dia a dia e tem um dedo ou uma mão inteira da ciência para que pudesse ser como é. A ciência é realmente maravilhosa e nos dá frutos ainda mais maravilhosos.

                O desenvolvimento científico pode melhorar a vida do homem, possibilitando a produção de coisas simples, essenciais ou até mesmo supérfluas para a nossa vida. Por outro lado, nas mãos e mentes erradas a ciência pode ser uma arma extremamente perigosa. É como quase tudo na natureza: está lá posto, imparcialmente, seguindo as leis da natureza, então vem o homem e usa segundo a sua vontade, para o bem ou para o mal. Imagine uma pedra, ela pode servir para construir um abrigo, ou como arma para golpear alguém, pode ainda ser uma ferramenta ou até um objeto de apreciação artística. Esse mesmo exemplo vale para o conhecimento científico, ele pode ser usado para melhorar a vida do homem, pode ser usado para piorar a vida do homem, pode ser usado ainda como arma, dependendo de quem o usa.

                O conhecimento científico é um conhecimento do funcionamento do mundo, das leis naturais, da lógica e estrutura do universo. Através deste tipo de conhecimento o homem pode interagir de uma maneira mais efetiva com a natureza, se comparado à condição de não conhecedor do funcionamento do mundo. Faça uma neste sentido entre o homem atual, que possui um conhecimento científico avançado com os homens do período neolítico, obviamente os homens atuais conseguem interagir mais efetivamente com a natureza, modificando-a e utilizando os seus recursos para diversas finalidades. A comparação foi injusta por conta do anacronismo? Compare então um profissional da engenharia com alguém que não possui conhecimentos suficientes sobre matemática: Quem tem mais possibilidades de elaborar um projeto de construção de um prédio? Obviamente que é o engenheiro, que possui um conhecimento técnico-científico.

                Sobre este último exemplo, você pode ter ficado inculcado. Pode ter pensado, por exemplo, que apesar de o engenheiro ter um conhecimento específico para elaborar um projeto de um prédio, ele pode não ter conhecimento para pôr a mão na massa e construir o prédio. Sim, isto é possível! Porém, é importante fazer uma diferenciação entre o conhecimento do engenheiro (científico) e o conhecimento de quem vamos chamar de pedreiro, que é um conhecimento prático. A diferença entre este dois tipos de conhecimento começa na forma de obtenção, passa pela sua estruturação/organização e inclui também a finalidade.

  1. Quanto à obtenção do conhecimento, o conhecimento prático, como o próprio nome já remete, é obtido na prática, na relação entre tentativa e acerto, é repassado de uma geração para outra pela oralidade ou ainda pode ser repassado na relação entre mestre e aprendiz, como ofício. São estes alguns exemplos de como o conhecimento prático é obtido e repassado. Ora, mas há instituições de ensino que também repassam o conhecimento prático. Pois bem, o conhecimento que visa uma prática repassado por uma instituição de ensino é chamado de conhecimento técnico, isto quer dizer que ele não é um simples “fazer algo”, mas um fazer organizado, uma técnica de “fazer algo”, um passo a passo seguro, obtido através de observação e testes, por vezes fundamentado em uma teoria.

Por falar em teoria, ela é parte fundamental do conhecimento científico. Podemos dizer que, depois de corretamente obtido, o conhecimento científico se expressa em uma teoria. A teoria é composta de um conjunto de proposições logicamente organizadas e é finalizada com uma conclusão. Cada proposição deve estar ligada a fatos da realidade, então podemos tirar disso que o cientista – o cara que faz a ciência – precisa observar a realidade para elaborar as suas proposições. Há um porém, estamos falando de uma observação metódica, ou seja, feita com base em métodos, como o indutivo e o dedutivo, por exemplo, para que possa ser confiável, segura. Além da observação, a ciência trabalha com testes controlados, experimentos para que as suas proposições sejam validadas. O passo a passo da observação e as conclusões dos testes serão sistematizados em uma teoria.

Podemos, então, destacar as principais características da ciência citadas: Metódica, Sistematizada, Crítica, Experimentada, Justificada, Organizada, Comprovada.

  1. Quanto à estruturação do conhecimento obtido, o conhecimento prático não obedece a uma estruturação padrão, não há uma determinação para estabelecer como ele se estrutura. Pode-se dizer que se há uma estruturação deste tipo de conhecimento, ela é feita simplesmente na mente do indivíduo que pratica algo. Para ficar melhor de entender esta questão é mais viável fazermos uma comparação da prática com a técnica e a ciência. A técnica apresenta uma organização que pode ser a mesma da ciência, que é uma organização baseada na lógica. Ora, para realizar um procedimento é necessário que haja uma estruturação lógica do passo a passo a ser seguido para o produto ser efetivamente obtido. Da mesma maneira, uma teoria científica, para que seja compreendida, deve seguir uma lógica rigorosa. A necessidade da lógica é tornar a coisa inteligível. Fazendo a comparação com o conhecimento prático, seria ele então desprovido de lógica? Não se trata disso, mas sim o caso de ele não exigir rigorosamente uma lógica.

Algo baseado na prática pode ser feito – em alguns casos – por acaso, com riscos, de maneira inviável ou até mesmo equivocada. Isto acontece por que falta o rigor presente na técnica e na ciência. Além disso, falta ainda mais o comprometimento em buscar um conhecimento total do funcionamento da coisa, que é típico da ciência. Ora, se o processo fosse completamente compreendido, evitar-se-ia riscos, inviabilidade e equívocos. Isso eliminaria também o acaso, algo que não combina nada com a ciência.

Podemos, então, destacar as principais características da ciência citadas: Lógico, Organizado, Sistematizado, Útil.

  1. Por fim, quanto à finalidade, o conhecimento prático visa atender a atividades simples, fins práticos, como construir algo, resolver problemas simples do dia a dia. Citamos acima o caso do pedreiro, ele consegue construir uma casa com o seu conhecimento, porém, sem ter uma técnica fundamentada em conhecimentos científicos, somente práticos, empíricos. Parecido com o conhecimento prático, neste sentido, é o conhecimento técnico, que visa também realizar atividades, tanto atividades simples, como tarefas do dia a dia, quanto complexas, como tarefas ligadas à profissões específicas. Por exemplo, uma enfermeira tem um conhecimento técnico para fazer um curativo, por exemplo (Ela sabe a maneira mais viável, que não ofereça riscos para ela e para o paciente). Pra, uma dona de casa pode fazer um curativo também, na sua casa, com os materiais que ela dispõe, porém, sem conhecimento técnico, ela o fará de uma maneira que ela entende que é certa, baseada em práticas dela ou de terceiros.

Já no caso da ciência, ela visa primeiramente compreender o funcionamento do mundo, tanto no que diz respeito a fenômenos ou objetos simples, quanto fenômenos e objetos complexos. A técnica deriva da ciência, ou seja, através do conhecimento científico, isto é, do conhecimento a respeito do funcionamento da realidade, produz-se técnicas para produzir coisas, resolver problemas, inclusive atuando em profissões. Por exemplo, a técnica da enfermeira se baseia em conhecimentos sobre o funcionamento do corpo humano, através deste conhecimento ela pode usar materiais específicos para fazer um curativo, maximizando o processo de cura e eliminando os riscos para o paciente.

Pelo que foi visto, a prática, técnica e ciência s diferenciam em determinados aspectos, aproximam-se em outros, mas cada um tem sua especificidade. Ambos são de extrema utilidade para a vida por possibilitar ao homem interagir com a natureza, modificá-la segundo as suas necessidades e tornar a sua vida melhor.

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(Anderson Yankee)

COMO ESQUECER A PESSOA QUE AINDA AMO (TEXTO REVISADO E COMPLEMENTADO)

Autor: Anderson Yankee

Email: profyankee@gmail.com

Página Facebook: https://www.facebook.com/anderson.yankee

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separação-de-casal

COMO ESQUECER A PESSOA QUE AINDA AMO (Releitura e Complemento)

                No dia 22 de Maio de 2012 eu publiquei aqui no FiloCa um texto com o título de “COMO ESQUECER A PESSOA QUE AINDA AMO”. Este texto até hoje é um sucesso. Raras são as vezes que eu abro a página de comentários do FiloCa e não encontro comentários de pessoas que estão em busca do que o título do texto sugere, isto é, esquecer alguém que ainda cultiva sentimentos fortes em detrimento do fim de um relacionamento.

                Na época em que eu publiquei o texto eu tinha findado recentemente um relacionamento e estava na maior “bad”, estava mal mesmo e me via na necessidade de encontrar um caminho para superar aquela situação. Foi um relacionamento de 4 anos que acabou de maneira trágica. Foi um relacionamento intenso e, como eu era inexperiente com fins de relacionamentos, eu senti bastante, fiquei perdido, fiquei sem chão. Então, na necessidade de encontrar um caminho para sair daquela situação [como já disse], pesquisei bastante sobre o assunto, consultei pessoas que entendiam do assunto, fiz acompanhamento com psicólogo e me dediquei a colocar em prática tudo o que aprendi. Tudo isso foi efetivo para o meu objetivo, que era esquecer a pessoa que eu ainda amava após o fim do relacionamento. O texto “COMO ESQUECER A PESSOA QUE AINDA AMO”, publicado em 2012, reúne diversos elementos que podem ser usados para a tarefa de aliviar a dor do fim do relacionamento e seguir em frente sem a (o) ex, seja namorado, cônjuge.

                Neste texto trarei algumas passagens do publicado em 2012, atualizando-as de acordo com meus novos conhecimentos e, principalmente acrescentar algo que possa ajudar ainda mais. Espero que este texto [considerando o conhecimento que há nele] seja tão útil quanto o primeiro, que ele possa ajudar as pessoas que o lerem tanto quanto o conhecimento que há nele me ajudou e ajudou também a ajudar pessoas próximas a mim. Boa leitura.

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                O texto de 2012 foi iniciado com a seguinte passagem:

“Todas as pessoas que por um tempo cultivaram sentimentos verdadeiros por alguém, ao ter que se afastar de pessoa pela qual cultivou tais sentimentos acaba sofrendo demasiadamente”.

                Boa notícia pessoal: Isso não é necessariamente verdade. De certo, isso é extremamente comum, mas é opcional. Existe uma frase, da qual eu não conheço o autor, que diz “A dor (do fim) é inevitável, mas sofrer é opcional”. Esta frase é crucial! No texto “Como esquecer a pessoa que ainda amo”, certamente, eu disse que a pessoa que amou alguém no contexto de um relacionamento e este relacionamento chegou ao fim acaba sofrendo, por que eu estava sofrendo e não conseguia enxergar outra opção a não ser sofrer, ficar para baixo, sem rumo, sem chão. Mas você não precisa necessariamente ficar desta maneira. Então, é possível você passar pelo fim de um relacionamento sem sofrer de maneira nenhuma. Obviamente, isso requer de você um esforço grandioso, mas é possível. Como? Basicamente, você deve ser racional [e não agir por impulso] desde o primeiro momento. Por ser racional você deve entender que você deve fazer de tudo o que for saudável para ficar bem, para garantir o seu bem estar. E é justamente sobre isso que o texto trata, do que é necessário para você garantir o seu bem estar de maneira saudável, que possa acrescentar de maneira positiva na sua vida. Vamos adiante…

                Como você está se sentido agora? Vamos contextualizar > O seu relacionamento chegou ao fim faz pouco tempo (ou muito, não importa) e você está se sentindo angustiado com o fim do relacionamento. Você provavelmente quer a pessoa que você se relacionava de volta ou então você está tentando se convencer de que não a quer mais por diversos motivos. É mais ou menos isso como eu imagino a situação e como diversas pessoas relataram e ainda relatam nos comentários do texto de 2012. Bom, você está mal, você sente falta, você está se sentindo sem força, você sente que precisa da outra pessoa para a sua felicidade voltar ou então você não a quer mais, mas não consegue dizer não para ela, pois a vontade de voltar é mais forte. NÃO SE PREOCUPE, ISSO É NORMAL. Como eu disse no texto de 2012, Freud Explica! Você está em um estado de abstinência, você sente falta. Isto acontece porque a pessoa com quem você se relacionou era quem te fazia bem diariamente (mesmo que te fizesse mal em alguns momentos), você estava habituado a ela, ela era como uma droga que você usava diariamente e estava viciado. Pois é, os viciados se sentem como você agora! E como resolver isso? Largando o vício, simples! Você irá se habituar a outras coisas que vão lhe fazer bem.

                Você já percebeu que, para você melhorar, você tem que mudar. Isso é óbvio: se você não está bem na situação atual, mude a situação! COMECE LARGANDO O VÍCIO, principalmente se você está em um relacionamento desgastado por brigas, discussões, agressões e outras coisas que não fazem bem a ninguém. O famoso relacionamento “vai e vem” não faz bem a ninguém. O sentido de um relacionamento é fazer bem aos envolvidos e não deixá-los mal. Se o seu relacionamento chegou em um estágio aonde já se perdeu o respeito e a consideração pelo outro, siga em frente sem isso, você não merece. Basicamente, deixe a pessoa, vai ser melhor para você e para ela, mas principalmente para você (você é a prioridade).

                Você pode estar pensando que ainda ama a outra pessoa e que vale a pena lutar para reatar o que se tinha. Bem, se seu relacionamento está desgastado, não acho que isso seja viável. No texto de 2012 eu afirmei que em um relacionamento desgastado que chegou ao fim “há a vontade, o desejo de ficar bem, mas ninguém mais se sente bem, mesmo existindo o amor”; Bem, não há amor nestes casos, só há posse, egoísmo, vontade de submeter o outro, no máximo vontade de ficar com a outra pessoa para não se sentir mal, mas não necessariamente para fazer bem ao outro.

                Voltando à questão anterior: Como deixar a pessoa? COMO LARGAR O VÍCIO? Ponha um fim no relacionamento de maneira bem clara. Pense que você tem que ficar bem, que você precisa ser feliz e permaneça com esse pensamento. Mantenha o foco e permaneça longe da outra pessoa. Evite ao máximo o contato, seja pessoalmente, por redes sociais, telefone. Se você está muito mal, exclua a pessoa das redes sociais, bloqueie o contato, evite estar perto ou qualquer coisas do tipo que envolva contato com a outra pessoa. Isso é necessário para você se fortalecer. Se você mantém contato com a outra pessoa estará à mercê de ter uma recaída. Se você é viciado, mantenha distância da droga. É difícil manter o controle das suas atitudes e palavras perto da pessoa, em contato com ela, então, para o seu bem fique longe.

                Nesse primeiro momento você está muito vulnerável, pronto para ceder a qualquer momento à tentação de encontrar a pessoa, de conversar, de discutir sobre o antigo relacionamento ou até mesmo de tentar deixar ela mal na esperança de ela ceder a você. Daí surge a necessidade da distância e de deixar bem claro para você mesmo que o que você quer é seguir em frente. Se você não ter em mente que seguindo em frente você irá se sentir melhor, se você não tiver força para seguir e foco para se manter seguindo, este texto e nem nada nesse mundo irá te ajudar. Para seguir em frente é necessário ser racional, focado.

                Ademais, se você ceder e procurar a pessoa só irá se sentir pior. Por outro lado, a outra pessoa se sentirá ótima, principalmente se foi ela quem terminou com você. Quando você procura a outra pessoa, passa para ela a noção de que você é fraco, que você depende dela, que a felicidade sua depende dela, que você não é equilibrado, que não consegue seguir, que você está na pior sem ela. Se por acaso a pessoa reatar com você depois de você ceder, será por pena. Pena não é um sentimento bom, pena é péssimo, pena não traz felicidade. Além disso, você continua em um relacionamento frágil, você continua sem estrutura, você não aprendeu nada com a dor.

                A intenção deste texto, com tudo que ele traz, não é somente ajudar a esquecer a pessoa que você ama, mas sim te fornecer elemento para você se estruturar, ficar mais forte para outros relacionamentos. Não adiantaria você esquecer a pessoa e continuar sendo o mesmo em outros relacionamentos, pois haveria o risco de a história se repetir. Pois bem, como se estruturar?

COMO ESQUECER A PESSOA QUE VOCÊ AMA E SE ESTRUTURAR?

“E em cada tentativa frustrada a dor aumenta e se torna cada vez mais difícil se manter boas relações com o outro, assim como manter a nossa vida com qualidade”.

Você vai cessar este ciclo de tentativas frustradas, isto já foi colocado. Você vai se afastar da pessoa e se manter longe, focado no seu bem estar. Isto é o que importa, o seu bem estar. Se você consegue fazer isso, você já deu o maior passo – ou os dois maiores passos.

[1] Reconheceu que o seu bem estar é mais importante do que um relacionamento frustrado, que só te faz mal.

[2] Se mantém longe da pessoa por que você está decidido a mudar a situação, está decidido a melhorar, está decidido de que você merece ficar bem.

– E você merece mesmo, todo mundo merece.

                Você já percebeu que a sua felicidade não depende de uma pessoa específica, só depende de você. Parafraseando Jean-Paul Sartre, não importa aquilo que fazem com você, o que importa é como você reage ao que te fizeram. Então, o seu bem estar não dependia da pessoa, mas você criou a noção de que dependia. A partir de agora, tenha isso em mente: O seu bem estar não pode depender de alguém você deve estar bem com você primeiramente. Com esta noção você poderá se relacionar com qualquer pessoa sem ficar dependente dela. Decidido assim que o seu bem estar depende de você, vamos ver o que você pode fazer para melhorar o seu estado agora, o que você pode fazer para ficar bem e ao mesmo tempo se desligar da pessoa com quem você tinha um relacionamento.

a) Entenda uma coisa, você não tem necessidade de chamar a atenção dela. Seja o que você fizer, se você fizer pensando na pessoa, você não irá se desligar dela. Você já fez muito por ela dentro do relacionamento e deu no que deu, não continue agora fazendo coisas sozinha pensando na pessoa, como se o motivo de você estar fazendo fosse para ela ver.

b) Fazendo um gancho com este tópico acima, faça com que seus momentos agradáveis que você vivenciar a partir de agora sejam genuinamente agradáveis. Para isto, permaneça centrado no que você está fazendo. Como eu já disse, não faça as coisas pensando no outro, você tem que se concentrar em você. Se estiver em um parque, mantenha seu pensamento no parque. Isto vale para qualquer atividade que você fizer.

c) Fazendo outra vez um gancho com os tópicos acima, exclua sempre a outra pessoa dos seus pensamentos. A cabeça é sua, só permanece nela o que você quiser. Vigie os seus pensamentos e toda vez que o indivíduo aparecer neles, mude de pensamento. É essencial que você pense em uma coisa boa que não tenha nada a ver com a outra pessoa. Com o tempo a sua mente fará isso automaticamente, sem você precisar se esforçar, até o indivíduo ser excluído da sua rede de pensamentos. É normal que no início tudo o que você ver remeter à imagem da outra pessoa, como forma de fazer relação com algo dela, com alguma lembrança. Isso pode ser mudado com uma espécie de reprogramação cerebral. Então, sempre que a imagem da pessoa vier na mente, troque por outro pensamento de algo bom, uma paisagem, você sorrindo, divertindo-se, rico, um objetivo… Mas nada relacionado à outra pessoa que você quer esquecer. Lembre-se: VOCÊ QUER ESQUECÊ-LA!

d) Evite, pelo menos no início, lugares, objetos, cheiros que lembram a outra pessoa. Você não vai precisar fazer isso para sempre, somente em quanto se estrutura, em quanto ganha força para se manter de pé, seguir seu caminho com bem estar. E mesmo assim, se não tiver como evitar lugares, objetos que lembre o outro, você pode anular as lembranças. Sempre que se deparar com algo que lembre o outro, anula a lembrança do pensamento. Quem manda na sua mente é você, quem decide o que você pensa é você. Esforce-se para isso.

e) Converse com você. Isso mesmo. E você não precisar parecer que está louco. Simplesmente você vai dizer para você mesmo, mentalmente, que não precisa lembrar do outro quando a imagem dele vier no pensamento, dirá que já superou certos momentos com a outra pessoa quando eles vierem a mente. Repita estas coisas mentalmente e anula o pensamento do indivíduo ou do momento que teve com ele ou ela.

                >>> Esta foi a primeira fase. Você deve praticar isso diariamente e a todo instante. Esta primeira fase a gente pode chamar de “controlando a mente”. Controle a sua mente e tire o indivíduo de lá, não deixe ele perturbar o seu pensamento.

RESPIRAÇÃO PARA BAIXAR A ANSIEDADE E CONTROLAR O PENSAMENTO

Somado a esta primeira fase, use o modo de respirar correto para baixar a ansiedade:

                – Relaxe o corpo, se quiser pode deitar. Cruze as mãos e coloque em cima do estômago (barriga). Respire fundo pelo nariz, inflando a barriga. Certifique-se de que o ar está inflando a sua barriga, sem se movimentar, sem erguer os ombros. Solte o ar devagar, bem relaxado.

Você pode fazer este exercício de respiração com os olhos fechados. Ao fazer imagine uma cena feliz, uma paisagem bonita e calma, pode também fixar na mente cores alegres (vermelho, amarelo, laranja) ou calmas (verde, azul). A questão é essa, pratique imaginando coisas boas.

Este exercício serve para baixar a ansiedade, que estará presente com você o dia todo. Ele serve também para te ajudar a controlar melhor o seu pensamento. Então, se você se sentir aflito, respire; se você pensar em ceder, respire; se você estiver sendo atormentado por lembranças, respire; se você ver a pessoa, RESPIRE. Você pode respirar desta maneira a qualquer momento e em qualquer lugar: Sempre puxando o ar pelo nariz, inflando a barriga e soltando devagar, com calma. Se seus ombros estiverem levantando, está errado. Só a barriga se meche. Lembre-se de manter a mente em paz (CONTROLE SEU PENSAMENTO).

Ao respirar corretamente, converse consigo mesmo [MAS SEM PARECER UM LOUCO]. Estou falando de você repetir frases em sua mente que te ajudarão a superar a situação. São frases para te fortalecer, manter o seu foco, aumentar sua autoestima. Exemplos:

I. Eu estou bem, eu estou tranquilo, eu estou melhor a cada dia.

II. Eu escolhi ficar bem, eu estou ficando bem, eu estou melhorando.

III. Eu estou evoluindo, eu estou crescendo, eu aprendi coisas boas.

IV. Eu sou forte, eu estou conseguindo superar.

V. Eu quero mais coisas boas, eu quero ficar maia feliz.

VI. Eu adoro sorrir, eu adoro esse estado bom.

                Perceba que todas as frases são positivas e só diz respeito a você, como você está melhorando, como você está crescendo, como está se estruturando. Mesmo que você esteja mal, repita mentalmente estas frases, convença-se da mensagem que elas passam, mesmo que você não acredite que estas coisas estão acontecendo, passe a acreditar repetindo-as.

  • E sorria! Sorrir faz bem, mesmo! Pense em uma coisa boa e sorria sempre que puder. Você não precisa e nem deve ficar angustiado durante este processo.

No início você pode sentir dificuldades para fazer estas coisas (controlar a mente e respirar de maneira correta), mas com o tempo se torna habitual. E quanto mais você pratica, melhor você se sente. Sabe a história lá do início de que você não precisa sofrer, pois bem, com isso você não sofrerá. Você até vai conviver com a dor, mas vai sentir ela diminuindo dia após dia e, consequentemente, você estará se tornando mais forte, mais estruturado.

ATIVIDADES PARA ESQUECER A PESSOA QUE AMA E ESTRUTURAR-SE

                Ademais, não pense que você deve por tudo isso em prática em casa, deitado, isolado. Não! Antes de tudo, saiba que se você ficar isolado em casa, no quarto, sem fazer nada, você irá ter grandes dificuldades para passar por esta fase. Nessa fase você precisa se distrair e sair de casa para fazer coisas agradáveis é essencial. Isso não quer dizer que você deve evitar ficar em casa. Você pode sim ficar em casa, desde que se distraia, desde que faça coisas agradáveis. Listarei algumas atividades que considero essenciais para se distrair neste período.

  1. ATIVIDADES FÍSICAS – Atividades físicas são essenciais neste período. Se você já frequenta academia, continue, senão, seria uma ótima ideia começar. Se você não gosta de academia, não tem tempo ou tem vergonha, procure uma atividade física regular que você goste. É importante que seja praticada de maneira regular. Qual o sentido da atividade física? Em primeiro lugar, gastar energia. Nessa fase (após o fim do relacionamento) é comum que os indivíduos se sintam mais ansiosos, e a ansiedade te deixa “ligadão”, com muita adrenalina circulando, então é importante gastar bastante energia para você não ter dificuldades para dormir, por exemplo.

                Além disso, a atividade física te proporcionará bem estar instantâneo, vai te distrair e ainda vai contribuir para a sua autoestima. Por exemplo, indo para a academia você pode focar em um objetivo e perceber as mudanças no seu corpo; Com isso, você se sentirá bem, mais bonita (o) e isso é maravilhoso, você precisa disso. Se você já frequenta academia, pode mudar de programa de exercícios, focar mais no treino e também perceber estas mudanças. Tudo para você se sentir melhor com você mesma (o).

                Então, gaste energia e dê um UP na sua autoestima.

  1. VIAJE – Saia um pouco da rotina, do lugar que você mora, respire novos ares. Viaje principalmente para lugares que você não conhece, pois só por ser algo diferente vai contribuir para sua mente começar a se habituar com o novo. O que você quer é se desligar o velho, então conhecer novos lugares é uma ótima opção para isso.
  2. CONHEÇA PESSOAS NOVAS – O novo é essencial para a pessoa nesta fase. Agora vamos esclarecer o que significa conhecer pessoas novas: Não estou falando de se relacionar com alguém novo nesta fase, pelo contrário, evite isso, pois você não está com uma estrutura sólida para se envolver com outra pessoa nesse momento. O que estou falando é de socializar, interagir com pessoas novas, ouvir o que elas tem a dizer, divertir-se com elas. Perceba que a sua vida não deve se limitar àquela pessoa com quem você vivia, perceba que você pode se divertir e ficar bem com outras pessoas, não necessariamente em um relacionamento Veja que existe diversas pessoas especiais por aí, até melhores do que aquela pessoa com quem você estava, pessoa esta que estava te fazendo mal.

                Uma observação: Se você se afastou dos seus amigos durante o seu relacionamento, perceba o erro que você cometeu e dê um jeito de reatar as suas amizades. Você precisará de apoio agora e nada melhor que as boas e velhas amizades para estar ao seu lado. Não seja orgulhoso, amizades fazem um bem danado.

  1. FAÇA PROGRAMAS ATRATIVOS – Já que você está conhecendo gente nova, já que tem seus amigos te apoiando, chame eles para sair. Para onde? Cabe a você decidir de acordo com o seu gosto. Saia para lugares animados, legais, que te distraia, que gaste energia, que te divirta. Isto é, lugares atrativos, agradáveis, saudáveis. Vou dar umas dicas:

–> Cinema ou teatro com os amigos, seguido de bate papo na praça de alimentação

–> Para uma balada, show, festa. Vá para dançar, interagir, conhecer gente nova. Evite beber, pois há o risco de ocorrer um exagero na bebida e você acabar cedendo à vontade de ter contato com o outro. Isso pode te deixar muito mal no final.

–> Praia; Olhar o mar é maravilhoso, tomar banho de mar dá a impressão de que tudo de ruim que há dentro de nós está indo embora. Pense nisso enquanto se banha no mar, pense que ele está levando tudo de ruim.

–> Campo; O contato com a natureza é purificador

–> Compras também é uma boa opção, comprar uma roupa nova, um livro interessante, um jogo novo, um acessório. Só tome cuidado para não condicionar o seu bem estar à compras, pois você pode virar um consumista e a felicidade que um objeto novo proporciona passa rápido, não é genuína. Sair às compras com amigos é melhor ainda.

–> Praticar caridade, participar de um projeto social, filantropia; Essa é uma das melhores dicas! Ajudar as pessoas faz um bem sem tamanho para si, você se sente extremamente bem quando ajuda as pessoas. Além disso, você poderá perceber que há pessoas com problemas bem piores que os seus às vezes. Isso, de certa maneira, também ameniza a dor, pois você se sente um pouco egoísta de estar mal por uma questão sentimental, enquanto que há pessoas em uma situação que mal sabem o que é amor, em uma situação permanente de dor, que raramente receberam um pouco de afeto.

             COMO ESQUECER A PESSOA QUE AINDA AMO: RESUMO E CONCLUSÃO

                Esquecer alguém após o fim de um relacionamento não é fácil, mas é necessário. Esse processo de esquecimento não precisa ser penoso. Pode haver e certamente haverá dor, mas não é necessário que haja sofrimento. Sendo racional e focado qualquer pessoa pode superar o fim de um relacionamento com qualidade de vida, bem estar e no menor espaço de tempo possível. Não é de um dia para o outro que se esquece alguém com quem se teve um relacionamento amoroso, mas também não precisa durar uma eternidade.

                O processo para esquecer alguém com quem se teve um relacionamento se dá, basicamente, em três partes indissociáveis: (1) Controlar a mente, vigiar os pensamentos para evitar ser atormentado por lembranças; (2) Respirar para eliminar a ansiedade e facilitar o primeiro passo; (3) Não se isolar, mas sim praticar atividades atrativas, que possibilite o gasto de energia, que eleve a autoestima. Fazendo estas três coisas em conjunto o indivíduo pode facilitar e adiantar o processo de esquecimento da pessoa com quem tinha um relacionamento e, ao mesmo tempo, estruturar-se, fortalecer-se.

                Para este processo ser efetivo, tudo depende do próprio indivíduo que quer esquecer a pessoa com a qual ele teve um relacionamento que chegou ao fim. Só o próprio indivíduo pode fazer isto dar certo, por isso ele deve se manter focado. Ele deve entender que o processo é necessário para ele ficar bem, para ele crescer/evoluir.

                Fecho com uma frase de um pensador que eu admiro:

“Ninguém pode ser chamado para estabelecer o que é necessário para que alguém seja feliz”.

– Ludwig von Mises

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(Anderson Yankee)

COMO CONQUISTAR PESSOAS MUITO SEGURAS OU CONVICTAS DAS SUAS QUALIDADES (“SE ACHA”)

1ego

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Tenho duas notícias para você, uma boa e uma ruim. Quer qual primeiro?

Vamos para a ruim: Não existe fórmula mágica para conquistar nenhum tipo de pessoa.

Agora a boa: Existem maneiras de lidar com este tipo de pessoa (as muito convictas das suas qualidades, que geralmente as pessoas dizem que elas “se acham”) que podem ciar aberturas para você conquista-la.

                Primeiramente, vamos definir de que tipo de pessoa estamos falando. Como o título do texto sugere, trataremos de dois tipos de pessoas que não bem diferentes, são, por um lado, as pessoas que apresentam segurança emocional e as que possuem segurança justamente por terem muita convicção nas suas qualidades. No fim, quero chamar atenção especificamente para o caso daquelas que têm muita segurança por serem convictas da sua beleza (esse é um caso especial).

[1] Resumindo, uma pessoa é segura quando é bem resolvida emocionalmente, ou seja, é uma pessoa que não apresenta traumas emocionais. Esta pessoa se conhece bem, sabe do que é capaz e do que não é, sabe o que quer e o que não quer, se contenta com o que tem e com o que não tem, é equilibrada, geralmente não é ansiosa e nem impulsiva. Estas são características geralmente presentes nas pessoas seguras. Estas são seguras basicamente por serem bem resolvidas e, em detrimento disso, se mostram equilibradas.

No caso citado, o fator emocional é determinante para a pessoa ser segura. [2] Porém, há outro tipo de pessoas que possuem “segurança” e não são bem resolvidas emocionalmente, são as pessoas convictas das suas qualidades. Então, neste outro tipo de pessoas, a segurança provém justamente desta convicção em qualidades como beleza, bens, inteligência, prestígio, etc.

Como era de se esperar, como é de se imaginar, se são dois tipos diferentes de pessoas, são duas maneiras diferentes de proceder.

[1] Para as pessoas seguras, aquela questão da notícia ruim se aplica perfeitamente: Não há fórmula definida para conquistar uma pessoa segura (bem resolvida).

# Uma pessoa bem resolvida geralmente tem em mente de maneira bem definida o que ela quer, então um meio de conquista-la é correspondendo ao que a pessoa quer.

# Uma pessoa bem resolvida geralmente usa bastante a razão, a lógica. Então, usar a lógica com este tipo de pessoa também pode ser um meio efetivo de chamar a atenção dela.

# Uma pessoa bem resolvida geralmente valoriza o caráter, então ser [não parecer] uma pessoa verdadeira, de bom caráter também pode ser efetivo para chamar a atenção deste tipo de pessoa. Porém, isso é relativo, pois ser uma pessoa segura não implica ser uma pessoa de caráter, então uma pessoa segura pode muito bem se interessar somente por bens materiais, ostentação, farras, etc. Mas este tipo de pessoa não pode ser conquistada, ela é comprada, então não convém tratar dela neste texto que trata de conquista.

# Uma pessoa bem resolvida geralmente dá valor a momentos agradáveis, então proporcionar a ela momentos agradáveis é um bom começo.

# Uma pessoa segura também, geralmente, admira a segurança dos outros. Isto acontece porque para ela se tornar segura ela provavelmente superou a insegurança e uma série de comportamentos de pessoas inseguras. Isso pressupõe que ela não aprecie os comportamentos de pessoas inseguras. Então, seja seguro(a) também.

# Converse bastante com uma pessoa segura, isso permite mostrar que você é uma pessoa de caráter, que você usa a lógica, que tem um bom discurso, que você é seguro. Conversar é sempre bom.

# Por fim, faça a pessoa sorrir. Todo mundo gosta de sorrir. Só não seja babaca J

                Estes são alguns elementos que eu notei em pessoas seguras que eu já conheci. Como eu já disse, não existe a fórmula perfeita para conquistar uma pessoa ou qualquer pessoa que seja, pois o que conquista uma pessoa é algo relativo. Até a falta de caráter pode conquistar alguém. Pois é, tem gente pra gostar de qualquer coisa. Creio que a dica mais valiosa das que foram citadas é “converse bastante”, pois isto permite a você conhecer a pessoa, perceber o que ela gosta. Neste caso, você precisa ser inteligente também para poder notar o que a pessoa gosta, o que pode conquista-la, o que pode fazer ela notar em você. Então, ressaltando, converse com quem você quer conquistar.

[2] Passando ao segundo caso, o das pessoas convictas de suas qualidades, tais como beleza, posses, prestígio e inteligência, vamos observar algumas atitudes e modos de proceder mais objetivos. Vamos analisar caso por caso, ou melhor, analisar dois casos que são essenciais para entender no geral como as pessoas convictas de suas “qualidades” são e como agir com relação a elas.

  1. BENS/POSSES MATERIAIS – Bom, as posses de uma pessoa passam confiança para ela, isto é fato. Uma pessoa com um bom montante de dinheiro ou carrão, ou coisas mais simples como roupas de marca, um celular top, voltas e pulseiras tende a se sentir mais segura com relação, principalmente, às pessoas que não possuem coisas do tipo ou possuem coisas inferiores do ponto de vista monetário. Um fator marcante nesse tipo de pessoa é que a confiança dela se funda nas suas posses e a posse em si proporciona a sensação de superioridade na pessoa.

                Há pessoas que vão a uma balada e se sentem superiores às outras pessoas pelo que elas estão vestindo, é um exemplo que pode ser percebido facilmente. E há pessoas que vivem baseadas nisso, e acabam acreditando que o que elas possuem as torna melhores. Consequentemente, estas pessoas esperam que as outras as trate com privilégios, que as pessoas se submetam a elas, que as pessoas assumam uma posição de inferioridade com relação a elas.

                Com isso, não quero dizer que as pessoas convictas de serem especiais por conta das suas posses materiais sejam arrogantes, pois elas podem ser pessoas ótimas, pessoas agradáveis. Mas, acontece que esta pessoa espera no âmbito que as pessoas se coloquem em posição inferior a elas, que as pessoas se submetam, e elas podem exigir ou determinar isso da maneira mais amorosa possível. A arrogância não é uma característica inerente a estas pessoas [isto é relativo], mas sim o fato de elas se sentirem superiores por conta do que possuem (de material).

  1. BELEZA – Bom, algumas pessoas que são atraentes tendem a ser mais seguras por conta da sua beleza. Em alguns casos, estas pessoas sofrem um assédio acima do normal, se comparado a pessoas consideradas de beleza normal ou sem nenhuma característica que chame muita atenção da maioria das pessoas, então estas pessoas podem acabar criando uma segurança exacerbada, o sentimento de superioridade, bem como foi colocado no caso das pessoas confiantes por conta de suas posses materiais. É desse caso específico que tratarei: das pessoas que criaram essa segurança e sensação de superioridade por conta do assédio que recebem por conta da sua beleza.

Da mesma maneira que foi colocado no caso das pessoas que criam segurança por conta de suas posses materiais, as pessoas que criam segurança por conta do assédio que sofrem também têm certas expectativas com relação aos outros. E as expectativas deste tipo de pessoa são bem como as citadas no primeiro caso: Elas demandam submissão, uma posição de inferioridade por parte das outras pessoas. Estas se apoiam na ideia de que a sua beleza gera um valor para elas e que esse valor as coloca em um patamar mais elevado com relação às outras pessoas. Ademais, também não se deve pressupor que estas pessoas sejam puramente arrogantes, que a arrogância seja uma característica intrínseca a elas, pois, neste caso, esta questão é relativa. Uma pessoa que é confiante por conta da sua beleza pode muito bem exigir de maneira amorosa que os outros se submetam a ela.

Assim, percebemos que são casos bem parecidos. De um caso para o outro o que muda é somente o objeto que gera a segurança nos indivíduos, enquanto que no primeiro caso que foi analisado os indivíduos julgam seu valor e criam sua segurança apoiado no que possui materialmente, no outro caso é pelas características físicas. Agora, eis a questão: Como lidar com pessoas desse tipo visando criar uma abertura para chamar a atenção delas?

Eis a resposta: Acabe com as convicções da pessoa. Assim, na lata! Observe a lógica: Qual a fonte de segurança destas pessoas? As suas convicções. Sendo estas convicções a fonte da blindagem destas pessoas, vá direto na fonte, destrua a fonte e acabe com a blindagem delas. Deixe estas pessoas vulneráveis.

Alguém pode estar se perguntando: Mas como fazer isso? Pois bem, explicarei.

Estes dois tipos de pessoas não criaram estas convicções atoa, do nada ou por acaso. Estas convicções são criadas devido a fatos que acontecem com estas pessoas, o mais comum é o assédio constante ou até mesmo um assédio razoável, nada de exacerbado, mas por uma pessoa não ter maturidade para lidar com o assédio ela cai neste vício de achar que é superior pelo que tem ou pelas suas características físicas. Então, esta convicção formada a posteriori se manifesta como um hábito (vício) > A pessoa se habituou a se achar superior devido ao assédio; e o que é o assédio senão a afirmação de que a pessoa é especial ou possui algo especial!

Exemplo prático [1]: Uma pessoa é muito bem de vida e as pessoas a tratam de maneira especial, submetem-se a esta pessoa por conta de sua condição financeira > Esta pessoa pode se habituar à ideia de que é especial e que os outros devem se submeter a ela por conta da sua condição financeira privilegiada.

Exemplo prático [2]: Uma pessoa é bastante atraente e sofre um assédio constante, as pessoas trata ela de maneira especial, submetem-se a ela > Esta pessoa pode se habituar à ideia de que merece privilégios, ter as pessoas aos seus pés por conta da sua beleza.

Estando estas pessoas habituadas à ideia de que são – por conta de suas posses ou beleza – especiais ou superiores aos outros, elas possuem uma defesa bastante difícil de se penetrar, é uma defesa chamada “eu não preciso me importar com certas situações, pois as pessoas vivem nos meus pés”. Esta ideia que paira na cabeça destas pessoas poupa elas de estresses, permite que elas façam pouco caso de situações ou de pessoas, pois há diversas outras situações para viver e diversas outras pessoas nos pés delas. Isso é um consolo para estas pessoas. Isto é uma dificuldade/barreira que uma pessoa que tenta conquistar alguém deste tipo tem que passar.

Surge então a questão: Estas pessoas se acham especiais e que os outros devem se submeter a elas, mas também elas fazem pouco caso de quem se opõe a elas, pois há diversas outras pessoas nos pés delas e este assédio é o consolo delas. Como passar por isso? Simples, não sendo uma das pessoas que está no pé dela, não sendo igual a todos que assediam a pessoa. É isso que irá quebrar o escudo da pessoa. Explicarei.

  1. a) A pessoa é convicta de que é especial e superior
  2. b) A convicção reside no assédio

* COMECE NÃO ASSEDIANDO E VÁ INVESTINDO EM OUTRAS ATITUDES SIMPLES, MAS QUE SÃO MARCANTES:

  • NÃO ASSEDIE, MOSTRE QUE PARA VOCÊ O QUE A PESSOA TEM DE ESPECIAL PARA OS OUTROS NÃO É NADA DEMAIS PARA VOCÊ
  • NÃO ASSEDIE, MOSTRE QUE UMA COISA QUE NÃO É EVIDENTE NELA É MAIS ESPECIAL PARA VOCÊ DO QUE O QUE TODO MUNDO ACHA
  • NÃO ASSEDIE, MOSTRE QUE VOCÊ NÃO TEM INTERESSE, MESMO QUE TENHA (MAS, SEM SER ARROGANTE).
  • NÃO ASSEDIE, MAS SEJA GENTIL E PERMANEÇA POR PERTO
  • NÃO ASSEDIE, MAS PROCURE CRIAR LAÇOS, VÍNCULOS
  • NÃO ASSEDIE, CONVERSE BASTANTE SOBRE ASSUNTOS QUE NÃO TEM NADA A VER COM AQUILO QUE TODO MUNDO ASSEDIA NA PESSOA

O resultado esperado é que a pessoa se sinta confusa por encontrar alguém que não corresponda ao que ela espera, ou seja, que não se submeta, que não assedie, que não tenha interesse naquilo que é a fonte da blindagem dela. Este tipo de pessoa, como já foi dito, espera que as pessoas ajam de determinada forma com elas, elas já esperam ser assediadas, bajuladas, exaltadas, etc., e quando isto não acontece elas tendem a ficar confusas, contrariadas e até interessadas na pessoa para tentar provar que elas são iguais a todas que assediam elas. Ou seja, estas pessoas já pressupõem de imediato que todas as pessoas que se relacionam com elas são iguais, que têm interesse nelas por conta daquilo que é a fonte da blindagem delas e, para provar que as pessoas são de fato todas assim elas podem se ceder mais tempo à pessoa que a contrariou. Estas pessoas praticamente não suportam a ideia de que alguém não dá valor àquilo que ela tem de especial, por isso elas vão tentar fazer a pessoa começar a assediá-la. BEM, ESSA É A ABERTURA! Neste estágio você conseguiu chamar a atenção da pessoa, agora pode investir em conquistar a pessoa. Para tanto, as dicas que foram dadas para se aproximar/chamar atenção de uma pessoa segura são válidas.

Porém, um elemento que se manifesta comumente entre as pessoas que possuem segurança por conta da convicção de que são superiores por conta de sua beleza ou posses quando alguém começa a chamar a atenção delas é o fator INSEGURANÇA. Geralmente estas pessoas possuem dificuldade para acreditar nas pessoas, justamente por elas não estarem acostumadas com alguém que não se encaixe dentro daquele padrão que elas estão acostumadas, ou seja, pessoas que as assediem. Então, elas geralmente se encontram inseguras, confusas, com dificuldade para acreditar que alguém possa ser diferente. Isso requer paciência.

Diante de tudo que foi colocado, é perceptível que lidar com este tipo de pessoas não é fácil, requer esforço, estratégia e paciência. É mister pensar duas vezes se você quer mesmo se envolver com alguém desse tipo.

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(Anderson Yankee)