O RELACIONAMENTO É COMO UMA EMPRESA: O QUE SIGNIFICA INVESTIR EM UMA RELAÇÃO CONJUGAL?

Antes de começar esta postagem, quero agradecer a minha amiga Vanessa Camargos, que me incentivou a escrever quando eu estava meio estagnado intelectualmente, além de vir me dando uma força enorme. Este texto só saiu por que ela me cobrou. Obrigado pela motivação🙂

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Nesta semana eu fui postar uma foto no instagram e na hora da legenda me veio uma ideia interessante, ou melhor, me veio a inspiração para tratar de uma ideia que eu tinha pensado há algum tempo. Lá no instagram eu sintetizei a ideia com o seguinte textinho:

“Relacionamento é toda uma empresa, é todo um negócio.

Quem abre uma empresa visa crescer com base no lucro.

Para lucrar é necessário investimento.

Todo investimento traz riscos.

Eis o porém: Quando se investe em uma empresa ou negócio, se não dá certo, o capital se perde. Mas capital se recupera com esforço e jogo de cintura.

Quando se investe em um relacionamento, emprega-se tempo, disposição, ânimo… emprega-se a vida. E vida não volta, não se recupera o tempo perdido… mesmo que sejamos “tão jovens”.

Neste texto vou dissecar este textinho, mostrando o que há por trás da ideia em si, tratando de cada oração separadamente. Come on Kids.

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RELACIONAMENTO É TODA UMA EMPRESA, É TODO UM NEGÓCIO.

Como a minha visão socioeconômica é liberal, eu acabei trazendo a visão econômica/empresarial para o âmbito do relacionamento. Não vou dizer que pensar um relacionamento baseado no liberalismo econômico é de inteiro viável, porém, há muitos princípios se pode assimilar e aplicar viavelmente em um relacionamento. Por exemplo, esta compreensão de que um relacionamento é como uma empresa. Vejamos:

Quando se assume que um relacionamento é uma empresa, assume-se também que o seu cônjuge é seu sócio e ambos possuem a responsabilidade de fazer a empresa prosperar. Nesta relação, cada um investe tendo em vista a prosperidade do relacionamento, cada um deposita diariamente o que há de melhor para que o relacionamento seja agradável e gere bem estar para ambos.

Pelo menos, deveria ser assim, mas há quem não entenda esta questão ou não tenha esta visão e acabe caindo na errônea ideia de que a responsabilidade pelo bem estar do relacionamento é do outro e não se reconheça como parte da sociedade. Temos aí um clássico caso de egoísmo/egocentrismo, onde a pessoa espera que o outro gere sozinho os bons frutos para o relacionamento, ou seja, a pessoa emprega ao outro a responsabilidade pela prosperidade do relacionamento e até mesmo pela felicidade dela. Este é quase um caso de patronado, ou seja, a pessoa se vê como patrão da outra; A outra é seu empregado e tem o dever de fazer a “empresa” prosperar.

Ainda sobre o caso da relação de patronado, o momento trágico é quando o “patrão” não se satisfaz com a produtividade do seu empregado e procura substituí-lo ou descartá-lo. É óbvio o que eu estou falando: trata-se do caso onde a pessoa não está satisfeita com o que o outro faz por ela e flerta com outras pessoas [Aí Sam Smith diria: You say I’m crazy/ Cause you don’t think I know what you’ve done/ But when you call me baby/ I know I’m not the only one] ou simplesmente descarta a pessoa com quem se relacionava por achar que o que ela faz não é suficiente para ela. Esta pessoa que nunca está satisfeita com o que o outro faz por ela lembra aqueles patrões carrascos, clássico do período uma revolução industrial, que querem sempre mais lucro, inclusive submetendo os trabalhadores a situações e condições de trabalho deploráveis. São um tanto SADISTAS!

Diferentemente da relação de patronado, a relação de sociedade em um relacionamento, demanda igualdade de posições, direitos e deveres para os envolvidos. Ou seja, ninguém está acima de ninguém, ninguém é mais privilegiado que ninguém e todos tem as mesmas obrigações. A relação de sociedade deve ser horizontal e exige engajamento de ambos os cônjuges.

A parte mais difícil de se efetivar para se concretizar esta relação de sociedade é o cumprimento legal das suas obrigações. Por “legal”, entenda o livre acordo entre os cônjuges a respeito do que é melhor para a convivência cotidiana. A dificuldade reside no fato de, além dos interesses voltados para o relacionamento, existirem para cada cônjuge uma gama infinita de interesses particulares. Ou seja, cada um pensa no melhor para si, isto é um fato inquestionável. Porém, isto ainda não gera a dificuldade de que falo, a dificuldade se encontra na postura com que as pessoas tratam os seus interesses pessoais, isto é, se a pessoa prioriza ou trata de maneira flexível os seus interesses pessoais. Lembre-se que estamos falando de sociedade, então imagine que em uma sociedade empresarial um indivíduo coloque sempre os seus interesses pessoais acima dos interesses da empresa… Certamente a sociedade irá ruir, certamente muitas coisas não irão funcionar, pois o outro sócio se sentirá prejudicado pela soberba do outro. Então, tratar de maneira flexível os seus interesses pessoais é indispensável para uma sociedade funcionar de maneira eficiente.

Ademais, tratar os seus interesses de maneira flexível não significa abrir mão de tudo e nem ser eternamente obrigado a permanecer na sociedade, apesar de tudo. A partir do momento em que há uma discussão sobre interesses, que ela seja guiada democraticamente para que seja alcançado um acordo, de preferência consensual. Porém, se não há acordo sobre pontos relevantes, que cada um se sinta livre para abandonar a sociedade.

QUEM ABRE UMA EMPRESA VISA CRESCER COM BASE NO LUCRO

PARA LUCRAR É NECESSÁRIO INVESTIMENTO

Ora, é óbvio que quando pessoas formam uma sociedade para abrir uma empresa, elas estão pensando no lucros que obterão como frutos desta sociedade. No entanto, uma empresa não se abre do nada e também não se torna sólida sem planejamento e dedicação. Tudo isso se aplica a um relacionamento. Veja:

Quando duas pessoas entram em um relacionamento, elas estão pensando nos bons momentos que passarão em detrimento da relação com o outro e em tudo que pode se construir de bom com esta relação. Eu, sinceramente, não julgo saudável psicologicamente uma pessoa que entra em um relacionamento sem ter em vista o que espera deste relacionamento. Esta pessoa tem o que Heidegger chamaria de uma existência inautêntica, ou seja, ela vive por viver, sem saber o que será do seu futuro, vive sem planejamento recebendo que a vida lhe dá, sem expectativas… Ou seja, é uma pessoa que não é autor da sua história, como um ser inanimado ou irracional. Aí uma pessoa dessa quando entra em um relacionamento tem a tendência a estar sempre insatisfeita, não por receber coisas ruins, mas por que nem ela mesma sabe o que quer, então tudo para ela desagrada.

No entanto, uma pessoa que entra em um relacionamento autenticamente, ou seja, tendo em vista o que quer, tendo em vista objetivos e metas, esta pessoa visa, obviamente prosperidade para o relacionamento. Pois, a não ser que esta pessoa seja um psicopata, ela não desejará outra coisa em um relacionamento genuíno a não ser bem estar para si e para o outro, o que a gente chama de prosperidade. Bem, para alcançar esta prosperidade (lucro) é necessário investimento. Como foi supracitado “uma empresa não se abre do nada e também não se torna sólida sem planejamento e dedicação”. O que eu quero dizer com a ideia de que uma empresa não se abre do nada é que alguém tem que despender dedicação, entrega, disposição, ânimo, tempo para a relação ter início. Ademais, para ela se tornar sólida, é necessário que este despendimento seja constante, ou seja, que os cônjuges – não somente um, mas os dois – invistam estes elementos na manutenção do que foi construído. Um relacionamento só se torna sólido com investimento constante. Este investimento já implica planejamento, pois ninguém mentalmente saudável faz um investimento sem planejar em que investir, como investir e o que visa com tal investimento. Conclui-se então, que manter um relacionamento é uma atividade racional.

TODO INVESTIMENTO TRAZ RISCOS

Ou melhor, investir é uma tarefa arriscada. A tarefa de investir se torna ainda mais arriscada quando você investe em um relacionamento, em outra pessoa. O razão disto é bem simples: Você não tem controle sobre o outro, O OUTRO É IMPREVISÍVEL.

Já deu pra sentir a intensidade da questão, imagino eu. Deve ter passado pela sua cabeça agora que seria bom em certos momentos ter controle total sobre o outro (seu fascista!), mas é impossível sem cometer um crime (não cometa um crime!). Relações interpessoais é isto, você ter a capacidade de pensar/refletir sobre as suas ações, mas não ter controle algum sobre as reações dos outros.

Voltando à nossa discussão: Como acabei de colocar, você tem a capacidade de pensar, quebrar a cabeça refletindo, queimar os seus neurônios a 1000 graus planejando ações para manter o seu relacionamento, ou seja, você pode se esforçar de todas as maneiras e mesmo assim o seu esforço ser em vão. Isso significa que você deliberadamente escolheu investir em um negócio furado, ou seja, em um relacionamento sem futuro. Como eu já disse, o outro é imprevisível, então o fato de você investir em um relacionamento não garante que o outro reconhecerá o seu esforço ou que ele se agrade com o que você faz, tudo é risco.

Quando se investe em um relacionamento, faz-se uma aposta no futuro. O risco é iminente. Pela lógica, qualquer pessoa deveria ser capaz de reconhecer o esforço, a determinação, o sacrifício que o outro faz para manter um relacionamento, mas isto não acontece na prática. Muitas vezes, a soma de tudo o que uma pessoa faz equivale a zero para o outro. Agora imagina como a pessoa que se dedicou, que empregou tempo, ânimo, disposição como forma de investir em um relacionamento se sente após perceber que tudo o que foi feito foi em vão, que não valeu nada. É revoltante, mas foi um risco que ela escolheu correr.

Nesse ponto eu quero me posicionar e deixar uma mensagem: Não deixe de correr riscos como este, é um risco bom! Se alguém não soube lhe reconhecer, o problema não está com você, mas sim com a pessoa. Tudo o que você faz de bom, é bom em si e nunca vai ser errado. Porém, fazer algo de ruim nunca te fará certo.

PARA FINALIZAR…

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Eis o porém: Quando se investe em uma empresa ou negócio, se não dá certo, o capital se perde. Mas capital se recupera com esforço e jogo de cintura.

Quando se investe em um relacionamento, emprega-se tempo, disposição, ânimo… emprega-se a vida. E vida não volta, não se recupera o tempo perdido… mesmo que sejamos “tão jovens”

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Quando falamos em investimento no âmbito empresarial, falamos principalmente de capital (dinheiro), já no âmbito de um relacionamento conjugal, como vimos, o investimento se trata da entrega pessoal. Vimos também que os riscos estão presentes em qualquer tipo de investimento, mas nestes dois casos citados os prejuízos que advém dos riscos de um mau investimento são bem distintos. Vejamos:

O investimento empresarial, comparado ao investimento em um relacionamento não é lá tão simples. Não vou chegar aqui e dizer que arriscar em um relacionamento é mais complicado, pois não conheço a fundo as especificidades dos investimentos empresariais. Mas vou ressaltar uma questão que eu considero importante na comparação entre estes dois tipo de investimento: O prejuízo pessoal (psicológico, por exemplo), o prejuízo para a vida, sem considerar a esfera econômica.

Quando se investe mal no âmbito empresarial a fator econômico (capital) é preponderante quando se trata de prejuízo. Ou seja, o prejuízo em um mau investimento quando se trata de empresa está relacionado à perda de dinheiro. Além disso, há também o fator psicológico que entra em questão, pois o indivíduo se sentirá permeado de sentimentos negativos (angústia, decepção, desespero) por conta da sua perda, por conta da aposta que não foi bem sucedida. No entanto, se o indivíduo for bem estruturado emocionalmente poderá colocar o pé no chão e usar a sua inteligência e jogo de cintura para reaver o seu prejuízo. Afinal, estamos falando de capital, e bons investidores possuem capacidade de reaver seus prejuízos e mudar a sua situação.

Já no caso de um maus investimento em um relacionamento o fator psicológico é preponderante quando se trata de um prejuízo. Ou seja, o mau investimento quando se trata de um relacionamento está relacionado a perde de… VIDA! Era de se esperar que eu tivesse colocado no lugar de VIDA algo relacionado a mente, ou seja, o indivíduo perde algo relacionado à sua mente (psique). Mas não deixa de ser isso. Eu falo que o indivíduo perde VIDA por que a sua mente (psicológico) determina a sua vida. Neste caso, um mau investimento em um relacionamento afeta toda a vida do indivíduo. Vejamos:

  1. a) A MENTE PODE MUDAR: Alguém que investe em um relacionamento empregando esforço, tempo, dedicação, ânimo, etc., certamente possui certos valores e crenças sobre um relacionamento que, quando sai no prejuízo, pode acabar abandonando estes valores e crenças. Por exemplo, a pessoa que investe no relacionamento crê que o relacionamento é algo bom e apreciável para a sua vida e crê que o relacionamento o fará feliz. Com o prejuízo no fim a pessoa pode passar a pensar de maneira oposta. Isso é um prejuízo para o mundo também, pois se perde aí alguém que tinha um pensamento saudável, que não carregava mágoas, decepções, ódio por relacionamentos; Então nasce um desconfiado, decepcionado, revoltado com as relações amorosas que, pode até tentar machucar outras pessoas futuramente. NÃO VAMOS CRIAR PESSOAS DESTE TIPO!
  2. b) PERDA DE TEMPO: Uma pessoa que tem estas ideias, valores e crenças sobre o relacionamento, de que ele é algo bom e apreciável para a sua vida e que através de um relacionamento ele será feliz, quando investe em um mau relacionamento, além de cair na possibilidade de mudar a sua forma de ver os relacionamentos, perde tempo da sua vida com alguém “inviável”. Por pessoa inviável entenda alguém que não dá valor à dedicação do outro, alguém que não sabe retribuir o investimento do outro, ou alguém como foi descrito no caso do patronado, enfim, alguém que não saiba viver um relacionamento colocando a frente o espírito de sociedade, a busca mútua pela prosperidade do relacionamento. Cada dia ao lado de uma pessoa deste tipo para alguém disposto a investir em um relacionamento é um dia perdido de vida, é uma possibilidade a menos de encontrar alguém que possa “fechar a sociedade” efetivamente, é um dia perdido dando valor a quem não merece.
  3. c) GASTO DESNECESSÁRIO DE ENERGIA: Investir em outra pessoa demanda planejamento, isto já foi visto. O planejamento engloba um conjunto de ações voltadas para manter o relacionamento e fazê-lo prosperar. O ato de planejar e agir para manter um relacionamento e fazê-lo prosperar significa gasto de energia mental. Quando se investe em um relacionamento onde a outra pessoa á “inviável” o gasto de energia é desnecessário, é em vão. Se o indivíduo estivesse com alguém viável esta energia estaria sendo bem direcionada, bem gasta, valeria a pena. Após o prejuízo com um mau relacionamento o indivíduo pode se sentir constrangido a gastar energia com outra pessoa, então o prejuízo pode cair até mesmo para um futuro relacionamento do indivíduo, com alguém que não teve nada a ver com o prejuízo que ele levou.

Como pode ser visto, só com estes três exemplo, o prejuízo advindo do investimento em um relacionamento com uma pessoa inviável afeta a vida do indivíduo em diversos âmbitos: Significa perda de tempo com alguém que não merece a sua dedicação, significa a possibilidade de mudar suas crenças e valores sobre um relacionamento conjugal e até mesmo pode afetar relacionamentos futuros do indivíduo por conta das impressões que ficaram na sua mente em detrimento do investimento em uma pessoa que não valia a pena.

Destes prejuízos, o pior é a perda de tempo, perda de uma parte da vida do indivíduo ao lado de alguém que não vale a pena. A vida é curta, ninguém sabe até quando irá viver, então cada dia é precioso. Imagine gastar cada precioso dia da sua vida, gastar o seu precioso tempo se doando para alguém que não dá a mínima para a sua dedicação… Não há nada de agradável nisso. MAS É TUDO FRUTO DOS RISCOS DE SE INVESTIR. Todos estamos sujeitos a isso.

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APÊNDICE:

  1. Se você encontrar alguém que se dedique a você, retribua.
  2. Se você encontrar alguém que se dedique a você, mas você não tem interesse de retribuir, então seja sincero e não se aproveite da pessoas. Não a faça perder tempo e nem se decepcionar.
  3. Se você se decepcionar com alguém inviável, não generalize a questão. Nem todo mundo é como a pessoa que você se decepcionou.
  4. Há sim pessoas capazes de reconhecer “o seu investimento” e retribuir. Persiga alguém assim.
  5. Não se vingue em outras pessoas pelo que você passou com alguém inviável.
  6. Faça sempre o certo, apesar de tudo. Quem faz o certo pode não ser reconhecido por alguns, mas, certamente, quem faz o errado nunca estará certo.
  7. Saiba reconhecer também a dedicação dos outros.

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(Anderson Yankee)

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