REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DE RELACIONAMENTOS PASSADOS: SOBRE AS REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO

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Você já parou para refletir sobre a origem dos seus hábitos, comportamentos, atitudes em um relacionamento? Lhe convido a fazer isso. Até que ponto os nossos comportamentos são nossos mesmo? Será que não temos uma referência para nos comportar dentro do relacionamento? Vejamos.

Deixando de lado as formalidades… Conversando com as pessoas que me procuram e até mesmo refletindo sobre mim eu percebi algo extraordinário: EU NÃO SOU COMPLETAMENTE EU! Assim como muita gente se julga ter autonomia sobre si, mas não passa de brinquedinhos controlados. O que eu quero dizer com isso? Abaixo você vai ver, depois de outros conceitos e formalidades.

Partindo de uma perspectiva materialista, podemos dizer que tudo que se manifesta hoje no mundo pode ser entendido com uma volta ao passado. Falo de um materialismo no sentido de Karl Marx coloca, então parto da ideia de que tudo o que se manifesta atualmente pode ser entendido com uma volta ao passado, mas analisando as ações humanas, dialeticamente. Não vou entrar na discussão especificamente sobre o materialismo histórico e dialético de Marx, ressalto somente que a discussão que iniciarei sobre as atitudes de uma pessoa em um relacionamento se relaciona com este materialismo, principalmente no que diz respeito à dialética. Então vamos direto ao ponto!

Para compreender algo do presente/atualidade é necessário voltar ao passado e buscar algumas referências. Esse é o ponto de partida! Por exemplo, hoje é dia 15 de novembro de 2015, dia em que é comemorada a Proclamação da República do Brasil. O Brasil não se tornou uma república do dia para a noite, mas sim decorrente de diversos outros fatos históricos, como a vinda da família real portuguesa para o Brasil, o fato de D. Pedro ter ficado no Brasil, a Independência e o primeiro reinado, o segundo reinado, para então haver o golpe contra a monarquia e os militares proclamarem a república no Brasil. É disso que eu estou falando, de que tudo o que acontece possui uma referência para se compreender o seu acontecimento.

Deste modo, se buscarmos as referências passadas corretas, poderemos compreender efetivamente qualquer coisa no presente. Em se tratando de comportamentos – dentro de um relacionamento para ser mais específico – não é difícil encontrar as referências corretas para se compreender como as pessoas agem com relação a si e ao outro. Mais na frente explicarei esta questão. Antes, preciso explicar mais alguns conceitos importantes.

Além da ideia de que tudo no presente possui uma referência no passado, devemos entender que o que se manifesta no presente da vida dos homens foi construído pelos próprios homens. Ou seja, são as próprias pessoas que constroem as suas histórias. Dizer que uma pessoa age, pensa, comporta-se por que “algo” ou “alguém” o faz agir de tal maneira é algo controverso. De fato, todas as escolhas de uma pessoa passa pelo crivo da consciência e é, em última instância, ela quem determina o que é feito pela pessoa. Veja bem, não estou considerando o caso de pessoas com distúrbios mentais ou sob efeito de drogas, falo de pessoas com sanidade mental e sóbrias. Voltando ao assunto! Todo mundo é consciente do que faz, do que quer, do que não quer, de como age, de como não age. Vou frisar bem esta questão do “quer” e “não quer”, do “age” e “não age”, fazendo essa oposição pelo fato de que as duas vias dependem da escolha consciente das pessoas.

Resumindo:

[1] O que acontece no presente pode ser explicado pelas suas referências no passado. Os comportamentos de uma pessoa é um exemplo.

[2] Toda escolha das pessoas passam pela consciência, então são deliberadas.

Não sei se você percebeu, mas estes dois tópicos podem ser considerados contraditórios. Pelo menos, aparentam ser contraditórios, mas vou juntá-los agora e esclarecer a questão! Veja bem, quando digo que tudo no presente possui uma referência que o explique e esta referência está no passado, pode-se levantar a ideia de que o que se manifesta no presente seria determinação absoluta do passado. Ou seja, tudo o que acontece no presente é no presente necessariamente por que o contexto passado deu condições de o presente ser o que é e não de outra maneira. Isso seria pressupor que um único caminho seria possível para o futuro. Partindo dessa ideia, acreditar que tudo o que uma pessoa faz ou não faz é exatamente determinado pelas suas experiências passadas. Nesse caso, a consciência seria algo inútil, pois ela possibilitaria à pessoa entender o que ela estaria fazendo, mas a ação em si não dependeria da escolha dela. Essa seria a contradição aparente desta questão.

A partir de agora estarei focando na questão específica do comportamento de uma pessoa. Na realidade o que temos é o seguinte: Sim, há uma referência para explicar cada comportamento atual de uma pessoa ou fato geral da atualidade. Mas o comportamento atual de uma pessoa está relacionado a UMA referência dentre várias outras referências possíveis que a pessoa tinha para escolher no seu passado. Por exemplo, uma pessoa que maltrata animais pode ter como referência algum fato do seu passado ligado a pessoas que agiam com maus tratos a animais, então ela tomou aquele fato como referência e passou a reproduzi-lo. Encontramos a referência do comportamento da pessoa. Mas algo que devemos pensar também é que outros diversos tipos de pessoas conviviam com esse indivíduo e ele não as tomou como referência. Ou seja, foi escolha do indivíduo ter como referência as pessoas que maltratavam animais e não as que não maltratavam. Então, não há uma determinação absoluta de uma referência pelo simples fato de que uma série de outras possíveis referências existiam e a pessoa não optou por adotá-las. Assim, o poder de determinação não está na referência, mas sim na vontade do indivíduo, é ele quem escolhe qual referência seguir. Se há determinação neste caso, é autodeterminação, ou seja, a escolha do indivíduo prepondera sobre em que vai se basear o seu comportamento.

Agora demos autonomia à consciência. Agora a consciência deixou de ser reduzida à simples capacidade de entendimento sobre as coisas, sobre as situações ou sobre si mesmo e ganhou status de determinante no que diz respeito a como o indivíduo se comporta. A consciência permite ao indivíduo deliberar, escolher o que ele quer fazer ou não fazer. A consciência permite ao indivíduo até mesmo escolher as suas referências. A consciência torna o indivíduo ativo, autônomo, dono de si próprio.

Resolvida a questão da contradição que parecia emergir dos postulados anteriores, coloco o último conceito que faltava dentro desta discussão: a dialética. O que se pode contribuir para a discussão com este conceito? É que a formação do comportamento de uma pessoa se dá através de um processo dialético. Entenda a dialética da maneira mais simples possível: Tese, antítese e síntese. Ou seja, imagine que atualmente você é uma pessoa radicalmente desconfiada (tese), aparece alguém na sua vida e lhe dá uma referência de que a não há necessidade de ser radicalmente desconfiada, pois existem pessoas dignas de confiança (antítese, a contradição do estado de tese, o oposto), então você assimila uma nova visão sobre a confiança (síntese) – torna-se moderadamente desconfiada, por exemplo. Ou seja, tudo o que se vive pode contribuir para formar o comportamento do indivíduo. São as contradições, principalmente, que contribuem para esta formação dialética do comportamento.

REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DE RELACIONAMENTOS PASSADOS: SOBRE AS REFERÊNCIAS DE COMPORTAMENTO

Agora podemos voltar lá ao início do texto e tratar das declarações que eu coloquei lá. Eu disse que “EU NÃO SOU COMPLETAMENTE EU! Assim como muita gente se julga ter autonomia sobre si, mas não passa de brinquedinhos controlados”. Já dá para perceber do que se trata com base no que foi colocado até agora. O que eu quero dizer com “Eu não sou completamente eu” é simplesmente que muito dos meus comportamentos eu consigo reconhecer como referenciados em outras pessoas. Então me vem uma impressão de outras pessoas determinam o meu comportamento e que os meus comportamentos não são genuinamente meus, mas são como cópias de comportamento de outras pessoas. Eu só pensava nisso de maneira a não dar muita importância, até que acompanhando um caso eu comecei a ter uma visão nova sobre a questão, mas não é importante. Vamos à análise.

Analisando a questão da formação do comportamento de uma pessoa, já vimos que este processo se baseia em referências. No caso de um relacionamento, a referência que a pessoa toma para agir são os relacionamentos anteriores. Esta é a ideia central. Como isso acontece? A hipótese consiste no seguinte: Toma-se como referência o comportamento do mais forte. Explicarei.

Quando se trata de um primeiro relacionamento amoroso de uma pessoa é difícil encontrar as referências do seu comportamento dentro deste relacionamento, seria necessário uma investigação mais minuciosa. Por comportamento dentro do relacionamento inclui-se as defesas adotadas pelo indivíduo, o romantismo, os modos de ataque, jogos de poder, ou seja, todas as maneiras de lidar com o outro dentro do relacionamento, sejam positivas ou negativas. Destaco as defesas adotadas pelo indivíduo como algo que é perceptivelmente referenciado em outros relacionamentos.

E de que se trata as defesas adotadas pelo indivíduo? Entende-se por defesas as maneiras de agir frente aos problemas que aparecem no relacionamento: brigas, discussões, mal estar, entre outras situações negativas de um relacionamento visando se proteger de danos psicológicos, dor, sofrimento. É normal que as pessoas busquem reagir de maneiras que lhes convenha ser quando passam por situações deste tipo para se resguardarem, para se protegerem, como já foi dito. Quanto a qual estratégia para se defender que a pessoa adota, isso é relativo. É daí que surge a questão: O que determina a escolha de uma estratégia de defesa?

Bem, para uma pessoa que nunca teve um relacionamento, como já disse, é difícil determinar as suas referências. Mas no caso de uma pessoa que já se relacionou com outras é possível perceber que muitas das estratégias de defesa que ela usa tem referência em outros relacionamentos, ou seja, é um espelho ou síntese do comportamento de outra pessoa para com ela. Por exemplo, uma pessoa que convivia com alguém que se mantinha em silêncio diante de uma discussão pode reproduzir esse comportamento com outra pessoa que ela se relacionar, por conta da funcionalidade do ato.

Como assim, funcionalidade do ato? Por exemplo, uma chave de fenda é funcional para apertar parafusos. Isso quer dizer que ela serve para lidar com uma necessidade. No caso de uma estratégia é a mesma coisa: É como se a necessidade de apertar um parafuso fosse o problema do relacionamento e a chave de fenda fosse a estratégia que a pessoa adota como defesa. Quem entendeu a questão pode estar se dizendo que a postura que adota diante de um problema não visa necessariamente se defender, mas sim resolver o problema do relacionamento. Mas veja bem, está certo, nem todo mundo busca necessariamente se defender e pensar somente no seu bem estar diante de um problema de relacionamento, mas até esta atitude pode se aplicar à ideia da “referencialidade”. Ou seja, mesmo que a pessoa não esteja se defendendo diante do problema de relacionamento, qualquer atitude que ela tome pode também ter como referência uma atitude de outra pessoa com a qual ela se relacionou. Neste caso também, a funcionalidade da ação conta. Ou seja, tanto no caso da defesa (que foi um exemplo isolado que eu peguei para explicar a questão) quanto no caso de outras atitudes que são adotadas com referência em outros relacionamentos, a atitude é adotada pelo fato de ela ser viável para lidar com uma situação problemática.

Se ainda não ficou clara a questão da funcionalidade, darei um exemplo: Está uma pessoa com um problema conjugal, ela não está se sentindo bem com situações que estão acontecendo no seu dia a dia de relacionamento e, então, busca o seu parceiro para iniciar uma discussão. O seu parceiro se mantém com uma postura “A” em meio a discussão, enquanto que a pessoa se mostra com uma postura “B”. No fim da discussão, da mesma maneira que já aconteceu em outras, o parceiro sai da discussão visivelmente melhor que a pessoa que iniciou a discussão. Esta pessoa, após o fim deste relacionamento, pode adotar a postura “A” do seu antigo parceiro para lidar com discussões em outro relacionamento. O sentido disso é que a pessoa percebeu que nas discussões que ela tinha no seu antigo relacionamento a pessoa sempre saia melhor no final por conta da sua postura. Isto é, a pessoa entende que a postura “A” é funcional.

OBS: A postura “B” não é excluída totalmente da pessoa que adota uma nova postura. Já vimos que o processo de adoção de comportamento é dialético. Então, a postura “A” é, na verdade, predominante, mas coexiste com a postura “B”, podendo até mesmo a “B” ser predominante em alguns casos, assim poderemos ter posturas “AB” ou “BA”. Tudo depende de como o indivíduo avalia a situação e entende o que é mais funcional para uma dada situação.

Assim, fechamos então essa ideia. Fazendo um resumão:

  1. Tudo o que acontece no presente pode ser explicado pelas suas referências no passado.
  2. O comportamento das pessoas em um relacionamento pode ser explicado pelas suas referências em outros relacionamentos.
  3. O processo de assimilação de comportamento com base em referências é dialético.
  4. O processo de assimilação de comportamento é ativo (atividade da consciência).
  5. O processo de escolha de referências se dá com base na percepção da funcionalidade da atitude.

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(Anderson Yankee)

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