A DIFICULDADE DE ACEITAR O OUTRO COMO O OUTRO: PESSOAS CONTROLADORAS EM UM RELACIONAMENTO

Perfil-autoritario

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Quem acompanha o blog deve ter percebido que nos últimos posts vem sendo feito um retorno a algumas questões que já foram tratadas aqui, atualizando-as, retratando-as ou complementando-as. Pois bem, este post seguirá nessa linha. O assunto que eu quero tratar aqui, retratando-o e complementando-o é o de uma máxima que eu gosto muito de usar, a qual aprendi com uma mulher que eu admiro bastante. A máxima é “Devemos aceitar o outro como o outro”. Vamos lá…

O que significa esta máxima de que “devemos aceitar o outro como o outro”? Muito simples! Apenas devemos ter em mente que cada pessoa possui sua subjetividade, suas particularidades, o que inclui gostos próprios, costumes próprios, hábitos próprios, manias próprias, etc. Ou seja, cada pessoa é única e possui uma série de elementos que a compõe, sendo que estes elementos não são necessariamente iguais aos de todo mundo. Ora, isso é óbvio. Porém, há quem não perceba esta questão tão óbvia e queira moldar o outro segundo seus gostos, costumes, valores, visão de mundo, etc.

Cada pessoa é única e tem todo direito de ser única. Todas as pessoas tem direito de ser como são, sem determinações alheias. Esse direito é validado pelas próprias vivências da pessoa. Isto é, cada um passou por determinadas situações em sua vida, e estas foram responsáveis pela formação desta pessoa. Cada pessoa aguentou a sua barra, cada um teve que saber lidar com as suas experiências de vida, sejam elas boas ou ruins. Então, todos tem o direito de serem o que são hoje, já que foram capazes de aguentar todas as situações da sua vida.

Entretanto, há um porém nessa questão: Ninguém tem o direito de fazer mal a outras pessoas por conta das suas experiências passadas. Todos possuem racionalidade para distinguir o que é certo do que é errado. Então, apesar de uma pessoa ter passado por situações ruins na sua vida, apesar de outras pessoas a terem feito mal, escolher fazer mal aos outros é uma escolha – e uma escolha imoral, neste caso.

Dando continuidade a questão, vamos analisar o problema do desejo de moldar os outros de alguns indivíduos que não respeitam a subjetividade do outro.

  • Primeiro ponto: Estes indivíduos não entendem o conceito de liberdade. A liberdade pressupõe que todos tenham o direito de escolher o seu caminho, independentemente de determinações alheias que o constranja.

O que isto implica? Cada um pode e deve seguir o seu caminho, escolher ser o que é e da maneira que quiser. Ademais ninguém deve o impedir de mudar, forçando-o a algo contra a sua vontade, constrangendo-o ou limitando a sua escolha. Isto é liberdade.

  • Mas as pessoas não podem entrar em um acordo com relação à mudança de comportamento? Obviamente que sim. Perceba que eu coloco o termo “forçando”, assim como “constrangendo” a mudança, isto é que não é correto. Se a pessoa decide mudar por conta própria, por julgar apropriado ou então por acordo com o outro, isso é válido.

  • Outro ponto: A pessoa que força a mudança do outro, limita a sua liberdade. Isto é um ato de egoísmo, egocentrismo. Esta pessoa se baseia em interesses próprios, por medo ou insegurança, para tentar mudar o comportamento do outro. Ou seja, ela tem a necessidade de controlar as ações e comportamento do outro para se sentir seguro ou atender às suas necessidades. Pois bem, é de se concluir que os interesses da pessoa que age assim são interesses egoístas. Se assim não fosse, ainda poderia ser válida a tentativa de mudança. De certo, esta pessoa interfere na liberdade do outro.
  • Se houver mudança, que ela seja espontânea e que vise como fim interesses que não sejam egoístas, como a manutenção de um relacionamento, por exemplo.

  • Mais um ponto: A pessoa que força a mudança do outro em nome dos seus interesses egoístas, o faz com a justificativa de que seus interesses não são egoístas. É comum que o indivíduo que exige a mudança do outro tente justificar a necessidade da mudança com a ideia de que é para o bem da relação, por exemplo. Ora, esse é um interesse importante para um casal, vale a pena um sacrifício no sentido de abrir mão de um comportamento ou ação em nome desse bem maior. Porém, nem sempre o que se quer é o bem da relação, mas o bem pessoal do outro que tem a necessidade de controlar a outra pessoa para se sentir bem. Lembre-se, quando alguém age totalmente em detrimento do outro ela acaba se anulando na relação.
  • Este ponto serve como um alerta. É bom ficar atento para o caso de pessoas que queiram te controlar e te anular na relação com a justificativa de que as mudanças são necessárias para o bem do relacionamento. O bem do relacionamento é o bem das duas pessoas consigo próprias e com o relacionamento.

  • Para finalizar: O ato de mudar o outro vicia. Isso mesmo! Quando alguém tenta mudar o outro e a pessoa aceita de bom grado isto gera um sentimento de bem estar em quem conseguiu a mudança do outro. A pessoa passará a se sentir no direto de mudar o outro em qualquer coisa que não lhe agrade, não atenda aos seus interesses ou lhe cause insegurança. O indivíduo coisifica o outro, ele não o vê mais com uma pessoa, mas sim como um objeto que só serve para satisfazer as suas necessidades. Isso é o que eu falo de viciar! Na verdade a pessoa se torna um ditador, torna-se autoritário, acha-se no comando, acha-se superior, julga-se como proprietário do outro.
  • Obviamente este não é um comportamento adequado para um relacionamento. Ninguém é dono de ninguém, nenhuma pessoa tem direito sobre a outra, principalmente no que diz respeito a interferir na liberdade, na autonomia, na subjetividade.

Chegamos então a questão final deste texto: O que fazer quando não se gosta de um comportamento, hábito, costume ou ação do outro, mas o sentimento que há por ele lhe impede de deixá-lo? Ou seja, você não gosta de algo na pessoa, mas não quer acabar o relacionamento. Vamos lá… Há algumas opções.

  1. Utilize a via democrática: Você tem plena consciência de que você não está paranoico, sendo infantil, sendo mimado ou autoritário? Então converse, exponha o que você pensa. Se você utilizou a sua sensatez e percebeu que há algo que o outro faz que não te agrada (mas que não é um mero interesse egoísta) e isto está afetando a relação, mostre ao outro com bons argumentos a situação, o que ele faz que a torna negativa e tente entrar em um acordo. Lembre-se que do outro lado há alguém que também tem um cérebro e é esperado que ele também saiba usá-lo adequadamente.

* Em um relacionamento deve haver discussão democrática, isto garante isonomia. Deve ser respeitada a vontade de ambas as partes, não como um cabo de força como é na política, mas como um trabalho onde ambos complementam ao outro.

  1. Mude a si próprio. Digamos que não haja acordo na discussão democrática, então você tem outra opção à MUDAR A SI PRÓPRIO. O que quer dizer isso? Que você vai tentar mudar a sua maneira de enxergar e lidar com o comportamento do outro. Isto é, você vai tentar acomodar-se à situação, tentar ser maior que ela, não deixar se afetar por ela ou até ignorar. Sei bem que você deve estar pensando que isso seria o equivalente a se anular com relação ao outro, mas não é bem esse o sentido. Adotando o princípio de mudar a si próprio você assumirá uma postura de banalizar aquele ato ou comportamento para que ele não te incomode mais. É um ato de amadurecimento, de crescimento próprio, de aprendizado para lidar com situações desagradáveis. Com certeza isto acrescentará na sua vida, não só para este relacionamento, mas para outros que poderão vir.

* É importante deixar claro que você não irá tentar aceitar todos os comportamentos desagradáveis da outra pessoa ou que fará vista grossa para tudo o que te deixa mal. Mas sim que você tentará lidar com o que é aceitável, aprendendo a conviver com ele sem que ele te afete, colocando-se acima da questão. De certo, há certos atos ou comportamento que não dão para passar por cima, pois vão de encontro aos princípios do indivíduo, ou seja, há coisas que vem da parte do outro que são inaceitáveis.

  1. Siga o seu caminho. Se você não conseguiu resolver a questão democraticamente, dialogicamente, e é algo que você não consegue passar por cima, banalizar ou ignorar, então a opção é à SEGUIR O SEU CAMINHO. Este é o ato de lavar as mãos com relação ao relacionamento, já que a pessoa com quem você se relaciona não demonstra intenção em resolver uma determinada situação inaceitável dentro do relacionamento. Neste caso, o que resta é você entender que o relacionamento não tem condições de prosseguir da maneira que se encontra e abrir mão do mesmo. Da mesma maneira que a pessoa tem o direito de não abrir mão dos seus comportamento ou ações que causam mal estar ao relacionamento, você tem o direito de não permanecer em um relacionamento que lhe faz mal, pois este não é o sentido de um relacionamento.

Ok, eu entendo, há o relacionamento que você tem pela outra pessoa, o qual não permite que você a deixe. Brinquei, não entendo mesmo. Quem não permite deixar a outra pessoa e seguir o seu caminho na busca de alguém que te faça bem é você mesmo. Na certa, você criou uma necessidade da outra pessoa, tem medo de ficar só, tem medo de não encontrar outra pessoa que se adeque a você e te faça bem. Se você está com uma pessoa por estes motivos, tenho uma péssima notícia: Você não vai encontrar felicidade com estes sentimentos. Seja autônomo, é o primeiro passo.

  • Não tenha medo de deixar algo que te faz mal para arriscar outra relação que te faça mais realizado, que te cause bem estar; Ficar em uma relação que gasta muita energia emocional é pior, pois você está investindo em um negócio sem futuro. Isso é até burrice, desculpe a franqueza.

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(Anderson Yankee)

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