A ANULAÇÃO DE SI E DO OUTRO EM UM RELACIONAMENTO: SUBMISSÃO E CONDICIONAMENTO

egoismo

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Já tratei aqui neste blog sobre a ideia de “relacionamento como trindade” e agora retomarei esta questão para tratar de outro ponto importante ligado a esta concepção, a anulação do outro partindo da vontade do outro.

Para tanto, vamos relembrar o que é um relacionamento entendido como uma trindade. Ora, trindade implica três elementos e, neste caso, estamos falando justamente do que eu chamei em outro texto de [CÔNJUGE 1], [CÔNJUGE 2] e [O RELACIONAMENTO]. É importante salientar que a palavra relacionamento no que se refere a esta trindade significa basicamente as situações construídas com a participação dos dois cônjuges. Deste modo, devemos entender que há também situações que não são vividas pelos dois indivíduos >>> conjuntamente <<<, mas sim vividas isoladamente, particularmente. Estas situações, por sua vez, chamamos de “vida dos cônjuges”, são o que eles fazem separados. Em suma, temos dentro desta trindade chamada relacionamento a “vida dos cônjuges (1 e 2)” e a “vida do relacionamento”.

Dando prosseguimento ao assunto, é importante deixar claro que esta separação do relacionamento em uma trindade tem um sentido básico, isto é, definir qual a forma ideal >>> viável <<< de se viver para que se conserve o relacionamento em si. Sobre esta questão foi definido que ambos os cônjuges podem e devem viver suas vidas particulares, desde que esta vivência particular não prejudique a vida do relacionamento. O relacionamento é uma vida de duas pessoas e ambas tem que contribuir para o bem desta vida conjunta. O relacionamento e um bem a zelar e o zelo parte de ambos os cônjuges.

Feita esta revisão básica do que foi colocado no texto anterior, onde eu tratei mais a fundo deste tema, podemos prosseguir para a questão fundamental deste texto: Como a vontade de um pode anular o outro?

Antes de começar, é necessário esclarecer o que é a anulação do outro. Podemos fazer um paralelo com outro texto meu já publicado neste blog sobre a anulação de si. Não me recordo muito bem em qual texto tratei desta questão, só lembro que a questão da anulação de si foi tratada em meio a outras discussões dentro de um texto que não tinha a anulação de si como questão principal. Pois bem, resumindo, a anulação de si diz respeito ao indivíduo perder a sua identidade dentro do relacionamento em detrimento do outro. Isso acontece de maneira voluntária quando o indivíduo não tem maturidade suficiente para lidar com um relacionamento. É uma questão também ligada ao não entendimento de que o relacionamento é uma trindade. Na anulação de si o indivíduo exclui a sua vida e vive em detrimento do outro, na intenção de contribuir com a vida do relacionamento. Ou seja, uma pessoa deixa de frequentar os lugares que gostava antes de entrar no relacionamento, deixa de lado as suas amizades, seus gostos, e pior, seu anseios e objetivos de vida e passa a viver para agradar ao outro. Esta pessoa pressupõe que o bem maior – o bem estar do relacionamento – requer submissão ao outro, pois se ela exercer a sua individualidade poderá “chatear” o outro e, assim, fará mal ao relacionamento.

Aconselho a qualquer pessoa dessa – que anula a si próprio em um relacionamento – a se tratar, literalmente. Isso não é saudável, eu coloquei isto anteriormente também em outros textos: quando você anula a si próprio e deixa de lado tudo que te constituía, que fazia você ser o que era, você cava uma fossa em que você mesmo irá cair mais na frente. Ora, é claro que se deve abrir mão de certos hábitos, gostos, atitudes em nome de um relacionamento se ele valer a pena, mas anular a si próprio é um ato extremo, você deixa de ser você e vira um objeto do outro, um escravo, um acessório ou algo do tipo. E por que você está cavando uma fossa para si próprio cair? Simples! Quando o relacionamento acabar – é provável que acabe com um indivíduo com comportamento patológico de anular a si próprio participando – o indivíduo se verá extremamente desestruturado, principalmente por ter deixado de lado suas amizades, hábitos saudáveis, distrações, gostos, etc. Ele terá que correr atrás de muita coisa para se reestruturar.

Portanto, não anule a si próprio, você pode viver a sua vida tranquilamente, fazendo coisas que você gosta com pessoas que gosta, sem prejudicar a vida do relacionamento. É óbvio, deve haver bom senso no que se fazer, pois há outra pessoa participando da vida do relacionamento também, e se as suas atitudes fazem mal ao outro, fará mal ao relacionamento. O oposto, neste caso, também é válido. No entanto, deve haver bom senso do outro lado também! Se o outro não aceita que o outro faça as coisas que ele gosta, fazendo julgamentos arbitrários para o outro deixar de fazer o que gosta ou socializar com as pessoas que gosta, então é ele quem está fazendo mal a você. Neste caso, sou bem radical nos conselhos: Há pessoas melhores no mundo, procure que você acha.

Pois bem, é justamente sobre este caso que vou tratar agora, das pessoas que fazem julgamentos arbitrários e até sem sentido para forçar o outro a se anular. Na verdade, esta pessoa busca, através da sua vontade, causar a anulação do outro. A diferença básica entre o caso da anulação de si e da anulação baseada na vontade do outro é que a primeira é voluntária e a segunda é imposta e condicionada.

Vamos fazer uma análise:

(1) Ela é imposta por que é o outro que causa a anulação do indivíduo com seus julgamentos arbitrários sobre as atitudes, gostos e amigos do indivíduo. Estes, julgamentos, motivados geralmente por ciúmes, muitas vezes são sem sentido algum por serem direcionados a uma situação que não representarem uma à vida do relacionamento. Por exemplo, quando um indivíduo é inseguro e impõe que seu companheiro ou companheira não tenha mais amizade com alguém, pois ele “não vai com a cara da pessoa” ou por que desconfia da pessoa por ela ser uma possível ameaça ao relacionamento. Esta imposição pode ser arbitrária, sem fundamento. Um pessoa pode impor algo deste tipo pelo simples ciúme causado pela sua insegurança ou por um erro de interpretação de uma situação, ou seja, ela está vendo coisas aonde não existe ou criando imagens na sua cabeça >>> Gestalt <<<. Este mal julgamento, se for o caso, leva o indivíduo a se afastar de sua amizade, tendo em vista o bem estar do outro e, consequentemente, do relacionamento. Um julgamento deste isolado não gera uma anulação de imediato, mas quando isto acontece de maneira repetitiva pode levar a uma anulação do outro.

(2) Ela é condicionada por que o indivíduo cria dentro de si uma lógica >>> patológica <<< para garantir o bem estar do relacionamento. Esta lógica pode ser criada quando a imposição do outro é esporádica ou constante. Esta lógica se manifesta como uma paranoia, como uma disciplina mental patológica. Por que patológica? Por que não é saudável, por que não faz bem. E como funciona esta lógica doentia? O indivíduo recebe a imposição do outro, assimila a ideia de que ele não gosta de algo que este indivíduo faça ou goste e então exclui toda uma categoria de gostos ou pessoas da sua vida. Por exemplo, o outro diz que não gosta de um determinado amigo do indivíduo e ele, automaticamente, se afasta de todos os seus amigos, ou grande parte deles. Neste caso, ele já está condicionado a tomar atitudes >>> radicais <<< exclusivamente em detrimento do outro, em virtude das imposições iniciais.

O indivíduo que impõe a sua vontade sobre o outro para condicioná-lo ou, em outras palavras, constrangê-lo a tomar atitudes de anulação de si é extremamente egoísta, egocêntrico. Na medida em que ele busca anular o outro, ele busca se afirmar. Este tipo de pessoa tem essa necessidade de se afirmar, geralmente por insegurança. Ele não se vê capaz de manter um relacionamento se mantendo em igualdade com a outra pessoa, por isso busca torna-la inferior, para se sentir superior.

Certamente, este não é um tipo de pessoa agradável para se manter um relacionamento. Porém, existe a possibilidade de estas pessoas terem um relacionamento duradouro, e isto acontece justamente quando elas encontram alguém que tenha vocação para a submissão. Se este não for o seu caso, como eu já disse, HÁ PESSOAS MELHORES NO MUNDO. Com paciência você encontra alguém mais agradável, que respeite a sua individualidade.

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~X~

(Anderson Yankee)

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