A FERA E O CAÇADOR – PARTE 1

Festa Babette 8

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A paz não se fazia mais presente na cidadezinha. Esta bela cidadezinha de ares tradicionalmente medievais não era mais a mesma de pouco tempo atrás, onde as pessoas viviam felizes as suas vidas, onde as pessoas viviam tranquilamente: crianças brincavam felizes, mulheres cuidavam da sua casa, homens cuidavam das tarefas que garantiam o sustento das suas famílias. O motivo da rotina destas pessoas ter mudado foi “a fera”.
. Nenhuma criança brincava mais, as mulheres se trancavam; e os homens desta cidadezinha abandonaram a sua rotina e reuniram-se em uma força tarefa para caçar uma fera que havia aparecido pelas redondezas e vinha deixando as pessoas amedrontadas. Todos queriam que a fera fosse anulada e a paz retornasse àquela região. Para isso, em consenso os homens decidiram convidar para liderar a missão um fazendeiro, renomado caçador, famoso pela sua sagacidade e impiedade na arte da caça.
– É imprescindível que peguemos esta fera que vem tirando a paz da nossa cidade, amedrontando as nossas mulheres, deixando nossos filhos sem dormir. A nossa cidade é sempre foi um lugar calmo onde desfrutamos da boa vizinhança e da paz nos nossos dias; Não é uma fera estrangeira que vai mudar isso. Vamos à caça. – Disse em imperativo o caçador.
No dia combinado os homens se reuniram na igreja. Lá era o lugar da cidade que eles consideravam que havia mais segurança. A igreja ficava no meio da cidade, era rodeada por um denso muro com grades fortes na parte superior do mesmo, os portões eram verdadeiros lacres feitos do melhor aço. Na parte de dentro do muro havia bastante espaço ao redor do prédio da igreja, que ficava centralizada dentro da muralha. Havia no espaço ao redor da igreja algumas esculturas, jardins, árvores e umas duas ou três capelas, além de um coreto. Era um lugar bonito e protegido.
Lá na igreja eles estavam a esperar empunhando suas armas devidamente carregadas. Além dos homens que estavam dentro da muralha da igreja, haviam homens guardando os portões na parte de fora. Tanto os homens de dentro da muralha quanto os de fora estavam ansiosos e nervosos para o momento do ataque da fera. Mas por enquanto só havia silêncio.
No restante da cidade o silêncio também imperava. Todas as pessoas ou tinham abandonado as suas casas e deixado a região ou então haviam se trancado, rezando para que a fera não acabasse invadindo as suas casas.
Todos temiam a fera não só por sua aparência medonha, mas também por sua força sobre-humana e sua eficiência na tarefa de matar as suas vítimas, sem o menor escrúpulo. A fera era do tamanho de um homem mediano, andava tanto sobre duas quanto sobre quatro patas, tinha o corpo coberto de pelos em um tom marrom mais uma cor de fogo. Quando estava com raiva a fera soltava um rugido de fazer medo a qualquer homem e seus pelos se arrepiavam se transformando em espinhos. Tinha garras afiadas e uma rapidez incomensurável.
Os homens de dentro e de fora da igreja esperaram por alguns dias e nem sinal da fera, mas eis que finalmente ela apareceu. Ouviram-se gritos vindos do lado de fora do muro, ouviram-se rugidos, tiros, ouviu-se dor e sofrimento, ouviu-se morte vindos de fora da igreja. Do lado de dentro do muro alguns homens se desesperavam e lamentavam a quase certa morte dos seus companheiros que se encontravam lá fora. Ninguém tinha conseguido até então ferir a fera, parecia que aquilo era invencível. Não havia homem ou arma capaz de fazer um ferimento bem sucedido naquela coisa, somente tiros em vão, arpões lançados em um corpo que não se abate, facadas que furam, mas não ferem. O terror aumentava na medida em que a fera lançava os corpos dos infelizes homens contra o portão e para dentro do muro por cima da grade. Nem mesmo aquele aço considerado o melhor suportava o ataque da fera. Na medida em que dava pancadas no portão o mesmo ia se deformando, o aço amassava como quando alguém soca uma sacola plástica. Finalmente rompido o lacre de aço, a fera adentra na igreja segurando o corpo de um infeliz homem que tentava impedir a fera do lado de fora. Ela dá de cara com 23 homens agachados a uma distância de 150 metros, cada um empunhando a sua arma, apontando para ela.
– Silêncio por um momento, a fera e os homens, incluindo o seu líder – o caçador -, estão paralisados se encarando.

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CONTINUA

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(Anderson Yankee)

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