SOBRE PESSOAS QUE NÃO SUPORTAM PROBLEMAS NO RELACIONAMENTO: COISIFICAÇÃO DAS PESSOAS

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       Todos vamos concordar que na atualidade os relacionamentos conjugais não apresentam mais a característica de serem tão firmes e duradouros como os de antigamente, como os “do tempo dos nossos avós”. Os relacionamentos se mostram cada vez mais frágeis, hora está tudo bem, hora tudo está acabado. Já tratei em um texto que isso está ligado uma cultura atual de que predomina a concepção de que quando uma coisa está com defeito se deve descartá-la; Em contraposição, podemos dizer que a cultura antiga era de que quando uma coisa está com defeito se deve consertá-la, repará-la. Pois bem, as pessoas acabam aplicando essa ideia – que deveria, apesar de errada, ser aplicada somente a coisas – também aos relacionamentos. Isto é, no primeiro sinal de problema as pessoas caem fora sem se preocupar com o que foi construído no período de relacionamento. O que vale é se preservar.
É basicamente este o princípio que as pessoas que caem fora quando as coisas começam a apertar seguem, o de auto preservação. Certamente, sofrer, passar por situações negativas não é uma boa coisa, mas é sabido que situações negativas fazem parte de um relacionamento. Ademais, se olharmos bem, há nas situações negativas algo bom que é o aprendizado, a experiência que fica para o crescimento pessoal do indivíduo. No entanto, creio que isto não seja considerado pelo indivíduo no momento em que a coisa aperta. É visto que pessoas deste tipo só levam em consideração a ideia de que sofrer, enfrentar problemas não é algo bom, então não vale a pena passar por eles; mais vale fugir dos problemas, deixá-los de lado, ignorá-los do que gastar energia, paciência, tempo buscando soluções para superar tais problemas. Em suma, este tipo de pessoa não gosta de sair da sua área de conforto.
Se levarmos em conta questões morais, podemos também acrescentar o quão se mostra insensível uma pessoa deste tipo. Imagine que você tenha um celular, você o usa por algum tempo e ele vai ficando velho, com o tempo a bateria vai ficando “viciada”, a carcaça vai se desgastando, a tela touch screen vai perdendo a sensibilidade, até que um dia ele não liga mais, apaga de vez. Primeiro, é até raro uma pessoa hoje em dia usar um celular até ele chegar a este ponto, para alguns, basta os primeiros arranhões e o lançamento de um novo modelo para o antigo ser trocado. Aí pensamos: caraca, mas basta tão pouco para a pessoa trocar o celular? O certo é usar até ele se acabar. Alguns pensam assim, outros não. A questão é, não tem problema em fazer isso, se você quer usar um celular até ele se acabar, use; Da mesma maneira, se você quiser trocar de celular todos os dias por achar que basta um dia pra ele não servir mais, tudo bem, troque de celular. O celular é uma coisa, um objeto inanimado, então não há nada demais em fazer isso. No entanto, agir de tal maneira com relação a um relacionamento é demonstrar uma grande falta de sensibilidade, pois você não está mais lidando com um objeto inanimado, mas sim com uma pessoa consciente, com sensibilidade, afecções, e isso tem que ser levado em consideração. Fazendo uma analogia, quando surgir os “primeiros arranhões” ou você se agradar “por um modelo novo”, que aparenta ser melhor que o modelo que você tem e você simplesmente trocar o antigo pelo novo, tratando-se de uma pessoa, ela irá sentir na pele coisas desagradáveis como a angústia, coisa que um objeto inanimado não sentiria.
Neste caso, o que é percebido é uma coisificação das pessoas, pois elas são tratadas como coisas, como objetos quaisquer. Creio que se fossem levados em conta os atributos que caracterizam as pessoas e as diferenciam dos objetos inanimados na hora de se tomar uma atitude no contexto de situações problemáticas no âmbito de um relacionamento, o fim das situações poderiam ser diferentes do que ocorre em grande parte dos casos atuais, creio que pelo menos uma porcentagem dos casos poderiam ser “humanizados” e o tratamento para com o outro seria diferente deste tratamento que é dado atualmente, que trata pessoas e coisas do mesmo modo.
Neste sentido, o que coloco é que as pessoas estão precisando se humanizarem para ter relações mais saudáveis, relacionamentos mais duradouros, ou simplesmente mais consideração para com os outros. Esta humanização, que equivale a um refinamento da sensibilidade, é algo que é extremamente importante para todas as relações que as pessoas mantém com as outras, não simplesmente para um relacionamento conjugal, mas também para uma amizade, coleguismo e até mesmo para tratar pessoas desconhecidas. A começo de tudo está em enxergar pessoas como pessoas e coisas como coisas e não confundi-las entre si.

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(Anderson Yankee)

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