ANÁLISE DE UM CASO: O MÉTODO DE “ATIRAR PARA TODOS OS LADOS”

indeciso

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Estive pensando, as pessoas perdem muito em suas vidas por se apegarem a questões morais. Ultimamente tenho me deparado com o caso de uma pessoa em particular que me chamou muita atenção e exigiu de mim um esforço intelectual para chegar a uma compreensão geral de um caso. Foi algo que me fez pensar em questões morais, sobre o valor destas questões morais e sobre a sua validade e viabilidade também para a vida das pessoas; ou posso também dizer para a vida desta pessoa em si.
Vejamos o caso: Uma menina diz que quer entrar em um relacionamento, ela investe em um rapaz evidenciando que almeja se relacionar com ele. Por outro lado, ela faz o mesmo com outros rapazes que chamam a sua atenção. Além disso, ela vive a sua vida de solteira normalmente, saindo com amigas para bares e baladas, shows e festinhas. Bom, neste contexto ela se utiliza da sua esperteza para se adequar ao gosto dos rapazes que ela assume estar predisposta a se relacionar, ou seja, ela assume diferentes modos de se comportar estando cada um de acordo com o rapaz que ela está lidando. Ademais, ela vive também na sua vida de solteira uma forma de se comportar. Então, ela se comporta de uma maneira com cada rapaz que ela está predisposta a se relacionar e de outra forma na sua vida longe destes rapazes. É realmente algo complexo. É algo que nos faz questionar, por exemplo, quem é esta menina afinal?
É difícil definir quem é esta menina no sentido de estabelecer qual é a real personalidade dela. Ademais, acho que nem é importante pensar nesta questão, pois definir alguém em termos de identidade – personalidade determinada – não é algo viável, já que definimos uma identidade pela abstração de determinados padrões de comportamento que a pessoa apresenta, e estes padrões mudam de acordo com as vivências (experiências) que as pessoas têm em suas vidas. No entanto, uma característica podemos atribuir, de certo, a esta garota: ela é muito esperta, muito inteligente.
É neste ponto, quando assumimos que ela é inteligente por adequar o seu comportamento a diferentes pessoas e ocasiões para conseguir o que quer, para atingir um objetivo (que como já foi dito, é entrar em um relacionamento), que começam a surgir questionamento de caráter moral. Por exemplo, há que questione se isto é certo, por ela estar atirando para todo lado ou por ela estar “enganando” um rapaz ou outro quando assume estar interessada por algum deles; Há quem diga que isto não é certo, há quem diga que não tem importância, pois isto só diz respeito a ela mesmo, há até quem envolva religiões para refletir sobre a questão, concluindo que isto é errado (obviamente). Bem, há diversas formas de pensar esta questão e cada conclusão a que se chega irá evidenciar uma ideologia pertencente à pessoa que faz o julgamento.
Neste sentido, eu resolvi também apresentar a minha posição a respeito desta situação. A primeira conclusão que eu cheguei é que se partirmos de um ponto de vista da moral cristã isto será errado. Do mesmo modo, se considerarmos a nossa cultura em si iremos, no mínimo, definir esta menina como uma pessoa vulgar. Então, tratando moralmente o caso iremos, quase sempre, definir esta atitude da menina como errada, como algo “feio” de se fazer para uma mulher, estabelecendo assim que ela é vulgar por não se colocar no lugar que é apropriado para uma mulher bem vista. A minha intenção ao analisar este caso não é fazer um julgamento de valor, elaborar juízos morais a respeito do caso, mas sim refletir sobre ele considerando a viabilidade da ação da menina. Ou seja, pensarei no caso focando no que a menina quer e a maneira que ela age para conseguir; É viável este modo de agir? Apresenta falhas a ação? Quais as consequências que ela pode ter? Estas são algumas das questões que irei abordar sobre o caso, nunca procurando determinar se a menina é ou não vulgar ou se atitude dela é ou não correta (moralmente falando) – pensaremos em viável ou inviável.
A priori e antes de adentrar na questão central explicitada anteriormente, vale ressaltar que a própria garota da situação que está sendo analisada não se apega a questões morais, ela passa por cima disso quando age. Podemos até dizer que ela assume uma posição hedonista para agir, pois podemos perceber com clareza que o que importa para ela neste caso é ser eficaz e atingir o seu objetivo sem se importar com quaisquer determinações de valor moral que seja.
Com isso, dadas as considerações preliminares, adentramos na questão proposta para este texto. Recapitulando a situação, o objetivo da garota é entrar em um relacionamento; seu método (ação) para atingir este objetivo consiste em “atirar para diversos lados”, ou seja, ela não se limita a investir em um garoto somente (como geralmente acontece), mas dá a entender a vários garotos que ela se agrada que “pode rolar” um relacionamento entre eles para, no fim, dar certo com algum deles.
O OBJETIVO – nada demais a comentar sobre o objetivo dela, entrar em um relacionamento, encontrar uma pessoa para se relacionar é algo agradável, recomendável para todo mundo.
O MÉTODO – é justamente o método que ela utiliza para atingir o seu objetivo que nos importa, pois este método que ela utiliza não é que mais percebemos sendo utilizado na realidade, principalmente por meninas. É verificado que o que acontece mais comumente na nossa realidade é: a pessoa se interessa por outra e dá a entender a ela que está interessada na possibilidade de acontecer um relacionamento entre eles, então eles cultivam boas relações entre si para posteriormente assumirem um relacionamento. Este é, inclusive, uma maneira considerada correta, se levarmos em conta a moralidade. O método da garota em questão se diferencia deste pelo fato de ela aplicar esta estrutura a vários pretendentes simultaneamente, ou seja, ela dá a entender que quer um relacionamento a vários garotos ao mesmo tempo.
A primeira questão é: Este é um método inteligente? Pode ser viável? Sim, totalmente. Imagine uma loteria, se você arrisca uma sequência de números para um determinado sorteio você terá N chances de acertar os números que serão sorteados e ganhar o prêmio em questão. Ora, se eu apostar com um número maior de sequencias eu, obviamente, terei mais chances de acertar os números que serão sorteados e ganhar o prêmio. É simples a questão, quanto maior o número de sequencias apostadas, maior a possibilidade de ganhar. No caso da garota, a regra é a mesma, só que com garotos em questão. O raciocínio é: ela quer encontrar um namorado, para um pretendente há uma possibilidade de relacionamento, para dois pretendentes há duas possibilidades, para três pretendentes surge mais uma possibilidade e assim por diante. Então, concluímos que não é um método inviável, pois é verificado que ela cria um ambiente favorável para atingir o seu objetivo ao aumentar o número de possibilidades para se chegar ao mesmo.
Mas pode haver que diga aquele famoso ditado: Quem quer muito acaba ficando com pouco! Aí eu digo: fala sério! A questão é, este é um ditado popular, e estando enquadrado no grupo dos conhecimentos populares é preciso ter cuidado ao assumi-lo como válido. Este ditado aplicado a este caso nos passa a ideia de que se a garota investir simultaneamente em vários garotos acabará ficando sem nenhum. Ora, é evidente que ele tem o sentido de uma lição moral, é muito mais uma ameaça, uma suposição do que um fato. Não há relação nenhuma entre investir em muita coisa e ficar sem nada, se assim fosse diversos empresários/investidores estariam em maus lençóis, falidos. No entanto, como uma determinada condição este ditado popular pode ser validado, é a condição de ela não saber lidar com a situação que ela criou, caso contrário, ela sabendo lidar perfeitamente com a situação ela poderá atingir o seu objetivo efetivamente.
É com estas considerações que chegamos a outra questão: Há alguma fala neste método? Sinceramente, não vejo nenhuma falha nele na condição de ele ser bem executado. Então, não diria que há uma falha no método em si, mas ele pode falhar se a pessoa que o utiliza não souber agir de maneira a torná-lo infalível. Tudo dependerá de como ela irá agir, se ela for inteligentemente suficiente poderá encontrar o seu namorado dentro da sua lista de pretendentes ou, se preferir, poderá até permanecer na situação de ter vários pretendentes e conviver com a presença deles até quando bem entender. A questão é – repito – não falhar.
E o que seria falhar? Falhar, neste caso, é simplesmente e acima de tudo não deixar que os pretendentes descubram que a mesma está aplicando este tal método.
Como isso poderia acontecer? Para isto temos que voltar a alguma considerações de lá do incio do texto. Quando eu disse que a menina em questão conservava diversos pretendentes, disse também que ela, para isto, se comportava de maneiras diferentes, de uma maneira para cada pretendente praticamente. Isto acontece por que ela está lidando com pessoas diferentes e ela foi inteligente o suficiente para adequar o seu comportamento a cada pessoa (pretendente) que ela lida. Vamos exemplificar isto: digamos que ela conserva um pretendente que tem a característica de ser mais reservado, mais tímido, que prefere calmaria e admira isto nas meninas; ela simplesmente será do jeito que ele gosta. Já para um menino que prefere agitação ela será agitada e assim por diante. Desta maneira ela “conquistava”, “afixava”,”conservava” os seus pretendentes. Ademais, falei também que ela tinha o comportamento da sua vida de solteira, onde saía e se divertia despreocupadamente.
Neste sentido, uma falha grave seria apresentar contradição no seu comportamento e deixar que isto seja percebido por um pretendente, ou ainda deixar que descubram que ela está aplicando este método. No primeiro caso, a contradição mostrará que ela está agindo maneira falsa – mostrando ser o que em si não é – e isto pode decepcionar o pretendente, ele pode achar que ela está usando-o, mentindo para ele, brincando com ele, aproveitando-se ou algo do tipo. Isto nem é tão grave assim, pois ainda pode ser contornado, pode ser resolvido. Mas no segundo caso, quando o método é descoberto aí não tem jeito, pois no ato da descoberta o pretendente fará um julgamento moral da garota e ela sairá no mínimo caracterizada como vulgar. Aí sim, neste caso, pode ocorrer de ela ficar sem nada a depender de como a situação se desenrole. Mas se ela não falhar em aplicar o seu método sem ser descoberta poderá, certamente, alcançar o seu objetivo e provar que quer muito quer fica com muito.
Para que não fique alguma confusão aqui, o que devemos ter em mente é que o método é bastante inteligente, muito inteligente e eficaz, mas tudo depende da pessoa bem aplicá-lo. Se ela aplica-o bem poderá alcançar o seu objetivo de entrar em um relacionamento ou, se preferir, pode permanecer com os seus pretendentes até quando ela julgar viável. E estas são justamente as consequências da aplicação deste método: se bem aplicá-lo as consequências serão boas para a pessoa que aplica; por outro lado, se não aplicá-lo de maneira efetiva as consequências podem ser bastante negativas. Tudo é uma questão de inteligência.

E o apego a moralidade pode nos privar de conseguirmos o que queremos e muitas outras coisas, não que a moralidade não seja algo bom, mas que os meios para alcançarmos os nossos objetivos não precisam ser determinados unica e exclusivamente por vias consideradas moralmente corretas (pelos outros).

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(Anderson Yankee)

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