TEORIAS SOBRE A MENTE: FUNCIONALISMO E REDUCIONISMO (PARTE 3)

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FUNCIONALISMO E REDUCIONISMO

Para pensarmos na teoria funcionalista levando em consideração o reducionismo temos que lembrar principalmente de um ponto que foi citado anteriormente neste texto: não é uma preocupação da teoria funcionalista questões sobre a origem da mente, o que é a mente, como ela funciona, qual a relação dela com o corpo ou se ela se resume a reações químicas no cérebro ou não. Questões como essas são ignoradas pelo funcionalismo justamente por não precisarem ser tocadas, pois o objeto dos funcionalistas é a função. Deste modo, não poderemos considerar como uma questão da teoria funcionalista se os fenômenos mentais são redutíveis ou não redutíveis a fenômenos físicos ou, em outras palavras, se a mente é redutível ou não ao corpo. Pois no estudo da função, como já foi dito, descarta-se qualquer preocupação com o quesito “origem da mente”, pois a função é algo que se explica basicamente através de uma relação de input e output, algo que está no âmbito do comportamento, o que já está para além das questões ignoradas pelo funcionalismo. Ora, mas as funções, como também foi citado no texto, se manifestam em um mecanismo físico, então não seria certo dizer que a teoria funcionalista reduz os fenômenos mentais a fenômenos físicos, assumindo que essa “mente” seria puramente física? Não necessariamente. De certo as funções se manifestam em um mecanismo físico, no entanto assumir que tudo se reduz ao físico não é certo. Resta-nos simplesmente entender este questionamento como um pseudoquestionamento, pois mesmo que haja por parte de pesquisadores uma comprovação de que os fenômenos mentais são fenômenos físicos ou que se prove que mente e corpo são duas substâncias distintas, isso de maneira nenhuma desconcertará um funcionalista, pois a composição do sistema em que a função se manifesta não é um elemento importante dentro da sua teoria. Assim, de acordo com estas considerações não podemos classificar a teoria funcionalista como reducionista ou não reducionista, simplesmente ela está para além destas questões.
Por outro lado, podemos dizer que a teoria funcionalista é reducionista se a considerarmos de outro ponto de vista. É importante destacar que ela não digo que ela é reducionista no mesmo sentido que outras teorias sobre a mente que, como foi citado acima, reduzem todos os eventos mentais a eventos físicos, ou seja, estas determinam que tudo que acontece em nós e que entendemos como operações e estados da mente sejam na verdade somente reações químicas que ocorrem no nosso cérebro, eventos físicos e nada mais. O funcionalismo é reducionista no sentido de que esta teoria procura reduzir a linguagem mentalista, que se mostra ambígua, a termos não mentalistas para explicar as operações e eventos mentais, relações de input e output.
A teoria funcionalista da mente tenta explicar os estados e relações mentais com um vocabulário que elimina termos mentalistas. Isto é, a linguagem que esta teoria emprega é desvinculada da linguagem que dá nomes para os estados mentais bem como ocorre na psicologia popular. O que o Funcionalismo pretende é traduzir os termos mentais em relações de descrições definidas. O meio para os funcionalistas efetivar esta empreitada – de descrever estados mentais evitando termos mentalistas – foi encontrado na técnica de Frank Ramsey chamada “frase de Ramsey”. Esta técnica, basicamente, consiste em descrever relações entre estados mentais e caracterizar inputs e outputs com expressões que evitem caracterizar o estado mentalmente, assim como realiza o trabalho de substituir os termos mentais por variáveis e prefixá-las com o que na lógica chamamos de quantificador existencial.

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~X~

(Anderson Yankee)

Uma resposta em “TEORIAS SOBRE A MENTE: FUNCIONALISMO E REDUCIONISMO (PARTE 3)

  1. É uma maneira racional de iniciar um exercício começando as explicações com os elementos observados, ao invés de trazer outros elementos externos. Os mesmos elementos podem ser úteis a diversas teorias que se opõem em sua finalidade, mas para a compreensão da demonstração, devem ser colocadas. É necessário evocar esta clausula qualquer que seja a teoria empregada.

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