COMO VIVER UM RELACIONAMENTO BASEADO EM FREUD: AS PESSOAS GOSTAM DO QUE NÃO TEM.

freud

______________________

Freud já dizia, “o homem é um ser de falta”. Isso quer dizer que, por natureza, o homem sempre estará querendo alguma coisa, e obviamente ele estará querendo algo que não possui. Esta falta move o homem na busca de coisas para si, coisas das mais variadas. Ele vai em busca destas coisas que ele quer e logo que consegue ele se satisfaz e logo um novo desejo substitui aquele que estava em evidência. Ou seja, quando ele consegue o que quer passa a querer outra coisa e assim por diante.
Certa vez presenciei alguém citar a frase “as pessoas só gostam do que não tem” em uma conversa relacionada a relacionamentos amorosos. Mais especificamente ela dizia isto com um tom de revolta por não estar recebendo atenção do seu companheiro, então iria se basear na ideia desta frase para chamar a atenção do seu companheiro. Neste caso, ela iria agir com indiferença, sem dar atenção ao companheiro para que ele fosse afetado pela falta e fosse em busca dela e dar mais atenção em um nível que ela julgava merecer.
Bem, a ideia da pessoa no caso citado acima tem bases lógicas se considerarmos a tese de Freud. No entanto, se olharmos de ponto de vista moral essa atitude não se mostra tão correta. Além disso, se olharmos de um ponto de vista que considera um relacionamento conjugal em si essa atitude até se mostra incorreta, pois o sentido de um relacionamento é unir os cônjuges, um fazer bem ao outro, etc. Ora, a atitude da pessoa citada no caso acima não parece estar de acordo com essa ideia. Pessoalmente, quando ouvi tal comentário dessa pessoa eu repudiei tal ideia, pois estava condicionado a enxergar este caso do ponto de vista do sentido do relacionamento conjugal, então achei que aquilo era algo insensato, que não seria adequado a um relacionamento, e muito menos adequado para se conseguir o que era pretendido por essa pessoa, que era justamente estar bem com o seu companheiro. Pensei: como é possível conseguir ficar bem em um relacionamento com outra pessoas sendo indiferente a ela, não dando atenção, deixando a de lado? Isso de maneira nenhuma me parecia seria a atitude correta, mas exatamente o contrário.
Algum tempo depois repensei o caso. Atualmente para ser mais específico, pensei bastante neste caso procurando me abster de qualquer preconceito e deixando de lado qualquer moralidade. A conclusão que cheguei foi que a minha primeira posição a respeito desta ideia foi equivocada e que além de base lógica levando em conta a tese de Freud sobre a natureza humana esta ideia pode sim atender ao propósito que a pessoa que citei pretendia. Ou seja, com esta ideia é possível sim ficar bem com o seu companheiro (a) dentro da relação, mesmo que as atitudes a serem tomadas sejam contraditórias ao sentido do relacionamento conjugal. Isto é possível por que estamos lidando com a natureza humana. Observe:
O primeiro ponto é: A ideia está de acordo com a tese de Freud de que o homem é um ser de falta, sendo assim ele busca aquilo que não tem. Certo, o caso citado a pessoa está de um certo modo se abstendo da “posse” do outro para que ele caia em si deste fato e a procure no intuito de tê-la outra vez. Ou seja, a pessoa está se afastando para que o outro sinta justamente esta falta de que Freud fala e busque satisfazer o seu desejo indo atrás da pessoa – a que está agindo com indiferença. Percebemos que, como já foi dito, há uma lógica nesta ideia que nos dá a impressão de que a mesma é viável, que pode funcionar efetivamente.
Esta tese popular, que parafraseia a de Freud, a de que as pessoas gostam do que não têm implica outra tese: “dar ao outro o sentimento da posse efetiva o faz não dar um valor muito grande ou até o faz perder qualquer desejo sobre isso que ele tem”. A ideia pode não ter ficado muito clara, mas vejamos: Se por um lado as pessoas querem o que não possuem, por outro lado aquilo que elas já possuem não desperta para elas um interesse tão grande. Ora, vimos que quando o indivíduo conquista aquilo que ele tanto almejava aquilo perde o sentido para ele e, em contrapartida, ele passa a desejar outra coisa – Isto é que torna a vida emocionante. Isso reforça mais a nossa crença de que a atitude da pessoa do caso citado acima estava correta. O que ela fez foi justamente dar a entender ao seu companheiro que ele não tinha a “posse” completa dela para ele ir em busca desta posse efetiva.
Mas surge uma questão a partir destas considerações: Se não é viável passar para o outro a ideia de que ele tem a posse completa de nós, tendo assim que deixar nossos companheiros com a ideia de que não nos tem incondicionalmente, como fazer isso? Afinal, teremos que ser diariamente indiferentes e não dar atenção para que o outro sempre esteja afim de nos conquistar efetivamente? Essa é a questão importante. Bom, primeiramente garanto que viver sempre numa posição de indiferença para com o outro não é de maneira nenhuma a melhor forma de se viver em um relacionamento. Com essa atitude passamos a efetivamente desprezar a pessoa e isso a fará mal e consequentemente fará mal ao relacionamento, colocando assim você mesmo no risco de perder o seu companheiro com o possível fim do relacionamento. Mas então o que fazer? Imaginemos a atitude de agirmos sempre de maneira indiferente, ou seja, a atitude de desprezar o outro como um pólo de comportamento que tem como pólo oposto a atitude de se entregar por inteiro incondicionalmente, ou seja, viver em prol efetivamente do outro. Estes são dois pólos de comportamento que prejudicam um relacionamento, pois de um lado você anula o outro dentro da relação com o desprezo que dá e, por outro lado você se anula vivendo em virtude do outro. Nada disso é sadio para um relacionamento,mas se nos comportamos de maneira equilibrada entre estes dois pólos isso será viável para a relação. Andar neste ponto de equilíbrio é um sinal de sensatez, pois você nem se anula e nem anula o outro; e se o outro age assim também haverá duas pessoas no mesmo patamar dentro da relação, será uma relação entre iguais, ninguém é mais que ninguém. Creio que é desta maneira que temos que nos comportar para não passarmos para o outro a ideia de que somos dele efetivamente, não fazendo assim o interesse dele decair, e nem o desprezamos fazendo mal a ele.
Além disso, não iríamos também querer que o outro esteja sempre afim de nos conquistar, pois será exatamente nós que entraremos no tédio de já termos tudo o que queremos. Pois, essas tese da natureza humana exposta por Freud não vale somente para os outros, ela vale para nós também, pois somos humanos. Então, para o bem de uma relação é importante que o outro também não seja completamente nosso, pois isso irá nos levar ao tédio, irá nos fazer perder o interesse no outro. Na verdade, o que todo mundo quer é um bom desafio para se entreter, elas querem ter o gostinho da conquista, a alegria (mesmo que inconsciente) de ter conseguido o que queria, de ter alcançado o seu objetivo. Assim, estabelece-se que uma boa forma de viver um relacionamento é criar desafios no dia a dia, é viver o relacionamento como um joguinho. Isso é o que dá emoção ao relacionamento.

Fazendo um resumo e falando de uma maneira popular, as pessoas se sentem atraídas por aquilo que elas não tem e muitas vezes querem só pelo prazer de ter, não necessariamente por que gostam ou precisam daquilo que buscavam. Quando elas obtém o que queriam muitas vezes deixam de lado por aquilo não interessar mais, pois elas já tem aquilo, recaem no tédio. Ademais, puxando para o assunto do relacionamento, quando uma pessoa sente que a outra está totalmente entregue ou a pessoa é muito submissa, muito dada o outro – em muitos casos – tende a não ter interesse por essa pessoa, pois ele não vê necessidade de dar atenção, já que tem o outro incondicionalmente, em alguns casos o outro chega a “pisar” mesmo a pessoa que é submissa. É como a relação do senhor com o escravo, o senhor não precisava dar atenção ao escravo, não precisava tratar ele bem, pois o escravo pertencia ao senhor incondicionalmente.

___________________________

~X~

(Anderson Yankee)

3 respostas em “COMO VIVER UM RELACIONAMENTO BASEADO EM FREUD: AS PESSOAS GOSTAM DO QUE NÃO TEM.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s