TEORIAS SOBRE A MENTE: DUALISMO, TEORIA DA IDENTIDADE E BEHAVIORISMO [TEXTO BÁSICO – PARTE 1]

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Historicamente, diversos grandes pensadores se defrontaram com um problema bastante comum de ser tratado até mesmo no âmbito do senso comum, que é problema de como funciona a nossa mente, o que há de tão maravilhoso no nosso ser que nos faz sermos o que somos, dotados de inteligência, pensamento, razão, enfim, isso que nos faz sermos o que somos e sabermos que somos. Desde os primórdios da Filosofia na Grécia Antiga ouvimos falar sobre a razão e paixões com os filósofos clássicos – Platão, Sócrates, Aristóteles, entre outros – sendo estes dois elementos propriedades da nossa mente. Ouvimos também comumente os filósofos falarem de alma na idade média e até antes mesmo como pneuma, que seria também algo que se identifica como o que seja a nossa mente, ou o que nos possibilitaria ter uma mente. E já em um período mais próximo da atualidade constatamos que existem diversos estudos mais específicos visando esclarecer o funcionamento questões epistemológicas disso que chamamos de mente, levando em consideração principalmente resultados obtidos na verificação empírica. Podemos destacar alguns dos conjuntos teóricos mais relevantes que especulam neste sentido: (1) dualismo (2) teoria da identidade (3) behaviorismo (4) Funcionalismo, entre outros.
De certo, há outras teorias sobre o funcionamento da mente de grande relevância na comunidade científica. No entanto, escolho citar estas quatro teorias (dualismo, teoria da identidade, behaviorismo e funcionalismo) para atingir o objetivo real deste texto, que é focar na Teoria Funcionalista da Mente. Então o tratamento que será dado ao dualismo, teoria da identidade e behaviorismo será superficial, tendo em vista apenas fazer uma descrição rápida dos mesmos para posteriormente se fazer uma relação do Funcionalismo com estas, já que este apresenta algumas aproximações com algumas das teorias que serão citadas, assim como um distanciamento com relação a outras.
1. Dualismo. Basicamente, a ideia predominante na teoria dualista é que a mente representa uma substância em si, diferente da substancia corporal. Esta substancia da mente é uma substancia abstrata, não-física, imaterial. Por outro lado, a substancia corporal é física, material, concreta. É o que René Descartes chamou de res extensa e res cogitans, na sua obra “Meditações”. Estas duas substancias juntas formam um homem, por exemplo. De acordo com esta concepção os estados mentais são propriedades da mente (substancia mental) e os estados físicos são próprios do corpo (substancia física). Apesar destas duas substancias estarem separadas elas estão conectadas de algum modo.
2. Teoria da Identidade. Também conhecida como Materialismo Reducionista, é uma das mais simples teorias da mente. Sua ideia básica é de que os estados mentais correspondem, ou melhor, são em si estados físicos. Esta teoria trabalha através da redução interteórica, que basicamente consiste em explicar uma concepção antiga de algo com novos termos, digamos até que com termos mais complexos, mais definidos. Este processo é aplicado aos conceitos mentais da psicologia popular ou do senso comum. Por exemplo, a alegria seria somente algum fenômeno que estaria acontecendo no nosso cérebro, assim se estabelece a identidade entre estado mental e estado físico; Se estes dois eventos ocorrem ao mesmo tempo, não trata-se de dois eventos, mas sim de apenas um – um evento cerebral.
3. Behaviorismo. A priori, o Behaviorismo rejeita o dualismo. Os behavioristas consideram a problema dualista como um pseudoproblema, do mesmo modo ignoram tratar especificamente de emoções, desejos, sensações nestes termos. Isto por que a preocupação dos behavioristas está situada nos padrões de comportamento, potenciais ou reais. Em linhas gerais, o projeto dos behavioristas consiste em reduzir a linguagem que era usada no dualismo (tomando-o como exemplo) a uma linguagem que descrevesse um comportamento observável em determinadas circunstâncias; Como uma paráfrase, sempre conservando o mesmo sentido do estado mental que está envolvido. Os behavioristas entendiam que falar sobre a mente é o mesmo que falar sobre capacidades e disposições de uma pessoa. Basicamente, a estrutura desta teoria provém do método de observação do comportamento, onde se abstrai certos padrões, as disposições. É visto também que esta teoria tende a ser compatível com uma concepção materialista do ser humano, pois apesar de tratar como pseudoproblema a relação mente/cérebro, ela fixa nos objetos materiais as propriedades disposicionais.

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(Anderson Yankee)

Uma resposta em “TEORIAS SOBRE A MENTE: DUALISMO, TEORIA DA IDENTIDADE E BEHAVIORISMO [TEXTO BÁSICO – PARTE 1]

  1. Outro argumento muito popular a favor do Behaviorismo é a idéia de que estados internos não provêm explicações para comportamentos externos por eles mesmos serem comportamentos. Explicar o comportamento animal exigiria uma apresentação do problema em termos diferentes do conceito sendo apresentado (isto é, comportamento). Para um comportamentalista (especialmente um comportamentalista radical), estados mentais são, em si, comportamentos, de modo que utilizá-los como estímulos resultaria em uma referência circular. Para o behaviorista, estados internos só seriam válidos como comportamentos a serem explicados; uma teoria que seguisse tal princípio, porém, seria comportamentalista.

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