A HISTÓRIA DE UMA VERDADE CONFUSA (A MENTIRA)

mensagem-celular-09g

~:::~

Já tinha virado rotina o que acontecia entre este garoto e esta garota, todas as noites eles se falavam no telefone, às vezes até por horas. Eles estavam apenas se conhecendo e tinham muito assunto para conversar, muitas vezes coisas que nem interessava a eles. Bom, na verdade estas coisas até interessavam à garota, na verdade nem interessava à garota, o que interessava mesmo para ela era estar conversando com o garoto. Já o garoto, por sua vez não demonstrava muito interesse com relação ao assunto e à própria garota, mas ele atendia e conversava com ela por educação.
O tempo foi passando e eles continuavam conversando todas as noites. Mais tempo passou e as conversas foram se tornando menos comuns, eles já não conversavam todas as noites. A garota continuava gostando do garoto, apesar de nunca ter dito a ele. Em algumas noites ela ligava, em outras ela esperava a ligação do garoto – que retribuía as ligações algumas vezes. Nas noites que a garota não ligava ela ficava a pensar que talvez se ele ligasse era por que tinha sentimentos por ela. Quando ele ligava ela ficava feliz, quando ele não ligava (maioria das vezes) ela se questionava a respeito do garoto, se ele sentia algo por ela, se estava realmente acontecendo alguma coisa entre eles ali ou somente era o caso de uma bela amizade. Ela continuava ligando na esperança de em alguma dessas ligações ter uma resposta sobre o que acontecia ali.

Certa noite ela ligou e eles não conversaram por muito tempo.
– Oie, boa noite.
– Oi, boa noite. Bem na hora hein.
– Pois é, tudo bem com você?
– Tudo bem. E com você, tudo tranquilo?
– Tudo sim. E então, fez o quê hoje?
– Hm, o de sempre, trabalho, estudos, blá, blá, blá, cê sabe.
– Ah, imaginei. Meu dia foi tão…
– Olha, vou ter que desligar, estou com tanta coisa pra estudar, tenho prova amanhã e o meu professor é o “cão”, tenho que tirar uma nota boa nessa prova, senão estarei ferrado.
– Ah, tudo bem. Depois conversamos, então.
– Conversamos sim. Até mais, então.
– Até mais, bons estudos e arraze lá na prova.
– Rs, tentarei, beijo.
– Beijo, tchau.

No dia seguinte ela esperou, mas o garoto não ligou. Quem ligou mais cedo foi uma amiga sua a chamando para ir ao cinema. Ela disse que não queria ir, pois tinha uma leitura para fazer e precisava também fazer umas pesquisas.

– Aff, por que você não fez isso ontem? Foi pra balada e nem me chamou…
– Ah, queria eu ter ido para a balada ou coisa assim. Estava em casa mesmo, fiquei até de madrugada na internet fazendo besteiras, estava sem cabeça pra estudar nada. meio que aindo estou, mas não tem jeito, tenho que fazer essas coisas.
– Nossa que chato. Mas por falar em balada, os garotos foram ontem para aquele bar ontem, tocou aquela banda que a gente gosta lá. Bem que poderiam ter chamado a gente.

Isso foi o bastante para a garota. No outro dia ela ligou para o garoto que ela conversava a noite por telefone, o mesmo garoto pelo qual ela tinha sentimentos e tinha acabado de mentir para ela no último sábado a noite, com a história de que iria estudar, quando na verdade saiu com os amigos.

– Por que você mentiu para mim no sábado a noite?
– Você soube? Bom, eu estava estudando, mas aí os garotos ligaram e eu resolvi ir, vi que não valia a pena me estressar por causa de uma prova.
– Isso é mentira também. Sabe… que falta de consideração, seria bem mais fácil ter dito que não queria mais conversar comigo, pois tinha que se arrumar para sair… bem mais fácil.
– Aff, mas que drama. E por que a lição de moral? Você é minha amiga, não minha namorada, não minha mãe… nada a ver essa sua atitude.
– Quer saber, você tem razão. Mas eu não imaginava que você fosse desse jeito, inventar uma mentira sem sentido, nem precisava isso, você tem razão, eu não sou sua namorada, não sou sua mãe, você não estava fazendo nada de errado… Só queria entender o por quê de você inventar essa história, por quê mentir?
– Não sei, eu só…
– Txau!

Somente depois de um tempo o garoto percebeu que sua atitude negativa tinha uma finalidade positiva. O motivo da mentira era por que ele gostava da garota. No fundo, ele achava que se dissesse que iria sair com os amigos a garota iria lhe ver de uma forma negativa, como um homem de baladas, ou ela poderia imaginar que ele conheceria outra garota por lá. No fundo, o sentido da mentira era preservar a imagem que ela tinha dele, pois aquilo era de suma importância para ele.
Agora fazia sentido para o garoto o fato de ele olhar tanto para o celular durante a noite, ele via que apesar de não demonstrar/sentir grande interesse pelas conversas que tinha com a garota ele sempre esperava as suas ligações a noite; Ele via o quanto aquilo lhe fazia bem, a ponto de ele nunca interromper as conversas com a garota, o que fazia com que estas conversas durassem horas e horas.
Dentro daquele garoto havia um turbilhão de emoções confusas. Neste contexto, mais cedo ou mais tarde esta confusão iria se transformar em uma ideia clara, ele iria descobrir o quanto gostava dela e aí exteriorizaria seus sentimentos.

____________________________

~X~ 

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

3 respostas em “A HISTÓRIA DE UMA VERDADE CONFUSA (A MENTIRA)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s