A HISTÓRIA DO ÔNIBUS DA FACULDADE

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Este rapaz estava sentado no ponto de ônibus quando já estava anoitecendo, estava suspirando de tédio a esperar o ônibus de sempre para ir para a faculdade, o qual demorava bastante a passar. Não era um dia muito bom para ele, pois estava nublado – quase chuviscando – e ele se sentia meio para baixo (deprimido) quando o tempo estava deste jeito. Ele esperava o ônibus e seu corpo só expressava impaciência; batia o pé, mudava o lado que segurava a bolsa e mudava outra vez, cruzava os braços, descruzava, colocava as mãos no bolso, olhava para um lado e para o outro.
– Enfim meu querido ônibus! Falou ele sarcasticamente. Caramba, será que dá para entrar?
Ele estava ali em frente a porta do ônibus se perguntando se teria coragem de enfrentar aquela situação: ônibus lotado depois de ter demorado muito, ele totalmente cansado e meio deprimido por causa do tempo – parecia o destino lhe dizendo, vai para casa descansar, jantar com calma, assistir um filme ou ler o livro que você ainda não terminou. Mas de repente ele resolveu entrar no ônibus, estava totalmente decidido a entrar. E entrou e seguiu viajem.
Nossa, aquele ônibus estava realmente cheio, mas ele já sabia que lá no fundo deveria ter mais espaço para ele pelo menos não ficar totalmente apertado.
– Você poderia ir mais para frente? Tem mais espaço lá atrás. Disse uma mulher atrás dele.
– Ok!
Ele foi até o fundo do ônibus, onde realmente havia mais espaço. Ele enfim pôde respirar tranquilo, pois a situação era tão desconfortável a ponto até o ar ficar escasso naquele “aperto humano”.
– Nossa, que aventura que foi atravessar esse ônibus da entrada até aqui no fundo. Ainda bem que você estava na frente abrindo o caminho! Falou aquela mulher que estava atrás dele, que era na verdade, aos olhos dele, a imagem da doçura. Ela era uma moça jovem, branca, pele delicada, cabelos castanhos na altura dos ombros, de altura mediana, nem tão magra, mas nem um pouco gorda. Usava um batom rosa, uma maquiagem que lhe dava um tom de naturalidade, leveza.
– Ah sim, por nada! Disse ele meio que sem saber o que dizer.
Ela sorriu e ele sentiu como se tudo aquilo que ele tinha reparado tivesse se multiplicado e ela tivesse ficado, inexplicavelmente, exponencialmente mais linda.
– Está indo para a faculdade também? Perguntou ela.
– Sim, sim, estou.
– Faz qual curso?
– Faço o curso “C”.
– Mas já trabalha na área?
– Sim, já, há algum tempo. Respondeu ele pensando no quanto ela era espontânea e pensando que pelo que se vê costumeiramente esta última pergunta dela foi feita pulando algumas outras perguntas, ou seja, não era muito comum se fazer esta pergunta tão cedo.
– E você, faz qual curso? Perguntou ele.
– Faço o curso “R”.
– Ah, legal. Eu fiz vestibular ano passado (mania de fazer vestibular todo ano) e fui aprovado para o curso “R”, mas resolvi não cursar.
– Que bom, mas você está em qual período no curso “C”?
– No último período.
– Ah, entendi, não seria muito interessante largar o curso no último período. Meu namorado também foi aprovado para o curs… blá, blá, blá, blá… (O rapaz só ouviu até a palavra NAMORADO).
Frustrado ele respondeu com um sorrisinho forçado: – Ah, é, realmente! (Ele nem sabia o que ela tinha falado, apenas concordou com não sabia o quê).
A conversa se desenrolou por um bom tempo dentro do ônibus, os dois já estavam mais relaxados, sentados. Falavam sobre vida profissional e acadêmica. Foi aí que que ela contou que já tinha cursado três cursos diferentes, mas nunca terminado nenhum, e todos em faculdades diferentes. Ela disse que cursou “E”, que lida em alguma parte do curso com cadáveres.
– Ah, eu não cursaria “E”, pois na hora que eu estivesse vendo o cadáver ou até mesmo só o sangue do cadáver eu iria precisar de um médico. Disse ele, ao passo que se perguntava por que tinha dito tamanha idiotice.
– Ah, mas o cadáver é bem antigo e nem parece mesmo um cadáver, digo, não é medonho ou coisa assim, é tranquilo. Bom, eu só evitei olhar para o rosto dele. Disse a moça com a espontaneidade de sempre.
– A minha namorada cursa “F” e ela mexe com coisas desse tipo também, tipo, não com o cadáver inteiro mas… blá, blá, blá, blá… (Que loucura eu estou fazendo aqui? Eu não tenho namorada e porquê eu continuo falando coisas idiotas sobre mim? Oooooh Deus!)
– Hm, sei. Ela também estuda na faculdade?
– Não, esta estuda na faculdade 2.
A partir deste ponto a espontaneidade da garota entrou em baixa, ela ficou mais quieta, não puxou mais assunto como estava fazendo anteriormente. Eles ficaram calados por alguns minutos, depois falaram sobre coisas aleatórias. Chegaram na faculdade. Ele levantou primeiro para descer e meio que desanimado foi despedindo-se dela. Ela ainda sentada se despediu dele, até que:
– Ah, eu desço no próximo ponto também, tenho que ir na biblioteca! Disse ela e foi se levantando. Ao levantar, o ônibus freou e ela, que segurava com uma das mãos a sua jaqueta e seu caderno, não conseguiu segurar no corrimão com somente uma das mãos. Por sorte ele ainda estava ali próximo a ela por ter bastante gente descendo naquele ponto, então ele pôde segurar a moça. No momento da freada ele foi impulsionada para frente, na direção dele. Ele não só segurou ela, ele a abraçou. Ela fez cara de espantada, ao passo que olhava para o boca dele e seu lábios automaticamente foram de encontro aos dele. Eles se beijaram, desceram do ônibus e continuaram se beijando por alguns minutos.
– Não isso é errado, não devia estar acontecendo, é loucura, pára.
– Não é louc…
– Pára! T-txau. Disse ela com uma expressão quase que de dor, e foi embora, sumindo entre as pessoas que andavam por ali.
Ele ficou ali parado por algum tempo, viu ela desaparecer entre as pessoas e nunca mais aparecer. Nunca mais a viu, nem na faculdade, nem no ponto de ônibus, muito menos no ônibus. Mas ele pensava em toda essa situação quando pegava aquele ônibus. Ele, por algum motivo inexplicável, sabia que quando ela deu um leve chute no seu tornozelo, colocou a mão no seu ombro e pediu desculpas com aquele sorriso que ele nunca tinha visto tão lindo ele deveria entrar naquele ônibus. Ele só não sabia qual o motivo inexplicável de ele nunca mais ter visto aquele sorriso; Será que essa só foi mais uma faculdade?

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~X~

(Anderson Yankee)

Uma resposta em “A HISTÓRIA DO ÔNIBUS DA FACULDADE

  1. Tenho 14 anos. No meu curso tem um garoto que eu gosto, mas eu não sei se ele gosta de mim também. Ele é um ano mais velho que eu. Nós até somos amigos, mas só nos encontramos quando vamos para o curso. Um dia eu estava chegando e ele estava esperando a aula começar mexendo no computador do curso, como ele sempre faz. Ai ele me viu chegar e sorriu para mim. Será que isto é um sinal de que ele gosta de mim? Como faço para saber? Eu tenho medo de dizer pra ele, não ser correspondida e isso estragar nossa amizade. Por favor, me ajudem.

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