INTRODUÇÃO A UMA RELAÇÃO ENTRE PLATÃO E WITTGENSTEIN NO ÂMBITO DA FILOSOFIA DA LINGUAGEM

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No âmbito da Filosofia da Linguagem é comum levantar questionamentos e afirmações a respeito do papel dos NOMES na nossa linguagem. Por nomes deve-se entender nomes próprios, nomes de classes de objetos. A maioria destes questionamentos giram em torno de um ponto que também é mister dentro da Filosofia da Linguagem, que é o ponto do significado. Neste sentido, a pergunta acerca do que os nomes significam ou se eles podem significar algo é essencial neste âmbito, prova disso é que inúmeros filósofos envolvidos no estudo da Linguagem filosoficamente trabalham esses questionamentos em suas obras. Grandes filósofos, pensadores que adentraram nas questões da Filosofia da Linguagem como Frege, Wittgenstein e Russell especularam a respeito do papel dos nomes na linguagem, estes são filósofos de um período já mais próximo a contemporaneidade, mas por que não citar também um filósofo da Grécia antiga, o célebre Platão que em seu diálogo intitulado “Crátilo” trata também de questões a respeito da linguagem, inclusive encontramos também um certo tratamento por parte deste filósofo a questão do papel dos nomes.
De certo, o Crátilo – diálogo de Platão – é uma obra que podemos afirmar que é “jovem” no âmbito da Filosofia da Linguagem, no sentido de que ela não é uma obra que trata a fundo as questões que são levantadas dentro da própria obra, prova disso é que existem inclusive questões que ficam em aberto ao fim da obra. Neste sentido, esta obra apresenta mais uma característica de ser levantadora de questionamentos para a posterioridade. No entanto, estas características do Crátilo não podem de maneira alguma ser consideradas como motivo para desmerecer tal obra, mas pelo contrário, são justamente estas características que tornam esta obra especial, pois o trabalho contido nela, apesar de ser de caráter propedêutico (se podemos assim dizer) com relação às questões sobre a linguagem, pode ser considerado de alta importância por estar inaugurando diversos questionamentos que serão tratados mais tarde, inclusive pelo filósofos mais atuais, bem como os que foram supracitados.
Um dos filósofos atuais que tratam da linguagem filosoficamente mais importantes que podemos citar é Wittgenstein, autor de duas obras fantásticas sobre Filosofia da Linguagem, o Tratactus logico-philosophicus (1921), o qual publicou em vida e Investigações Filosóficas (1953) publicada postumamente; Wittgenstein também publicou outras obras, grande parte delas postumamente, mas estas duas são reconhecidas como suas obras essenciais. Nestas obras o filósofo aborda questões comuns do âmbito da linguagem com um tratamento extremamente elaborado, o que era de se esperar de quem chegou a estudar com alguém como Russell, outro importante filósofo da área da linguagem. Wittgenstein trata a linguagem de tal forma que se fizéssemos uma comparação colocando lado a lado o que Platão desenvolveu a respeito da linguagem no Crátilo – obra de aproximadamente século V a.C., que inaugura inúmeros questionamentos a respeito da linguagem – e o que Wittgenstein desenvolveu a respeito da linguagem nas suas obras mais essenciais, poderíamos dizer que o trabalho de Platão representaria a infância/juventude da Filosofia da linguagem e o trabalho de Wittgenstein representaria a fase adulta, já muito madura da Filosofia da linguagem. Analogias a parte, o que se pretende deixar claro aqui é que de Platão à Wittgenstein as questões a respeito da linguagem ganharam uma atenção especial que possibilitou o desenvolvimento de uma forma de pensamento bastante elaborado e mais complexo. Isto é, a Filosofia da linguagem ganhou uma dimensão enorme, mais sistematização e condições para resolver as suas problemáticas.
Do mesmo modo, a problemática a respeito do papel dos nomes se desenvolveu bastante. Podemos observar isso fazendo uma relação entre o próprio Crátilo e o que foi produzido por Wittgenstein a respeito destas questões. Obviamente fazer esta comparação parece ser até algo injusto, pois é de se imaginar que ela sempre apontará para as falhas que podemos encontrar na obra de Platão, afinal ela é uma obra que, como foi colocado na analogia supracitada, é infantil se comparada aos filósofos posteriores como o próprio Wittgenstein, no entanto o objetivo deste trabalho e mostrar como a questão do papel dos nomes se desenvolveu de um filósofo (Platão) para o outro (Wittgenstein). De certo, seria totalmente injusto querer formar um juízo de valor a partir desta comparação, cada filósofo tem seu mérito e o de um não é de maneira nenhuma “mais” que o do outro, afinal as condições materiais para a produção de cada trabalho eram totalmente diferentes, atualmente há melhores condições para se conhecer o mundo do que a séculos a.C.. Então, concentremo-nos no que importa o salto qualitativo do pensamento a respeito do papel dos nomes na linguagem.

[CONTINUA…]

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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