O PERIGO POR TRÁS DOS PENSAMENTOS (NÃO SE DEVE JULGAR NINGUÉM)

silencio

Os pensamentos são perigosos. Parece estranho dizer isso, já que pensar é uma coisa tão simples, nós pensamos o tempo todo, não paramos de pensar… Imagina isso ser algo perigoso! Mas no fundo isso é muito sério, os pensamentos podem causar tremendas coisas negativas, incomensuráveis confusões.
Nós podemos ter diversos tipos de pensamentos, os felizes, tristes, miraculosos, calculistas, positivos, negativos, construtivos, destrutivos… Cada pensamento tem lá sua peculiaridade, mas todos eles apresentam uma característica em comum, todos são pensamentos; Isso é meio óbvio, ora. Mas o que eu quero dizer, na verdade, é que pensamentos não passam de pensamentos, uma coisa até simplória, uma coisa imaterial, essas imagens da nossa mente. Por outro lado, os pensamentos não são, por exemplo, como os fatos, que são por si próprios constatáveis, concretos.
Nós, humanos, animais racionais, pensamos e isso nos possibilita fazermos algo fantástico que se chama “julgar das coisas”, e por coisas devemos entender objetos e pessoas, tudo que existe. O ato de julgar – formar juízos – é o mesmo que formar uma opinião (falo de juízos de valor). Nós vivemos formando opinião sobre tudo, desde comidas, roupas, programas de TV, lugares até ações das pessoas… Até mesmo sobre o que nunca vimos na vida. Formar juízos sobre coisas é algo normal, simples, mas quando as pessoas resolvem formar juízos sobre outras pessoas… É problema!
Toda opinião possui um caráter duplo, pode ser verdadeira ou pode ser falsa. Ademais, as opiniões são múltiplas; é só observar que em alguns casos inúmeras pessoas expressam uma opinião diferente sobre uma mesma coisa. As opiniões são juízos pessoais, mas não a verdade, a verdade é única (ou estou errado e assumimos que o relativismo é o que predomina atualmente). Então refletimos um pouco sobre isso e vamos chegar a uma problemática: Qual a opinião verdadeira em meio a tantas opiniões? De certo, se formos procurar a verdade em meio a um mar de opiniões, “x” opiniões serão excluídas para que uma seja eleita a verdadeira. Meio complicado isso não é?
Opiniões equivocadas surgem quando somos levados a formar um juízo sobre algo ou alguém baseado nos dados imediatos, na aparência. Funciona assim: vê-se algo, pela experiência que possui o sujeito constata uma semelhança do fato presenciado com algum fato já vivido por ele, de imediato ele conclui que, por parecer com algo que ele já viveu aquilo que ele está vivenciando possui a mesma estrutura do fato já vivido, daí ele tira logo suas conclusões precipitadas. Em outras palavras, as pessoas formam opiniões equivocadas quando julga que tudo é de uma maneira determinada, quando estabelece relações de causa e feito necessárias precipitadamente. É típico de pessoas que agem desta maneira se julgarem os donos da verdade, conhecedores dos mistérios mais profundos da natureza, conhecedores das leis do universo, são pseudo-sábios, pseudo-inteligentes. Fica a pergunta, será que tudo é como julgamos ser? Será?
A cautela é essencial para que possamos lidar de maneira adequada com nossas opiniões preconceituosas e nossos julgamentos superficiais. Outra maneira de lidar com isso é pelo método de Descartes, o da dúvida metódica. Descartes ficou famoso no campo da Filosofia, dentre outros motivos, pela elaboração de um método para chegar a uma verdade segura, um conhecimento fundamentado, para isso ele sugeriu que desapegássemos dos nossos preconceitos, de todos mesmo, inclusive daqueles que depositamos mais credibilidade e questionássemos todos estes conhecimentos que possuímos para podemos verificar se eles possuem fundamento. Esse é um resumo básico, mas que dá para relacionarmos totalmente com a questão dos pensamentos que temos. A questão é, devemos a todo momentos procurar verificar se nossas opiniões possuem fundamento, se elas se representam um conhecimento seguro. Desta maneira, teremos opiniões legítimas. Isso é necessário pelo fato de o mundo ser bem como explicita o ditado popular “nem tudo o que parece é”.
Pois bem, os pensamentos podem ser perigosos principalmente para o indivíduo, no caso do pensamento relacionado a pesssoas que é pensado, aquele que é objeto do pensamento. Isto porque nem sempre os pensamentos permanecem na mente, muitas vees eufóricos eles fogem pela boca das pessoas. Aí só Deus, só ele para abençoar os bons pensamentos e ter misericórdia dos maus pensamentos. Os pensamentos possuem a capacidade de percorrer quilômetros, léguas, milhas em questão de minutos e até segundos. Eles também são tão poderosos a ponto de poderem se transformar em verdade, independentemente de serem falsos. Para isso eles contam com a ajuda das pessoas, muitas não estão preocupados com a realidade de um pensamento que foi propagado no meio social, para elas o que interessa é uma boa conversa, uma boa fofoca, aquele bom e velho “babado”. Um mal pensamento pode mesmo se propagar e virar verdade em detrimento simplesmente da divulgação, e quanto mais sensacionalista melhor, é o que as pessoas querem, assunto. E por isso os pensamentos podem destruir a vida de alguém, a vida justamente de quem foi objeto do pensamento, o sujeito que foi pensado. Uma falsa verdade pode vir a tirar a paz de alguém, acabar relacionamentos, formar uma imagem equivocada de alguém, acabar com a auto estima de um individuo. Agora imagina alguém passando por tudo isso na sua vida como consequência de uma mera opinião equivocada. É justo? Não mesmo. Mas o que importa aqui não é justiça, mas sim o sensacionalismo, o babado.
Todo mundo quer dar a sua opinião, falar de tudo o que vê ou ao menos pensar em tudo o que vê, no sentido de formar juízos. Bom, isso não é proibido, pelo contrário, deve-se fazer isso e é até inevitável, por ser algo inerente ao ser humano. Mas deve-se entender que sobre certas coisas é preciso cautela quando se forma juízos, é preciso filtrar bastante os dados recebidos para se ter uma opinião legítima. E ainda digo que, depois de formada, essa opinião não precisa ser expressada para o mundo, pois isso diz respeito a intimidade de outra pessoa, e isso não diz respeito a mais ninguém senão a própria pessoa. Sobre a intimidade, o que é pessoal ao outro não podemos ter plena certeza. Então fazemos como diz Wittgenstein (adaptando sua citação), “sobre aquilo de que não se pode falar (com plena certeza), deve-se calar”.

__________________________

~X~

(Anderson Yankee)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s