O QUE É UM RELACIONAMENTO AMOROSO: IMPLICAÇÕES E LIMITES

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O que é um relacionamento amoroso?

É muito simples, um relacionamento amoroso trata-se de uma relação íntima estabelecida entre duas pessoas, a qual é perpassada pelo amor. Mas o que é o amor? esta é questão para ouro texto, basta-nos saber que o amor é o sentimento de caráter positivo que une casais.
Bom, é muito simples entender o que é um relacionamento deste ponto de vista, mas é importante saber que conceituá-lo desta maneira não nos desvela o que é mais importante a saber dentro dos relacionamentos, que é justamente as implicações de estar em um relacionamento. Este é o ponto mais importante e que por muitas pessoas é ignorado ao entrar em um relacionamento, trata-se de saber o que decorre de tomar a atitude de entrar em um relacionamento, o que demanda das pessoas um relacionamento com relação ao comportamento.
Ora, eu amo alguém e sou correspondido, decido entrar em um relacionamento e, de fato, entro. Isto ainda não quer dizer que eu esteja em um relacionamento. Mas como assim? Um relacionamento não é uma relação intima entre duas pessoas que se amam? De fato é isso, mas este conceito não dá conta da complexidade de um relacionamento efetivo. Então, estabeleço aqui uma diferença entre “relacionamento conceitual” e “relacionamento efetivo”.
Essa é a questão colocada de início, o conceito de relacionamento não di realmente o que é um relacionamento, justamente por ele não explicitar as implicações que um relacionamento traz para os cônjuges (indivíduos do relacionamento). Um relacionamento não trata-se simplesmente de estar junto com alguém e amá-la, e ser correspondido, isto é um pré-requisito básico, é basicamente o que todo relacionamento precisa para ter início. No entanto, para além de simplesmente os cônjuges se amarem e estarem juntos, um relacionamento precisa se estabelecer em cima de certos princípios fundamentais que só serão entendidos se analisarmos o relacionamento como, antes de tudo, uma tendência, algo provindo de uma determinada atitude – analisaremos o relacionamento como atitude de relacionamento.
Partindo da ideia de que o relacionamento parte de uma atitude, a atitude do relacionamento, podemos chegar a determinadas conclusões essenciais:
1- Toda atitude traz consequências; Ao escolhermos algo seremos afetados pelas consequências do que escolhemos. Quando tomamos a atitude do relacionamento teremos que arcar com as consequências desta atitude, seja quais forem, positivas ou negativas.
2- Toda atitude equivale a uma afirmação; Quando tomamos a atitude do relacionamento afirmamos que queremos o relacionamento, e mais, esta afirmação é feita deliberadamente. Assim, assumir as consequências do relacionamento deve ser algo feito de maneira deliberada.
3- Toda afirmação é uma negação; Quando tomamos a atitude do relacionamento, afirmamos a aceitação do relacionamento de maneira deliberada e, ao mesmo tempo, negamos ao que é averso ao relacionamento, igualmente ao caso da afirmação, de maneira deliberada.
Estas são três conclusões essenciais para entendermos o que realmente é um relacionamento. De acordo com tais implicações um relacionamento implica antes de tudo tomar a atitude de entrar no relacionamento, esta atitude, por sua vez, trará conseqüências para o indivíduo que a toma. Estas consequências podem ser entendidas como a negação explicitada na implicação “3”. Deste modo, entrar em um relacionamento implica, basicamente duas coisas:
1- Afirmar o relacionamento (tomar a atitude do relacionamento).
2- Negar o que é averso ao relacionamento (aceitar as consequências da atitude do relacionamento).
Estas duas implicações são indissociáveis  bem como foi visto nas três primeiras implicações acima. E no fundo estas duas implicações são uma implicação somente, pois acontecem em um mesmo ato, ao mesmo tempo. Ou seja, ao passo que eu afirmo o relacionamento eu, automaticamente, nego o que é averso ao relacionamento.

ESCLARECIMENTOS

Mas será que alguém não poderia somente afirmar o relacionamento sem ter que negar o que é averso a ele? Será que alguém não poderia não aceitar as consequências do relacionamento e viver sua vida despreocupadamente?
Não, pois o pré-requisito básico para que um relacionamento se inicie é o amor, então em um relacionamento há amor. O amor, como já foi supracitado é um sentimento de caráter positivo que une casais. Ora, se o amor é um sentimento de caráter puramente positivo, o seu oposto só pode ser um sentimento de caráter puramente negativo. Quando eu afirmo o relacionamento, afirmo o amor. Quando eu nego o que é averso ao relacionamento, estou engando este sentimento oposto ao amor, ou seja, um sentimento negativo. Ora, somente afirmar um relacionamento e o amor e não negar o seu oposto equivale a também incluir o seu oposto na afirmação, logo, este tipo de relação não se enquadra dentro do conceito de relacionamento amoroso. Isto é, afirmar o amor e não negar o seu oposto tornará a relação entre os indivíduos uma relação diferente da relação amorosa.

Ora, mas mesmo assim não amor nesta relação? O que ela seria, então?

Existem relações onde se habita o amor e o seu oposto, mas esta, bem como já foi dito, não é uma relação amorosa, ou melhor, não é uma relação amorosa efetiva. De certo, existe amor dentro dela, mas também a algo que contradiz o amor, o que podemos chamar de ódio, desprezo, mágoa, etc.. A questão é, há amor, então a relação poderia receber o status de “amorosa”, mas pelo fato de haver na relação a presença de sentimentos opostos ao amor, ela receberá um nome distinto da relação que é efetivamente amorosa, ela se chamará “relação proto-amorosa”. Pois, este tipo de relação tem potencialidade para se tornar amorosa, digamos que ela seja uma relação amorosa mal desenvolvida ou semi-desenvolvida, assim este nome se mostra apropriado para a mesma.

O que é um comportamento averso ao amor e o que é um comportamento que afirma o amor?

A pergunta, de certo modo, já responde a pergunta. Ora, um comportamento que é averso ao amor é justamente um comportamento que engloba atitudes que não convergem para um ponto essencial, o ponto de perpetuação do amor. Ou seja, trata-se de um comportamento onde o indivíduo faz determinadas coisas que não estão de acordo com o amor, isto é, fazer coisas negativas, que magoam, que causam sentimentos negativos ao parceiro. Por outro lado, um comportamento que afirma o amor é aquele que está de acordo com o sentimento em que o relacionamento se baseia, engloba atitudes positivas, que geram o bem e a felicidade do cônjuge.

Conclusão

Um relacionamento amoroso representa a união de duas pessoas perpassada pelo amor que é afirmado constantemente, mutuamente e deliberadamente. Este conceito de relacionamento dá conta esclarecê-lo englobando o conceito simples dado acima e as implicações extraídas da análise da atitude do relacionamento também explanada acima. Com este conceito chegamos a conclusão de que um relacionamento amoroso não é uma coisa tão simples quanto parece a quem o expressa de maneira imediata. No entanto, a compreensão das implicações que a atitude do relacionamento e do amor como um sentimento de caráter puramente positivo os oferece condições de viver um relacionamento amoroso efetivo de maneira bastante simples e, em decorrência disto, com qualidade.

______________________

~X~

(Anderson Yankee)

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7 respostas em “O QUE É UM RELACIONAMENTO AMOROSO: IMPLICAÇÕES E LIMITES

  1. Quando hoje, dez anos depois desse episódio, nos encontramos no mesmo shopping de sempre, no horário costumeiro, no nosso restaurante preferido, eu quase nunca paro e penso: caralho, eu conheço essa criatura como a palma da minha mão. A gente senta, muito elegantes, agora graduandas, empregadas, ex ou atuais namoradas e discorre fofocas de gente que eu nem me lembrava mais que conhecíamos. Perguntamos pela família uma da outra, como se fosse a nossa segunda. Rimos de alguns episódios, eu choro porque ando sensível e é quase sempre esse o meu papel: de me debulhar porque sempre tem alguma área da minha vida onde a coisa tá crítica e quando começo a falar as lágrimas simplesmente caem, não é culpa minha, prometo. Ela pede uma porção de onion rings porque saí ventando de casa e esqueci que comeríamos por lá. Eu a ajudo a achar presentes, o sapato ideal, um brinco que não custe quase o nosso mirrado salário todo e combine com a roupa planejada pra daqui alguns dias.

  2. Seja curado por seu relacionamento e não destruído por ele! Não aceite ser vítima de si mesmo, por não corresponder a toda força do amor que existe em você. Não seja um refém da imposição que este mundo nos submete, ensinando o que é errado como se fosse uma virtude.

  3. É, mas há também aquelas separações que mais complicam do que aliviam um relacionamento sofrido. Há um ano e meio, a estudante Catarina Souto decidiu que era hora de dar um basta no namoro com Marcelo, com quem ficou durante sete meses. Por causa do gênio forte dele e dos ciúmes dela, a relação já estava há muito tempo indo para o brejo, embora eles se amassem loucamente. “A gente brigava feito cão e gato, mas não conseguia viver longe um do outro. Só que a relação estava se desgastando, porque toda semana tinha um quebra-pau, pelos mais variados motivos. Aí, um dia, falei que queria terminar, pois não agüentava mais tanto estresse”, relembra ela. Mas quem disse que eles conseguiram se separar? “Ficamos três meses sem nos falarmos, até que um encontro numa festa fez a gente acabar ficando junto. O resultado é uma amizade colorida, que se estende até hoje, com várias idas e vindas. A gente já percebeu que namoro não dá certo, mas não consegue ficar longe um do outro”, conta ela.

  4. Um relacionamento saudável é o que todos nós buscamos. Achamos que conhecemos tudo sobre namoro, casamento, e quando mais uma relação acaba não entendemos o que estava errado, o que fizemos de errado para que algo que tinha tudo para ser muito legal, se transforme em um pesadelo, um verdadeiro inferno.

    • Sou adepto da concepção de que um relacionamento pode ser racionalizado, entendível. Afirmar que não se entende certas coisas é, a meu ver, uma atitude preguiçosa, sem um esforço necessário. Certamente os relacionamentos chegam ao fim por diversos motivos, todos eles compreensíveis, não há nada de mistico nisso.

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