DEVANEIO DO RETORNO – A SAUDADE COMO UM VÍCIO EM ESTADOS EMOCIONAIS

Devaneio do retorno – Volta inconsciente ao que nos proporcionou prazer

 …

Uma coisa que é bastante comum quando se finda uma relação é, em determinados momentos sentirmos falta do ex-cônjuge. Isso acontece com todo mundo, sentir saudades de alguém que fez parte da sua rotina, que te proporcionou momentos prazerosos, experiências intensas, é normal. Há quem ache ruim, há quem ache bom, tanto faz, o interessante é que há um processo bastante peculiar acorrendo neste momento em que as pessoas sentem essa saudade, quase que essa necessidade relacionada ao seu antigo parceiro, um processo que não é muito complexo de entender. Vejamos.

Ponto 1 – De que momentos eu estou especificamente falando?

Momentos difíceis; Essa saudade de que falo geralmente aparece em momentos difíceis, momentos onde estamos passando por dificuldades, momentos onde estamos entretidos com grandes desafios, onde estamos queimando neurônios a mil, momentos onde estamos buscando resolução para problemas complexos.

Momentos de solidão; Essa saudade nos acomete também em momentos de solidão, onde estamos sem companhia, alguém para conversar, alguém para nos entreter, alguém para trocar calor, trocar carinho.

Ademais, esta saudade é diferente da saudade que nos acomete quando na presença da pessoa nos encontramos, ou seja, quando estamos próximos do ex-cônjuge, quando o avistamos, quando estamos em contato com algo que nos remeta a lembrar do outro, diferente da saudade que temos quando alguém comenta sobre a outra pessoa. Ou seja, essa saudade não é influenciada por objetos externos a nós, ela não é causada por algo material e nem pelo próprio outro.

Ponto 2 – Qual a causa específica desta saudade?

Fórmulas:

Solidão → saudade

Problemas → saudade

Problemas + solidão → saudade

É justamente os momentos especificados acima que causam essa saudade; São momentos de caráter negativo para nós. Por outro lado, momentos positivos não têm o material necessário para causar este tipo de saudade, ou seja:

Alegria ~ saudade

Ponto 3 – Qual o caráter específico desta saudade?

Caráter consciente; A saudade enquanto sentimento relacionado a alguém é consciente. Identificamo-la sem dificuldade e sabemos a quem ela está relacionada, isto é simples. A imagem da pessoa de que sentimos falta é nítida em nossa mente, e sabemos que sentimos falta dela. Não confundimos este sentimento com outros sentimentos como a raiva, desprezo, pena, etc.

Ponto 4 – Mas como é possível esta saudade?

De antemão, sabemos que saudade é um desejo de completude, a saudade indica que falta algo à pessoa, que há um vazio a ser preenchido naquele sujeito. E se olharmos bem é esse mesmo o sentido; Hora se estava com alguém tendo certo tipo de vivência e outra hora isso não existe mais, quando o outro vai embora só resta a falta daquilo que se vivia para quem ficou. Mas qual a relação disso com os momentos negativos? Simples, o cônjuge fornece apoio ao seu parceiro, mesmo que inconscientemente as pessoas encontram na presença do cônjuge um modo de se desvincular da preocupação, do tédio, da solidão, dos problemas, ou seja, dos momentos negativos. Deste modo, a saudade está ligada ao fato de quem ficou precisa de quem partiu para fugir do tédio, da solidão, dos problemas, da preocupação, ou seja, dos momentos negativos. Em outras palavras, esta saudade é um pedido do indivíduo para ter de volta seus meios de se sentir aliviado diante dos problemas.

Ficou claro o motivo de esta saudade ser diferente da saudade causada por agentes externos, ficou também claro o motivo de ela estar relacionada ao ex-cônjuge. Não, não ficou? Ela esta relacionada ao ex-cônjuge não por ele ser o ex-cônjuge, mas por ele ser a referência mais próxima que temos registrada. Nós não recorremos a uma referência aleatória, recorremos à mais próxima, mais evidente e verdadeira.

Esclarecido estes pontos, só falta um: Isso que sentimos não é saudade, é vício, não é amor, é instinto puro, é pulsão e até egoísmo. Já citei que isto ocorre inconscientemente, muita gente não tem consciência de que isto ocorre e confunde o que sentem com inúmeras coisas, confundir com amor é o mais comum. Mas não é nada disso, trata-se somente de um vício, de uma pulsão de conservação do bem estar próprio, uma necessidade egoísta. Imagine um alcoólatra, se ele não bebe sente a necessidade de beber para satisfazer o seu vício, mas o alcoólatra não sente amor pelo álcool, ele simplesmente precisa dele para satisfazer-se, para sentir-se bem. Para o alcoólatra tanto faz o que acontecerá com o álcool, tanto faz “se o álcool estará se sentindo bem ou não”, o que importa é somente o bem estar próprio, a satisfação. E é assim que agimos: quando passamos por uma situação rotineiramente o nosso corpo se acostuma com as sensações que temos naquela situação, mas toda sensação é provocada por algo, então achamos que necessitamos daquele algo, mas na verdade necessitamos somente daquelas sensações. VÍCIO! Estamos viciados em sentir aquilo.

O devaneio

O devaneio equivale a ceder à pulsão, ceder ao desejo de ter aquelas sensações mais uma vez, ceder ao vício. Neste caso, geralmente as pessoas procuram os ex-cônjuges, mandam mensagens, e-mails, declaram-se, procuram reatar o relacionamento, etc..

O que isso prova?

Ceder ao vício nos indica que a pessoa não é suficientemente capaz de dominar-se, eu a pessoa não tem autoridade sobre si próprio, que a pessoa não é suficientemente dona de si, que a pessoa é demasiadamente impulsiva – E que ela não se interessa tanto por psicologia e nem é inteligente o suficiente para analisar uma situação que ocorre consigo mesma, além de não ter um conhecimento suficiente sobre si própria, pois não sabe nem mesmo o que sente ou o que se passa dentro de si própria.

_______________________

~X~

(Andinho Yankee)

2 respostas em “DEVANEIO DO RETORNO – A SAUDADE COMO UM VÍCIO EM ESTADOS EMOCIONAIS

  1. Parabéns pelo texto, o final traduz exatamente o que penso e o que me fez reerguer! Estava lendo seus textos a dias quando tomei a decisão pelo motivos que vc comenta no final!

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