CONTRATO CONJUGAL 2 – DA TRINDADE DO RELACIONAMENTO

SEGUNDA PARTE DO TRABALHO DENOMINADO “CONTRATO CONJUGAL”. AS DEMAIS PARTES SERÃO POSTADAS EM BREVE.

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O RELACIONAMENTO COMO UM TODO É UMA TRINDADE

Desde então falamos de anseios, desejos, das atitudes que os cônjuges devem ter relacionado a tais problemáticas. Mas não falamos dos próprios cônjuges. Esta discussão irá servir para reforçar as problemáticas anteriormente tratadas e também para clarear algumas questões que ficaram obscuras ou sem sentido.

Antes de tudo, é importante a que este texto está direcionado. Sabermos que em algumas culturas a poligamia é aceita e praticada legalmente, no entanto, vivo em uma cultura monogâmica e é justamente relacionado aos relacionamentos conjugais monogâmicos que este texto está direcionado.

Os cônjuges são as pessoas que estão envolvidas no relacionamento. As pessoas que vivem o relacionamento, que se relacionam com atitudes próprias de um relacionamento conjugal. Podemos chamá-los também de enamorados, esposos, o casal, marido e mulher, etc. É importante que, muito para além de estarem unidos matrimonialmente, burocraticamente, “legalmente perante a lei”, os cônjuges se reconheçam como cônjuges. Ou seja, é importante que em um relacionamento os cônjuges se reconheçam cônjuges para o relacionamento ser considerado conjugal. Caso contrário, o relacionamento não será conjugal, mas sim será qualquer outro tipo de relacionamento.

De modo geral, no que diz respeito às relações sociais, é comum haver conflitos entre as pessoas, seja entre pessoas da mesma família, entre amigos, entre pessoas no âmbito profissional, etc. Em um relacionamento não é diferente. Um dos motivos disto é por que, como já vimos acima, as pessoas tem seus anseios. Mas, além disso, as pessoas precisam do seu espaço, da sua privacidade, em suma, da sua vida pessoal; cada um precisa viver a sua vida individualmente. Então, pressupomos que há uma vida em comum que os cônjuges vivem que é distinta da vida pessoal de cada um. Então:

  1. Há a vida de um cônjuge, que chamaremos de cônjuge 1.
  2. Há a vida do outro cônjuge, que chamaremos de cônjuge 2.
  3. Há a vida em comum, que chamaremos de vida do relacionamento.

Estabelecemos assim que um relacionamento conjugal envolve uma trindade: O relacionamento conjugal existe sendo Eu, o Outro e o Relacionamento.

Algumas pessoas podem dizer que na verdade esta trindade não faz sentido e que na verdade só existe a vida do cônjuge e a vida comum, que é a do relacionamento. No entanto, vale considerar que a ideia de trindade dá conta desta relação de uma maneira mais adequada, pois não podemos reduzir a vida do cônjuge a uma coisa só, pois o que existe são os cônjuges, um diferente do outro numa relação onde tanto um quanto o outro pode interferir de maneiras diferentes na relação. Isto justifica a ideia de trindade.

Especificando de maneira simples, a vida do cônjuge 1, que eu vou tratar na primeira pessoa, diz respeito a todas as minhas vivencias cotidianas que dizem respeito a mim: os problemas pessoais; trabalho, convivência com amigos, estudos, contas, enfim. A vida do cônjuge 2, neste caso a vida do meu cônjuge diz respeito ao que o próprio termo já explicita; é a vida da pessoa com que eu convivo; todas as vivencias cotidianas que diz respeito a ela, como todos os exemplos que eu citei para o meu caso. Já a vida do relacionamento ou a vida comum diz respeito às vivencias cotidianas que o cônjuge 1 mantém com o cônjuge 2 de maneira mútua, dizendo respeito a ambos os cônjuges. Ou seja, a vida do relacionamento diz respeito a todas as experiências que eu tenho com meu cônjuge, tudo que eu vivo com ele no dia a dia; e obviamente tudo isso diz respeito tanto a mim quanto a ele.

Podemos ver como se mostra estas três instancias do relacionamento com a seguinte figura:

 

Percebemos que há uma relação entre as vidas pessoais dos cônjuges individualmente e a vida do relacionamento. Assim podemos formar a proposição de que ambos os cônjuges vivem a vida do outro cônjuge inevitavelmente. Isto se dá pelo compartilhamento desta vida comum que é o relacionamento. Deste modo é ilusão achar que em meio a um relacionamento os indivíduos podem viver suas vidas sem se envolverem com a vida do outro que é seu cônjuge.

É percebido que toda a nossa discussão até agora pretende mais que entender um relacionamento conjugal, estabelecer modos de torná-lo algo bom para ambos os cônjuges. É importante prestar atenção aqui para o sentido das palavras: “tornar o relacionamento algo bom para os cônjuges”. Aqui pressupomos que deve haver um esforço dos cônjuges para que o relacionamento se torne algo bom, pois ele pode ser também algo ruim, tudo irá depender das atitudes de ambos os cônjuges. Imaginemos, por exemplo, que um dos cônjuges traia, não dê importância aos conflitos e anseios do outro, provoque, seja omisso, etc. É de se imaginar que o relacionamento não caminhe em uma boa direção. A situação piora quando o cônjuge que está se sentindo mal adere ao comportamento do outro, pois a partir daí se iniciará uma batalha entre os cônjuges que visam agredir cada vez mais o outro. Este é o exemplo de como o relacionamento pode ser algo ruim; maléfico para os cônjuges. Entretanto, é notável também que se os comportamentos forem voltados para fazer o bem ao cônjuge e por parte deste cônjuge há reciprocidade as coisas caminharão bem. Este é o exemplo de como o relacionamento conjugal pode ser algo bom; benéfico para os cônjuges.

 Toda esta discussão a respeito da trindade nos mostra que é de inteira responsabilidade dos cônjuges tornarem a vida comum – do relacionamento – algo bom ou ruim para os cônjuges.

Ademais, esta discussão abre-nos a porta para defendermos outro paradigma, o de que o relacionamento conjugal é algo puramente neutro na vida das pessoas como um todo, com isso não é um erro formar qualquer juízo de valor a respeito da natureza dos relacionamentos conjugais. Isto é, não se pode afirmar se um relacionamento é algo bom ou ruim em sua natureza, pois tudo irá depender de como os cônjuges procedem dentro deste relacionamento. Mas nada nos impede de jugar dele no decorrer do relacionamento, pois a depender de como ele anda podemos afirmar se ele é bom ou ruim, neste sentido o juízo de valor se mostra como um juízo de fato. Mas é importante deixar claro que somente neste caso se podem formar juízos de valor a respeito de um relacionamento.

Isto sobrepuja o comum pensamento que muitas pessoas têm de que a sua felicidade baseia-se em um relacionamento. Ora, não é próprio de um relacionamento conjugal fazer as pessoas felizes – acabamos de ver isso – pois ele é de natureza neutra. Deste modo, a felicidade, o bem estar de cada um dos cônjuges depende exclusivamente da vida pessoal de correspondente a cada um, ou seja, a minha felicidade depende do que eu vivo fora do relacionamento, as minhas relações e vivencias cotidianas que dizem respeito somente a mim. Ora, mas os relacionamentos conjugais interferem tanto para o bem quanto para o mal das pessoas dependendo de como ele anda (se vai mal as pessoas costumam ficar mal, se vai bem as pessoas tendem a ficarem bem). Mais uma vez chamo atenção para o sentido real da proposição que estabeleço; disse eu que “a felicidade não é própria dos relacionamentos conjugais” e desde já acrescento que o mal estar que sentimos as vezes quando estamos em um relacionamento conjugal que anda mal também não é propriedade do relacionamento. Quando eu falo que não é “propriedade do relacionamento” digo que nem a felicidade e nem o mal-estar são inerentes à natureza do relacionamento conjugal. Isto já deveria ter ficado claro quando afirmei que a natureza dos relacionamentos conjugais é neutra.

Mas como a felicidade é estabelecida pela vida pessoal de cada um? Esta é uma questão subjetiva, diz respeito aos anseios pessoais de cada um. São varias as possibilidades de se estabelecer a própria felicidade: através da riqueza material, através da espiritualidade, de boas relações sociais, de realizações pessoais, profissionais, etc. Mas, uma coisa é certa, a felicidade própria depende de cada um, do contexto que elas vivem, enfim.

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~X~

(Andinho Yankee)

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