CONTRATO CONJUGAL 1 – DOS ANSEIOS EM UMA RELAÇÃO CONJUGAL

PRIMEIRA PARTE DO TRABALHO DENOMINADO “CONTRATO CONJUGAL”. AS DEMAIS PARTES SERÃO POSTADAS EM BREVE.

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DOS ANSEIOS EM UMA RELAÇÃO CONJUGAL

É possivel que haja identidade entre os anseios dos conjuges dentro da relação?

Em um relacionamento conjugal, de modo geral, espera-se que os cônjuges tenham objetivos em comum. No entanto, é uma pretensão utópica a de que os cônjuges compartilhem objetivos em comum partindo do pressuposto que ambos têm vida própria e, assim, desejos e anseios próprios. Isto não quer dizer que não possa haver objetivos em comum entre os cônjuges, basta considerar que de modo absoluto eles não compartilham exatamente os mesmos objetivos, e sim somente alguns ou nenhum. Isto acontece pelo fato de os anseios serem subjetivos, ou seja, neste sentido diz respeito ao que cada um decide querer para si por um ato da própria consciência. Ora, se cada um tem sua consciência individual, então não haveria deste modo possibilidade de duas consciências constituídas de individualidade, compartilharem os mesmo anseios de modo absoluto.

Estabelecida a proposição de que os cônjuges não anseiam as mesmas coisas de modo absoluto, é importante ter em mente que em um relacionamento deve haver um nível de interação tal que possibilite aos cônjuges se conhecerem no sentido de cada um saber dos anseios do outro para que assim cada um possa adequar as suas ações para que a relação conjugal e as relações pessoais como um todo estejam de acordo com o bem de ambos.

Conhecidos os anseios é importante que aqueles que forem compartilhados sejam utilizados como princípios que regerão a relação, pois estes são desejos dos dois cônjuges e se estes agirem de acordo com o desejo que é de ambos não haverá desacordo nem divergência de atitudes.

Neste sentido, minha proposta para os anseios que não são compartilhados é a de que eles devem ser tratados como contingentes (sem querer desmerecer ou tratar como ínfimo o anseio pessoal de cada cônjuge). Pode parecer a primeira vista que isto seja algo inviável e que contradiz o principio do amor próprio, mas na verdade isto apenas provém do fato de termos em mente a ideia de que algo contingente é algo descartável, desnecessário. No entanto, não é de minha pretensão tratar os anseios pessoais como desnecessários, pois eles são também necessários para a realização pessoal do individuo como individuo. Minha intenção ao usar este termo é simplesmente colocar os anseios pessoais que divergem dos anseios do cônjuge numa situação de “ser pensado”. Ora, nós já sabemos que quanto aos anseios compartilhados não encontramos problemas para adequá-los à relação, pois eles já são benéficos para a mesma, eles unem os cônjuges em prol de um bem comum. Entretanto, os anseios pessoais podem trazer conflitos para a relação na medida em que cada um quer apenas o bem para si investindo nos seus anseios pessoais e deixando de lado a relação. É neste contexto que contingenciar os anseios pessoais pode ajudar.

Quando colocarmos os anseios pessoais numa posição de serem pensados, iremos refletir justamente sobre a sua importância, sobre a sua relevância em nossa vida. E acima de tudo consideraremos a possibilidade de se abrir mão daquele anseio em prol de um anseio maior, que é o bem da relação como um todo. Para além disso, não se deve cair na ilusão de que o que prego ainda é abrir mão dos nossos anseios por um ato simples e colocando a relação acima de tudo, pois a real intenção aqui é que estes anseios sejam ou não abandonados através da própria razão. O método é simples: Se procuramos o bem da relação e consideramos que a aproximação dos cônjuges para atingir um grau maior de intimidade é algo benéfico para a relação e ainda que os anseios compartilhados unem os cônjuges em prol de um bem comum,  e ainda que os anseios pessoais em alguns casos podem atrapalhar a relação como um todo, o certo a se fazer é transformá-los em algo que não contradiga os princípios que levam ao bem da relação e que perca este caráter de maléfico em potencial para a relação. Ora, a maneira racional de chegar a tal objetivo é notável, devemos transformar os anseios pessoais em anseios compartilhados, pois estes comportam todas as características esperadas, bem como foram supracitadas. Mas como? A resposta também é simples: diálogo de negociação.

O diálogo de negociação consiste simplesmente na atitude verbal entre os cônjuges dentro da relação, voltado para o estabelecimento dos anseios pessoais que possam ser compartilhados entre os cônjuges. Em outras palavras, trata-se de procurar o que se pode ser tolerado pelo outro; é expor os seus anseios pessoais para que o outro possa dar um feedback no sentido de estabelecer se ele pode ou não aceitar conviver com tal ideia na mente do outro. É imprescindível que tal atitude seja perpassada pela imparcialidade, pois o que se visa, antes de tudo é bem do relacionamento. Ademais, o comportamento em tal situação deve ser amigável, pois se assim não for isto pode acabar se tornando mais que uma tentativa frustrada de organizar a relação, pode ser algo que prejudique profundamente a mesma. E, como já foi dito, a postura de negociador deve reger o diálogo, pois assim se buscará o consenso a respeito dos anseios; De maneira nenhuma este diálogo deve ser perpassado pela imposição dos anseios, pois isto só fará mal ao outro. Assim, estabelecido o consenso a respeito dos anseios, teremos a metamorfose de anseios pessoais em anseios compartilhados.

Estas considerações nos levam à questão do apoio. No caso que tratamos acima – do consenso que se deve chegar para se transformar anseios pessoais em anseios compartilhados – o apoio é essencial para que tal proposta se efetive. Ora, o anseio que agora é compartilhado, antes era pessoal. Isto demanda que o outro apoie o anseio que aceitou, isto funciona como se o anseio fosse próprio dele e assim, de ambos. E é notável que tal atitude aproxime os cônjuges de maneira geral, o que também é essencial para a relação.

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~X~

(Andinho Yankee)

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