Andinho e Yankee [Eu e meu outro] – PARTE 3

– Andinho, a felicidade é apenas um ponto de vista, para não ser radical, pois para mim ela é uma utopia que veio sendo cultivada pelos antigos gregos, ou até de antes deles. Assim como você, a felicidade não passa de uma idealização e, sinceramente, eu prefiro lidar com o concreto, com o aqui e o agora.

– Isso parece triste. Disse Andinho com uma cara de pena.

– Triste? Triste é esperar por algo que nunca chega e nunca vai chegar.

– Se nunca vai chegar eu não sei, mas eu tenho fé que um dia chegue.

Yankee se mostrava aborrecido como se acreditasse que Andinho estivesse sendo sarcástico, afinal seus argumentos para defender a sua posição já não apresentavam mais uma consistência lógica e nem fundamentação, ademais, baseavam-se somente no “por que sim”.

– Andinho, você gosta de sofrer? Perguntou Yankee com cara de poucos amigos.

– Você é um péssimo retórico (risos), vai pela via negativa agora? Respondeu Andinho.

– Deixa de ser idiota e fala sério comigo, nós estamos tratando de um assunto sério, estamos tratando do nosso bem estar. Agora você fica aí ignorando a razão e deixando tudo de lado para se apegar a coisas sem sentido, dando importância ao que nos faz mal. Você acha que eu gosto disso? Não, eu não gosto, eu também sinto isso e não é bom.

– Ah, você sente? E por qual motivo você não se manifesta quando eu estou na pior, sem vontade de fazer nada, só de me trancar e esquecer o mundo? O que você estava fazendo enquanto eu estava trancado no meu mundo? Onde estava você, Sr. Yankee?

– Eu estava aqui Andinho, até tentei falar com você, mas você não dava espaço para qualquer contato. Um homem apaixonado não permite que nada além da sua paixão fale para ele. Você estava assim, apaixonado, cego, surdo.

Andinho calou-se. Mesmo ele que estava magoado com Yankee e fragilizado em detrimento de tudo que estava acontecendo sabia que Yankee tinha razão. Este seria o primeiro passo para que esta discussão tivesse novos rumos. Andinho prosseguiu calado e de cabeça baixa, como se estivesse pensando em algo. Yankee sabia que ele tinha encontrado uma fresta no escudo de Andinho e que esse seria o momento certo para convencê-lo de que a sua prática cotidiana era inviável. Ele insistiu neste ponto dizendo:

– Andinho, eu insisto em dizer que você idealiza demais o que vive, as pessoas, etc. Você acaba idealizando os seus relacionamentos também, aí quando vive algo intenso, como no inicio de uma relação, acaba se entregando sem pensar. Você parte do postulado de que as pessoas são coerentes, mas elas não são, as pessoas dizem uma coisa e pensam outra, dizem que querem uma coisa, mas querem outra, elas mentem, omitem, elas fingem, dissimulam, arquitetam coisas negativas, enfim, as pessoas têm uma natureza hostil.

Andinho neste momento se voltou contra Yankee: – Ora, você é uma pessoa também, quem garante que você também não está mentindo pra me convencer de algo somente para tirar proveito da minha fragilidade?

– Andinho, eu sou você, é só você parar e olhar para dentro de si mesmo. Eu estou mentindo? Eu quero te fazer mal? Você percebeu que ao falar que você considera que eu possa estar mentindo, pressupondo assim que possa também ser verdade? Andinho, você sabe que eu estou certo, que tudo o que eu estou falando é verdade, você só não quer dar o braço a torcer… Andinho, você está se prejudicando voluntariamente. Dê ouvidos à razão.

[Continua]

~X~

(Andinho Yankee)

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