O sentido da dor (Por quê e para quê ela existe?)

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Para entendermos o sentido da dor, ou o porquê da dor existir devemos antes de tudo entender o passo a passo de um fato, ou o conjunto de fatores que estão dentro de um fato, desde o inicio ao fim do mesmo.

Tudo se inicia em uma determinada situação qualquer que vivamos. Como minhas discussões estão dentro do assunto “relacionamento conjugal” eu tratarei da dor em uma situação relacionada a um relacionamento conjugal. Neste caso, tudo se inicia numa situação que eu gosto de chamar de trivial – simplesmente pelo fato de demandar uma reflexão para agirmos. Diante de uma situação trivial temos que refletir, ou pelo menos deveríamos refletir, antes de agirmos. Isto por que podemos tomar diversos rumos diante daquela situação, ou seja, podemos escolher caminhos diferentes a seguir.

É mister saber que antes de tomarmos qualquer decisão somos afetados por um sentimento específico que será determinado de acordo com as circunstancias do momento. É simples entender esta relação: se em determinada situação nos agridem podemos sentir raiva, cólera, etc., assim como, se em determinada situação nos tratam carinhosamente podemos sentir felicidade, amor, etc.

A partir do sentimento que temos formaremos um juízo de valor a respeito da situação, podemos até dizer que ambos os processos – o de afetação por um sentimento e o de formação de um juízo de valor – acontecem simultaneamente, no entanto, o sentimento tem prioridade no tempo com relação ao juízo de valor, pois este já é uma reflexão a respeito da situação, que é determinada por um sentimento. Mas isto não quer dizer que podemos refletir e a partir desta reflexão ter um sentimento. Mas é que em se tratando desta situação específica o sentimento tem prioridade no tempo.

Então, temos: Diante de uma situação trivial; SENTIMENTO > JUÍZO DE VALOR;

Em seguida partiremos para uma atitude específica. Falo de atitude específica e não de atitude determinada. De certo, a atitude estará de acordo com o sentimento que tivemos diante da situação, ou seja, agiremos conforme o nosso sentimento. Por exemplo, se sentimos raiva ou cólera a nossa atitude pode ser de agressão, assim como se sentimos amor a nossa atitude pode ser de carinho, etc. Dificilmente, e digo até que é quase impossível que a atitude que se tem diante de uma situação trivial não condiga com o sentimento do individuo naquele determinado momento, ele sempre terá uma atitude específica que condiz com o sentimento atual. A diferença entre atitude específica e determinada situa-se no fato de que uma atitude determinada é automática, sem deliberação do indivíduo e não é deste tipo a atitude que se tem nestes casos, pois o individuo tem liberdade para pensar além dos impulsos, da sua condição naquele momento, então a atitude será específica simplesmente por condizer com um sentimento específico, tendo em vista que ela se agrupa com outras atitudes de acordo com seu caráter, ou seja, ela pode ser uma atitude específica de caráter bom, ruim, etc. Exemplificando, para o sentimento de raiva não se agride a alguém necessariamente por determinação, mas sim por escolha, por uma reflexão anterior à atitude. Esta reflexão pode não levar o indivíduo a agredir, mas de certo ele agirá de acordo com o que sente, mesmo que exteriorizando a raiva e rejeitando, ignorando o outro, etc. Podemos dizer que, de certo, ele não irá abraçar, ou beijar, etc., o outro.

Então, temos: Diante de uma situação trivial; SENTIMENTO > JUÍZO DE VALOR > ATITUDE;

Da atitude passamos às consequências da atitude. Pois cada atitude tem uma consequência ou consequências que podem ser de um caráter diversificado, ou seja, as consequências que provêm de uma atitude podem ser boas ou más, não só para mim como também para o outro; ou para os outros. É importante ter em vista que estamos dentro de um planeta fechado e que vivemos em sociedade, assim o que eu faço pode afetar não só a mim, mas também aos outros, ou seja, uma atitude que eu tomo pode interferir diretamente ou indiretamente na vida de outras pessoas de maneira simples ou mais complexa.

Podemos perceber que, atualmente, de modo geral, quando tomamos uma determinada atitude e ela traz consequências para outras pessoas isto não nos incomoda tanto, mas quando as consequências recaem sobre nós – principalmente quando elas são negativas – as coisas são bem diferentes. É neste ponto que entra a questão da dor. Quando tomamos uma atitude que nos traz consequências negativas podemos sentir dor.

Em se tratando de um relacionamento, o caso mais comum para exemplificar como uma atitude pode nos causar dor através das suas consequências é o do fim do relacionamento. Isto é, existem casos onde os cônjuges se precipitam e acabam tomando certas atitudes que vos traz certas consequências que resultam no fim do relacionamento, o que causa a dor do fim do relacionamento.

Dor é algo que ninguém, em sua completa sanidade mental, gosta de sentir, então é de se esperar que as pessoas tenham repulsa a este sentimento. No entanto, as pessoas, de modo geral, não se preocupam em evitar a dor, elas simplesmente não querem senti-la. Neste sentido, as pessoas acabam até sendo contraditórias consigo mesmas quando dizem que não gostam da dor, mas acabam agindo de acordo com situações que lhes causem dor, quando na verdade deveriam fazer o contrário, isto é, agir de maneira que se evite a dor nas situações do seu dia a dia. Ora, a dor existe e não é uma coisa apetecível a quem é são mentalmente, então ela deve ser evitada.

Destas discussões podemos retirar o sentido da existência da dor. Já vimos que ela deve ser evitada, mas como? Ora, simplesmente devemos pensar em cada uma das nossas possíveis atitudes antes de efetivá-las, ou seja, devemos pensar antes de fazer qualquer coisa. É deste modo que temos possibilidade de evitar a futura dor, pressupondo que ela venha a existir e regulando as nossas ações por meio da reflexão para que o produto delas não seja negativo para nós, ou pelo menos minimamente negativo. Assim, o sentido da existência da dor é ser um fator que nos permita ser mais racionais nas nossas relações com as pessoas e – não citei aqui, mas – com a natureza também (pois nossas ações para com a natureza poderá nos acarretar consequências negativas).

Por fim, trazendo esta discussão final para o âmbito dos relacionamentos conjugais, centrando-nos no fim do relacionamento, se não pretendemos sentir a temida dor do fim do relacionamento devemos regular nossas ações a todo o momento dentro da relação para que não se tenha discussões como consequências e o fim como consequência das consequências. Creio que se as pessoas agissem assim as relações entre as pessoas de modo geral seriam bem mais agradáveis e menos dolorosas. Mas, infelizmente as pessoas só passarão a evitar a dor quando se desvincularem do pensamento de que superar é melhor. Refletir já nos possibilita superarmo-nos, a dor não é necessária.

~X~

(Andinho Yankee)

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