Andinho e Yankee [Eu e meu outro] – PARTE 2

[…] Continuando…

– Pobre Andinho! Meu garotinho nunca irá crescer?  Você não passa de uma idealização de pessoa perfeita, que faz bem a todos, que é amável, inteligente, educadinho, respeitoso, sonhador… Você é ideal e quer viver em um mundo que é real, é impossível.

Andinho era bem como Yankee estava dizendo e escutar isto o deixou, de certo modo, mal. A angústia de Andinho não parava de aumentar por estar de frente com a realidade. Então Andinho não aguentou mais e começou a chorar descompassadamente.

– Ah não, outra vez! Disse Yankee, mas sem demonstrar decepção ou surpresa.

– Andinho, entenda que a vida não é bem como você pensa, neste mundo não há espaço para quem sonha, somente para que faz as coisas acontecerem. As pessoas estão cada vez mais sem escrúpulos, sem moral, sem valores, então não é viável se situar em um polo ideal baseado num sumo bem, esta ideia, assim como a de virtude, morreu com Aristóteles.

– Mas Yankee, não há como viver bem sem acreditar nas pessoas, nos valores, no bem, pois sem isso o mundo seria um caos. Espera, eu não sei nem por que eu estou conversando com você. Já disse que você é um sádico…

– Se eu sou sádico, então você é masoquista, oh Sr. Andinho. Parece que você gosta de apanhar, de ser humilhado, pisado. Abra os seus olhos, só é isso eu você está ganhando agindo assim.

Andinho parou de escutar seu Outro eu e falou;

– É muito fácil para você aparecer do nada e questionar o meu modo de agir, de me comportar, a minha moral, enfim. Entenda Yankee que se você não tem o direito de aparecer assim do nada, você não tem muito menos o direito de questionar nada sobre a minha vida, sobre meus hábitos, minha condição.

– Condição? Perguntou Yankee com semblante de repulsa. E prosseguiu:

– Neste período que fiquei fora você fez alguma viajem para a Índia? Converteu-se em alguma religião que pregue a existência de castas ou uma determinação divina sobre os meros humanos?

– Eu já disse Yankee, é preciso que eu seja assim, pois se eu fosse como você, de maneira nenhuma me sentindo feliz verdadeiramente. Do modo que você vive eu imagino eu qualquer estado positivo seja superficial, forçado.

– Então não fale de condição, mas sim de vontade. Você é assim por que quer! Retrucou Yankee.

– Sim, pode ser, mas que importa?

– Ora, você ainda não entendeu que estamos tratando da vida real, de questões práticas. Vejo você falando de felicidade, mas, afinal, quão feliz você foi deste jeito até hoje? Superficial é esta sua “felicidade” que só dura por horas, dias, semanas e se esvai. E como se esvai? Com alguém te decepcionando, te deixando mal, te humilhando. Estou errado?

– Tem fundamento o que você diz, mas você também não entendeu a minha questão. Eu falo de uma necessidade da vida, a necessidade de acreditar em algo para não morrermos angustiados. Sei que me angustio no cotidiano, mas me angustiaria mais se não tivesse esperança em algo, neste caso, esperança nas pessoas, nos valores. Agora é minha vez de perguntar: Você é feliz do jeito que vive, Sr. Yankee?

[…] Continua…

~X~

(Andinho Yankee)

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