A críica de Karl Popper ao Positivismo Lógico (Círculo de Viena)

Karl Popper, mais preocupado com a lógica do conhecimento critica em vários aspectos os Positivistas lógicos, principalmente no que diz respeito ao método indutivo. Popper, com o pé em Hume, mostra que não é seguro o método dos positivistas, pois a indução tem suas limitações. Ora, este método se baseia na observação e abstrai a constância dos fatos, mas nada garante que um fato “X” se repita sempre, não importando quantas vezes este seja verificado. Pois nada impede que um dia haja uma exceção com o fato “X”, ou seja, que este fenômeno se mostre de outra forma diversa. Isto vale também para os experimentos, mesmo que testemos uma teoria “n” vezes, nunca teremos condições de afirmar a sua verdade com precisão absoluta. Com isto ele questiona se pode haver verdade ou validade nos enunciados baseados no princípio de indução.

Questionando o método, Popper não pode fugir do problema da demarcação. Ora, se ele afirma que o método é falho, acaba que o princípio de demarcação das ciências também apresenta falhas. A busca deste método, seja para os positivistas, seja para Popper é Aldo de extrema importância, pois é ele quem vai garantir credibilidade para as teorias.

A principal falha do princípio de demarcação dos positivistas provém do fato de que ele não dá conta da tarefa a que é destinado, ou seja, separar as ciências empíricas da Metafísica. Talvez por que, como diz Popper, os positivistas estavam tão preocupados em arruinar a Metafísica lhe atribuindo comentários pejorativos, no que diz respeito às suas criações, que não se deram conta de que acabaram não por arruiná-la, mas de certo modo, colocar as criações Metafísicas no mesmo patamar que a das ciências empíricas, isto é, igualando o caráter dos enunciados universais ao dos sistemas metafísicos. Vejamos: No método indutivo, generalizam-se os casos singulares transformando-os em universais. Para os enunciados singulares serem legítimos têm que derivar da experiência, ou seja, serem redutíveis a dados simples da percepção. Ademais, as leis da Metafísica seriam carentes de sentido por não possuírem a propriedade de ser como as ciências empíricas neste sentido, inclusive por não possuírem o mesmo método de se chegar à conclusão de algo. Com isso eles acabam aniquilando junto com a Metafísica as leis naturais, pois elas seriam carentes de sentido, ou seja, não são enunciados genuínos. Mas, ainda com isso eles ainda se colocam no mesmo patamar que estas que eles criticam, além de não demarcarem os limites da ciência. Pois do mesmo modo que as leis naturais, os enunciados científicos não se podem reduzir logicamente a enunciados elementares; aqueles que apresentam sentido.

Para resolver este problema, Popper vai propor um novo método para as ciências empíricas e, assim, um novo critério de demarcação para identificar se uma teoria é de caráter científico. Para tal tarefa ele não tem a mesma pretensão dos positivistas no que diz respeito a aniquilar a Metafísica, inclusive tratando-a de maneira pejorativa. E sim, apenas buscar uma justificação lógica dos enunciados universais acerca da realidade, mas despendido da indução.

O método de Popper segue o caminho contrário dos indutivistas. Consiste em primeiramente formar uma hipótese baseada na intuição e submetê-la a testes para comprovar então verificar a sua consistência, ou seja, se ela realmente é válida. Em outras palavras, Popper pretende que primeiramente se proponha as teorias e em seguida teste-as, que faça-se o exame da lógica da hipótese. Como já foi dito, a hipótese parte de uma “intuição criadora”. Para o exame, Popper propõe que a teoria pode ser testada de várias formas: Entre si, tendo em vista examinar a lógica interna da teoria; Comparando-a com outras teorias, buscando determinar qual funciona melhor e representa um avanço na ciência; Além de testá-la para determinar o caráter da teoria, além de constatar a sua utilidade prática. Quando uma teoria sobrevive aos testes a que foi submetida pode-se dizer que ela passou desta vez. Isto é, se ela é verificada será aceita enquanto funcionar e enquanto outra teoria não lhe sobrepujar. À teoria que passa nos testes é atribuído o termo “corroborada” – isto nada nos garante acerca do futuro de tal teoria.

É mister saber que o método de Popper não pretende afirmar a verdade acerca das teorias, mas sim que ela funciona, ou que foi aceita, corroborada temporariamente. As teorias têm o caráter provisório.

Deste modo, vemos que apesar de o método que Popper propõe ser distinto do método dos positivistas, a concepção científica do mundo de ambos é a mesma. Consideram que a ciência empírica deve representar o mundo real, ou seja, o mundo da experiência. Ademais, o sistema das ciências empíricas deve ser sintético, satisfazer ao critério de demarcação e ser o melhor possível carregando a marca de ser diferente dos outros sistemas que representam o mundo – isto implica que ele passou por testes e sobrepujou os outros sistemas. Então, ambos enxergam nas ciências empíricas uma lógica e um método que a distingue das outras ciências, a experiência.

Entretanto, Popper se distancia mais dos Positivistas – apesar de algumas de suas concepções ainda serem de caráter positivista, como defender o progresso da ciência – quando se trata do critério de demarcação dos limites das ciências empíricas. Popper propõe um método que procura não cair no erro dos positivistas de tentar separar as criações Metafísicas e as leis naturais das criações das ciências empíricas e acabar aniquilando as possibilidades de existência de leis naturais, da Metafísica e por cima prejudicar a própria ciência ao tornar.

Como já foi supracitado, para os positivistas o significado de um enunciado se dá pela possibilidade de ele ser verificado na experiência. Quando verificado, o enunciado pode ser tido como falso ou verdadeiro (falseado ou verificado). Assim eles estabelecem uma simetria entre a verificabilidade e a falseabilidade. Mas é sabido que as teorias não podem ser verificadas empiricamente. É justamente este problema que Popper pretende resolver. Ora, a ciência necessita de teorias, e mais que isto, de teorias justificadas, plausíveis. Popper propõe um critério de demarcação, um princípio que aceite as teorias, que aceite os enunciados não verificáveis.

Deve-se considerar primeiramente o que é um enunciado/sistema empírico para Popper; Em primeiro lugar, ele deve ser passível de teste; deve ser possível que se o refute pela experiência; que possa ser selecionado por meio de testes empíricos. O critério que ele propõe que dê conta de estar de acordo com o que é um sistema empírico e que dê conta de aceitar as teorias é o da falseabilidade, diferentemente do critério dos positivistas que é o da verificabilidade. Este método parte de uma via negativa para selecionar os sistemas e enquadrá-los como empíricos ou não; é empírico aquele que pode ser refutado pela experiência. Procura-se não concluir indutivamente uma teoria de enunciados singulares, mas sim contradizer o sistema dedutivamente usando os enunciados singulares; pois estes podem falsear o sistema, mas não nos levar a inferências que os caracterizem como universais, bem como Hume já tinha dito. Em suma, busca-se “provar a partir da verdade dos enunciados singulares a falsidade dos enunciados universais”.

Aqui se verifica uma assimetria entre verificabilidade e falseabilidade que resulta da forma lógica dos enunciados universais, os quais apesar de não poderem ser derivados dos singulares, podem ser refutados por estes. O que é de suma importância para que se possam considerar válidos até os enunciados que não possam ser verificados, como as teorias que pela simetria entre verificabilidade e falseabilidade eram consideradas sem sentido. Além disso, isto possibilita a existência das leis naturais.

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

3 respostas em “A críica de Karl Popper ao Positivismo Lógico (Círculo de Viena)

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