O Nobre e a sua Dor

No que diz respeito ao meu espírito, ele é nobre. Não pedi para ser assim, apenas sou. É o somatório das minhas sucessivas vivências que tive fazem de mim o que sou; um homem com alma nobre. Isto seria admirável se não fosse inviável, pois o mundo não é bom para os nobres, ele é um campo de batalha, lar dos guerreiros. Os nobres, com exceção dos nobres guerreiros, não apetecem truculentas batalhas e fortes emoções repletas de adrenalina, mas sim o ócio, a reflexão, a sabedoria, e as emoções perpassadas pela utopia do Amor. O nobre é um romântico, e no mundo da guerra o romance é a dor, o sangue na espada.

A sina do nobre é a vida de dor, não a dor física de uma batalha, nem a dor moral, mas a dor do espírito. Os nobres têm o espírito afogado num lago de dor, mesmo sem um dia ter sofrido uma dor física. Uma dor física não se compara a uma dor no espírito, mesmo a mais feroz delas. Por isso o nobre é sempre menos feliz.

Mas de onde brota a dor de um espírito nobre? Brota de si mesmo, de fora. Brota de fora em detrimento do Amor em que ele acredita. Ninguém ama um nobre, não por ele ser repulsivo, mas por que ninguém consegue. Ninguém nunca sentirá um amor tão nobre quanto a nobreza deste pobre individuo. E por isso sempre doerá o peito do nobre. E sempre ele terá dificuldades para respirar, pois a dor invade até os seus pulmões. A dor também brota de si mesmo por que ele lamenta a sua condição, lamenta ser o que é. A vida lhe fez tal como é, agora ela zomba da sua criação sem um resquício mínimo de moralidade.

E qual a saída para este ser penoso? Não há, ele está condenado à dor. Sua nobreza pressupõe sua bondade. Confiar é um atributo de quem é bom. Então o nobre sempre confiará e acreditará que o amanhã pode ser diferente. Assim, tenderá ao Amor, bem como o mais nobre dos animais que tende ao seu “dono” mesmo que em meio a agressões. O Amor é o dono do nobre, e ele retornará mesmo que em meio a agressões.

Agora mesmo deve haver um nobre chorando…

A saída para o nobre é aceitar a sua dor e sua condição, pois tudo isto é útil. Num mundo de guerreiros ninguém ama outra coisa senão a guerra. Quer-se dominar e passar por cima de tudo o que se vê. O nobre é quem dá, em meio a este campo de batalhas, noções de paz e esperança. Ele não transforma ninguém já formado em nobre, mas cria dentro das pessoas o equilíbrio entre guerra e paz, amor e ódio. O nobre, que se excede em paixões, anula parte das sombras dos corações e torna as pessoas não excedentes – equilibradas. A função do nobre é pedagógica. E por isso eles são poucos.

E assim ele passará o resto dos seus dias, acreditando que pode ser amado e amando em meio a relações que já têm dias contados para o fim, pois os nobres não nasceram para amar e sim para ensinar o que é o amor. Ensinamentos que só são entendidos em parte, pois o intelecto das outras pessoas é voltado para a batalha em primeiro lugar. Os nobres são como objetos que servem para passar pela vida das pessoas, de algum modo marcar e ser descartado no fim da missão.

Nesse sentido, o nobre é o escravo.

Agora, com certeza, tem um nobre chorando…

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~X~

(Andinho Yankee)

Uma resposta em “O Nobre e a sua Dor

  1. A saída para o nobre é aceitar a sua dor e sua condição, pois tudo isto é útil. Num mundo de guerreiros ninguém ama outra coisa senão a guerra. Quer-se dominar e passar por cima de tudo o que se vê. O nobre é quem dá, em meio a este campo de batalhas, noções de paz e esperança. Ele não transforma ninguém já formado em nobre, mas cria dentro das pessoas o equilíbrio entre guerra e paz, amor e ódio. O nobre, que se excede em paixões, anula parte das sombras dos corações e torna as pessoas não excedentes – equilibradas. A função do nobre é pedagógica. E por isso eles são poucos.

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