A concepção científica do mundo – Positivismo lógico e método indutivo

Segundo a concepção científica do mundo positivista, produzimos conhecimento acerca do mundo através das ciências empíricas. Este conhecimento é progressivo e embalado pela pesquisa. Diversos pesquisadores de diversos domínios científicos constroem seus sistemas de enunciados – as teorias – com o intuito de clarificar a realidade do seu objeto de estudo. Com o agrupamento destas diversas teses é buscado uma unidade cientifica, ou seja, com o agrupamento do trabalho coletivo é esperado formar uma totalidade de conhecimento acerca do mundo.

Esta concepção dá um papel fundamental à empiria para a construção das teorias. Segundo esta concepção, toda teoria tem que “estar com o pé” em um dado empírico para que seja considerado conhecimento. Deste modo, as “teorias” que não diz respeito a algo que seja verificado na realidade são vazias de conteúdo, são sem significação.

Os adeptos desta concepção atacam veemente a Metafísica tradicional, como a de Platão, Kant, entre outros. Isto por que eles defendem a imanência e recusam a transcendência. Eles partiam da ideia de que o mundo apresentar uma estrutura que poderia ser vista como um conjunto de fatos simples. Com isso, o mundo real é onde se pode fazer ciência e produzir conhecimento seguro com conteúdo que faça sentido. Neste sentido, o que a Metafísica produz são simplesmente pseudoproblemas, ou seja, problemas falsos. Ela “simula um conteúdo teórico que não existe”; acaba construindo enunciados inferidos de algo que não pode ser verificado na realidade. De certo se pode encontrar uma estrutura lógica em tal construção teórica, isto é, há uma forma, mas quanto ao conteúdo ela é vazia justamente por não poder ser verificada.

Os positivistas citam dois erros fundamentais da Metafísica; O primeiro está no âmbito da linguagem. Por estar arraigada a uma linguagem tradicional, “emprega, por exemplo, a mesma classe de palavras, o substantivo, tanto para coisas como para propriedades, relações e processos”. Isto induz o pensamento humano a ter uma “concepção objetual dos conceitos funcionais”. Com isso, nos enganamos ao considerar como substantivo[1] o que não deveria ser considerado, por exemplo, os sentimentos e outras experiências subjetivas, como vivências místicas. Inclusive, a respeito destas experiências Metafísicas, os positivistas afirmam que sobre elas não se pode falar, pois “falar significa apreender em conceitos, reduzir a fatos cientificamente articuláveis”, e já que não se encontra algo de científico ou de empírico nestas experiências, nada sobre elas pode ser dito, apenas expressado; Pois o metafísico não descreve algo, ele apenas expressa algo como um sentimento perante a vida. Daí surge a afirmação de que a metafísica não produz teoria, mas somente mito ou poesia.

O segundo erro da Metafísica, segundo os positivistas, é o de tentarem produzir conhecimento baseados somente na razão. Alguns metafísicos, como Descartes acreditavam que poderia conhecer algo partindo exclusivamente da sua razão sem a utilização de nenhum material empírico, para assim, a partir deste primeiro conhecimento inferir outros conhecimentos mais complexos. E ele consegue desenvolver sua “teoria” baseada neste método. No entanto, a análise deste sistema e de outros filósofos chamados Racionalistas mostra que a estrutura apresenta uma simples passagem de proposições a outras proposições sem sentido, que não representam um conteúdo a ser verificado.

Com isto, resta à Metafísica, assim como à Lógica e à Matemática a concepção de apresentarem verdade na sua lógica sintática, mas não uma verdade fática. Assim, são apenas convencionais e, como já foi dito, irrelevante teoricamente por não se fundamentar em conhecimentos empíricos.

Os problemas da Metafísica, seja no que diz respeito à significação, ao sentido dos enunciados, ao conteúdo das teorias, são resolvidos pelo método cientifico dos positivistas. Para os positivistas, é através do método indutivo que se chega ao conhecimento científico. Este método consiste em primeiramente formar enunciados a partir da empiria. Inicia-se pelos enunciados mais simples que são os enunciados protocolares ou atômicos. Por conseguinte, formam-se as teorias que são como teias de enunciados protocolares. A formação desta teoria tem como base a indução. É pela verificação de uma constância de um efeito diante de uma causa em determinadas condições que se conclui algo a respeito de algo. Após várias verificações, compara-se os resultados e abstrai-se daí uma regra que é convertida num enunciado universal, a teoria. Neste sentido, para saber se uma teoria é verdadeira basta aplicar o princípio de verificabilidade, ou seja, analisar os enunciados de tal teoria e encontrar a relação que ele tem com o mundo real, com um dado empírico; Isto é necessário para que a teoria faça sentido.

Toda esta discussão recai na discussão do estabelecimento do que esteja enquadrado como ciência e do que não esteja enquadrado como ciência, ou seja, é o problema da demarcação. Quando os positivistas afirmam que o que a Metafísica produz é pura arbitrariedade e que só pode atribuir relevância a esta empresa no âmbito da vida e não no científico, ademais estabelecem o que é preciso ser seguido para que um conjunto de enunciados seja considerado científico, eles acabam definindo os limites da ciência. Neste caso, fazem parte da ciência as teorias que provieram do método que eles estipularam (o método indutivo) e, por outro lado, é outra coisa que não seja ciência, como a poesia, a arte, o senso comum, a Metafísica, o que é produzido sem estar arraigado ao método dos positivistas. Em suma, eles fazem uma cisão entre ciência e não ciência.


[1] Neste sentido, substantivo deve ser entendido como algo concreto, que é de fato.

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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