Arthur Schopenhauer e a traição justificada do homem.

O que muita gente repudia e julga como produto da “safadeza masculina”, para Arthur Schopenhauer é algo o qual se explique de maneira racional e cujos argumentos remetem à natureza do homem, tornando-o assim infimamente culpado oi até despendido de culpa em se tratando do fenômeno da traição.

No seu livro “Metafísico do Amor”, o filósofo nos mostra que quando se trata das questões concernentes à relação amorosa entre homem e mulher agimos segundo leis naturais, oi seja, segundo determinações que estão para além da nossa consciência. Na natureza há uma força inteligível que nos inclina para a vida, é a vontade de viver. Quando se trata da relação entre homens e mulheres, a natureza se utiliza de artifícios para nos inclinar à perpetuação da espécie por intermédio da reprodução.

O orgasmo será o ponto chave para entender estas questões. A natureza introduz o orgasmo como fim da relação sexual justamente para que esta venha a nos apetecer. Isto é, em virtude do prazer que temos com o orgasmo a relação sexual é algo que desejamos. Mas para a natureza o fim da relação sexual não é simplesmente o orgasmo e sim a reprodução, oi seja, quando duas pessoas (homem e mulher) praticam o ato sexual a natureza espera deles a geração de um novo indivíduo.

Schopenhauer também diz que homens e mulheres reagem de maneira diferente após o orgasmo. De antemão, sabemos que a mulher só pode ser fecundada uma vez por gestação, a qual dura até nove meses. Por outro lado, o homem pode fecundar inúmeras mulheres no mesmo dia. Ao ter o orgasmo a mulher tende a se apegar mais ao homem que a fecundou pelo sentido de que aquele que a fecundou passará ao seu filho determinadas características próprias no decorrer da criação e será aquele que deverá criar o filho, lhe garantir alimento, proteção, etc. Já o homem tende a se distanciar da companheira após o orgasmo, pois ele passa por um momento de angustia após o orgasmo. Esta angustia provem da tomada de “consciência” de que ele foi iludido pela natureza. Ele se dedica à uma mulher no relacionamento, é fiel à ela, trabalha para garantir alimento e proteção, ainda serve como exemplo de pai, e faz outras coisas ainda que na verdade são sem sentido; O homem faz tudo isso para manter o relacionamento com uma única mulher para ter algo que ele poderia ter com qualquer outra.

Ora, a escolha da mulher leva em consideração principalmente a força e coragem do homem, além de outras características. Isto se dá por inconscientemente se acreditar que a criança, fruto da relação entre tal mulher e o homem escolhido, herdará estas características do pai, ou melhor, ele repassará ao filho tais “valores”. Já a escolha do homem não envolve tal concepção, ela está mais ligada a levar em consideração atributos físicos, e a principal consideração é a idade da mulher – em virtude da fertilidade. Deste modo, o homem não fica arraigado à mulher, mas pelo contrário. Se por um lado não são todos os homens que possui o que as mulheres desejam, a leva de mulheres que têm o que os homens anseiam é bem maior. É exponencialmente mais simples para um homem encontrar uma mulher que lhe atraia do que uma mulher encontrar um homem que possua o que ele almeja. Isto somado á tomada de consciência que o homem tem após o orgasmo explica a alta incidência de traição por parte dos homens.

Assim, considerando a ordem natural das coisas, a traição do homem (antes de tudo fruto da civilização, pois ela não existe em si) é justificada, pois ele tende a seguir a sua natureza. A natureza quer qualidade, mas acima de tudo quer quantidade de indivíduos, e são os homens que possibilitam tal objetivo. Por outro lado, a traição da mulher fecundada é injustificada, pois ela não tem fim algum, simplesmente o que na sociedade se considera falta de caráter.

~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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