Meditações Metafísicas de René Descartes


As “Meditações Metafísicas” é uma das obras mais notáveis de René Descartes no campo da Filosofia. Ela praticamente inaugura o período que no âmbito do conhecimento, da ciência, e até mesmo da história mundial, é conhecido como Modernidade. Isto implica que esta não é uma obra com o mesmo caráter que era vigente em tempos anteriores.  Para ser mais específico, ela possui um conteúdo distinto do conteúdo que era produzido nos períodos que antecederam tal obra, neste caso, a Idade Média e a Idade Antiga. Então, ela vem para trazer algo novo, e mais que isso, algo notável, revolucionário para o mundo do conhecimento, para o mundo científico, filosófico.

O objetivo de Descartes – e o que ele traz de novo – é restabelecer as bases da Metafísica que se encontravam corroídas pelos avanços da ciência no mundo, para assim torná-la compatível com estes avanços, ou seja, Descartes pretende atualizar a Metafísica ao seu tempo, pois ela tinha ficado ultrapassada e não dava mais conta de certas questões que eram fundamentais para a própria Metafísica.

Especificamente, os preceitos Metafísicos que estavam sendo postos em cheque pela ciência vigente eram os Aristotélicos. Foi naturalmente que a Física de Aristóteles começou a ser questionada, pois o avanço tecnológico permitiu aos novos pensadores ter melhores condições de realizar seus estudos acerca do universo. Foi o caso de Galileu, pode-se dizer que ele foi um dos principais agentes deste abalo na credibilidade da Metafísica ao formular a teoria do heliocentrismo.

Para entendermos melhor este processo, veja: Aristóteles, filósofo grego, de Atenas, viveu entre 384 a 322 a.C.. Com as suas teses no campo da Física, Metafísica foi o responsável pelo desenvolvimento de diversos princípios a cerca do universo. Aristóteles defendia a teoria do geocentrismo, ou seja, a concepção científica que defende que é a Terra que está no centro do universo, imóvel e que são os astros que orbitam em torno dela. Esta postura científica foi considerada como verdade durante todo o período da Idade média – principalmente por atender aos interesses da igreja – até Galileu (1564 a 1642 – físico, matemático, astrônomo e filósofo) desenvolver a teoria do heliocentrismo, isto é, a concepção científica que defende que é o Sol que está no centro do universo e são os demais astros que orbitam ao seu redor. Deste modo que a Metafísica sofreu um abalo. Ora, as pessoas se encontravam num estado de mal-estar por perceberem que tudo grande parte do que acreditavam não era verdade, que existiam outras possibilidades. O pensamento se encontrava em crise. Afinal, em que acreditar agora? O que é verdadeiro ou falso?

É neste contexto que Descartes (1596 a 1650 – filósofo, físico e matemático francês) vem fazer a tentativa de reencontrar as bases da Metafísica, adequando-a às novas descobertas científicas para assim devolver a credibilidade à mesma e acabar com a crise do pensamento. Para isto, ele não passa por cima dos princípios já existentes, pois a sua intenção não é criar uma nova Metafísica, mas sim dar-lhe um novo sentido, ou seja, fazer uma espécie de reciclagem. Para isso ele utilizou argumentos e concepções de grandes filósofos que o antecedeu como dos pré-socráticos, de Plotino, e o mais conhecido, de Santo Agostinho. É importante ressaltar que, apesar de ele ter uma influência destes filósofos, Descartes não faz simplesmente o trabalho de repetir o que eles falaram, mas sim o de apropriar-se de conceitos para construir a sua própria argumentação, sua tese, teoria, enfim. Este fato é bastante comum no mundo da Filosofia.

Um dos fatores que favoreceu Descartes neste sentido foi o fato de ele estar por dentro do mundo científico em várias áreas, como já foi supracitado, na matemática e também na física. Nestas áreas ele contribuiu enormemente, tendo suas teses e conceitos valor até atualmente, pode-se até dizer que ele foi mais notável nestas outras do que na Filosofia.

Descartes tornou públicas as suas contribuições e aproveitou-se da situação para mostrar que, para chegar às suas conclusões científicas ele demandou de uma metodologia, de seguir princípios, de partir de uma especulação anterior à verificação, e isso é possibilitado pela Metafísica. Neste sentido, o que ele quer deixar claro é que a metafísica é essencial para as demais ciências, pois ela fornece princípios fundamentais para se fazer qualquer tipo de ciência. Fazendo isto ele também retoma o espírito da Filosofia Grega Antiga, onde ela mantinha um vinculo estreito com a ciência, ou seja, ambas caminhavam de mãos dadas e se faziam indissociavelmente. Este vínculo tinha perdido o sentido na Idade Média.

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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3 respostas em “Meditações Metafísicas de René Descartes

  1. Gostei muito do artigo ó sr Andino Yankee mas, nao pude deixar de notar no pequeno lapso que se encontra no quarto paragrafo na nona linha, uma vez que tava a referir-se ao heliocentrismo escreveu geocentrimo.

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