Relação entre organização mental e do ambiente

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Aurélio Buarque de Holanda, no seu tradicional e conhecidíssimo dicionário, define organização como o “ato de organizar”, que por sua vez é “estabelecer as bases de”, “dar às partes de um corpo a disposição necessária para as funções que ele se destina”. Para facilitar a compreensão, peguemos o conceito de “organizado”, que ele diz ser sinônimo de algo ordenado, arranjado. Então, algo organizado é algo que apresenta ordem, algo que foi arrumado, onde cada elemento seta no seu devido lugar a que lhe compete. Em simples palavras, algo organizado é algo onde cada coisa está no seu devido lugar.

O produto da organização é a harmonia, ou seja, o bom funcionamento do local, da coisa, do corpo. Onde há organização as coisas fluem de maneira correta, harmoniosa, com rigor. Em contraposição, o produto da desorganização, ou seja, do oposto da organização será justamente o oposto do produto da organização. Isto é, a desarmonia, o mau funcionamento do local, do corpo, da coisa. Onde há a desorganização o sistema não funciona corretamente, não flui com perfeição. Isto se dá justamente por que onde há desorganização há o caos, a desordem. Torna-se impossível haver um sistema nestas condições.

A organização pode ser tratada nas mais diversas situações, pode ser em um objeto particular (Para saber se o objeto se apresenta de maneira organizada), em um ambiente (Para saber se naquele ambiente as coisas estão organizadas), em um corpo (para saber se o corpo tem um bom funcionamento, fruto da organização), na sociedade (para verificar se ela se apresenta de maneira ordenada), na mente (Para saber se ela está sã, em equilíbrio), entre outros casos diversos. Seria um trabalho altamente exaustivo tratar de como se pode verificar a organização em todos os casos possíveis, basta saber que, basicamente, o que se procura com este trabalho é verificar a presença de fatores como o equilíbrio, a ordem, o bom funcionamento, a sistematização, entre outros sinônimos destes fatores.

No entanto, há dois casos particulares que apresentam uma relação bastante peculiar, onde um afeta ao outro através do seu reflexo. Trata-se do caso da organização relacionada à mente e da organização relacionada ao ambiente. A mente trata-se da parte psíquica do humano, que alguns chamam de espírito, a inteligência, psique; É o âmbito mental humano. Já o ambiente trata-se do meio material onde o individuo está inserido, “aquilo que cerca os indivíduos ou coisas” (AURÉLIO). Neste caso, o ambiente é, especificamente, o lugar, ou lugares, que o indivíduo habita rotineiramente, os lugares que ele habita com mais freqüência e intimidade, como o seu quarto, sala, a casa como um todo, a sua sala de trabalho (escritório), ou até lugares menores como o seu armário no colégio ou no clube ou trabalho, a sua mesa de trabalho, a sua bolsa escolar, o seu guarda roupas, prancha de acessórios, enfim, lugares que são compostos por itens, acessórios, objetos do individuo em questão.

Como já foi supracitado, a organização de um afeta na organização do outro, ou seja, a organização do ambiente é refletida na organização mental e vice-versa. Isso não quer dizer que a organização de outros âmbitos, como o corpo não afete outro âmbito, pois é verificado que o bom funcionamento da mente interfere no corpo como um todo, mas aqui detemo-nos a esta relação mente/ambiente.

Voltando a questão, a mente pode se mostrar desorganizada por inúmeros fatores como problemas pessoais do tipo familiar, profissional, afetivo ou até existencial, ou ainda há de se considerar a soma de alguns destes chamados problemas. Por exemplo, pode estar ocorrendo desentendimentos do individuo com familiares, ou o trabalho está lhe sobrecarregando, estressando, alterando a sua paz de espírito, ou ainda ele pode estar passando por uma fase de adversidades dentro de um relacionamento conjugal ou em alguns casos estar em crise por problemas individuais de existência. Esse último problema é constatado comumente em mentes mais cultas, ou seja, em pessoas mais intelectualizadas. Tudo isso são fatores que são capazes de fazer o indivíduo perder o foco da organização geral e focar-se especificamente na resolução do que lhe incomoda. Ou seja, o individuo nestes casos volta a sua concentração para encontrar meios de se ver livre do problema que lhe acomete, assim, acaba naturalmente não dando importância a outras questões mais simples e que, ”na consciência do individuo são contingentes, dispensáveis no momento”.

É mister frisar que isso não vale para todos os indivíduos, pois há pessoas que mesmo em meio a adversidades extremas tem a capacidade de manterem-se organizados. Basta aqui considerar que em meio a adversidades como as supracitadas existe a possibilidade do individuo perder o foco da organização do seu ambiente, e não somente isso, da própria organização de si próprio no sentido de cuidar da aparência, pois é comum que nestas circunstancias os indivíduos tratam a ato de cuidar da aparência própria como algo de mera importância.

Quando o individuo organiza o eu ambiente este ato funciona inconscientemente como o ato de colocar as coisas na mente em seus devidos lugares. Isto é, é abstraído pelo individuo, mesmo que ele não tenha consciência este estado de estabilizar a si próprio, por isso que se afirma que, quando se organiza o ambiente estar-se á organizando também a mente. É como se a nossa mente fosse o próprio ambiente externo dentro de nós. O caminho contrário, ou seja, partir da mente para o ambiente também é possível, tem o mesmo efeito, mas o processo é diferente, até por que não se pode organizar a mente do mesmo modo que se organiza o ambiente. Para fazer este percurso é preciso antes de tudo parar em meio à adversidade, respirar de maneira eficiente e analisar o ocorrido de maneira racional desapegando na medida do possível das emoções. É simplesmente o ato de fazer a coisa mais sensata para qualquer situação que seja, não somente uma adversa. Com isto, podemos dizer que o passo para organizar o ambiente será um ato sensato, pois não me parece sensatez deixar o ambiente onde vivemos em condições de calamidade.

Apesar de ser possível tanto a organização da mente afetar a organização do ambiente como o percurso contrário, esta segunda via (do ambiente para a mente) é indispensável no cotidiano, justamente pelo efeito que ela causa na mente.

Pode-se dizer que, para as pessoas que não possuem esta capacidade de manterem-se organizadas em meio às adversidades se torna mais difícil encontrar solução para sobressair do momento difícil, pois algumas noções na mente delas que podem ser exercitadas pelo ato da organização se apresentam de maneira deficiente. A noção de “colocar cada coisa no seu devido lugar” é exercitada pelo ato de organizar e esta é essencial para poder reagir de maneira sensata em meio a uma situação adversa, pois nos fornece as condições necessárias para lidarmos com esta situação sem prejudicar outros âmbitos da nossa vida e assim intensificar os efeitos negativos que já acompanhavam a adversidade primeira. Isto é, ajuda-nos a trabalharmos em cima do que nos tira a paz sem deixar que isso prejudique outras coisas que fazemos e assim, como em cascata, tudo na nossa vida ser afetado de maneira negativa. Ora, lidar com uma situação ruim é melhor que termos que lidar com outras duas, três, X situações adversas.

Mas o mais certo ainda é dizer que as pessoas que se mantêm organizadas têm mais facilidade para lidar com situações difíceis. Isto se afirma por que estas pessoas têm  exercitadas as noções como a citada no parágrafo anterior, além de terem a “estabilidade mental” ao seu favor. Ora, organizado é sinônimo de estável, deste modo, a organização já é em si própria um fator que contribui para o individuo sair de situações adversas.

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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