De onde parte a confiança?

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O presente texto faz parte de um trabalho mais abrangente sobre a a confiança e outras questões relacionadas a mesma. Esta, que é a segunda parte do texto, do seu desenvolvimeto,  se apresenta de forma resumida. O texto original, caso seja de interesse do leitor, pode ser obtido com o autor: andersophia@gmail.com.

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De onde parte a confiança?

A questão mais fundamental sobre a confiança, ao meu ver, é onde ela está situada. É visto comumente se dizer “eu não confio em algo ou alguém” como se a confiança brotasse do sujeito e se dirigisse ao objeto. Mas o certo é se dizer “tal coisa ou pessoa não me passa confiança”, pois a confiança faz o percursso contrário ao comumente usado, ou seja, ela vai do objeto para o sujeito. Como prova disso basta verificar a experiência. Imaginemos um relacionamento conjugal na sua fase inicial, aqui os individuos se mostram envolvidos pelo sentimento no auge, aquele que transforma a relação em algo fora do comum. Nesta situação é possivel dizer que ambos confiam no outro cegamente, pois não houve a desvirtuação da confiança, ou seja, alguma experiencia que venha a fazer um desconfiar do outro. Isso é certo ou então, envolvidos pela paixão, eles param e tomam a priori a desconfiança pelo outro? Será que com uma desconfiança a priori, uma razão elevada, se haveria oportunidade para se entrar num relacionamento ao ponto do que foi supracitado? Não, pois a razão não permite a paixão a esse ponto, ou melhor, ela não permite a paixão, deste modo está descartada a hipótese de uma desconfiança a priori.

Então é errado dizer que a confiança vem do objeto para o sujeito, já que se toma a confiança a priori diante da paixão? Claro que não, confiar é um ato racional, é medir os prós e os contras de algo, a verossimidade, a procedencia, a realidade de algo para se poder crer, acreditar. Deste modo, a paixão é um elemento que não permite se fazer uma reflexão apurada da confiança.

Fora do ambito da paixão, num relacionamento estável[1] podemos falar da confiança racional, então não é de qualquer confiança que falamos aqui, mas sim de uma confiança provida de um arcabouço de racionalidade, uma confiança refletida e não simplesmente considerada sem nenhum tipo de segurança, uma confiança não automática. É este tipo de confiança, de crença que nos interessa. Voltando ao exemplo, podemos verificar aqui, apesar da paixão (sentimento que os envolve), há uma racionalidade, pois não chegaram a este ponto atoa. Neste caso a confiança está presente  podemos observar efetivamente aqui a proposição: “tal coisa ou pessoa não me passa confiança”. Vejamos:

Imaginamos o casal vivendo em harmonia, sem discussões relacionadas à desconfiança. Este estado só é possível pelo fato de os conjuges passarem segurança um para o outro. Vamos tomar como exemplo um deles apenas, este será o sujeito. Por que o sujeito, o homem por exemplo, confia na mulher? O homem confia na mulher simplesmente por que ela passa confiança para ele, pois não é visto no relacionamento discussóes referentes à confiança. Se ela não passasse confiança, será aberta a possibilidade para ele discutir com ela qualquer coisa referente á confiança. Ora, faz sentido se discutir sobre confiança sem decorrer de nenhua premissa? Não, logo, alguem só discute sobre confiança se houver premissas para serem discutidas, ou seja, motivos que levem o sujeito a desconfiar.

Ah, mas se o sujeito estiver querendo testar o objeto? Testar como? Qual argumento, qual fator verossimil ela vai usar para discutir, a partir de que ponto ele vai iniciar o diálogo? Tem-se que haver algo de verossimil para haver o inicio da discussão, caso contrário o sujeito pode ser considerado louco por estar fantasiando, criando uma realidade inexistente.

É deste modo que a confiança se mostra algo fruto da razão e tem inicio no outro, na ação, no comportamento do outro. Podemos ver que é o outro que me passa a confiança, é o outro que me faz confiar nele em detrimento dele mesmo. Compreendida esta questão, podemos passar para outra que tanbem é de suma importancia: Em que momento a confiança dá lugar à desconfiança?


[1] Como num casamento planejado, que segue os conformes necessários para uma vida estável, que ambos desejaram.

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

2 respostas em “De onde parte a confiança?

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