A curiosidade no pós-relação conjugal

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O presente texto faz parte de um trabalho mais abrangente sobre a curiosidade aplicada a um relacionamento conjugal. Esta parte, que é  um trecho do desenvolvimento do texto, se apresenta de forma resumida. O texto original, caso seja de interesse do leitor, pode ser obtido com o autor: andersophia@gmail.com.

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A curiosidade no pós-relação

O pós-relação, como o próprio nome á diz, diz respeito ao período onde os cônjuges não mais se encontram, mas ainda existe o desejo de volta, seja de um apenas ou dos dois indivíduos. É mister tratar da curiosidade neste momento da relação, pois se há um momento na vida dos indivíduos, ou ex-cônjuges,  que demande “estar bem” é esse. Pode-se dizer que a curiosidade neste momento é quem vai determinar o bem estar dos indivíduos, estejam eles com o desejo de volta ou não.

Quando há o desejo de volta, ele se torna o principal fator que gera a angústia nos indivíduos. Isto por que ele é fruto de uma contradição e a consciência desta contradição leva o indivíduo a angustiar-se. Ademais, a falta[1] vai maximizar esta angústia. Mesmo quando não há o desejo de volta a falta se encarrega de assumir o papel de fator fundante da angústia.

Tanto a falta quanto o desejo de volta são superados com o tempo através das vivencias do indivíduo. Primeiramente, a falta, por estar relacionada a um objeto de satisfação pode ser sobrepujada quando o individuo passa a ter outro objeto de desejo, isto é, quando o indivíduo passa a desejar outra coisa, passa a gostar de outra pessoa, tem outros objetivos. Isto implica que aquele objeto primeiro não o satisfaz mais, que seu desejo foi superado por um mais complexo. Por conseguinte, o desejo de volta, por ser um desejo, é temporal, com isto não dura para sempre, desgasta-se com o tempo; e é superado.

No entanto, é mister saber que a curiosidade desempenha um papel fundamental neste momento da relação onde o individuo, ou os indivíduos, se encontram fragilizados. Aqui tem que se levar em consideração duas vias e para tratar de ambas vamos considerar o desejo de um só indivíduo, pois assim já dá conta da questão; Vejamos:

Via 1: O indivíduo deseja reconciliar-se com o outro.

Neste caso, quando o individuo pretende ceder ao desejo e reconciliar-se com o seu atual ex-cônjuge, a curiosidade deve ser evitada ao máximo. Ora, isto parece contraditório, mas há de se considerar que o seu desejo está para o outro e antes de tudo não se sabe do desejo do outro, então, como estamos tratando do bem-estar pessoal, qualquer atitude que seja perpassada pela incerteza deve ser evitada. Em outras palavras, nesse momento deve ser evitada qualquer atitude curiosa em relação ao outro, pois com isso o individuo pode, por um lado ter respostas positivas ou negativas. No caso das respostas positivas as suas expectativas serão correspondidas e o indivíduo sentir-se-á bem, mas em contraponto, se ele tem respostas negativas as suas expectativas não serão correspondidas e ele sentir-se-á mal e, assim, sua ansiedade aumentará e se angustiará, ou seja, prejudicar-se-á a si próprio. É justamente por isso que não se deve tender, ou ceder (pois a falta gera esse desejo de querer saber sobre o outro desejado) à curiosidade, simplesmente pelo fato de existir a possibilidade de o individuo angustiar-se em uma das vertentes possíveis.

Assim, para o bem estar do indivíduo, mesmo querendo a volta do relacionamento, não se deve agir de forma curiosa.

O aconselhável a fazer é deixar que a informação venha a si. No entanto, esta informação deve ser perpassada pela certeza do seu caráter positivo. Ou então, que o próprio ex-cônjuge se dirija ao outro no intuito de reatar a relação, sempre apoiado na certeza de que tal procura seja para tal fim. É deste modo que se garante o bem-estar pessoal e em contrapartida, afasta de si qualquer possibilidade de recepção de um elemento negativo que lhe leve à angústia.

Via 2: O indivíduo não deseja reconciliar-se com o outro.

Neste caso, quando o individuo percebe que por algum motivo não existe mais a possibilidade de volta ao relacionamento,  curiosidade deve ser, como no caso de quando o indivíduo deseja voltar ao relacionamento, evitada. Mas nesse caso esse “evitado” é enfatizado em grau infinito. Pois, saber do outro nesse momento se torna algo contraditório por ser uma arma do indivíduo contra si próprio.

Desejar não voltar à relação e em conseqüência o bem estar próprio implica cortar os laços permeados pelo antigo sentimento com o outro. Deste modo, a curiosidade se torna uma contradição, pois saber da vida do outro, neste momento leva o indivíduo a afetar-se. Ora, afetar-se em relação ao outro é assumir o sentimento e, considerando que o individuo está afastando-se do sentimento relacionado ao outro, isto é tender a uma contradição.

Ademais esta contradição é uma arma do indivíduo contra si próprio. Ora, afetar-se e não ter o outro levará o individuo a angustia, então ceder à curiosidade é prejudicar-se a si próprio, é desrespeitar-se. É por isso que, para se conservar o bem-estar ou, pelo menos, evitar a angústia deve-se cortar definitivamente a curiosidade das ações relacionadas ao ex-cônjuge.


[1] Falta no sentido Freudiano de falta do objeto de satisfação. Hora se tinha o objeto de desejo, o rompimento com tal objeto vai deixar uma lacuna no indivíduo, ou seja, a falta do objeto o qual não está mais em condições de satisfazê-lo.

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~X~

(Andinho Yankee)

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