Paradoxos da confiança (INTRO)

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O presente texto faz parte de um trabalho mais abrangente sobre a a confiança e outras questões relacionadas a mesma. Esta, que é a primeira parte do texto, ou a sua introdução, se apresenta de forma resumida. O texto original, caso seja de interesse do leitor, pode ser obtido com o autor: andersophia@gmail.com.

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A confiança

Etimologicamente, Ela vem do Latim CONFIDENTIA, “confiança”, de CONFIDERE, “acreditar plenamente, com firmeza”, formada por COM, intensificativo, mais FIDERE, “acreditar, crer”, que deriva de FIDES, “fé”. (www.origemdapalavra.com.br).

Falando simplesmente, confiar é crer, ter fé em algo. E não há nada de obscuro ou complexo até aqui. Não há nada para além do que o que foi supracitado. No entanto, considerar apenas etimologicamente a palavra confiaça nos faz deixar desconsiderar algumas questões paradoxais referentes à sua especificidade. E esta que é a parte que nos convém tratar aqui, dos seus paradoxos.

O primeiro passo para se entender a especificidade da confiança é entender que ela representa uma relação. A relação de confiança pressupõe duas coisas: Um sujeito e um outro, que pode ser um objeto, uma entidade ou um outro sujeito. Isto é, a confiança sempre estará entre um sujeito e um objeto[1]. Ora, confiar pressupõe ser a alguma coisa, é deste modo que ela sempre estabelece uma relação de crença, de fé entre alguém a algo.

Ora, quando eu subo m uma escada qualquer ou pulo de bunjee-jump eu os faço por que confio na estrutura e no equipamento respectivamente. Este é um exemplo básico de como se dá a relação de confiança com algo material. Do mesmo modo, se uma pessoa vai à igreja, faz penitência, abre mão de determinados comportamentos em nome de uma entidade divina como o Deus cristão, o faz por que confia nesta entidade divina. Assim tambem se dá a confiança relacionada a outra pessoa. Quando alguém se submete ao outro cegamente, quando deixa o outro com plenos poderes sobre a sua vida, o faz por que confia naquela pessoa.

Podemos perceber tambem casos em que uma pessoa confia respectivamente em algo material e uma pessoa, ou numa entidade e uma pessoa ou algo material, ou ainda em algo materia e uma entidade, enfim. Por exemplo, quando alguem entra num avião que vai decolar, esta pessoa confia no material avião, naquele que vai dirigir o avião juntamente com a sua técnica e ainda, pode-se dizer que inconscientemente, na conformidade da natureza, a ordem, a regularidade que rege o universo e que poderiamos comparar com a entidade divina. Ora, se alguem não tem confiança por estes objetos não entraria no avião ou no mínimo ficaria apavorado[2].

Desconfiança

O oposto da confiança é justamente a desconfiança. Percebemos que aqui existe o prefixo “des” na palavra, o que a torna uma ação contrária àquela primeiramente tomada, contrário à confiança. Isto é, o prefixo aplicado a palavra em questão a torna oposta, neste caso, se antes crê, agora descrê (não crê), se antes acredita, agora desacretida (não acredita).

Entendidos o que ela representa e a sua relação podemos partir para questões mais complexas e fundamentais, como: A confiança se situa no sujeito ou no objeto? Quando a confiança dá lugar à desconfiança? Existe re-confiança?


[1] Objeto aqui deve ser entendido como algo material (como um andaime, uma escada, uma corda) ou uma entidade divina ou outra pessoa. O termo objeto é aqui aplicado somente para diferenciar a primeira pessoa, o sujeito que confia da outra pessoa ou objeto material a qual ela está relacionada.

[2] Ouso dizer que Hume, por exemplo, se entrasse ficaria apavorado. Ver o conceito de causalidade de Hume.

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~X~

 

(Andinho Yankee)

 

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