A natureza da curiosidade

 

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O presente texto faz parte de um trabalho mais abrangente sobre a curiosidade aplicada a um relacionamento conjugal. Esta, que é a primeira parte do texto, ou a sua introdução se apresenta de forma resumida. O texto original, caso seja de interesse do leitor, pode ser obtido com o autor: andersophia@gmail.com.

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Está lá na Metafísica de Aristóteles, primeira linha, “Todo homem, por natureza, deseja conhecer”. Isto é um princípio básico da vida humana, querer conhecer, seja o que for, pode ser o sentido da vida, como é o ritual de acasalamento das lontras ou ainda, por que eu estou escrevendo isso. Isto é, o ser humano quer conhecer de tudo, da coisa mais banal à mais necessária, da mais comum à mais estranha.

Alguns filósofos medievais e até alguns filósofos modernos atribui esse desejo de conhecer à vontade. “Pois somos feitos à imagem e semelhança de Deus[1]”, e esta imagem e semelhança a Deus nos permitem querer conhecer de tudo, seja o palpável ou o inteligível. No entanto, nós não somos perfeitos como Deus[2]. Assim estamos sujeitos ao erro, estamos sujeitos a querer conhecer coisas que estão para além da nossa racionalidade, pois somos falhos, imperfeitos, limitados, perecíveis. Deste modo, por não sermos capazes de conhecer tais coisas, erramos. Por outro lado, podemos conhecer aquilo que está para a nossa compreensão, aquilo que o possível de atingir com a racionalidade humana.

Dada esta introdução sobre a questão da vontade em conhecer, ou da curiosidade, podemos tratar de um caso peculiar de curiosidade da atualidade, que é a curiosidade nas relações conjugais, pré, pós e no decorrer da relação conjugal[3].


[1] A nossa imagem e semelhança a Deus está situada na vontade, que é infinita; Nossa vontade nos permite querer de tudo o que existe no real e no âmbito metafísico. Que fique assim clara esta proposição e que o misticismo e a reificação atribuídas a ela sejam eliminados.

[2] Ser que possui atributos em grau atualmente infinitos (onipotência, onisciência, ubiqüidade), ao contrário do ser humano, que é um ser de atributos limitados (mortal, temporal, extenso).

[3] Por relação conjugal devemos entender aqui como qualquer relacionamento entre duas pessoas, homo ou heterossexuais, e que seja permeado pelo sentimento que une as duas pessoas de forma recíproca, o qual desperto nas mesmas, objetivos comuns.

~X~

 

(Andinho Yankee)

 

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