A natureza da minha falta de atenção (Distração)

 

Hoje eu me peguei refletindo sobre uma determinada ação minha, a reflexão se deu num momento inoportuno, inusitado, inconveniente.  Ao mesmo tempo, com a reflexão, percebi que a minha ação era inconveniente e de caráter “masculino[1]”. Ora, eu sou homem, logo, estou cumprindo meu papel (Não se deixem levar pelo meu sarcasmo e cinismo).

Aconteceu de eu ser convidado para passar a tarde com uma garota bastante agradável e, de certo eu já estava com más intenções e tinha plena certeza que ela também compartilhava dos meus desejos libidinosos, e ouso julgar que até bem mais que eu (risos). Marcados a hora e o local, estava eu em casa à esperar, até que recebia a tal ligação e a ouvi dizer que já estava na esquina da rua onde eu moro. Fui encontrá-la.

Aquela era a primeira vez que nos encontrávamos, até então só dialogávamos através de celular ou MSN. No entanto, eu já a conhecia através de amigos e também já tinha a visto em algumas oportunidades, o mesmo vale para ela. E nos encontramos com alegria, e eu, particularmente, com desejos (safado não, humano!).

Após o encontro caminhamos um pouco e fomos tomar sorvete, quer dizer, eu fui tomar sorvete, pois ela não quis e ainda recusou tudo o que tinha na lanchonete (sei que era vergonha, mas respeitei). Entre a caminhada o sorvete ela pediu para sentarmos e conversarmos um pouco, foi justamente em meio à conversa que eu refleti:

Eis a situação:

Estávamos conversando sobre nós: gostos, desgostos, lugares, desejos, pessoas, momentos, planos… Enfim, o papo típico de duas pessoas que estão se conhecendo, apesar de já nos conhecermos[2]. Então, entre uma e outra fala dela eu me via por fora do assunto, ou seja, não estava acompanhando raciocínios, nem entendendo conclusões ou algumas perguntas.

Partindo desta situação, percebi que aquela não fora a primeira vez que isso acontecia, mas que esporadicamente eu agia deste modo com algumas meninas que eu vinha convivendo. Depois percebi que havia algo em comum entre estas meninas, eram meninas que eu mantinha um relacionamento não estrito à simples amizade, à pura amizade, mas que havia entre nós um relacionamento mais inclinado para o desejo, ou seja, eram meninas que eu “ficava”.

Fazendo uma análise com base nas premissas podemos tentar chegar à causa desta ação, vejamos:

P1: Acontece com meninas que eu fico;

P2: Acontece no momento em que conversamos;

P3: Eu tenho certos desejos relacionados às meninas que eu fico;

P4: O desejo está no âmbito do psicológico;

Estas são suficientes para se tirar uma conclusão que explique esta situação, vejamos:

“Quando eu estou conversando com as meninas que eu fico, pelo fato de não haver pureza, inocência no que me move e, por outro lado, por predominar um desejo libidinoso eu perco a concentração. Primeiramente por que o desejo é algo situado no âmbito psicológico e é ele quem impera quando estou na presença das meninas. Ora, é sabido que a mente humana só se concentra em uma operação por vez, assim não há como desejar e dar atenção à fala da menina ao mesmo tempo”.

Quando eu falo neste meu desejo, falo de um desejo que não fica inconsciente, mas vem à luz da consciência quando eu estou na presença da garota em forma de pensamento. Em outras palavras, eu penso no que quero fazer com as meninas em quanto converso com elas, com isso, o que quero não fica suprimido na psique. É isto que me desconcentra e me faz não dar atenção à fala das garotas, perdendo qualquer fio de raciocínio que esteja sendo tecido ali.

Com isso, eu rio quando penso em quanto perdi quantitativamente e qualitativamente nos diálogos com as garotas. Em quanto deixei de saber sobre elas, em quanto perdi de oportunidades de ter contribuído para um diálogo proveitoso. Rio mais quando penso em quanto vou de encontro ao exercício filosófico[3] dando respostas do tipo: “É assim mesmo”, “Fazer o quê não é?”, “É mesmo!”, “Pois é!”.

Sabendo que é o desejo que me faz desconcentrar diante das garotas, digo que não sou culpado de não dar atenção às garotas, pois as causas de tal comportamento são naturais e necessárias. Veja:

Causa 1 – “O cérebro é limitado e a psique só permite ao humano dar atenção um processo por vez”; O meu desejo vem a luz da minha consciência em forma de pensamento, ao mesmo tempo a menina está falando. Ora, ou presto atenção na fala dela ou no meu pensamento.

Causa 2 – “A tendência a priorizar o que me é mais intimo”; Neste caso o meu pensamento está em meu interior, é algo intimo a mim, enquanto que a fala da garota é algo externo, deste modo eu tenderei a priorizar o que m é mais intimo, ou seja, o meu pensamento, por estar em mim interiormente.

Causa 3 – “O desejo é necessário”; Alguém pode se perguntar: Por que ele não para de desejar? Mas acontece que o desejo é necessário para o humano, ou seja, algo inerente à natureza humana. “É o desejo quem move o homem justamente por que ele é um ser de falta” (Sigmund Freud).

Com isso fica claro as causas, os motivos e a razão de eu não dar determinado atenção às meninas quando converso com as mesmas. Partindo deste caso simples podemos inclusive corrigir a frase recém citada; “Eu não dar atenção às meninas que fico” para “A minha natureza tender a não dar atenção às meninas que minha psique[4] prioriza o desejo na relação”.

~X~

 

 

(Anderson Yankee)


[1] Este termo refere-se ao estereótipo relacionado ao homem, como um ser sínico, mentiroso, impuro, enganador, oportunista, enfim, um ser negativo em oposição à mulher, que é meiga, delicada, pura, entre outros adjetivos positivos.

[2] Não no sentido de já termos nos visto, mas sim no sentido de já termos conversado bastante, inclusive sobre os assuntos tratados ali.

[3] De procurar as causas, motivos e razões das coisas rejeitando qualquer comodismo.

[4] Mente.

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