TANTROMICÍDIO

O Doutor e a jovem Latyka.

 

Um douto na arte do Tantra recebe como objeto de pesquisa do seu pós-doutorado a produção de uma dissertação acerca dos benefícios do mantra ÔM contra o estresse. Para isso, ele teria que prolongar o efeito do Mantra ÔM numa relação sexual ao máximo.

                Para auxiliá-lo na produção da sua pesquisa, foi selecionada uma voluntária (garota albina, 22 anos, olhos escuros, solteira, magra, seios fartos, pernas razoáveis do tipo Sandy, bumbum de modelo americana) para participar da experiência sexual com fins científicos. Isto é, a garota, Latyka, foi selecionada para praticar o ato sexual, pois o Tantra se é basicamente efetivado no ato sexual, e com isso o doutor poder elaborar a sua tese. Visto deste ângulo, não se considera isso um ato de simples luxúria ou lascívia, já que os fins almejados com isto são puramente científicos.

                E assim se deu a pesquisa, num leito projetado especialmente para a ocasião. Era um quarto a gosto de Latyka e que tinha a concordância do douto. Era em quarto de paredes rosadas com meia luz azul. Cortinas finas de cor branca, uma cama em forma de círculo com lençóis num tom rosa suave e travesseiros macios ao redor da cama e pelo chão. Havia também uns quadros nas paredes os quais lembravam pinturas rupestres grandes espelhos espalhados nos espaços laterais e do teto.

                A experiência que resultaria numa tese teve um início um pouco conturbado pelo fato de Latyka se sentir nervosa com a presença de câmeras, apetrechos e outros aparelhos tecnológicos que monitorariam todo o desenrolar da pesquisa. Foi aí que a experiência do doutor fez a diferença. Dr. Rudí é graduado em Psicologia, especializado em “Linguagem corporal” e, posteriormente, em “As vozes do corpo no ato sexual”. Também é Mestre em “Ansiedade e introversão” e, por fim, doutorado em “A arte do Tantra”. Daí que toda a sua formação possibilitou à jovem diminuir a ansiedade e o nervosismo, criando assim um ambiente propício ao início da experiência cientifica. E deu-se inicio à experiência científica.

                Falando chulamente, eles começaram a transar, a praticar a relação sexual que é necessária no Tantra. E seguiram colocando em prática várias posições e técnicas tântricas. Na primeira parte, que durou duas horas e meia, eles trabalharam a estimulação de glândulas específicas para a eficácia da experiência.

                Mais tarde iniciaram exercícios peculiares para trabalhar a absorção de energia solar, parte que é fundamental no tantra para se poder chegar à ativação dos chakras. E assim seguiram por mais 8 horas de prática tântrica com fins científicos.

                O doutor, durante o processo, teve o cuidado e a responsabilidade de por em prática os exercícios de respiração, a postura psicológica adequada e, sempre, fazendo meditações tântricas mantrans. Bloqueou todos os mecanismos de defesa para que a experiência fluísse naturalmente e sem nenhuma adversidade. E, teve a bondade de libertar Latyka de qualquer trauma de experiências sexuais mal-sucedidas. E assim a experiência já durava por 14 horas e meia de puro êxtase tântrico.

                Em equilibrado estado físico eles seguiram efetivando as técnicas tântricas por mais alguns minutos, até que foi atingido o Mantra ÔM[1];

O dever de ambos a partir deste momento era prolongar este estado ao máximo, de modo que ao fim teriam os instrumentos necessários para concluir o objeto de estudo; os benefícios do mantra ÔM contra o estresse. É visto também que eles pretendiam de certo modo esgotarem-se nos benefícios do Mantra OM, ou seja, deleitarem-se ao máximo e assim a experiência iria para além do simples objeto de estudo, mas, nesse novo sentido, teria um fim em si mesmo para os sujeitos envolvidos na mesma. Isto é, simplesmente, por ser uma experiência prazerosa, o seu fim era o próprio prazer, tendo como plano de fundo o objeto da pesquisa.

                Horas mais tarde ocorreu um fato inusitado ocorreu. No exato momento em que o douto e sua parceira atingiram o auge do clímax, o momento em que as pernas tremem, o coração bate mais forte, os lábios adormecem, o semblante fica como que de alguém que sente dor, ou seja, na hora do orgasmo, e não foi qualquer orgasmo, mas sim um orgasmo recíproco, compartilhado entre ambos os parceiros, algo que transcende o ato sexual, algo tão intimo como se os dois fossem um só; Ocorreu de em meio a um ambiente de alegria e satisfação os sujeitos da experiência, o Doutor e Latyka, primeiro o Doutor e depois Latyka demonstrarem um semblante de angústia e de dor, mas sem reproduzir nenhum som e em seguida pararam de respirar ali mesmo, sem mudar de posição, sem mover um dedo.

                Eles morreram, morreram ali na mesma posição em que estavam, compartilhando as mesmas sensações tântricas; morreram colados. Aquela cena gerou um alvoroço, no entanto os pesquisadores que ali estavam, assim como todos os envolvidos na pesquisa não ousaram tocar um dedo e em nenhum fio de cabelo do douto ou de Latyka. Surgiram muitas teses que giraram em torno deste fato, algumas de cunho científico, outras impregnadas de um teor religioso, outras bastante poéticas, mas o que chamou atenção foram as palavras de um ancião que se encarregava da faxina daquele local:

“Eles sentiram da mesma sensação como se fossem o mesmo, tanto que permaneceram parados como se não quisessem soltar um ao outro. Ficaram unidos até o fim sem saber se o coração que batia era de um ou do outro. Nossa, eu também queria morrer assim. Acho até que eles sabiam que iriam morrer, mas não pararam por que o que estariam por sentir só se sentiria do outro lado. (Risos) E eles estão sentindo agora”.

(Rahji, o ancião)

 

Fini

 

Sátira

               

              No atestado de óbito de Latyka constava “coração perfurado por pedra renal”; Era que Rudí sofria de pedra renal e no momento do clímax ele chegou a ejacular e, como conseqüência do Mantra OM, a ejaculação acabou vindo acompanhada de duas pedras renais que o mesmo tinha, uma delas ficou cravada no fêmur de Latyka (segundo os médicos, a pedra renal ricocheteou em algum outro osso para se alojar no fêmur da jovem), enquanto que a segunda atravessou os órgãos internos da jovem, atingindo o seu coração e ultrapassando-o fatalmente.

                Ademais, notou-se a destruição quase que total dos órgãos reprodutivos de Latyka, resultado da intensidade da pressão com que o esperma atingiu os mesmos. Este fato, apesar de triste, colocou o Doutor Rudí no Guiness book por ter a ejaculação com mais pressão. Por fim, este fato também levou o Doutor a ser acusado, mesmo morto, de TANTROMICÍDIO, isto é, um homicídio resultante da prática do tantra.

                No atestado de óbito do douto só constava “parada cardíaca”.


[1] “traz uma infinidade de vantagens, tanto físicas quanto mentais”

EFEITOS VIBRATÓRIOS: O “O” faz vibrar toda a ossatura da caixa torácica, esta vibração é transmitida para a massa de ar encerrada nos pulmões, para a delicada membrana dos alvéolos, que ao vibrar estimula as células pulmonares permitindo um melhor intercâmbio gasoso. Esta vibração exerce também, um notável efeito  sobre as glândulas endócrinas (hipófise, pineal, tireóide, supra-renais, gônadas). As vibrações do mantra “OM”, chegam aos tecidos mais ocultos e as células nervosas, intensificando a circulação nestes locais. Até mesmo o sistema nervoso simpático e o nervo vago recebem a benéfica influência destas vibrações.

A musculatura de todo o aparelho respiratório relaxa e se fortifica, a respiração desenvolvida aumenta o aporte de oxigênio para todo o corpo. A vibro- massagem da vocalização de “OM”, atinge os órgãos da caixa torácica, do abdômen e nervos cranianos. Como conseqüência desta vibração, ondas eletromagnéticas são produzidas propagando-se por todo o corpo, aumentando o dinamismo e a vontade de viver e finalmente desenvolvendo a capacidade de concentração. 

EFEITOS SOBRE O APARELHO RESPIRATÓRIO :

1-     Respiração lenta : A emissão de “OM” torna mais lenta a exalação, o que revitaliza o coração. 

2-     Respiração regulada : Quando o som é uniforme a respiração torna-se contínua, sem sacudidelas.

3-     Respiração completa : Expulsa todo o ar residual dos pulmões, como conseqüência a inalação se torna mais profunda.

4-     Controle e relaxamento : Para que o som seja uniforme, é imprescindível o relaxamento dos músculos respiratórios durante a exalação. 

EFEITOS MENTAIS:

1.      Quase imediata prevalência de ondas do tipo “Alfa” no cérebro, as quais induzem calma, paz e relaxamento de tensões em geral.

2.      Ativa a secreção de substâncias como a “serotonina” e “endorfinas”, que incrementam ou estabelecem a sensação de satisfação existencial de forma continuada. Estimula e exercita a atividade equilibrada dos dois hemisférios cerebrais.

3.      Notável aumento da capacidade de concentração e memória.

4.      Induz à estabilidade emocional.

Fonte: (/www.angelfire.com)

~ Em outra oportunidade veremos a conclusão da pesquisa.

~X~

 

(Anderson Yankee, Igor Durval)

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s