Filosofia primeira numa visão Aristotélica

 

Na antiguidade, uma das mais brilhantes visões do que é a filosofia, nós encontramos em Aristóteles, no seu livro “Metafísica”.  Aristóteles faz uma descrição detalhada expondo características e a importância desta ciência, chegando assim a conclusão de que esta é, dentre as tantas outras, a mais excelente e, ainda, considerada divina.

 

Primeiramente, a Filosofia ou Filosofia primeira é oriunda do espanto, podemos ver isso na Metafísica: “Foi, com efeito, o espanto que levou, como hoje, os primeiros pensadores à especulação filosófica”. É no momento em que o homem fica perplexo diante de algum fato que aconteça consigo mesmo ou com o outro, ou ainda na natureza, que ele se depara com a dificuldade para conhecer aquilo que aconteceu, então se sente ignorante e assim passa a fazer indagações (O que é? Por quê? Para quê?) acerca daquele fato que o deixou espantado. Basicamente, é a partir deste momento que ele vai começar a filosofar, isto é, procurar saber o porquê e a causa daquele fato ter acontecido, para que ter acontecido, enfim, questionar o quanto for possível sobre aquele fato para poder aspirar a sabedoria. Então, quando se alcança as causas e os porquês das coisas que nos espantam, sejam elas simples ou complexas, o homem alcança a sabedoria e foi nesse sentido que os primeiros pensadores ou sábios (filósofos) começaram a especular; para fugir da ignorância. …Ora, perceber uma dificuldade e espantar-se é reconhecer a própria ignorância… “Portanto, se foi para escapar da ignorância que os primeiros se dedicaram à filosofia, é evidente que eles perseguiam o saber em vista apenas do conhecimento, e não para um fim utilitário” (Metafísica).

 

A filosofia é tratada por Aristóteles como uma ciência liberal, independente. Isto se dá pelo fato de a filosofia buscar o conhecimento o desejando por si mesmo, isto é, sem nenhum fim prático. O termo independente vem da comparação com o homem livre, aquele que é para si mesmo, assim também é a filosofia primeira. “Mas, da mesma forma que chamamos livre aquele que é para si mesmo o seu próprio fim, e não existe para o outro, assim esta ciência é também a única entre as demais que seja uma disciplina liberal, uma vez que só ela é para si mesma o seu próprio fim” (Metafísica). Ela é para si mesma em virtude do seu Bem (fim) e da sua questão central. O fim da filosofia primeira é a sabedoria apenas pela sabedoria como já foi dito e a sua questão central é a problemática do Ser enquanto Ser (as propriedades gerais ou atributos dos seres, seja qual ser for) e os princípios e causas primeiros de tudo o que há (existe). Tendo em vista a sua questão principal, podemos concluir que a filosofia primeira não pode depender de nenhuma outra ciência, pois ela trata do início de tudo, de como surgiu, para que surgiu, por que surgiu, enfim questões essenciais, as primeiras questões. Então, se ela é a ciência que trata do início, as outras só poderão tratar de questões que estão dentro das tratadas pela filosofia, serão dependentes dela. É como a relação de universal e particular, nesse caso a filosofia primeira trata do que é universal, que vale para todos os seres, enquanto as outras ciências tratarão de assuntos particulares, coisas isoladas que valem para determinados grupos, como a Medicina trata das questões relacionadas à saúde física animal e a Psicologia trata das questões relacionadas à mente.

Ora, este é outro fator que comprova que a filosofia, ela trata de assuntos universais, que valem para todos os seres. As questões universais são mais difíceis de resolverem, pois os assuntos deste tipo estão afastados dos sentidos, não se alcançam com a simples percepção humana, que é bastante limitada. Ao contrário, assuntos particulares podem ser alcançados com a percepção humana.

Um dos assuntos mais especulados pela filosofia primeira, também, é a questão do divino. Aristóteles chama a causa primeira de Motor imóvel que é “Ato puro, causa de toda mudança no mundo, mas absolutamente não passível de toda mudança” (JAPIASSÚ, Hilton; Dicionário de Filosofia, 2008), na visão atual (a qual foi proposta por Tomás de Aquino) este é Deus.  Por tratar de questões desse tipo a filosofia recebe o status de divina ou conhecimento divino, pois o conhecimento sobre o que está além dos sentidos, isto é, não são visíveis, palpáveis, só os Deuses possuem. Ora, por esse motivo que a Sabedoria é tão desejada, pois todo sábio quer para si o que os Deuses conhecem, é o conhecimento supremo. “Ora, só há duas maneiras pelas quais esse conhecimento pode ser divino. Uma ciência é divina se for tipicamente propriedade de Deus ou se ocupar-se de questões divinas. E só esta ciência preenche ambas as condições: porque (a) todos acreditam que Deus é uma das causas e um princípio e (b) é o único ou maior possuidor desse tipo de conhecimento” (MARCONDES, Danilo; Textos básicos de Filosofia, 2008, p.52).

~X~

 

(Anderson Yankee)

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