Meu filho, meu!

[Pensado há alguns dias atrás, escrito hoje!]

 

Ontem à noite eu saí com uns amigos. Fui à orla de Jacarecica onde lá conversamos, bebemos, dançamos, alguns se relacionaram com meninas, enfim… Em um determinado momento viemos embora, deixamos as meninas em casa e fomos para casa. Ao chegar na rua em que eu moro estava lá vários colegas meu e na minha frente o portão da minha vizinha aberto, lembrei-me que muito recentemente nascera a filha de um colega meu – um dos que se encontrava na rua – resolvi visitar o recém nascido.

Naquele momento, diante da criança eu tive duas experiencias, uma que não pode ser retratada e a outra se encontra diante de quem lê este texto. De fato, as duas se realizaram no meu íntimo, mas o que senti a priori foi sublime, foi de tirar o equilibrio, foi como a experiencia da totalidade do ser. A paz, a catarse, a alegria que eu tive diante daquela criança foi uma experiancia que está para além da res cogitans. Crianças recém nascidas trazem consigo este poder de fazer o individuo entrar num estado de introspecção e isso nos gera um produto bom, algo difícil de conceituar. Isto é, se há um grau de humanidade tal no individuo, ele é capaz de compartilhar deste produto. Digo isto e sublinho o termo “grau de humanidade” para poder tratar da segunda experiencia que tive.

Após ter esta sensação sublime lembrei-me de algumas palavras do pai da criança que até alguns dias atrás não me faziam tanto sentido:

– Eu só quero saber da minha filha, a mãe não é problema meu!

– Não estou tão feliz, é menos dinheiro para curtir!

– Minha mãe está apoiando ela, eu vou sair de casa!

Lembrei destas palavras com um desejo enorme de atravessar aquela casa, sair na rua e socar a cara daquele que se recusava a dar carinho tanto a mãe da criança (como já era previsto) quanto para a criança (pois ele estava ausente).

A situação era, o cara é o metido a pegador, a conquistador, a farreiro e sai pelo mundo a transar com qualquer uma que aparece na sua frente. Eis que num aventura destas ele conhece “Eva” e eles transam sem compromisso, e mais tarde ela se apresenta como grávida a ele, e ele se apresenta com averso a ela. Ele espalha aos amigos que nunca quis esta gravidez e que não tem o minimo interesse nela, somente deseja a criança. Eva, sem contar com ele passa a contar com a mãe dele, e esta lhe apóia e lhe oferece abrigo, uma base. Mas eis que diante daquela situação o tal pai se sente ameaçado e, inclusive, rompe com a propria mãe acusando-a de ficar contra ele em virtude do ato humano de apoiar aquela que carregara o filho do seu filho, mesmo que nunca tenha desejado isso.

A criança nasce e a cena é de uma mãe que anda torta, entrevada, cansada e provavelmente angustiada por nunca ter sonhado tal situação para ela e seu filho; Uma avó com um “sorriso” no rosto pelo nascimento da sua neta e uma possivel dor no seu intimo pela siatuação meio que improvisada e com um carater meio que de indefinido deste nascimento, mas amenizada pela certeza de que do seu filho mais positivo que isso nada viria, negativo quem sabe! Ademais um pai que afirmava, senão apresentar sentimento algum pela mãe, ao menos acolher a criança não efetiva a sua afirmação e como sempre fora, vive somente para si, bebendo, transando com a primeira que vê na sua frente e vivendo ausente da vida familiar.

Isso não é certo! Houve de alguem chegar e me dizer: Agora você tambem não faz isso. Bebe, sai com os amigos, transa com todas que aparecem, faz todas as loucuras que existem, enfim… Você no lugar dele não faria igual? (Nem preciso dizer que essa pessoa, depois de uma conversa, não tem mais contato algum comigo!)

Caralhoooo, claro que não, se eu fizesse igual ele teria escrito um texto igual ao meu! Teria demonstrado amesma consciencia que eu, teria a mesma percepção da situação, mas não tem, pelo contrario, ele não tem consciencia alguma, é simplesmente um animal que age egocentricamente e sem razão alguma. Está aí a nossa diferença!

Desde quando fiquei solteiro, de fato tenho feito isso: “Bebe, sai com os amigos, transa com todas que aparecem, faz todas as loucuras que existem, enfim…”. Mas, sei que isso não é vida para mim. Eu curto bastante, mas é amando que a minha vida se efetiva, é amando que a alegria se efetiva. Nós já nascemos com sentimentos e por que recusá-los? Deste modo, enquanto eu não me apaixono e me entrego de vez a uma pessoa eu vou saindo com pessoas maravilhosas e que me fazem bem. E não é com qualquer ua que eu saio, são meninas que eu escolhi para sair e elas, não só por estarem comigo, mas sim pelo que elas são merecem todo o respeito e valor do mundo, tanto valor e respeito quanto qualquer uma freira ou a a mãe de familia que está com seu marido e filhos em casa a desfrutar de uma ambiente familiar sadio.

Deste modo, Seja com Polly, com Milly, com Rafinha, com Ju, Milla, Beth, Jéssica, Bruna, enfim… Seja com quem for que eu transe ou apenas troque carinhos, ou apenas converse, com certeza ela terá meu respeito e valor considerando o que acontece no momento e no futuro tambem. Ou seja, se acontecer de uma delas engravidar não haverá da minha parte nenhua aversão, pois se eu “tive pinto para engravidar”, por que não terei “pinto para assumir”? O que quero dizer é que não seria justo desamparar alguem que confiou em mim para deitar numa cama e fazer sexo, alguem que considerou as consequencias daquele ato libidinoso repartido para ambos. Ninguem engravida sozinho, ela não fez sexo sozinha, ela não me forçou, eu não a forcei, foi deliberado, então, deliberadamente eu me comprometo a assumir as consequencias.

Ademais, já citei o que sinto diante de uma criança e isto não vale apenas pelos filhos alheios, pelo contrário, se por um filho meu este sentimento se intensifica, multiplica-se exponencialmente. E a mãe da criança, tendo ou não um relacionamento firme comigo, ou seja, sendo minha namorada, noiva, esposa ou uma simples colega ou ficante será tratada como merece, como a mulher que me deu o maior presente que um homem pode ganhar… Um filho, uma vida, um milagre da natureza, um complexo jamais desvelado.

“Um determinado grau de humanidade é necessario para se ter consciencia de que o Outro não é apenas o Outro, mas sim um Outro que carrega todo o eu que há em mim, deste modo, atingindo um Outro atingimos um Eu, um Eu que tem consciencia. Amar o Outro é amar o Eu, o humano”.

~X~

 

 

(Anderson Yankee)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s