De AR para AR

 

“O amor é expresso, às vezes, das mais contraditórias formas”.

Ana Rafaella, 19, Jacintinho, Publicitária.

 

Há muito tempo conheço Rafaella. A conheci por intermédio de um amigo. Foi amizade sincera à primeira vista. Adorei o seu jeito de falar, de tratar as pessoas que estão ao seu lado, de manter-se firme frente às dificuldades, de lutar pelas coisas que deseja e pela consciência e sensatez com que deseja.

Desde que nos conhecemos nos olhávamos e tratávamos de um modo peculiar, hora como irmãos, hora como namorados, casados, enfim… Dávamos conselhos um ao outro como que se quiséssemos conservarmo-nos um para o outro.

De um lado, eu estava em meio a algo que chamava de noivado com uma garota, de outro lado, Rafaella estava solteira. Nossa amizade sempre foi de confidencias outras peculiaridades de amizades sinceras onde impera o amor, entre amigos. Com isso, sempre ficou às claras entre nós a conturbação do meu “relacionamento” e o desejo dela de que eu fosse feliz; E o modo mais fácil disso acontecer seria sem a minha “noiva”. Ademais, Rafaella não negava que era atraída por mim e que essa atração ela denominava “Amor”.

Em um determinado momento a nossa amizade foi dando lugar a outro sentimento que não era mais o da simples amizade. Se por um lado eu sofria demasiadamente com a minha relação indeterminada denominada “noivado”, por outro lado Rafaella me fazia muito bem, ficando do meu lado, me apoiando, me oferecendo do seu ombro à sua casa como consolo, levantando a minha auto-estima, me proporcionando alegrias. De certo, a positividade da Rafaella foi sobrepujada pela negatividade do meu “sei lá o quê” que chamávamos de “noivado”, porém eu estava ciente de que esta negatividade causada por este relacionamento era passageira; E segui!

Passada a enfermidade deixada pelo meu antigo “glkfkshr$#$%”, minha relação com Rafaella se mostrou bem mais forte que anteriormente. Passamos a nos falar todos os dias, nos ver com mais freqüência, até passamos a ter mais amigos em comum devido a saídas em grupos que combinávamos, enfim. De certo, nesse momento eu não queria me envolver efetivamente com ninguém, no sentido de namorar, noivar, casar, enfim. Ou seja, eu estava ao lado dela, conversava com ela sobre a possibilidade de ficarmos juntos, mas só procurava o que me encantou a priori nela, que foi a sua amizade;

No entanto, foi inevitável a palavra, foi inevitável o olhar, foi inevitável a música, foi inevitável o toque, foi inevitável o sentimento, foi inevitável o beijo, foi inevitável a respiração, foi inevitável a carícia, foi inevitável a conexão intima, foi inevitável o desejo compartilhado, foi inevitável o sexo, o prazer e o amor. Inevitável só não foi a consciência.

 Apesar de um momento, dadas as circunstancias, ter sido inevitável, foi positivo por ter sido o elemento de confirmação da nossa imperfeição, da nossa imensa interrogação referente ao outro e ao sentimento do outro. Mostra que há duvida e incerteza entre nós e isso é suficiente para sabermos que não é a hora de prosseguir. “Pois nada dá certo começando errado”.

Continuo com a minha vida, vida que me agrada, pois não há preocupação nem expectativas, apenas a vida e ela mesma, fluindo em direção ao indeterminado;

E o indeterminado é interessante, cheio de surpresas e desafios, e os desafios apresentam dois caminhos: o da alegria e o da dor, e ambos são instigantes e bons;

O primeiro por já ser um bem em si mesmo e o segundo por proporcionar a dor e a dor proporciona o amadurecimento, pois os dois andam de mãos dadas. Ora, o amadurecimento também é um bem e a dor, que é um mal, não passa de um meio.

A alegria e a dor são instigantes, os desafios são instigantes, o indeterminado é instigante, deixar fluir é instigante… A minha vida é instigante!

 

 

~x~

 

(Anderson Yankee)

 

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