Penúltimos dias de uma vida.

~X~

 

Ontem eu tava mal, sem carinho, sem consolo, pensando em tudo de ruim que estava ocorrendo nesta minha vida.

Pensei que lá em casa tudo estava perdido. Minha relação com minha mãe e meu padrasto seria pra sempre como agora, sempre cheia de fronteiras inquebráveis, muros com furinhos onde dá pra ver o outro lado, mas é impossível chegar lá.

Pensei que os estudos me fazem mal, me deixa ansioso, me abrem demais os olhos, me aliena. Ademais, me tomam o tempo e demanda muito da minha atenção, me faz gostar de coisas que eu não quero gostar, me tira a saúde mental e física e me tira as pessoas da proximidade.

Pensei que o trabalho – Que me dá proporciona prazer – já não faz tanto sentido se o caralho do sistema te condiciona a executá-lo da pior forma possível.

Pensei no mundo que tá perdido. Onde está a ética da alteridade? Onde estão os valores? Onde está o amor? Não essa porra de amor pregado na peste da televisão, na internet, nas ravies, baladas e demais locais de socialização juvenil.

Por fim, pensei no que mais importava pra mim, no meu próprio amor. O meu amor era a minha base, o que me sustentava em meio a tantos pensamentos que me desequilibravam. Vi com isso que o outro mais o outro é sempre igual a outro. E foi isso que me fez ver que o produto desta relação já não cabia no outro que sou eu.

Eu levantei pela manhã e percebi que minha namorada tinha mudado. Minha namorada, que outrora tinha sido noiva, já não me olhava com os mesmos olhos, já não dialogava com as mesmas palavras, não me considerava como no primeiro momento junto. Não enxergava os problemas como algo a se resolver, já não me qualificava como anteriormente o fazia.

Em meio a tantas enfermidades na alma o meu amor me tratou como a própria enfermidade. Eu que precisava de carinho, consolo e FORÇA. Assim me vi sem direção. Eu que a amava tanto, que fechei os olhos pra tudo o que estava acontecendo. Eu que me desamei pra amá-la mais, ou melhor, para amá-la mais diante de tudo o que me ocorria, me perturbava e me maltratava. Eu a amei independente de mim mesmo, independente do que eu pensava ou acreditava.

Por quê?

Quem sabe amanha eu descubra!?

~X~

 

(Anderson Yankee)

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