CORRENTES DO CONHECIMENTO – RACIONALISMO, EMPIRISMO, INTELECTUALISMO E APRIORISMO

Anderson Rafael dos Santos Guedes

Igor Durval Ramos Dantas

Resumo do texto: “Teoria do Conhecimento”

 

RACIONALISMO

É a corrente que afirma que tudo que existe tem uma causa inteligível, pondo a razão, o pensamento, como a principal fonte do conhecimento humano. Seu método é a dedução. Seu conhecimento só é aceito como racional se possuir em seus juízos necessidade lógica e validade universal, sem precisar do uso da experiência.

            No racionalismo, percebe-se a influencia da matemática, pois esta é um conhecimento inteligível, puramente dedutivo e conceitual, com validade universal e necessária, deste modo, pode-se enxergar, pois, que, a maioria dos racionalistas são matemáticos.  

            A forma mais primitiva de racionalismo está em Platão, este admitia que o saber verdadeiro possuía necessidade lógica e validade universal. O mundo da experiência não poderia fornecer um conhecimento verdadeiro, pois, encontrava-se em constante modificação. Platão acreditava na teoria da reminiscência para explicar a fonte do conhecimento. Seu racionalismo é chamado de racionalismo transcendente, pois a alma, num mundo supra-sensível, teve contato com as idéias (o verdadeiro conhecimento) e agora, somente recorda-se delas por meio da experiência sensível.

Diferenciando um pouco de Platão, Plotino concebe que o conhecimento provém de um nous cósmico, uma inteligência ou espírito cósmico, onde o espírito humano recebe as idéias deste nous, onde o espírito humano é iluminado, contrapondo a Platão que acreditava num mundo das idéias, esta teoria caracteriza-se pela iluminação. Agostinho dá um sentido mais cristão às idéias de Plotino, ou seja, há uma substituição do nous pelo Deus cristão, desta forma, pode se dizer que o espírito humano, ou a razão humana é iluminada por Deus, podendo assim, chamá-la de racionalismo teológico.

Dentro da perspectiva de um racionalismo teológico, mas, de uma forma mais intensa, há o teognosticismo e o ontologismo, aquele tendo como referência Malebranche, filósofo francês, onde sua tese fundamental traduzida diz: “Nós vemos todas as coisas em Deus”. Prega ele a teoria racional do absoluto como fonte única, ou ao menos, a principal, do conhecimento humano. Já o ontologismo, refere-se a Gioberti, filósofo italiano, que diz poder conhecer as coisas contemplando o absoluto na nossa atividade criadora, ou seja, o homem possui uma visão ou intuição direta e indireta de Deus.

Na modernidade, em contraposição ao racionalismo teológico e o transcendente, temos o racionalismo imanente. Com isso, Descartes e Leibniz trazem a doutrina das idéias ou conceitos inatos, onde estas são as mais importantes fundamentadoras do conhecimento. Para Descartes, os conceitos estão mais ou menos prontos, já em Leibniz, as idéias estão em potência.

No século XIX, há outra forma de racionalismo, que é estritamente lógico, onde concebe o pensamento como a fonte única do conhecimento, não existindo espaço para a experiência. Com isso esta forma de racionalismo assume um caráter unilateral. Além disso, outro defeito comum do racionalismo é a dogmatização do conhecimento por deduzir conhecimentos a partir de simples conceitos.

EMPIRISMO 

 

            É a corrente que tem como fundamento que a obtenção do conhecimento se dá através da experiência, assim, não se tira os conteúdos do pensamento, como posiciona o racionalismo, ou seja, o espírito humano está vazio de conceitos e somente através da experiência formulam-se os conceitos gerais. Todos os conceitos, mesmos os mais abstratos e universais partem de fatos concretos.

            Já na antiguidade se via concepções empiristas. Os estóicos já falavam que a alma é uma tábua onde não há nada escrito. Mas é na idade moderna que vê os mais importantes representantes do empirismo: Jonh Locke e David Hume, eles reconheceram a esfera da matemática como conhecimento válido, em contrapartida, combatiam o princípio das idéias inatas. Para Locke, a alma é um papel em branco e que somente através da experiência, estas iriam imprimindo marcas neste “papel”. Para ele, havia dois tipos de experiência: a interna e a externa, a aquela é a reflexão, esta, a sensação. Para Locke, as idéias poderiam ser simples ou complexas.

Em Hume, há uma divisão das idéias em impressões e idéias. As impressões são percepções nítidas das sensações; as idéias são cópias das impressões, ou seja, com base nestas impressões surgem representações menos claras da memória e da fantasia. Para cada idéia deve-se apontar uma impressão correspondente.

Como representante do sensualismo, Condillac, contemporâneo de Hume, defendeu que a única fonte do conhecimento era a sensação. Já o filósofo inglês John Stuart, que atribuiu o conhecimento matemático à experiência e até as leis lógicas do pensamento tem a base na sua validade na experiência.

INTELECTUALISMO 

Esta doutrina tem como característica conciliar duas concepções que se mostram opostas, racionalismo e empirismo, desta forma, o intelectualismo considera as duas concepções supracitadas como relevantes para o processo de formação do conhecimento. Apesar disso, percebe-se uma pequena inclinação para o empirismo. O intelectualismo aceita que juízos são necessários e que precisam de uma validade universal, tanto para os objetos ideais, quanto para os reais, todavia, nesta doutrina, os juízos derivam da experiência, a consciência cognoscente tira seus conceitos da experiência. Seu pressuposto fundamental é: “nada está no intelecto que não tenha passado pelo sentido”. Com isso, estabelece-se que pensamento e experiência são as bases do conhecimento humano.

Pode-se dizer que o intelectualismo teve como precussor Aristóteles, que procurou dar solução para a problemática do conhecimento. Aristóteles, depois de seguir as concepções racionalistas de Platão, virou-se para o empirismo e destacou que a experiência é fundamento de todo o conhecimento. O conhecimento parte da experiência, entretando, a interpretação é dada pelo pensamento. Através dos sentidos se recebe imagens dos objetos e nela está contida a ideia, essência universal das coisas, onde só resta extraí-la. O conhecimento se dá por uma espécie de iluminação, o pensamento é passivo e ativo. O Nous poietikós (intelecto agente), atua como uma luz, deixando a ideia transparente, acendendo-a. Esta luz é recebida pelo Nous pathetikós (intelecto receptivo), entendimento possível, desta forma, o conhecimento se faz concretamente.

Em Tomás de Aquino, sua tese se parece com a de Aristóteles, todavia, ele a reorganiza. Há, pois, o intellectus agens e o intellectus possibillis, aquele extrai as ideias, este, recebe-as. Seu pressuposto é que todo o conhecimento da nossa mente deriva dos sentidos.

APRIORISMO

 

            O apriorismo nada mais é do que outra tentativa de conciliar racionalismo e empirismo. Apesar de concordar com o intelectualismo no que diz respeito a existencia de um fator racional e um empirico no conhecimento humano, o apriorismo situa o fator a priori no pensamento, na razão e não da experiencia. Deste modo, este tende ao racionalismo como sujeito que desempenha o principal papel na produção do conhecimento.

Segundo o apriorismo, existe em nosso conhecimento elementos que existem independentes da experiencia, ou seja, são a priori. Estes elementos são de natureza formal, isto é, formas do conhecimento que recebem seu conteudo da experiencia. Em outras palavras, estes elementos a priori, ou fatores aprioristicos são análogos a recipientes vazios que são preenchidos com os conteudos provindos da experiencia. Neste caso, o material do conhecimento provém da experiencia, já a forma que este material irá adquirir está no pensamento.

No apriorismo o pensamento sempre se mostra ativamente frente a experiencia, isto por que é ele que organiza o processo de conhecimento levando as formas a priori ao conteudo da experiencia determinando os objetos do conhecimento.

O fundador do apriorismo é Kant. Afirma ela que o material do conhecimento apresenta-se como um caos e é o nosso pensamento que se encarrega de dar ordem a este caos relacionando os conteudos sensiveis entre si. Isto se dá por intermedio das formas de intuição (tempo e espaço; ordena espacial e temporalmente na sucessão ou na simultaneidade) e do pensamento (doze, segundo Kant; por exemplo, a causalidade, proporciona uma relação causal entre coisas).

Assim, fica clara a distinção entre os modos de conciliar racionalismo e empirismo feitos por intelectualismo e apriorismo.  Este atribui o fator racional à razão, enquanto que aquele deriva os conceitos da experiencia.

(Anderson Yankee; Igor Durval)

6 respostas em “CORRENTES DO CONHECIMENTO – RACIONALISMO, EMPIRISMO, INTELECTUALISMO E APRIORISMO

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