Memória del saqueo

Atividade apresentada ao curso de

 Filosofia, da Ufal, como requisito à

 nota para a disciplina Tópicos do pensamento Marxista contemporâneo,

Ministrado pelo Prof. Ms. Dr. Arthur Bispo.

 

  

Universidade Federal de Alagoas

Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes.

Curso de graduação em Filosofia.

 

 

 

Relatório do documentário “Memória Del Saqueo”

 

 

 

Memoria del Saqueo tem inicio mostrando o desfecho do que foi o que o próprio nome do documentário já diz, as memórias de um saqueio. A história se passa na Argentina da década de 70 até 2001. 

O ponto crucial para o desenrolar dessa história é uma dívida externa da Argentina, chamada ironicamente de “deuda eterna” (dívida eterna). Essa dívida foi feita nos anos 70 e foi apontada como a causa do empobrecimento e da corrupção exacerbada naquele país. Neste tempo a Argentina era marcada pela ditadura, assim, havia a supressão dos direitos humanos.

Mais tarde, na década de 80 quem assumiu a presidência daquele país foi Raúl Alfonsín, que assumiu com um discurso social democrata, com princípios neoliberais, e que prometia lutar contra a pobreza e garantir os direitos humanos, dizendo que o Estado não podia subordinar-se a grupos estrangeiros nem a privilegiados locais. Este era o inicio de uma historia de traição que levaria o povo argentino à miséria sem limites, era o inicio do genocídio social.

A dívida só aumentava chegando a um ponto de o país estar praticamente hipotecado. A miséria crescia e crescia, então o povo resolve agir saqueando supermercados, indo às ruas, resistindo como podia. Como produto disso Alfonsín renuncia à presidência antes de terminar o seu mandato e dá o lugar a Carlos Menem.

O governo de Menem é tachado pelo autor do documentário como sendo o auge da corrupção, do roubo e da impunidade.  Este assumiu com promessas de “Revolução produtiva e salariaço”, mas não foi bem isso que aconteceu, pelo menos, não para o povo. Com Menem a dívida continuou crescendo, mas também diminuiu muito, no entanto o modo que este arrumou para diminuir a dívida eterna foi vendendo os patrimônios estatais a preço de banana. Menem privatizou as empresas argentinas de maior rentabilidade por preços absurdos e sem inventário, houve também exorbitantes superfaturamentos na construção de empresas estatais. A privatização ocorreu nas áreas da mídia, indústria petroleira (YPF), área de comunicação entre outras.

Como é visto este presidente também traiu aqueles que depositaram confiança nas suas promessas. Essa traição trouxe conseqüências drásticas para a Argentina que já vinha enfrentando maus tempos. Como é de lei, os atos dos governantes são sentidos pela sociedade, e neste caso a sociedade ficou com o desemprego que chegou a 20% da população e, como fruto da recessão, a miséria aumentou ainda mais. Isso fazia com que os hospitais ficassem abarrotados de gente, principalmente crianças, com inúmeras doenças decorrentes da falta de alimentação. Com relação a isso, um médico cita no documentário que na verdade a doença daquelas pessoas era de origem social, pois aquilo tudo já decorria da administração anti-social dos representantes do povo. Por outro lado, os ricos ficavam cada vez mais ricos, evidentemente por uma tendência neoliberal.

A todo o momento vai-se ver a negatividade no governo de Menem. Além deste, há outro protagonista nessa história de roubalheira, que é o Ministro da Economia Domingo Cavallo. Este foi citado como o maior responsável pelo crescimento da divida externa Argentina.

Em meio a todo esse contexto de ladroagem obviamente foram vistas também algumas iniciativas de investigações forjadas acerca da corrupção, no entanto, quem era necessário para a perpetuação daquele esquema que ali estava armado era poupado por motivos “que estão além da compreensão da sociedade”, ou seja, na verdade esses movimentos contra a corrupção eram apenas jogadas de marketing, pois no fim quem merecia estar preso se safava.

Para completar a ficha dos acontecimentos no governo de Menem têm os atentados terroristas, ataques genocidas, suicídios e mortes de pessoas importantes, consideradas chaves para alguns dos acontecimentos que se passaram durante esse tempo, todos estes nunca esclarecidos.

Mais tarde, por meio de eleições, entra no poder Fernando De La Rúa. A recessão continua e pra completar este resolve baixar os salários e aumentar os impostos.

Cavallo também está presente neste governo e dá um jeitinho de roubar mais um pouco quando renegocia a divida… A miséria continua crescendo para as classes mais baixas da sociedade.

A indignação faz o povo agir em busca dos seus direitos e o presidente os recebe “amigavelmente” com o exercito, ou seja, repressão pra calar o povo. Isso o fez bater um recorde, jamais um presidente tinha matado tanto.

A Argentina cada vez mais se auto desvalorizava e isso já era reconhecido pelo mundo, principalmente pelos países europeus que encurtavam as suas relações com a Argentina. A dívida já estava numa dimensão exorbitante e não havia políticas voltadas para esse problema, pelo contrario, havia políticas que contribuíam para o problema.

Por fim, o documentário mostra as cenas lá do inicio, as quais, na verdade, são o fim desta sofrida historia. Trata-se do dia vinte e um de dezembro de 2001, mais uma ação do povo contra todas essas atitudes anti-humanas vistas ao longo do documentário. Essa resistência é acompanhada pela dor da derrota do povo durante todos esses anos e conseqüentemente o triunfo dos maus governantes que só agiam em prol de si mesmos, no entanto ainda existe para o povo a esperança de que a sua nação pode se recuperar.

O resultado foi: inúmeros mortos e a primeira vitória dos Argentinos. De La Rúa sai da presidência e assume Nestor Kirchner e a esperança se renova. Assim, mais uma vez é visto que é preciso pessoas morrer na luta para se poder normalizar determinadas coisas. Talvez se a realidade fosse diferente não precisasse essas coisas acontecer. De certo sabemos que tudo isso foi fruto de um sistema econômico que tem a ganância e o anti-humanismo como idéia inata aliado a indivíduos que não tem consciência do que são e o que é ser… Humano.

 

 

~X~

 

 

(Andinho Yankee)

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