Jean Piaget e a Educação (Epistemologia Genética)

Atividade apresentada ao curso de

Filosofia, da Ufal, como requisito à

 nota parcial para a disciplina Desenvolvimento e Aprendizagem,

 Ministrado pelo Prof. Ms. Dr. Walter Matias.

 

Universidade Federal de Alagoas

 Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes.

 Curso de Graduação em Filosofia.

 

Jean Piaget e a Educação

 

 

 

A.     Introdução.

Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça em 1896. Licenciou em biologia em 1915 pela Universidade de Neuchâtel e três anos depois se doutorou com uma tese sobre moluscos.

Gostava de Filosofia e tinha grande apreço pela Lógica e pela Psicologia, passando inclusive por alguns laboratórios desta ultima, realizando estudos sobre Psicologia Experimental.

Antes de formado, escreveu vários artigos sobre temas relacionados à Zoologia. Mais tarde, já formado, com uma bagagem intelectual muito mais composta e com a Epistemologia Genética, que é o conteúdo mais abordado na sua obra, embasada, escreveu suas obras mais substanciais como: Nascimento da inteligência na criança (1936), A construção do real na criança (1937), A noção de tempo na criança (1946), A representação do Mundo na Criança (1926), entre outras. Um fato curioso nas obras de Piaget é que demasiadamente é tratado um assunto relacionado á criança, como é visto nos títulos das suas obras citados acima.

É mister saber que a obra de Piaget trata de assuntos relacionados á Epistemologia Genética, que tem como objeto de estudo o conhecimento humano. É importante diferenciar o conhecimento de educação, pois há quem diga que a obra de Piaget é um tratado sobre educação. De certo, nesta, pelo seu conteúdo e temas abordados, há elementos que permitem a reflexão sobre questões educacionais e é visível a possibilidade da prática na pedagogia de inúmeros dos seus princípios, no entanto, não é essa a exclusiva finalidade de Piaget quando discorreu a sua obra.

Por outro lado, o que o levou a construção deste acervo teórico foi a necessidade de garantir e metodificar controles seguros daquilo que se denomina conhecimento, voltando aos seus princípios formadores se preciso, ou seja, fazer uma sistematização consistente acerca de como se dá o conhecimento. Para isso se dedicou à Epistemologia Genética, a qual é responsável por estudar a constituição dos conhecimentos válidos e a evolução do conhecimento, isto é, como um conhecimento tal passa para uma forma de conhecimento mais complexo, sólido e abrangente. Esta relação é o princípio de estudo desta área do conhecimento, a qual Piaget foi um dos, e senão o maior dos, consolidadores.

 

B.     Epistemologia genética.

Em sua teoria sobre a Epistemologia Genética (estudo de como se passa de um conhecimento para outro conhecimento mais complexo), Piaget defende que o comportamento humano não é resultante de condicionamento e nem é composto por idéias inatas, por outro lado, diz que estes se dão pela interação do individuo com o meio. Isto caracteriza sua teoria como interacionista.

Diz que a inteligência se dá como um mecanismo de adaptação às novas situações, ou seja, está relacionada com a interação com situações novas, assim quanto mais complexas a situações, mais inteligente o individuo se tornará. Essa adaptação implica a modificação das estruturas de maturação do individuo por um processo genético.

Essas estruturas; é um conjunto de elementos relacionados entre si de tal forma que não se podem definir ou caracterizar os elementos independentemente destas relações” (Ramozzi-Chiarottino, 1988: 13); é um conjunto de elementos que se relacionam entre si. Estas diferenciam os seres de acordo com o seu grau de organização, ou seja, nelas há uma hierarquia natural em cada individuo que se dão de acordo com o desenvolvimento do próprio individuo, ou seja, pela idade, ou desenvolvimento natural; e a experiência as modifica como já foi dito. É mister saber que a modificação de um elemento destas estruturas geram a modificação de todos os outros. As estruturas agem sobre o real a fim de transformá-lo com a intenção de compreendê-lo.

Diz Piaget que os indivíduos só recebem um novo conhecimento se estiver preparado para recebê-lo, ou seja, para inseri-lo no seu conjunto de conhecimentos o individuo tem que ter uma preparação prévia para se poder inseri-lo num conjunto de relações, esta preparação diz respeito a outros conhecimentos menos complexos que os novos. Para isto se deve ter algo antes deste conhecimento para poder relacioná-lo.

Para ser realmente conhecimento é preciso haver um equilíbrio entre a interação do individuo com o meio ou o novo conhecimento e a sua estrutura, em outros termos, tem que haver equilíbrio entre o pólo assimilador e o pólo acomodador da inteligência. Quando se fala em pólo assimilador, ou simplesmente assimilação, isso diz respeito à incorporação ou relação de novos elementos às estruturas existentes ou o processo em que o indivíduo transforma o meio para satisfação de suas necessidades. Quanto ao pólo acomodador ou, acomodação está relacionada à transformação dos próprios esquemas de assimilação, ou seja, a evolução destes para atender a uma necessidade nova, pois aquelas estruturas existentes já não são mais suficientes para responder a uma situação “X”, em outras palavras, é reestruturação dos esquemas de assimilação. Então segundo Piaget, é necessário “um equilíbrio progressivo entre um mecanismo assimilador e uma acomodação complementar” (Piaget, 1982). Assimilação e Acomodação são processos indissociáveis.  Assim, há a maturação na medida em que, progressivamente e em etapas sucessivas, com complexidades crescentes, há esse equilíbrio. Isso Piaget denominou construtivismo seqüencial.

Piaget cita os períodos deste desenvolvimento com cada uma das suas características e como a inteligência trabalha em cada um deles. São eles:

1.     Sensório Motor; se dá do nascimento até, aproximadamente, dois anos. É caracterizado principalmente pela ausência da função semiótica, ou seja, a capacidade que o indivíduo tem de gerar imagens mentais de objetos ou ações. A inteligência neste período é iminentemente prática.

2.     Simbólico; também chamado de período da fantasia, dá continuidade ao período anterior e vai aproximadamente até os quatro anos. Neste aparece a função semiótica, permitindo assim o surgimento de algumas aptidões como a linguagem, imitação, desenho. A linguagem é abstrusa e a socialização, apesar de ser coletiva, é vivida de forma isolada. São estas algumas das características.

3.     Intuitivo; também chamado de idade dos porquês, segue o período anterior e vai aproximadamente até os sete anos. Neste já há uma distinção do real com relação à fantasia e o pensamento é voltado para o próprio ponto de vista. No âmbito da linguagem, não mantém diálogos extensos, mas já é capaz de responder e argumentar brevemente.

4.     Operatório Concreto; dá continuidade ao período anterior e vai aproximadamente até os 11 anos. Nesse período consolida-se a socialização já que o individuo já é capaz de manter longos diálogos, sem, no entanto discutir pontos de vista. Outra característica consolidadora da socialização é a organização em grupo, podendo ser eles grandes e os indivíduos podem até assumir uma chefia e admiti-la inclusive. Com relação ao aprendizado, é possível a conservação de números, substância, volume e peso; Há lógica na organização do mundo.

5.     Operatório Abstrato; vai do fim do período anterior em diante. Esse período é caracterizado pelo ápice do desenvolvimento da inteligência; o nível de pensamento nesta fase é hipotético-dedutivo ou lógico-matemático. O exercício do é constante, possibilitando o individuo libertar-se do concreto, calcular probabilidades e outras inúmeras possibilidades que é possível por meio do pensamento, há uma abertura para todos os possíveis. A linguagem também é bastante complexa, permitindo a dialética e a socialização também se mostra no seu ápice, permitindo a reciprocidade, cooperação e outras possibilidades encontradas no meio social.

A compreensão destes períodos permite compreender como o individuo reage em cada período de sua vida para adquirir conhecimentos ou até estratégias de sobrevivência, interpretação da realidade. Por fim, servirá como base para melhores práticas em áreas do conhecimento sobre o humano e principalmente na pedagogia.

 

C.     Prática na educação.

Como já foi dito, a obra de Piaget oferece elementos e recursos que permitem a reflexão sobre inúmeras questões educacionais, apesar de não ser esse o foco desta. Já há a prática das suas teorias na pedagogia, tanto em escolas públicas como particular. Alguns governos municipais, inclusive, já tentam adotá-las como preceito político-legal. No entanto, são poucos os profissionais da educação que tentam adotar os princípios piagetianos na sua metodologia. Nem mesmo as Faculdades de Educação, de uma forma geral, preocupam-se em aprofundar estudo nestas teorias.

De fato, é um desperdício deixar de lado uma contribuição considerável como esta, já que definindo os períodos de desenvolvimento da inteligência auxilia os educadores a compreender com quem estão lidando e assim, podem eles adotar estratégias específicas e mais eficazes e estímulos adequados para o alunado, contendo cada individuo em sua determinada fase de desenvolvimento (já que cada uma destas apresenta características e possibilidades de crescimento da maturação ou de aquisições), assimilar com mais eficiência o que é ministrado e, o mais importante, não torná-los decoradores/repetidores de conteúdo teórico.

Um dos fatores que leva a ínfima adoção das teorias piagetianas na pedagogia é o fato de muitos dos educadores não assimilarem a substancia da teoria. Isso também se dá pela pouca divulgação destas aqui no Brasil. Fato que é triste, pois devido à grande contribuição destas teorias, principalmente a da compreensão dos períodos de desenvolvimento da inteligência, poderiam melhorar consideravelmente a assimilação dos discentes.

 

~X~ 

                                                                                                                                                                                                       (Andinho Yankee)

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