Sobre o Crescimento Profissional (Ilusão da excelência)

~ Ilusão da Excelência ~

No tempo que passei no SENAC, aprendendo uma profissão, era demasiadamente citado pelos instrutores que parte da felicidade do homem está na realização profissional.  Esta realização, eles deixavam claro que só viria de nós mesmos, isto é, seria o fruto do que plantássemos no dia a dia dentro da empresa. Pensando nisso, nos davam dicas de como alcançar o crescimento sem limites e ser um profissional disputado pelas inúmeras empresas da área em que atuamos.

O que mais ouvíamos é que no mercado de trabalho há inúmeros profissionais bons, mas o nosso objetivo era alcançar a excelência. Para isso tínhamos que adotar hábitos incomuns do que possuíamos. Estes hábitos nos levariam a atuar de forma ativa, e ética.

Em primeiro lugar, na visão do que nos foi passado, um profissional excelente tem que seguir à risca os princípios ético-profissionais. Este tem que estar a frente de todas as situações que possam acontecer na sua rotina profissional, o pensamento tem que ser extremamente rápido para poder superar as expectativas dos clientes, tem que encantar os clientes constantemente apresentando os caminhos mais viáveis e satisfatórios para o mesmo, tem que ter o espírito empreendedor e voltado para o meio ambiente e, acima de tudo, não pode ter problemas nem dúvidas e sim soluções e respostas seguras. Em suma, estas são algumas características de um excelente profissional que o diferencia de um bom profissional.

Víamos no SENAC vários exemplos que tinham como foco diferenciar estes dois tipos de profissional. De certo estes exemplos encantavam aos que viam aquela cena e tentavam se colocar no lugar daqueles dois casos, de certo os espectadores almejavam ser o melhor profissional, talvez porque no exemplo era quase feita uma relação de bandido/mocinho, sempre dando ênfase ao relaxamento do bom profissional e a atuação encantadora, ativa e comovente do excelente profissional. Tudo isso, aos olhos dos jovens de idade entre 15 e 18 anos, era de derramar lágrimas e criar as mais utópicas expectativas.

De certo, podemos dizer que tudo isso é bom, e de fato é, pois um profissional que faz de tudo para atrair clientes para a empresa será almejado com certeza. Realmente é digna de aplausos uma pessoa que conquista o seu crescimento como fruto do seu trabalho bem executado. Porém, é importante frisar o que essa demanda de características especiais para se obter o status de “excelente” representa para as empresas. Como vimos nas características deste tipo de profissional, todas correspondem a princípios éticos e o que há por trás destes princípios vimos no texto anterior sobre ética profissional. Assim, o que há de fato é uma maior cobrança das empresas por profissionais que vão além do pensamento dos próprios patrões, para assim diminuir o esforço dos mesmos e haver uma produção maior e com mais qualidade.

É importante ressaltar que, excluindo a parte do que a ética profissional representa para os profissionais ditos excelentes e as situações a que estes têm que se submeter para receber este tipo de status, há justiça em crescer em virtude do seu esforço, mas se isso realmente acontecesse. Com isto quero dizer que a teoria não condiz com a realidade, isto é, os profissionais qualificam-se, trabalham arduamente, buscam estar atualizados e à frente de tudo e todos, mas não são recompensados no fim, pois o sistema de crescimento profissional dentro de inúmeras empresas das diversas áreas empregatícias é controlado e premeditado. O que é visto dentro das empresas é o nepotismo e a ascensão por intermédio da amizade, que nem sempre é amizade verdadeira.

Já ouvi vários relatos de pessoas que trabalham há anos em determinada empresa, com fidelidade e empenho, mas não conseguem ascender profissionalmente, pois há outros que entram recentemente na empresa e, por estar no pé do chefe elogiando-o e enaltecendo-o, conseguem ocupar os cargos mais altos, às vezes sem desempenhar com tanta qualidade quanto aquele profissional que está ali há mais tempo as atribuições. Outro fator que diminui as chances dos profissionais dedicados de crescerem profissionalmente é o nepotismo, muitas vezes os cargos de mais prestígio são passados diretamente para familiares daqueles que já estão ali ocupando estes cargos. Aí fica a pergunta, será que, diante disto, vale a pena ser um excelente profissional, se expor a situações que chegam a ser humilhantes sabendo que a corrupção predomina naquele sistema, sabendo que você passará o resto da vida naquele lugar até o dia que enjoem de você e lhe demitam por alguém mais jovem? Digo que quando a necessidade é muito grande vale a pena, é preciso conformar-se até o dia que uma solução seja encontrada, ou mudar de vida de algum modo.

Esta situação reflete mais uma vez que a esperteza supera a qualidade e não dá para sonhar onde a ambição predomina. A beleza da teoria mais uma vez é desmontada pelo horror da realidade. Isto leva toda essa história de “profissional excelente é disputado à tapas pelas empresas” ser mais um apetrecho capitalista de condicionamento daqueles que possuem a tão almejada força de trabalho de qualidade, ou seja, mais uma forma de ludibriar os inocentes, levando-os a sonhar com algo irreal só para ter uma melhor produção e como conseqüência, maior lucro.

 

 

(Andinho Yankee)

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