Por trás do Workshop (Ética profissional)

       

    ~ Crítica à Ética Profissional ~

           Recentemente publiquei um texto referente ao 1º workshop sobre ética profissional do SENAC Alagoas. É visível o meu orgulho em citar que a idéia partiu de mim, porém, orgulho-me apenas do fato de ter concretizado uma idéia minha, tê-la transformado em algo palpável. Por outro lado, sinto que esta realização foi sobre algo que eu tenho consciência de que não é viável para a humanização do homem, pois leva o mesmo a ser tratado como número e objeto de trabalho e não como humano que é igual aos demais que estão por trás das ideologias do trabalho.

           No meio em que eu lancei essa idéia eu fui aplaudido, parabenizado, apoiado… Já no meio universitário e familiar (parte intelectualizada) eu sofri algumas críticas pelo fato de eles também terem consciência do que é a ética profissional. Com isso, eu me senti na obrigação de mostrar a todos que estava fazendo aquilo apenas para sentir o sabor de ter uma idéia minha concretizada e não para implantar na mente dos que não tinham conhecimento do que aquele tema representava para a sua dominação a idéia de que tudo aquilo era perfeito é viável. Para mostrar isso a todos eu redigi um texto a respeito da minha experiência naquela magnífica instituição formadora de profissionais para o mercado de trabalho.

 

~ SENAC ~

 

No SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), no programa que eu participei, que é o Jovem Aprendiz, freqüentava a mesma sala que eu cerca de 35 jovens de idade entre 15 e 18 anos que ali estavam para aprender uma profissão e ingressar no mercado de trabalho. Lá existem qualificados professores de diversas áreas que lecionam disciplinas que são essenciais para cada tipo de trabalho, como PTOS (Processos de trabalho para Operadores de Supermercado) para quem trabalhará num supermercado, assim como Libras (Língua Brasileira dos Sinais), também para quem trabalhará num supermercado, pois pode aparecer um cliente que seja surdo, assim o profissional estará preparado para todas as situações que possam lhe ocorrer no dia a dia na empresa.

Um fato que chama atenção é que além de existir disciplinas específicas para cada tipo de trabalho, tem uma destas que aparece em todos os tipos de trabalho das diversas áreas empregatícias, é a “Qualidade em Prestação de Serviços”. Esta é sempre a primeira disciplina de todos os cursos, ela trata dos métodos usados pelo profissional para gerar um ambiente de trabalho harmonioso, para assim, a produção fluir com agilidade e perfeição, pode-se dizer também que ela trata dos princípios éticos a serem seguidos pelo profissional no seu ambiente de trabalho e na vida como um todo.

O que mais se escuta nesta disciplina é que o cliente sempre tem razão e o profissional está ali para servir. Nesta história quem é o humano? O pior é que isto já é aceito por ambos os lados, inúmeros clientes acham que o fato de ter dinheiro lhes dá o poder de agredir e menosprezar que está do outro lado fazendo algo em troca do seu dinheiro, é como se o serviço pago não bastasse, é preciso ver o outro menor que ele e para isso abusa da autoridade se enaltecendo. Com isso fica a pergunta: Será que o outro que está sendo diminuído não pensa, não sente o que está sendo passado pelo diminuidor?

Outro conceito que é visto constantemente é: Profissional ético é aquele que não mede esforços para ver o crescimento da empresa! De certo isto cai bem para o dono da empresa, pois é quem fica com o lucro gerado por aqueles que são remunerados pela sua força de trabalho. Para vivenciarmos este estado de espírito de um profissional ético são dados vários exemplos encantadores como: Ética é aquela pessoa que não fica parada, está sempre procurando o que fazer, pois sempre há algo a fazer na empresa mesmo que não seja atribuição do profissional, pois não custa nada ajudar um colega que está com trabalho pendente ou então adiantar o trabalho do dia seguinte. Isso é lindo, ser solidário, ativo, mas é lindo para quem vai lucrar em cima disso. É claro que um patrão não irá contratar alguém para ficar parado e quanto mais aquela pessoa trabalha é mais e mais lucro para os bolsos daquele que tem o poder. Contudo, será que o humano não tem um limite? Tem sim, o ser humano é perecível, cansa-se, mas isso não é citado no curso, é citado apenas que você tem que trabalhar para ver a empresa crescer a qualquer custo, sem cessar. Mas será que enquanto o funcionário raso está dando o sangue o dono estará na mesma situação? De fato era pra estar já que a empresa é dele, mas ele não precisa, pois tem quem o faça.

Não se pode esquecer que um profissional ético é ágil, educado, flexível, tem que ter um impecável marketing pessoal, deve ter uma ótima dicção, é compreensivo, motivado, focado e acima de tudo alegre, sorridente. Tudo isso irá proporcionar inúmeros bens para a vida profissional e pessoal do mesmo. De fato há o que tirar de bom nestas qualidades exigidas para um proletariado ganhar o status de “ético”. É considerado antético tudo o que vá de encontro com estas qualidades, isto é, vícios e maus costumes da vida.

Então a ética profissional consiste em valores que um profissional tem que adotar para gerar o crescimento da sua empresa. Isto se dá encantando os clientes e produzindo de maneira ágil e perfeita. De fato isto é bom para quem tem poder e para o sistema, mas será que isto é bom para o humano? Creio que não pelo fato de estes valores desvalorizarem o que, de fato, o humano é. Este possui sentimentos e não é diferente de nenhum dos seus semelhantes, então porque se rebaixar, se auto diminuir para encantar outra pessoa, mas não pelo fato de encantá-la para ter relações positivas com a mesma e sim para o conquistado despejar o seu dinheiro naquele local de compra. Pior ainda é saber que aquele dinheiro nem é para ela e sim para outra pessoa que está acima desta, pois a pessoa encantadora faz apenas um intermédio de dinheiro entre Patrão e Cliente para no fim sair com o mínimo desta soma.

Por fim, o profissional tem que praticar todos os valores ético-profissionais na sua vida pessoal. Para não ter problemas na vida e não se desvirtuar deste caminho maravilhoso. É importante frisar que não é permitido levar problemas de casa para o trabalho, nem os do trabalho para casa. Isto fará com que o profissional fique sempre alegre e sorridente e atento ao trabalho, a parte pessoal da vida do trabalhador não os importa muito.

 

Então, com esse texto eu passo o que realmente penso sobre a ética profissional. Peço perdão por ter usado este tema no Workshop, mas foi por motivos maiores. No fim, me sinto realizado.

 

(Andinho Yankee)

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