O Caso de Carlos e Karla

Questões propostas por Rosy Brito.

 

1 – Rosy Brito: Discorra sobre o caso 2 do livro que eu lhe dei semana passada, mas não sobre a história contada e sim sobre a idéia subjacente da questão e o fator marcante que fez o menino tomar o Outro como objeto de desejo.

 

           O segundo capítulo deste livro conta a história de um jovem de classe alta de um conhecido bairro da cidade de Maceió. Seu pseudônimo é Carlos, ele tem 23 anos, e “namora” com Karla (pseudônimo), a qual, no momento, é o seu objeto de desejo mais intenso. Carlos conheceu Karla há um ano e três meses numa formatura que aconteceu num bairro litorâneo de Maceió.

Desde que começou a namorar, Carlos sentia-se, de certa forma, angustiado com a presença de Karla, demasiadamente ou até constantemente… Mas o mesmo alegava que a amava.

 

           Esse estado de espírito tomava Carlos sempre que estava com Karla e na não-presença da mesma ele se sentia enaltecido, livre, totalmente o oposto de quando estava com a namorada.

Após consultas a um psicólogo, foi revelado que Carlos se sentia diminuto com relação à namorada, pois a mesma se destacava em áreas as quais Carlos almejava sucesso.

 

Ø  Ao jovem foram receitados alguns métodos de sublimação, pois era o único modo de amenizar o seu problema. O seu psicólogo não sabia como assimilar o seu problema.

 

           Como era de se esperar, o estado do garoto permanecia estático, era amenizado, mas não assimilado. Este foi um erro gravíssimo do psicólogo, pois além de o seu método não funcionar, trouxe outros problemas para o jovem. Carlos passou a demonstrar alguns sintomas comuns de angústia, estes apareciam cada vez mais intensos com o passar do tempo.

 

           Foram receitadas mais “audiências” com o psicólogo do jovem, na tentativa de dissipar o que o atormentava. Foi pensado em dar ao garoto o que ele queria, seus desejos em-si, mas surgiu daí outro problema, o de apegar-se ao real para identificar qual o problema. De certo, a questão era a da namorada ter alcançado o que ele almejava, e ele não.

 

           Então, a questão real era: O jovem tem inveja da namorada por que ela obteve tudo o que ele almejava, essa inveja gerava no mesmo a angústia ao ponto de ser chamado de ódio. Por outro lado, ele a amava também pelo fato de ela ter o que ele almejava, mas neste caso ele queria a ter para superá-la ou diminuí-la. No entanto, a amava!

 

           Por fim, só conseguiu descobrir o problema em-si quando se apegou ao imaginário, logo, uma solução só poderia vir do imaginário, ou do simbólico.

 

          Então a questão no imaginário era: O jovem amava a namorada, mas amava na intenção de mantê-la perto dele, pois queria mostrar a ela que o que ela conseguiu não era nada e que ele poderia ter mais. Fingia não se importava com o que a namorada tinha conseguido, mas na verdade tinha consciência da importância das conquistas dela, mas não aceitava. Assim, ele desejava matá-la aos poucos e não conseguindo, caía na angústia.

 

~A história do sexo oral ~

 

           Carlos continuou vivendo, conseguiu superar a dor trocando de objeto de desejo. A solução foi acabar o namoro.

 

           Um fato interessante é que por alguns momentos Carlos conseguia dissipar a sua angústia. Como era de se esperar, foi no simbólico que ele obteve essa façanha.

Isto se dava quando a sua namorada praticava sexo oral nele. À sua percepção, à sua consciência aparecia a imagem do sexo oral como ele é à percepção humana, mas em seu inconsciente, no simbólico aparecia a imagem da namorada abaixo dele, implorando por uma das suas partes mais inferiores e fazendo aquilo na intenção de satisfazê-lo, de o deixar feliz. Isto “também a deixava “feliz”, é representado pelo Gozo do Outro”.

          Então, era nesses momentos que ele dissipava, mesmo que temporariamente, a sua angústia.

 

 

(Andinho Yankee)

2 respostas em “O Caso de Carlos e Karla

  1. Vc tem o dom da abstração…Tá quase me alcançando > BRINCADEIRA <é triste a situação da Karla, mas é tão normal, tão cotidiana a situação… dos dois.A análise mostra uma coisa tão grotesca, tão, tão…Definitivamente, o simbólico é angustiante… Nós somos angustiantes…

  2. Eu msmo fiquei assustado, apavorado quando li este caso,mas esse nem é tão impressionante e complexo quanto o da garotano "O sentido dos sintomas"…Espero entender o máximo o simbólico,a parte ruim é que é angustiante você saber o que há por trásdos atos e falas das pessoas, isto é, quando é contra mim…Mas o que vale é o conhecimento…

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