Jacques Lacan – Teoria dos Gozos

Lacan

 

Jacques Lacan (1901-1980) foi o seguidor que mais contribuiu e deu continuidade à obra de Sigmund Freud, nasceu na França em Orleans. Formou-se em medicina, atuou como neurologista e psiquiatra e também se considerava um Psicanalista Freudiano. Lacan conviveu com uma família católica, a qual valorizava bastante a religião, mas não levou a diante este costume religioso. É considerado o único verdadeiro mestre da psicanálise na França, o que lhe rendeu adversários e com isso muitas críticas. Lacan escreveu cerca de 50 artigos, quase todos provindos de conferências e reinterpretou quase todos os textos ou conceitos freudianos, assim como os grandes casos e acrescentou ao corpus psicanalítico sua própria conceitualidade. Toda a obra de Lacan está traduzida em 16 línguas.

Lacan foi, com efeito, o único dos grandes intérpretes da doutrina freudiana a efetuar sua leitura não para ultrapassá-la ou conservá-la, mas com o objetivo confesso de “retornar literalmente aos textos de Freud”. Assim, o Lacanismo é considerado uma “revolução ao contrário”, isto é, não um progresso em relação a um texto original, mas uma “substituição ortodoxa” deste texto.

A Psicanálise Lacaniana, não é uma simples corrente, mas uma verdadeira escola. Lacan não considerava a psicanálise como uma ciência, mas sim como uma visão de mundo ou uma filosofia que pretende dar a chave do universo. Dizia que a psicanálise é uma prática, e que através do método da associação livre chegaríamos ao centro do ser.

Lacan foi buscar apoio num saber exterior ao freudismo: psiquiatria, surrealismo, filosofia. Formou-se em Medicina, atuou da neurologia à psiquiatria, foi aluno de Gatian de Clérambault. Chegou a ter contato com a psicanálise por meio do surrealismo e a partir de 1951, dizendo que os pós-freudianos tinham se desviado, propôs um retorno a Freud. Para isso, usou a lingüística de Saussure (e mais a diante de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Mais a frente encaminhou-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é acima de tudo oral, sendo emitido através de seminários e conferências. A partir de 1936, Lacan dedicou-se à filosofia hegeliana, dedicou à “Fenomenologia do espírito”. Foi apartir deste tempo, mais precisamente nos anos 50, que Lacan teve certeza de que a Obra de Freud deveria ser retomada, baseando-se, ao mesmo tempo, na filosofia heideggeriana, nos trabalhos da lingüística saussuriana e nos de Lévi-Strauss. Destes, ele retirou grande parcela de conhecimento para a produção das suas obras, como o (simbólico, imaginário, real: S.I.R.), que provém do pensamento de Lévi-Strauss, do qual ele retirou a noção de simbólico.

 

 

Teoria dos Gozos

 

            Na Teoria dos Gozos, Lacan, apesar de em tempos diferentes, dialoga diretamente com Freud. Isto se dá quando ele fala da sexualidade. Lacan diz que o gozo é, também, a satisfação do desejo humano, o que Freud também representara com a assimilação.

            Lacan fala do Gozo do Outro, ele o representa como apoderar-se do outro (objeto de desejo) como modo de satisfação, tê-lo de um modo que chega a ser recíproco, identifica-se com o desejo de ter o outro para se satisfazer e querer também o satisfazer.

            Lacan diz também que há vários tipos de Gozo: o clitoridiano, o masturbatório, o masoquista, o Gozo da coisa, Gozo perverso, Gozo da mulher e de Deus. Por ora, me atentarei aos exemplos, o conceito de cada um destes gozos discorrerei em outra oportunidade.

Com relação do Gozo Sexual como Gozo do Órgão, Lacan situa o Gozo Fálico na detumescência do pênis que ocorre após o orgasmo. O Gozo Fálico é o que está fora do imaginário, fora do corpo.

            No tempo em que Lacan viveu, no Gozo o indivíduo buscava a sua completude, mas não no objeto de desejo em-si e sim no sentido da coisa, isto é no que a coisa representa para o ser. Na sociedade contemporânea o que mais acontece é o contrário, ou seja, o indivíduo busca a sua completude no objeto como ele é realmente.

            A sociedade em que vivemos é marcada pelo consumismo, então é condicionada por um modo de Gozo caracterizado pela aquisição de bens, objetos de desejo, muitas vezes estes só servem como status e não como operadores de satisfação de desejos, isto é representado pelo mais-de-gozar.

(Andinho Yankee)

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