Da vinda da família real portuguesa para o Brasil até a Independência.

  1. 1.     A vinda da Família Real portuguesa para o Brasil.

Por volta de 1807 a Europa estava passando por um período de conflitos entre alguns países, principalmente entre França e Inglaterra. Houve um tempo em que grande parte dos territórios europeus eram dominados pelo império francês, que tinha como Imperador o historicamente conhecido Napoleão Bonaparte. Um dos fatos mais importantes deste período foi o decreto do Bloqueio Continental por Napoleão. Seu intuito era arruinar a economia da Inglaterra adotando como medida o fechamento de todos os portos europeus para as embarcações inglesas. De fato, esta medida seria fundamental para destruir a economia de um país já que ela girava basicamente em torno da venda de produtos como as especiarias, tecidos, entre outros; E esta venda era feita, na maioria das vezes, justamente por embarcações nos portos mundo a fora.

Vários países acataram às ordens de Napoleão. Portugal foi um país que se viu numa situação complicada diante disto, não somente por estar recebendo ordens e ameaças, mas pelo fato de a Inglaterra ser um dos seus fortes aliados. Portugal comprava e também vendia muitos produtos manufaturados da Inglaterra, então se fechasse os portos para ela a sua economia também sofreria. No entanto, se não procedesse segundo a vontade de Napoleão poderia estar entrando em conflito com o mesmo, o que provavelmente resultaria numa guerra.

Aqui na América do Sul, mais especificamente no Brasil a situação não era muito diferente. Isto por que o Brasil era colônia de Portugal, então, a situação de Portugal era basicamente a mesma da situação do Brasil.

Sentindo-se pressionados a Família Real de Portugal decide abandonar o país e fugir para a colônia, para o Brasil com a ajuda da Inglaterra, evitando assim que a pomposa família real portuguesa da dinastia de Bragança fosse deposta por Napoleão. Isto aconteceu no dia 29 de novembro de 1807. A família real desembarcou já em 1808, em Salvador, em seguida foram morar no Rio de Janeiro. Assim, o Brasil “deixa de ser uma colônia” e se torna Reino Unido ao de Portugal e Algarves, em 1815.

Mais tarde, após uma estadia conturbada no Brasil, com a adoção de medidas polêmicas e que desagradava bastante os brasileiros, D. João VI volta a Portugal como rei no dia 26 de Abril de 1821, mesmo que contra a sua vontade. Ao partir ele deixa D. Pedro, seu filho como substituto. Com isso ele poderia manter o novo reino sob o seu domínio. Ora, seu filho seria alguém confiável no sentido de que não tomaria uma decisão separatista, ou seja, para separar o Brasil do domínio de Portugal.

  1. 2.     Independência do Brasil

Não foi fácil para D. Pedro interagir com a realidade que ele encontrou no Brasil após a volta do seu pai, D João VI, para Portugal. As dificuldades foram inúmeras, mas a principal foi a condição financeira que o Brasil estava devido ao fato de seu pai ter esvaziado os cofres brasileiros quando partiu. Sem contar que algumas províncias, como a do maranhão, Pará e Bahia não reconheciam a autoridade de D. Pedro. Além disso, havia conflitos entre alguns partidos políticos, onde uns queriam a volta do Brasil ao posto de colônia, outros defendiam a independência.

Quanto à questão financeira, D. Pedro adotou medidas com a finalidade de melhorar a situação. Destas medidas, a redução de despesas, adotou o sistema de orçamentos e o ato de economizar. Já quanto às outras questões teriam que ser tomadas medidas mais complexas.

Em Portugal, já com a presença de D. João VI, a corte portuguesa dava inicio ao processo que buscava re-transformar o Brasil que era reino em colônia pertencente a Portugal. Fez parte deste processo o decreto da coroa portuguesa que previa que todas as províncias brasileiras seriam independentes, ou seja, era como se cada província fosse um país, um território distinto dos demais ao seu redor. Com isto, D. Pedro passaria de Príncipe-regente ao posto de simples governador do Rio de Janeiro. Mais tarde, foi ordenado a D. Pedro que voltasse a Portugal para finalizar seus estudos e posteriormente ocupar seu lugar de direito em Portugal, ou seja, o trono de seu pai.

Diante disso, D. Pedro adotou um comportamento inesperado, isto é, ele hesitou, bateu de frente com as ordens recebidas. Tal fato gerou um sentimento bastante peculiar entre os patriotas, o que levou ao inicio de um movimento para que D. Pedro insistisse em desacatar as ordens vindas da coroa portuguesa e permanecesse no Brasil. Com o passar do tempo, pode-se dizer que D. Pedro permaneceu hesitando, mas com receio de proceder de tal forma, mas depois aderiu de forma efetiva ao movimento patriota e se manifestou claramente como sendo contrário às ordens da coroa portuguesa. Disse ele:

“Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico!”

Estas palavras ficaram historicamente conhecidas. Foram registradas na carta que D. Pedro enviou a D. João VI no dia 09 de janeiro de 1822, dia que ficou conhecido como DIA DO FICO. Este não foi somente um ato de rebeldia de príncipe para com seu pai, para os que pensavam a vida política do Brasil este foi um grande passo para o que era pretendido pelo partido republicano, ou seja, a independência do Brasil.

A corte portuguesa ainda tentou levar D. Pedro à força de volta para Portugal encaminhando uma esquadra ao Brasil, a qual foi obrigada a regressar pelo mesmo. Outras tentativas também foram efetivadas, mas todas sem êxito. Isto obrigou D. Pedro a tomar mais decisões em prol do Brasil, inclusive convocar uma assembléia constituinte. Nesta, dentre os artigos havia um que previa que todas as tropas portuguesas eram consideradas inimigas. Isto alimentava o espírito dos patriotas no sentido de que a independência estaria por vir. Em 1822 foi lançado um manifesto apoiando a independência do Brasil pelo próprio D. Pedro.

Neste contexto, D. Pedro tomou a iniciativa da independência em 07 de setembro de 1822 após receber despachos de Portugal com decretos e cartas de José Bonifácio – Executava um papel de orientador de D. Pedro – e de Dona Leopoldina – Princesa regente. Esta iniciativa ocorreu às margens do rio Ipiranga, pelo príncipe regente, de frente para a comitiva e a guarda, com a seguinte fala:

 

 “Camaradas! As cortes de Lisboa querem mesmo escravizar o Brasil; cumpre, portanto, declara já sua independência. Estamos definitivamente separados de Portugal”.

“Independência ou morte!”.

Assim foi declarada a independência do Brasil. D. Pedro foi aclamado como Imperador, recebido em São Paulo com muita euforia pelo povo. Foi cantado o hino da independência o qual foi composto pelo próprio imperador. Toda essa festa durou por algum tempo. Mas por trás de tanta festa ainda existiam os problemas reais que conviviam com D. Pedro, o maior deles era a resistência que ele ainda encontrava em algumas províncias que eram fiéis à coroa portuguesa. O que eram um desafio enorme para o imperador, pois não seria nada fácil pacificar tal situação. Dentre os conflitos de pacificação o mais demorado foi na Bahia, contra o General Madeira, pois este tinha a disposição um forte arsenal bélico. Mas, com o Brasil em suas mãos, após algum tempo o General Madeira foi vencido e o maior problema que D. Pedro enfrentava foi sanado. Alguns outros conflitos menores, como o do Pará, da província Cristalina, do Maranhão também foram vencidos e a independência do Brasil só fora reconhecida por Portugal em 1825.

~X~

(Anderson Yankee / Elisa Pereira)

http://ask.fm/Andyankee

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