Disciplinas pedagógicas e específicas (Licenciatura – Ufal)

Quem cursa alguma licenciatura, ou seja, qualquer curso superior que tenha como fim formar um professor tem que se acostumar com as disciplinas pedagógicas que compõem a grade curricular do seu curso, seja ele qual for; Biologia, Química, Filosofia, História, Letras, etc. Estas disciplinas tratam especificamente do âmbito educacional que vai desde o conhecimento do funcionamento de uma escola ao conhecimento das práticas educacionais, da realidade da educação no país, enfim, de tudo possível relacionado à educação.
Estas disciplinas diferenciam-se das específicas do curso, ou seja, das disciplinas que se ocupam de repassar os conhecimentos específicos da área (matéria) que o professor lecionará. Um exemplo de uma disciplina específica do curso é Ontologia, no curso de Filosofia, outro exemplo é o famoso Cálculo, no curso de Matemática. Como exemplos de disciplinas pedagógicas têm “Profissão docente”, “Planejamento, currículo e avaliação da aprendizagem, entre outras.
Esta diferenciação entre disciplinas pedagógicas e específicas é um ato feito naturalmente pelos próprios acadêmicos e, de fato, é possível destingui-las segundo o seu caráter. Neste caso, as pedagógicas tratam de conteúdos que devem perpassar todas as licenciaturas, enquanto que as específicas tratam de conteúdos que são tratados dentro de da sua respectiva licenciatura. É justamente por isso que é possível notar um comportamento peculiar dos acadêmicos referente a estes dois tipos de disciplinas.
Tratando especificamente da universidade na qual eu estudo, da UFAL, é possível perceber uma opinião majoritária dentre os alunos sobre estes dois tipos de disciplinas. É visto que a maioria dos alunos tem uma visão negativa a respeito das disciplinas pedagógicas e que estas deveriam dar lugar a mais disciplinas específicas. Isto geralmente ocorre pelo fato de os alunos se identificarem com questões relativas ao curso escolhido e quererem ao mesmo tempo ser professores. Mas a vontade de aprofundar-se nas questões relativas ao curso, através das disciplinas especificas, acaba tornando chatas as questões pedagógicas.
Ora, neste caso existem os cursos de bacharelado, que permite ao aluno aprofundar-se efetivamente nas questões do sue curso, pois na grade curricular deste tipo de formação não há disciplinas pedagógicas e sim, somente, disciplinas específicas, até por que a finalidade do bacharelado é formar pesquisadores e não professores. No entanto, como foi supracitado, há no aluno o interesse em lecionar, muitas vezes este não é nem o real interesse,
1. É que a grande maioria dos acadêmicos que optam por cursos de licenciatura são no máximo de classe média, e os desta classe já são a minoria, assim não possuem recursos para somente estudar e são obrigados a trabalhar também para se manterem estudando.
2. Também não há no estado grandes oportunidades para pesquisadores e as que tem são poucas para atender a grande quantidade de pesquisadores que se formam anualmente, então a maneira mais viável de estar por dentro das questões relacionadas ao seu curso é através da licenciatura, que permite aos acadêmicos trabalharem como professores mesmo antes de se formarem, ou seja, ao longo do curso e, ao mesmo tempo, terem uma formação que abre um leque de oportunidades maior do que o leque de oportunidades que um bacharel tem.
3. Ademais, é constatado que os cursos de bacharelado são no período diurno e isto dificulta a conciliação entre trabalho e estudos dos acadêmicos. Por outro lado, as licenciaturas imperam no período noturno, mais um fator que leva os estudantes a optarem pelas licenciaturas, pois, já que são a noite eles podem trabalhar durante o dia para se manterem.
Sabendo então que é a realidade do estado que faz com que os estudantes optem pelas licenciaturas, por serem mais viáveis para os mesmos, podemos entender os motivos de tal conceito sobre as disciplinas pedagógicas, até porque eles já foram explicitados, vejamos:
1. Os estudantes se identificam com questões relacionadas a uma área qualquer (Biologia, Filosofia, Matemática, Física, História, etc.), então resolve aprofundar-se nestas questões. A maneira de aprofundar-se é na universidade;
2. Na universidade há dois tipos de formação (licenciatura e bacharelado), mas os estudantes são inclinados a optarem pelas licenciaturas por serem mais viáveis; permitem conciliar trabalho e estudos e também oferecem um leque maior de oportunidades após a formação;
3. Na licenciatura eles não têm apenas disciplinas específicas como no bacharelado, mas também disciplinas pedagógicas compõem a grade curricular do seu curso;
4. Por identificarem-se com as questões referentes ao curso em que estão, juntamente com a vontade de aprofundarem-se nestas questões os acadêmicos vêem as questões pedagógicas como algo à parte do seu curso e, as vezes, algo desnecessário, chato.
A chatice é devida a distinção feita entre os dois tipos de disciplinas. Os acadêmicos assimilam o espírito do seu curso e este espírito não é o do professor que leciona aquelas questões e sim o do pensador que desenvolveu aquelas questões, o espírito de quem quer levar a frente aquelas questões, de quem quer desenvolver tudo aquilo que ele está assimilando. E não é lecionando em uma sala de aula de escola pública ou privada que ele irá efetivar esse desejo.
Neste sentido, as disciplinas pedagógicas são vistas como conteúdos desnecessários e até empecilhos para os acadêmicos. No entanto, são necessários, mas no sentido de que precisa ser comprovado que o acadêmico passou por estas disciplinas para poder formar-se, ter um título. É por esse fato que a atitude dos acadêmicos relacionada a estas disciplinas é a de cumpri-las por obrigação, de ir para a sala, fazer trabalhos e provas, mas com um sentimento negativo, se comparado ao sentimento que eles freqüentam as aulas das disciplinas específicas.
É justamente nas aulas das disciplinas específicas que os acadêmicos são envoltos pela aura do pensador, é aqui que eles assimilam o espírito do curso, o que lhes enchem os olhos e faz brotar nos mesmos a vontade de aprofundarem-se cada vez mais naquelas questões, de produzir obras de grande cunho intelectual, de servirem a humanidade com a sua inteligência, de construírem algo tão grande como o tal pensador que estudam e serem reconhecidos. Já nas aulas das disciplinas pedagógicas isto não se dá, o que é alcançado é a revolta com o sistema educacional, o reconhecimento de que o trabalho do professor é uma batalha sem fim contra um inimigo invisível e indestrutível, ou seja, é o sentimento de revolta que paira sob as aulas das disciplinas pedagógicas, enquanto que nas aulas das disciplinas especificas, é o encantamento que fica em alta.

__________________________

~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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3 comentários sobre “Disciplinas pedagógicas e específicas (Licenciatura – Ufal)

  1. Pingback: Contradições pedagógicas (INTRO) | Filosofia Caseira de Andinho Yankee

  2. olá, tudo bom? venho expressar a minha opinião sobre esse comentário rico em conteúdo subjetivo, que serve tanto para quem cursa um curso superior, quanto os que já concluíram, sempre fica alguma dúvida. Afinal a ampliação do conhecimento não tem fronteiras, aprendi algo a mais com o seu texto bem especificado, obrigada por sua atenção e por deixar parte do seu conhecimento para os iniciantes. estou no 2° período de licenciatura em educação física da universidade federal do acre (ufac).

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