Para uma gestão escolar democrática

(OLIVEIRA, João Ferreira; MORAES, Karina Nunes; DOURADO, Luiz Fernandes. ORNANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR NO BRASIL NA PERSPECTIVA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA. MOREIRA, Luciano Accioly Lemos. A ORGANIZAÇÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA NOS MARCOS DO CAPITALISMO.)

Em ambos os textos pode-se perceber uma discussão acerca das práticas administrativas no âmbito educacional. Essa discussão aparece como a tentativa de adequação das práticas administrativas ou organizacionais à natureza e especificidade da educação.

É sabido que a forma de organização da sociedade reflete suas concepções nas formas de organização escolar. Deste modo, é visto atualmente a prática de uma organização escolar fundada no limitado conceito de administração. Isto se dá em decorrência do sistema econômico vigente, o capitalista.

Administrar é “o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos[1]”. Considerando este conceito de administração fundado em uma concepção estritamente capitalista, veremos que ele não compreende a dimensão de uma organização escolar, pois, no que diz respeito à finalidade este conceito se mostra incapaz de abranger todas as vertentes do fim educacional.

Ademais, quando se utiliza o conceito “administrar” numa escola, imediatamente abre possibilidade para enxergar esta como uma empresa, onde o fim é a produção de mercadorias visando o lucro. O dever da escola aqui se resume a apenas transmitir conteúdo, ignorando assim a especificidade e natureza da educação, que é a formação do homem enquanto ser social, a formação de indivíduos, sujeitos críticos, autônomos, ativos. Assim, os procedimentos administrativos de uma escola não podem ser o mesmo de uma empresa, pois a escola tem que considerar os determinantes econômicos e sociais da realidade dos alunos.

Neste sentido, aplicar procedimentos administrativos de uma empresa numa escola acaba por se tornar algo desumana, pois, tendo o lucro como o seu fim único os alunos são objetivados. Pode-se até fazer uma analogia do aluno como matéria prima a ser transformada, algo meramente material. Mas na educação o aluno “é ao mesmo tempo sujeito e objeto no processo de construção e socialização do conhecimento historicamente produzido”. Isto se dá pelo processo de ensino/aprendizagem onde o sujeito é ao mesmo tempo objeto.

Ora, mas há um planejamento, organização e um fim na educação. A solução é gerir a educação. Isto é, com a gestão pode-se contemplar as vertentes política, pedagógica e administrativa que compõem a natureza e especificidade da educação; E não só o conceito de administração comumente usado neste âmbito.

Com a gestão escolar, abre-se espaço para a democratização das decisões e a participação de outros personagens na construção dos objetivos pedagógicos. Com isto não somente quem está no topo do poder da instituição objetiva o que será feito, pois há uma construção democrática do que será feito. De fato isto não acontece na administração de uma empresa. No âmbito empresarial os fins e os meios já são determinados e o corpo de empregados simplesmente executa o que é predeterminado sem questionamentos, isto por que existe uma hierarquia que verticaliza o poder.

Para que haja uma relação democrática na escola é necessário que toda a comunidade escolar participe da gestão. Ou seja, diretor, coordenadores, professores, funcionários em geral da escola juntamente com os pais, são responsáveis pelo rumo da escola. Esta visão administrativa pode ser denominada como emancipatória.

É essencial, nesta visão democrática, a formação de conselhos escolares para a definição dos fins políticos, pedagógicos e administrativos da escola, ou seja, de um Projeto Político Pedagógico (PPP). Além do PPP, a criação de um grêmio estudantil, conselhos de classe, conselhos escolares, uma associação de pais e mestres são outras meios de participação democrática da comunidade escolar.

O Projeto Político Pedagógico denota os fins da escola. É importante que ele seja um instrumento emancipatório, ou seja, que nele contenha fins que visem a formação de sujeitos ativos. Deste modo, ele tem que ir de encontro aos fatores condicionantes e alienadores da sociedade. Em suma, o PPP não deve conter fins que favoreçam o sistema capitalista, ele tem que conter justamente o contrário, isto é, elementos que ajudem a formar indivíduos críticos e não alienados.

Por fim, é mister a ampliação dos espaços de discussão na escola para se poder planejar melhor atividades em prol da resolução de problemas presentes naquele espaço. Isto é importante pelo fato de a realidade social ainda apresentar um comportamento centralizador que vai de encontro a essa democracia. Neste caso, esta ampliação aparece como resistência à realidade social do sistema econômico vigente.


[1] (Chiavenato, 2000, p. 6 e 7)

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~X~

(Anderson Yankee)

http://ask.fm/Andyankee

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